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IBOVESPA – 10/03/2020 – É crise? O que fazer?

10 de março de 2020 4 comentários

Estamos passando por um momento de reversão de tendência na bolsa de valores brasileira – B3 – assim como em todas bolsas mundiais. Com as quedas fortíssimas ocorridas nas últimas semanas, a tendência do IBOV e da maioria das ações já virou para baixa. Ontem já presenciamos até um circuit breaker que ocorre somente quando há muito medo no mercado.

O IBOV saiu de uma máxima de 119.593 pontos em 24/01/2020 e bateu uma mínima de 85.880 pontos ontem 09/03/2020, representando uma queda de 28,19% em 45 dias, voltando para o patamar de preços de dezembro de 2018.

Com isso já encerrei todas minhas posições compradas e não tenho mais nenhuma ação em carteira. Alocarei todo meu dinheiro em fundos de renda fixa até que a tendência vire novamente para alta. O importante é não deixar o dinheiro parado na conta da corretora pois se ela sofrer problemas e chegar até a falir, o dinheiro estará alocado em outra instituição. Eu prefiro fundos DI e RF pois o resgate é no máximo em poucos dias e não têm carência. Outros produtos como CDB, LCI, LCA, Debêntures e outros podem ter carência de meses ou anos para resgate, portanto não é interessante se o objetivo for ter o dinheiro todo disponível para utilizar logo assim que a bolsa melhorar.

Alguns me comentaram: “Poxa, mas colocar num fundo DI hoje vai render muito pouco. Em 6 meses vai dar algo em torno de 2% com o juros baixo que está no país”. E eu comento alguns pontos. Primeiro, essa taxa de juros é a nova realidade do país, portanto renda fixa “pura” e com menor risco possível irá render proporcional à SELIC, que é 4,25% ao ano. Segundo, o objetivo desse capital é rentabilizar em ações e não na renda fixa, portanto essa alocação é temporária e faz parte da estratégia de ter dinheiro em caixa e sem nenhuma ação em carteira em momentos como esse. Para o trader de longo prazo mais conservador, não deve se importar muito com essa rentabilidade nesse momento. Terceiro, você ganhando 2% vai estar ganhando de todos que estiverem na bolsa segurando ou comprando ações durante a queda! Quem tem ações ou cotas de fundos de ações sofrerão uma perda (que pode ou não ser realizada) que pode ser altíssima dependendo do quão forte a queda da bolsa for. Em 2008 vários fundos tiveram rentabilidades desastrosas, muitos fundos, talvez a maioria teve rentabilidade inferior a -40%, sendo que vários foram inferiores a -60%. Portanto 2% comparado com qualquer valor negativo, com certeza estará em vantagem! Quarto, com todo dinheiro disponível em caixa, quanto mais a bolsa cair, melhor, pois quando a tendência virar para alta novamente, começaremos a comprar com preços realmente lá embaixo e com enorme potencial de subida. E teremos todo nosso dinheiro disponível para isso! Ao contrário de quem “queimar a largada” e começar a comprar durante a queda.

Agora os mais ativos podem optar por fazer operações de venda nesse período, alugando ações e vendendo, para ganhar com a queda dos preços. Uma vez que os preços caírem o suficiente, basta recomprar as ações no mercado e devolver o aluguel. Por exemplo, se alugar 1000 PETR4 e vender a R$25, isso gerou um dinheiro em caixa de R$25 mil. A PETR4 caiu e ao chegar a R$15 recompra-se as 1000 ações, pagando R$15 mil por isso, com isso sobrou R$10 mil na conta, ou seja, o lucro da operação. Na sequência deve devolver as ações alugadas. A operação é o inverso da operação comprada que estamos acostumados, e pode ser utilizada nesses momentos para aproveitar para lucrar ao invés de só ficar de fora. Mas como qualquer operação no mercado, tem riscos e deve ser utilizada uma estratégia testada previamente para que haja embasamento estatístico e assim gerando confiança e segurança. Eu talvez faça algumas dessas operações mas não colocarei no blog pois não as fiz no passado e apesar de ter feito várias simulações, eu não me sinto confortável em colocar publicamente pois não são operações que faço sempre e não tem um histórico de operações reais para dar respaldo.

Os sistemas de Trend Following (TF) – seguidor de tendência – são muito eficazes em mercados em que há tendências prolongadas, pois seu objetivo é ficar posicionado durante todo o movimento, podendo ser anos nos TF de longo prazo. É um sistema provado lucrativo e ao mesmo tempo protetivo pois opera a favor das probabilidades. E isso genericamente falando, não falando especificamente da forma que opero. Porém esse sistema não tem como objetivo fazer entradas mais “relâmpagos” após movimentos bruscos do mercado como o atual. Eu como me especializei nesse método e me sinto confortável fazendo praticamente só ele, acabo não operando na compra em reversões rápidas após quedas fortes. Para isso os sistemas de TF de longo prazo não são adequados.

Muitos ficam ansiosos nesses períodos, querendo aproveitar a volatilidade e variação dos preços para lucrar. Se for para longo prazo, minha recomendação é esperar o mercado estabilizar. Agora se for para curto prazo e day trade, OK, é válido. Portanto aos interessados em aproveitar preços teoricamente baratos e querendo pegar reversões de alta no meio da crise (mais arriscado), devem utilizar outros sistemas de trades ou avaliações específicas para isso. Mas novamente, tudo deve ser estudado antes e não fazer nada na euforia ou no “oba oba”. Como a tendência é de baixa, eu posso resolver fazer algumas operações de venda para lucrar com a queda, porém não farei nenhuma operação de compra nesse momento.

Eu por enquanto fico de fora esperando o mercado estabilizar a tendência virar de alta de novo. Isso obviamente não acontecerá tão próximo do ponto mais baixo do fundo e nem nos preços mais baratos que as ações chegarão. Mas o sistema TF é assim, mais conservador porém ainda muito lucrativo quando se dá o tempo pra ele. Lembrando do conceito do Trend Following: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/

Nunca foi meu estilo operar contra tendência pois apesar de poder ser lucrativo também, o risco é muito maior e a taxa de acerto muito menor. Mas seja qual for a forma de operar, é indispensável o intenso estudo do método antes de fazê-lo na prática, de modo a fazer com embasamento estatístico e com confiança e segurança.

Esse momento que estamos passando é muito pertinente para lembrar de alguns exemplos de ações que caíram muito durante crises, algumas small caps e outras blue chips: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/estrategias-protecao-do-capital/

Portanto a mensagem principal é: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!!”. Para os que acham que 20% de desconto é uma baita promoção, imagina se for 40%? E se for 60%? E se for mais???

Como pregador da tendência, fui sempre otimista nos últimos 3-4 anos, quem conversa comigo sabe. Agora com tendência virada, mudei pra turma dos pessimistas rs. Não no sentido literal da palavra, de ver as coisas negativas, mas no sentido da bolsa de achar que os preços vão continuar caindo. É um pessimismo de mercado que é possível ganhar dinheiro também, ou pelo menos não perder. Não estou prevendo futuro, e nunca faço, estou dando o panorama técnico de tendência atual, que é de baixa até que vire novamente pra alta, onde voltarei pra turma dos otimistas. Então no momento estou “Urso” como dizemos no mercado financeiro.

Dito isso, agora minhas pregações são referente às quedas, esquecendo das compras por um tempo. E já que o cenário é esse, gostaria de chamar a atenção para a cautela nesse momento pois não sabemos até onde essa crise vai, ou onde será o fundo. Não sabemos se o mercado financeiro passará por uma crise como a de 2008 ou 2000, ou se será algo passageiro e rápido, mas no momento a tendência já de baixa e atenção é necessária.

Dias como o de hoje pode dar esperança e enganar muita gente. De novo, não prevejo o futuro, hoje pode ser o primeiro dia da reversão para tendência de alta, e não romper o suporte de ontem mais. Ou pode ser uma correção da queda e esta continuar cair por muito mais tempo. A análise técnica trabalha com probabilidades e com estudo dos cenários mais prováveis, nunca com certezas.

Esse gráfico diário do IBOV mostra a queda iniciada no fim de janeiro de 2020, os vários dias de fortíssima queda e alguns dias de alta, bem como o de hoje:

Vale a pena estudar brevemente o gráfico do IBOV de 2008 e ver como foram os dias durante os 5 meses de queda. De novo, não sabemos se a queda atual será igual a 2008, menor ou maior, mas é importante estudar 2008 para que se a queda continuar, termos uma noção do que esperar.

Segue o gráfico diário do IBOV do período da crise de 2008:

Mesmo tendo sido uma crise profunda, somente 60% do dias foram de queda, e 40% foram de alta. Isso mesmo, a maior crise recente não foi toda vermelha, com queda atrás de queda. Houve muitos dias de alta também, a diferença que os dias de queda foram mais expressivos.

Os retângulos amarelos destacam os principais dias e movimentos de alta durante a crise. Podemos ver que não foram poucos nem sequer fracos. Durante esse período houve formação de pivot de alta (ponto 1), rompimento de topo anterior (ponto 2) e reversão de suporte/fundo (ponto 3). Mas nenhum deles foi suficiente para parar a tendência de baixa, judiando muito dos mais afoitos ou antecipados.

Então mesmo numa crise mundial há vários dias de pseudo-otimismo, com subidas até muito fortes, levando o investidor/trader a pensar que a crise ou o pior já passou. Mas muitos dessses respiros do mercado são pontos de compra que investidores consideram que os preços das ações estão muito baratos e aproveitam para comprar. Mas repetindo o que disse mais acima: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!”. Portanto se os motivos levando a crise ainda não cesssaram ou se resolveram e os principais investidores mundiais não estiverem otimistas novamente, os preços continuarão a cair mais e mais, e o preço que os investidores menores consideravam barato e fizeram as compras, já virou caro! À medida que vão comprando durante a queda, seus primeiros preços de compra já estão lá em cima no gráfico e precisarão de uma forte recuperação no preço para pelo menos empatar.

No sistemas de trend following para compras, em 2008 só começaria dar novas entradas em dezembro ou então janeiro/fevereiro de 2009, onde a volatilidade normalizou e os preços entraram em uma tendência de alta. É um método que visa muito lucro porém a segurança vem em primeiro lugar. E por isso não se tenta ficar acertando fundos e topos, ao invés deixamos os preços iniciarem os movimentos e reagimos a partir deles, ou seja, seguimos a tendência. Sem neura de aproveitar o melhor preço possível para comprar, para acertar na loteria e ficar milionário rápido. Esse pensamento e atitude podem gerar a prejuizos e quebras ao invés de prosperidade e riqueza. É importante deixar o ego de lado e lembrar que não precisamos comprar nos fundos e vender nos topos para ganhar dinheiro, mas sim comprar por um preço X e vender por um preço maior futuramente. Sempre vão existir pessoas que compraram mais barato que nós e venderam mais caro, e acertaram preço próximo do fundo e próximo do topo, porém com certeza a grande maioria que tentou fazer isso quebrou e ninguém conta a história deles. O TF é um sistema lento, que exige paciência em determinados momentos, podendo ficar meses sem realizar operações, mas é importante seguir a estratégia em todos momentos para que haja êxito e consistência no mercado.

Relembrando o famoso gráfico que ilustra um sistema genérico de Trend Following (https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/):

Portanto a mensagem principal desse post é CAUTELA. A bolsa está aí e há possibilidades de ganhos de muitas formas, mas também de perdas. Saiba muito bem o que está fazendo nesses momentos pois a volatilidade aumenta demais em períodos de crise, chegando a ficar 3 a 5 vezes maior que o normal. Se estiver na dúvida do que fazer, não faça nada, aplique o dinheiro em algum fundo de renda fixa e espere a queda finalizar. Não se deixe levar e ficar muito otimista em dias de alta, pois podem ser só uma correção da tendência de baixa. Lembre-se que o principal lema do investimento na renda variável com segurança é a proteção do capital. Finalizando com uma frase um tanto redundante mas para ficar na memória e ser lembrada: “A tendência de baixa só acaba quando terminar!”

Abraços a todos, boa sorte e muito juízo! rs

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Estratégias, Mercado

IBOVESPA – 26/08/2017

O IBOVESPA rompeu forte a resistência dos 69000 pontos. As próximas resistências são de 73000 de novembro/2011 e depois a resistência do topo histórico de 74000 de maio/2008 pré-crise.

Abaixo os gráficos semanal e mensal do IBOV:

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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IBOVESPA – 19/08/2017

O IBOVESPA bateu numa resistência importante de longo prazo na casa dos 69000 pontos. Vamos acompanhar a reação nas próximas semanas, uma possível correção pode acontecer pois além da resistência, o IBOV vem subindo consideravelmente nas últimas 8 semanas.

Rodrigo Sibin Lichti

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IBOVESPA – 28/07/2014

O IBOVESPA rompeu a resistência dos 57000 pontos, mostrando força do mercado, chegando no patamar mais alto nos últimos 16 meses. Agora a próxima resistência mais forte está na casa dos 63400. O cenário geral para os próximos meses é de tendência de alta.

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Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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IBOVESPA – 24/06/2013

O IBOVESPA rompeu o suporte de 47800 pontos, o que significa o menor valor do índice nos últimos 4 anos. Agora o próximo suporte está em 35721 pontos e depois há o suporte do fim da crise de 2008 em 29435 pontos. O cenário geral agora é baixista.

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Por outro lado, outras bolsas mundiais estão bem diferentes da nossa. Vejam abaixo a Dow Jones (EUA), FTSE (Inglaterra) e Merval (Argentina) respectivamente, no mesmo período do gráfico acima do IBOV. Alguma coisa está muito errada com o Brasil pra ter uma bolsa tão ruim e nos países que sofreram crises recentes as bolsas estão bem melhores.

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IBOVESPA – 05/06/2013

O IBOVESPA continua a congestão lateral de longo prazo desde o fim de 2009. No médio prazo o índice rompeu o suporte de 55125 porém parou no suporte que vem de julho de 2012 na faixa de 52270 pontos. Começou a subir um pouco no fim de abril porém a faixa de 55125 pontos está bem congestionada e o índice ficou várias semanas ao redor desse suporte anterior. Semana passada houve uma forte queda.Vamos ver o desenrolar do mercado nas próximas semanas. Se o suporte de 52270 for rompido, o próximo suporte será na faixa entre 49440 e 47800 pontos. Num movimento de alta do IBOV, a próxima resistência importante é na faixa de 63470 pontos.

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IBOVESPA – 08/04/2013

O IBOVESPA vêm numa tremenda congestão lateral de longo prazo desde o fim de 2009. No médio prazo o índice também se encontra numa congestão da resistência de aproximadamente 63420 e do suporte de 55125, que está sendo testado nas últimas duas semanas mas não houve um rompimento efetivo. Logo abaixo há outro suporte na faixa de 55270 pontos. As médias móveis estão praticamente todas juntas, indicando a falta de tendência da bolsa. Do início de 2013 até agora o IBOV praticamente só caiu. O mercado está chato para operar, apesar de sempre haver boas oportunidades disponíveis, porém são menos do que num mercado de prosperidade, como de 2003 a 2007, ou de 2009.

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