Seleção das ações

Na Bovespa existem mais de 300 empresas listadas, sendo que cada empresa possui uma ou mais classe de ações (ordinário, preferencial, units), totalizando mais de 400 ações diferentes.

É essencial em qualquer método ou estratégia de investimento em ações um processo de seleção das ações, baseado em diversos critérios que considere útil, de modo a escolher uma lista pequena de ações, em torno de 10 a 20, que serão consideradas as melhores. O conceito de melhor é diferente para cada pessoa, baseado em seus conceitos e objetivos.

O meu objetivo na escolha das ações é encontrar ações com grande probabilidade de forte alta de preços nos próximos meses ou anos, visando maior multiplicação do capital, mas aliado a uma forte gestão de risco conforme explicado nas páginas Proteção do capital e Controle de risco.

A seguir mostrarei como eu faço a escolha da minha lista de ações.

 

1) Força Relativa (FR)

O principal filtro para a seleção das ações que uso é a Força Relativa (NÃO é o IFR!). O FR pode ser utilizado como filtro para pegar as ações que mais estão performando. Eu considero ele como divisor de águas na seleção de papéis, é o que me ajuda a encontrar as possíveis “fogueteiras”, as ações que podem subir fortemente nos próximos meses e anos.

O FR varia de 0 a 100 e mede qual a performance de uma ação com relação a todas as outras, como um ranking. A listagem total pode ser todas ações da bolsa ou todas disponíveis no software utilizado. Meu software tem aproximadamente as 400 ações mais líquidas da bolsa, que não são todas mas é mais do que o necessário, pois as poucas que não estão tem uma liquidez mínima. Então eu faço o cálculo entre essas.

A listagem completa das ações na bolsa pode ser encontrada nos seguintes sites:
http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/produtos/listados-a-vista-e-derivativos/renda-variavel/empresas-listadas.htm
http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/market-data/cotacoes/
https://br.advfn.com/bolsa-de-valores/bovespa/A

A performance é o percentual de variação em um determinado período, eu uso de 26 semanas (aproximadamente 6 meses). Então se por exemplo uma ação que mais subiu em 6 meses, foi 130%, então ela será FR = 100. Se uma ação está com FR = 94, significa que ela está acima de 94% das ações em termos de rendimento, só teria 6% das ações da lista que renderam mais que ela.

Eu prefiro comprar ações de empresas mid caps ou small caps, que são empresas de menor porte e, consequentemente, com mais margem de crescimento e valorização das ações. Raramente compro ações blue chips. Comparando o percentual que a ação variou nos últimos 6, eu escolho as que estão dando melhor resultado percentual, as mais fortes.

Quando uma ação está forte, ela sobe independente da bolsa. Se a bolsa está de lado ou caindo, não importa, a ação pode subir mesmo assim. É nessas horas que vemos a força de uma ação. Em 2010, enquanto o IBOVESPA ficou praticamente de lado, com variação de aproximadamente 0%, a HGTX3 teve uma subida impressionante, variando em torno de 170%! E ações fortes assim, que sobem independente do IBOV, sempre existem, basta procurar! Veja os dois gráficos abaixo:

estrategias_setup_forca_acao_ibov_2010

estrategias_setup_forca_acao_hgtx3_2010

Eu uso o filtro do FR maior ou igual a 90 e só opero as ações que estiverem nesse seleção. Eventualmente dependendo da situação do mercado, se as ações mais performáticas não entrarem no meu filtro devido a outros filtros (falta de liquidez, preços baixos, etc), eu posso reduzir esse filtro do FR para 87 ou 85 por exemplo.

Entre as ações com FR acima de 90, eu sempre priorizo as que possuem maior FR, ou seja, as mais fortes no momento.

Eu uso o software Metastock para pegar essas duas variações de todas as ações, poupando muito tempo de análise. O Metastock me gera a listagem completa de todas as ações e a variação de preços das últimas 26 semanas, em percentual. Aproveito para exportar outros dados relevantes para mim nessa listagem, como volume médio e último preço, que vão me ajudar nos próximos filtros. Essa listagem eu exporto para o Excel para então fazer o cálculo do FR.

No Excel eu utilizo a seguinte fórmula para gerar o GR. No exemplo abaixo, a coluna onde está a variação % é a “D”. Para calcular a FR da linha 5, faço da seguinte forma:
=(CONT.NÚM($D$2:$D$400)-ORDEM(D5;$D$2:$D$400))/CONT.NÚM($D$2:$D$400)*100

Uma planilha com exemplo do cálculo pode ser baixada aqui.

Outra opção para o cálculo do FR é utilizar um script que eu desenvolvi para Metatrader 5 que gera o FR de todas as ações que fores escolhidas. Mais detalhes sobre o script estão nessa página. Não é a forma que mais recomendo pois o MT5 não é um software adequado e otimizado para esse tipo de análise e extração de dados.

Caso não tenha um software adequado para extração de dados atuais e históricos de todas as ações, uma alternativa mais interessante é utilizar a planilha do Google Docs, que tem vínculo com o Google Finance e pega os dados automaticamente. Um exemplo de planilha pode ser acessada aqui. Basta copiar a planilha para sua conta e atualizar a lista de ações desejada. Essa planilha foi de autoria e colaboração de nosso amigo Agripino! Outro exemplo de planilha com mais informações, fornecida pelo amigo Sérgio Marques, pode ser acessada aqui.

Tem ainda opções de sites que fornecem a informação da performance das ações nos últimos 6 meses, que é chamada de Stock Screener, um painel com diversas informações importantes, bem como filtros, de todas ações. Um exemplo é o site https://br.tradingview.com/screener/. Para calcular o FR seria necessário filtrar todo grupo de ações da Bovespa tirando eventuais ativos que não façam parte e estejam na lista, como opções e mercado fracionário, e depois calcular o FR com a fórmula acima.

A quem interessar, eu disponibilizo mensalmente, sempre próximo do fim/início do mês, uma planilha atualizada com os dados de FR calculados, bem como volume e outros dados.

Filtrando as ações com FR maior ou igual a 90, eliminaremos 90% das ações. Numa listagem de 400 ações, sobrarão aproximadamente 40, que passarão pelos próximos filtros abaixo.

 

2) Liquidez

Liquidez é um fator importantíssimo na escolha dos ativos a serem operados, é muito arriscado operar ações com baixa liquidez. Em contrapartida ações com uma liquidez extremamente alta podem travar os movimentos de alta que busco.

Qual o volume mínimo em reais aceitável para uma ação? Não uso uma regra fixa mas tenho utilizado o valor mínimo de R$ 300 mil de negociação média diária, mas um pouco menos como R$ 200 mil pode ser aceitável.

Um ponto interessante a se notar é que normalmente quanto mais cara a ação, mais volume financeiro é necessário para manter uma boa liquidez mínima.

Em questão da liquidez máxima, eu prefiro considerar volume diário abaixo de R$ 50 milhões, de preferência abaixo de R$ 20 milhões, pois normalmente essas ações possuem maior facilidade para fazerem fortes movimentos de alta.

Esses dados estão disponíveis em qualquer plataforma gráfica, mas é importante verificar no software se o volume está sendo mostrado em número de ações negociadas, normalmente chamado somente de “Volume”, ou se é o volume em reais, normalmente chamado de “Volume Financeiro”.

Também utilizo uma regra de a quantidade financeira para eu comprar de uma ação ser no máximo 10% do volume médio diário dela. Então se o volume médio diário de uma ação for de R$ 150 mil, eu posso comprar no máximo R$ 15 mil dela.

Outras formas de visualizar ações com baixa liquidez é pelo livro de ofertas (ou book de ofertas) e pelo próprio gráfico.

O livro de ofertas normalmente é encontrado em todos home brokers e softwares. Ativos com baixa liquidez possuem um spread muito alto, isto é, a diferença entre o preço de compra e de venda no book de ofertas.

Veja alguns exemplos:

BDLL4: 3,79% de spread (R$ 3,00 = R$ 82,00 – R$ 79,00)

estrategias_setup_baixa_liquidez_book_bdll4

JFEN3: 3,96% de spread (R$ 0,21)

estrategias_setup_baixa_liquidez_book_jfen3

Alguns são completamente absurdos:

MEND6: 33,33% de spread (R$ 7,00)

estrategias_setup_baixa_liquidez_book_mend6

REDE4: 62,55% de spread (R$ 1,47)

estrategias_setup_baixa_liquidez_book_rede4

Veja o gráfico semanal das últimas duas, como não formam candles:

MEND6:

estrategias_setup_baixa_liquidez_mend6

REDE4:

estrategias_setup_baixa_liquidez_rede4

Os candles são apenas tracinhos na horizontal pois quase não há negociação, somente um ou alguns negócios por semana. Se você decidir vender uma ação dessas, você perderá muito dinheiro e não conseguirá vender pelo preço que você quer, pois há poucos compradores. Essas são as primeiras a serem retiradas da nossa lista de interesse.

Depois desses filtros, devem tirar uns 50% das ações obtidas no item 1, sobrando aproximadamente 20 ações.

 

3) Ações baratas e micos

Eu considero uma ação com preço baixo se seu preço estiver abaixo de R$1 ou se o mercado estiver numa fase muito boa, seria algo em torno de R$3. Ações com preços muito baixos indicam alguma coisa errada como pouca procura ou baixa qualidade da empresa. Além disso uma ação que custe R$1,00, uma variação de R$0,02 representa 2%. Qualquer variação de centavos é muita variação em percentual. Não gosto de operar ações desse tipo. Essas ações costumam ter uma volatilidade muito alta, o que deixa o trade mais arriscado. Não há um preço exato para eu começar a operar, mas normalmente prefiro ações acima de R$3.

As ações micos são ações muito baratas, elas valem poucos centavos e a maioria é muito alvo especulativo. A TOYB4 é um exemplo, ela custa R$ 0,02 (isso mesmo, 2 centavos)! Essa ação fica meses somente variando entre R$ 0,02 e R$ 0,03. É aí que atrai a galera, que quer comprar por R$ 0,02 e vender por R$ 0,03, ou seja, um lucro de 50% fácil! O problema é que se você colocar uma ordem a 2 centavos, a fila é gigantesca, pode demorar meses até sua ordem ser executada, se for executada. Depois você coloca uma ordem de venda a 3 centavos e espera mais meses, ou seja, vai ficar 1 ano parado esperando acontecer a coisa. E pode acontecer de você comprar a 2 centavos e ela cair para 1 centavo e ficar variando entre 1 e 2 centavos, e você perde dinheiro ou fica com o dinheiro empacado por meses ou anos. Ou seja, isso não é um trade decente, é querer ganhar dinheiro fácil, sem analisar e tentar pegar bons movimentos de ações. É aquele espírito de sempre tentar usar o atalho para ganhar dinheiro. Você pode até ganhar alguma grana nessa brincadeira, porém acho impossível ganhar dinheiro no longo prazo com uma estratégia dessas.

Vejam o gráfico da TOYB4:

estrategias_setup_micos_toyb4

Outra linhagem de mico, que até dá pra operar no curto prazo, porém são muito perigosas, são ações como a MNDL3. Ações que vem sendo negociadas a centavos por meses ou anos e, de repente, geralmente devido a notícias ou expectativas repentinas lançadas no mercado, ganham um volume absurdo e viram alvos absurdamente especulativos. A Mundial vinha por meses na casa dos R$ 0,23 e em questão de 3 meses chegou a valer quase R$ 8,00. O pior foi depois, em questão de 3 dias ela despencou até a faixa de R$ 1,00. Hoje ela está valendo na faixa de R$ 0,13. A chance de ficar rico com ações desse tipo é muito pequena e o risco de perder muito dinheiro é alta! Fazer alguma operação de curto prazo para pegar a onda até vale a pena, mas tem que ter muita cautela, só sendo recomendado para traders experientes.

Vejam o gráfico desta ação:

estrategias_setup_micos_mndl3

Na grande parte das vezes, o filtro de liquidez já eliminará essas ações baratas e micos, mas caso passe alguma, é bom ficar atento.

 

4) Ações novas

Estou chamando de ações novas aquelas que fizeram IPO há pouco tempo. O problema de operar pra longo prazo essas ações é que ainda não formaram algum padrão gráfico no período semanal para definirmos se estão em uma boa tendêcia ou não. O bom é ter pelo menos uns 4 a 6 meses de negociação para já ter formado um gráfico razoável.

 

5) Ações caras

Se você não tem um capital muito grande e irá diversificar sua carteira, pode ser que algumas ações sejam caras demais para você comprar. Por exemplo: você tem um capital de R$ 15.000 e quer diversificar com pelo menos 3 ou 4 ações. Se você comprar uma ação que custa R$95, que custará R$ 9.500 por lote, ficará inviável essa diversificação.

Uma ação também pode ser considerada cara se pelo seu controle de risco, ao fazer as contas de quantos lotes você pode comprar daquela ação, resultar em 60 ações por exemplo. Como eu não gosto de comprar no mercado fracionário, não comprarei 100 ações dessa empresa pois estarei infringindo o manejo de risco e arriscando mais do que devo por operação.

 

6) Desgosto por empresas ou setores

Você pode não gostar de algumas empresas ou setores em específico e decidir não operá-las por isso. Eu por exemplo não opero empresas de cigarro, como a Sousa Cruz, entre outros tipos. Apesar dessa ter um ótima tendência de alta em sua história, eu não opero.

 

Esses são os filtros que utilizo para fazer minha seleção. Eu refaço essa listagem e filtros mensalmente, no fim de cada mês.

Com as ações que me interessam em mãos, agora estou pronto para definir meus pontos de entrada e saída.

Clique aqui para continuar para o “Setup – entradas e saídas”.

  1. jaffry
    12 de março de 2016 às 18:28

    Parabéns pela iniciativa! muito bom os tópicos que você está abordando!
    -Você poderia sugerir algum site que eu possa fazer esses “filtros” ? por exemplo, fazer um ranking das empresas com a maior liquidez e baixa baixa volatilidade…
    muito obrigado desde já! ^^

    • 12 de março de 2016 às 19:26

      Fala jaffry! Obrigado!
      Eu faço essa análise pelo próprio Metastock, olhando individualmente cada gráfico de cada ação, aí coloco se OK ou não numa planilha. Aí cada semana que eu for checar as ações, eu olho as que estão no meu filtro. E isso eu revejo a cada 6 meses.
      Abraços!
      Rodrigo

  2. Caio
    7 de junho de 2016 às 15:45

    muito bomm

  3. 10 de setembro de 2016 às 3:06

    Parabéns pelo conteúdo! Artigos com a qualidade muito boa, atualmente tenho uma carteira fundamentalista mas estou me identificando cada vez mais com a estratégia position.

    • 10 de setembro de 2016 às 10:04

      Obrigado Anderson! Legal o interesse, qualquer dúvida estamos por aqui!
      Abração!

  4. MARCIAL PINAZO
    13 de janeiro de 2017 às 22:52

    Olá, Rodrigo!
    Parabéns pelo setup e obrigado por compartilhá-lo! Surgiram algumas dúvidas relativas a esta primeira parte:
    como define a liquidez minima p operar? um volume mínimo em R$? em número de negócios? o volume considerado é diário, semanal, mensal, trimestral…? Leva em conta o free float?
    poderia compartilhar os ativos que estão atualmente em sua planilha? teria algum e-mail para contato?
    abraço!

    • 14 de janeiro de 2017 às 8:57

      Fala Marcial, blz?
      Obrigado!
      Não tenho um número exato de volume, eu até aceito um número de negócios baixo no dia (uns 10) e um spread razoável em algumas ocasiões bem específicas. Normalmente um número de referência que uso, e foi o que usei em meus backtests, é um volume mínimo financeiro de R$ 100 mil por semana. Não levo em conta o free float.
      Vou te mandar os ativos da minha planilha no seu e-mail.
      Abraços!
      Rodrigo

      • 14 de janeiro de 2017 às 9:05

        Entendi, Rodrigo!
        Grato pelo pronto retorno. Aguardo a lista.
        Abraço!

  1. 30 de novembro de 2016 às 15:32

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