Setup – Saídas

Dando continuidade às regras do meu setup, aqui descreverei as regras de saída, seja para realizar lucros quando a operação anda ao meu favor ou para cortar perdas cedo caso contrário.

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1) Stop loss inicial (limitação do risco)

Antes de fazer uma entrada (compra), precisamos ter definido onde será o stop loss inicial, pois precisamos do preço de compra e o preço de stop para calcular o tamanho da posição, ou seja, a a quantidade de lotes a comprar dessa ação, conforme explicado na seção Controle de risco. Antes de ter todos esses valores definidos não podemos comprar nada.

Uma vez que a entrada for feita e estivermos comprados numa ação, precisamos imediatamente colocar nossa ordem de stop loss no home broker pelos motivos já ditos na seção Proteção do Capital. O stop é o ponto que se os preços cairem e o valor for atingido, a ação será vendida a posição será encerrada imediatamente de forma automática.

O stop ficará abaixo do fundo formado pela pequena correção ou consolidação. Eu coloco de 3 a 5 centavos abaixo da mínima do fundo. Idealmente o stop fica em torno de 8%, porém ações mais voláteis tendem a ter um stop maior, podendo chegar na casa dos 20%. Na média o stop fica em torno de 10%. Prefiro as operações cujo stop ficam abaixo de 15% e praticamente nunca entro numa operação com stop maior que 20%, que é meu limite.

Vale lembrar que apesar de às vezes precisar usar um stop percentual maior, entre 15% a 20%, o risco financeiro continua o mesmo, que no meu caso é 1% do capital total. O dinheiro arriscado em cada operação será o mesmo, independente do tamanho do stop inicial, curto ou longo. O que vai variar, de acordo com a conta do position sizing, é a quantidade de ações a ser compradas, quanto maior o risco, menos ações comprarei; quanto menor o risco, mais ações comprarei.

Abaixo alguns exemplos de pontos de entrada e de stop inicial. A linha azul é a resistência que entrarei comprado assim que rompida. A linha vermelha é onde ficará o stop inicial, que é abaixo do fundo formado pela correção, isto é, a menor mínima após o topo. Eu olho no gráfico diário também para ter uma visão melhor dos candles e onde colocar o stop.

HGTX3
Semanal:
estrategias_setup_stop_hgtx3_s

Diário:
estrategias_setup_stop_hgtx3_d

VLID3
Semanal:
estrategias_setup_stop_vlid3_s

Diário:
estrategias_setup_stop_vlid3_d

EZTC3
Semanal:
estrategias_setup_stop_eztc3_s

Diário:
estrategias_setup_stop_eztc3_d

Um cenário que acontece com uma boa frequência é ter uma correção muito pequena, mesmo no gráfico semanal, e com isso teoricamente o stop seria bem pequeno também. A princípio isso seria um cenário excelente pois um stop curto permite comprar mais lotes da ação de acordo com o positiong sizing. O problema é que stops muito curtos aumentam demais a chance de serem atingidos, mesmo após um rompimento de topo anterior. O que seria um stop muito curto pra mim vai depender da volatilidade da ação, e fica melhor visualizado graficamente quando a correção é muito pequena, mas normalmente quando é inferior a 6-7%. Por isso quando a correção é muito pequena eu busco outro ponto abaixo da correção para usar como stop, deixando-o mais longo. Normalmente eu uso a mínima da semana que fez o topo, se ainda for pequeno a mínima da semana anterior. Se o stop ficar grande demais proporcionalmente à correção, por exemplo acima de 14%, eu busco a mínima de algum candle diário antes do topo para usar como stop.

Vejam um exemplo de correção pequena:

TRIS3

Semanal:

Diário:

Nesse caso percebam como a correção é muito pequena tanto olhando no gráfico semanal quanto no diário e o stop fica muito curto, pouco menos de 5%. Notem também pelo gráfico diário (para melhor visualização) que uma compra no rompimento da resistência que teria ocorrido no candle branco de corpo grande e alguns dias depois o preço teria recuado um pouco e pegando no stop, uma leve violinada para depois continuar o movimento de alta. Já vi muitos casos desses acontecerem e por isso prefiro usar um stop maior e consequentemente comprar menos lotes da ação, porém aumentando minha chance de não tomar esse tipo de stop desnecessário.

Nesse exemplo eu colocaria meu stop abaixo da mínima da semana que fez o topo, conforme mostrado na imagem abaixo. Com isso o stop seria de aproximadamente 10%, o que seria mais compatível com um setup de position trade, dando mais folga para os preços se movimentarem no curto prazo e depois continuarem a alta.

Outra análise que faço para checar se o stop está num tamanho ideal é verificar o padrão das correções da ação em questão, isto é, o tamanho das outras correções recentes da tendência de alta atual. Se a correção atual for muito menor que as demais, melhor usar um stop maior.

Também há uma situaçao inversa. Nesse setup que eu uso, com as ações em tendência forte de alta, quando os preços rompem o topo anterior geralmente ocorre uma subida considerável e os preços não retornam muito abaixo do ponto de entrada. Sendo assim, eu gosto de aproveitar essa característica para tentar encurtar um pouco o stop inicial quando ele fica muito longo. Eu olho no gráfico diário para identificar alguma faixa de preços que pode servir como suporte e coloco meu stop abaixo desse ponto, ao invés do fundo em si. Nesses casos o stop ficará um pouco acima do fundo, baseado no gráfico diário. Mas não é algo que eu algo que eu faça toda hora.

Veja um exemplo abaixo:

MYPK3
Semanal:
estrategias_setup_stop_mypk3_s

Diário:
estrategias_setup_stop_mypk3_d

Dica muito importante! Para colocar stop no home broker. A boleta de stop loss de venda tem dois preços, o preço de disparo e o preço limite. O preço de disparo é o valor do stop propriamente, é o valor definido que quando atingir venderemos a ação. É o valor que falamos aqui acima. O preço limite é o valor mínimo que aceito vender a ação. Por que é necessário esse valor? Porque normalmente quando o preço do stop é atingido, a ação está em queda e os preços podem cair rapidamente, sendo assim pode não haver mais nenhuma ordem de compra igual a esse valor mais, vão haver somente ordens com preços menores. Por ex, o stop é R$ 14,75 e a ação está caindo e chega nesse valor, então o stop é disparado porém nesse momento o preço da ação pode estar já em R$ 14,71, então a venda não seria concretizada se o preço limite fosse o mesmo valor do stop. Para isso serve o preço limite, para você informar à corretora até qual preço você aceita vender. Se você colocar R$ 14,00 por exemplo, NÃO significa que a venda será feita nesse valor, o valor da venda será pelo MELHOR preço de compra daquele momento que o stop for acionado, podendo ser entre R$ 14,00 e R$ 14,75 (e em casos raros até acima!).

Então qual preço limite colocar? Muitas pessoas colocam alguns centavos abaixo somente porém é muito arriscado. Sempre ouço pessoas relatarem que o preço pulou os seus stops. O que isso significa? Significa que os preços estavam numa queda tão forte e rápida que entre o disparo do stop e o envio da ordem de venda, os preços caíram abaixo do preço limite, portanto a ordem de venda ficou pendente na bolsa com valor do preço limite. Isso inclui gaps de abertura de baixa, onde não houve negociações no preço do stop. Nesses casos a ação pode continuar caindo e o trader não conseguiu vender a ação.

Então a dica é: para aqueles que querem sair da posição de qualquer jeito quando o stop for atingido, isto é, à mercado, não importando o preço do ativo, precisa colocar o preço limite com uma diferença grande do preço de disparo do stop. Dessa forma força a saída pelo melhor preço de compra no momento diminuindo para quase zero o risco de pular o stop e ficar com a ordem parada no book de ofertas. Idealmente colocaria R$ 0,01 (1 centavo) no preço limite mas a corretora e a Bovespa não permitem, só aceitam uma diferença de até 20% do preço de mercado, portanto a minha recomendação é usar o preço limite 19% abaixo do preço de disparo (stop). Por exemplo, se o stop for R$ 14,75, eu colocaria o preço limite a R$ 11,95.

Algumas pessoas ficam muito assustadas com essa abordagem, mas eu penso que se os preços estão caindo forte tem algum motivo grande para tal. Pode ser especulativo ou medo devido a algum acontecimento no país, e depois os preços voltam. Ou os preços podem cair de vez e nunca mais voltarem. É a velha história que já comentamos nas páginas anteriores. É preferível vender as ações com um valor 10%-20% abaixo do stop num cenário raro de caos, que eu já presenciei em algumas ocasiões, ou poder perder todo dinheiro de determinada ação? Eu escolho sempre a segurança e controle de risco nas minhas operações. Conheço várias pessoas que colocaram o stop de forma indevida e os stops foram pulados em quedas bruscas de determinadas ações e até hoje os preços nunca voltaram, praticamente perderam todo dinheiro alocado naquela ação. Então minha dica é colocar sempre o menor preço limite possível.

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2) Stop móvel (realização de lucros)

Por fim, é necessário usar alguma forma para ir subindo o stop à medida que os preços forem subindo, o que é chamado de stop móvel. Eu não uso nenhum tipo de alvo de venda. Eu nunca vendo enquando os preços estão subindo pois a idéia é deixar os preços subirem o máximo possível. Busco retornos altos, de 50%, 100%, 400%, etc. São operações de longo prazo, então não quero me afobar e vender na primeira subida que a ação fizer, senão nunca conseguirei esses rendimentos. Eu só vendo quando a ação cair até determinado ponto que possa indicar uma possível reversão da tendência, aí não quero arriscar a ficar mais tempo posicionado na ação que está com tendência incerta. Mas também não quero deixar o stop muito curto que qualquer movimentação e correção dos preços me tire do mercado e não me permita surfar em toda tendência.

O melhor stop móvel que encontrei é o indicador Stop ATR, que também é baseado na medida do ATR explicado anteriormente. Como o ATR é uma medida de volatilidade da ação, esse indicador automaticamente será mais curto ou mais longo dependendo de cada ação. Quanto maior a volatilidade, mais longe ficará o stop, dando mais espaço para oscilações de curto/médio prazo dos preços sem ser stopado toda hora. De forma contrária, uma ação que está com uma volatilidade mais baixa, não faz sentido ter um stop muito longo, podendo deixá-lo um pouco mais curto e aproveitar melhor os lucros. Essa é a vantagem desse método.

Diferente de outros indicadores mais utilizados para stop móvel, como Médias móveis, HiLo e Parabolic SAR, quando os preços caem durante uma correção, o indicador não subirá, mantendo o stop no mesmo valor. Se essa correção ou até uma consolidação durar muitas semanas, o stop permanecerá inalterado durante todo período e só subirá quando os preços voltarem a subir além do topo anterior. Já esses outros indicadores mencionados, em situações assim o stop continuará subido candle após candle e eventualmente chegará nos preços, causando um stop provavelmente prematuro e indevido.

Eu uso um Stop ATR de 20 períodos e Multiplicador de 3,5 sempre no gráfico Semanal.

A fórmula do stop ATR para o stop móvel é:

Fechamento – 3.5*ATR

Aqui faço novo ponto de atenção que para o stop móvel o preço a ser utilizado na conta de subtração é o fechamento como é o tradicional, e não a máxima que usei na seção anterior para a correção.

Eu só começo a usar o Stop ATR como stop quando seu valor for maior que meu stop inicial, ou seja, quando o indicador subir acima daquele ponto. Eu vou ajustando semanalmente no home broker somente se o valor do stop subir.

Um stop NUNCA é reduzido de valor, o stop só anda na direção do movimento, neste caso para cima, nunca para baixo. A exceção é quando há proventos (dividendos, juros sobre capital) pois uma vez que eles são liberados o preço da ação é reajustado para baixo descontando esse valor e todo gráfico histórico é reajustado proporcionalmente a esse valor também. O próprio stop ATR já se retraçará no gráfico com novos valores e o stop deve ser alterado no home broker. Nesses casos baixando o stop não significa que o risco da operação está aumentando porque a diferença do stop será justamente o valor do provento que será pago na conta corrente.

O stop que uso é automático, por violação, ou seja, quando os preços chegarem a esse valor a venda será venda automaticamente pela ordem registrada no home broker. O stop NÃO é por fechamento do candle ou da semana, embora seria válido também. Escrevi um post sobre esse tema, quem tiver interesse em ver mais detalhes: Stop por violação ou fechamento?

Segue um exemplo de como fica plotado o stop móvel no gráfico, abaixo dos preços numa tendência de alta:

estrategias_setup_stop_movel_krot3

Perceba como o indicador fica a uma ótima distância do preço, permitindo que ele ser movimente e faça correções de tamanhos pequeno e médio sem ser atingido. Desde o início da tendência em 2012 até o meio de 2014 o stop não foi atingido nenhuma vez, somente ao fim da tendência quando os preços começaram a cair e o Stop ATR foi acionado.

Segue outros exemplos de como esse stop móvel faz um exelente trabalho em ir acompanhando os preços ao longo de toda tendência, nos permitindo ficar por muitos meses ou até anos posicionado em uma ação e só vendermos quando esse movimento finalizar, de modo a não vender prematuramente na tendência:

Eu não faço realizações parciais ao longo da subida dos preços, eu vendo tudo de uma vez quando os preços batem no stop ATR. Mais detalhes sobre esse tema eu detalho no artigo: Realizações Parciais são boas?

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3) Stop por tempo

Uma outra forma alternativa de vender uma ação é com um stop por tempo. Stop por tempo significa vender uma ação cujos preços tenham parado de subir por um período definido.

Minha forma de operar é buscar sempre ações com forte movimento de alta. Mesmo nessas ações é normal que haja um período de correção (queda) dos preços, bem como consolidação ou congestão, onde os preços ficam subindo e caindo dentro de uma faixa de preço, sem ultrapassar os limites máximos e mínimos. Muitas vezes essas congestões representam uma pausa, ou um fôlego dos compradores juntamente com uma boa realização de lucros após forte alta anterior dos preços, para que em breve os preços rompam a máxima dessa faixa de preço para continuar subindo forte.

Portanto não é interessante fazer saídas antecipadas muito cedo em ações com algumas semanas de congestão. É bom ter paciência e esperar o próximo movimento da ação em questão. Uma saída prematura poderia deixar de fazer parte de um forte movimento sequente.

O gráfico abaixo mostra um exemplo de uma ação que fez uma consolidação por quase 3 meses e os preços longe do stop móvel. A falta de paciência e uma venda antecipada dentro dessa congestão teria causado a perda de um belo movimento na sequência.

Porém às vezes acontece dos preços entrarem em uma congestão por um longo período. Isso já demonstra perda da força da ação e desinteresse dos investidores. Provavelmente ela tenha atingido um preço considerado justo pelo mercado. E muitas vezes nessa congestão os preços não caem até o stop ATR, portanto não daria uma saída/venda por preço. Nesses casos não é interessante ficar aguardando os preços se movimentarem eternamente, quando a congestão atinge um determinado tempo sem ter rompido o topo anterior, vale a pena vender a ação e partir para outras oportunidades.

No estudo que fiz com 15 anos de mercado, o stop por tempo mínimo é de 22 semanas depois do último topo. Isso significa que após os preços fazerem um novo topo, e em seguida fazer uma correção e posteriormente entrar num congestão, se os preços não romperem esse topo em 22 semanas é válido fazer uma venda antecipada, ou stop por tempo. O stop por tempo ideal seria de 24 a 26 semanas.

Esse estudo mostra que uma ação com FR alto que estava em forte tendência e de repente os preços lateralizaram, em até 26 semanas há uma grande probabilidade dos preços romperem e dispararem novamente. Se passar de 26 semanas e o preço estiver nessa congestão ainda, as chances maiores indicam que a tendência forte deve ter finalizada e então vale a pena vender antecipadamente.

Importante ressaltar que o stop por tempo não substitui o stop inicial nem o stop móvel. Ele é um stop opcional complementar que eu utilizo.

Abaixo segue um exemplo de UNIP6 que fez uma forte tendência de alta, saindo da faixa dos R$4 e chegando até os R$44. O último topo feito pelos preços foi na seta azul. Após isso os preços lateralizaram e não romperam esse topo. Uma saída depois de 26 semanas desse topo seria muito válida e está apontada pela seta laranja. Se a saída por tempo não tivesse sido feita, os preços teriam pego no Stop ATR somente 9 meses depois, ou seja, 9 meses de oportunidades perdidas e ainda vendendo por um preço inferior.

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Clique aqui para continuar para a última parte: “Setup – Juntando tudo”.

Abraços a todos,

Rodrigo Sibin Lichti

  1. Alexandre
    14 de julho de 2021 às 16:49

    Caro Rodrigo, muito obrigado pelo conhecimento compartilhado, tenho aprendido muito aqui. Como faço para fazer o ajuste do stop ATR, no Profit? Propriedades>>Desvio ??

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