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Setup para compras em correções pelo gráfico semanal

3 de novembro de 2020 8 comentários

É, finalmente cedi para as compras em correções! Depois de uma boa rodagem de mercado desde 2007 e sempre tendo preferência por entradas em rompimentos, resolvi me abrir um pouco e testar compras em correções da tendência usando gráficos semanais como uma variação de entrada no setup atual de trend following.

Nunca operei em correções no gráfico semanal porém já operei no gráfico diário em swing trade no passado. Eu até gosto da ideia de comprar no recuo dos preços mas sempre notei que a taxa de acerto é pior do que em rompimentos, por isso sempre foquei mais nos rompimentos.

Já tinha feito um estudo de correções pelo gráfico diário do meu setup no post Setup para compras em correções da tendência. O resultado não foi ruim mas não me animei muito para ficar acompanhando pelo gráfico diário para correções, pois apesar de poder fazer uma entrada mais fina, também aumenta o risco de falha. Desta vez me animei em fazer um estudo usando o gráfico semanal, pois este já reduz boa parte dos ruídos e sinais falsos comparando a rompimento de candles diários.

Já adianto que não podemos comparar os resultados desse estudo anterior com esse de agora pois o período de testes é diferente, os trades mudam, ações mudam, o histórico mais antigo como a tendência forte de 2009 não está mais presente na base de dados do Metatrader 5, e algumas novas tendências formaram nos últimos 2 anos. Rodei os testes em todas ações da Bovespa nos últimos 10 anos. Não rodei em mais de 10 anos pois o Metatrader 5 da XP não disponibiliza base de dados maior.

Testes

Eu testei 4 formas de entradas, todas por price action, isto é, padrões de preços e candles somente, sem indicadores. As formas são:

  1. Rompimento da máxima do candle anterior de correção.
  2. Rompimento da máxima do candle de alta anterior de correção.
  3. Rompimento da máxima do candle anterior formando um fundo.
  4. Rompimento da máxima do candle de alta anterior formando um fundo.

Agora explicando as diferenças.

Primeiramente todas as compras serão feitas quando os preços violarem a máxima de um determinado candle anterior, ou seja, mesmo os preços estando em queda, eu não comprarei enquanto estiverem caindo, eu sempre esperarei uma confirmação da retomada do movimento de alta.

O tipo de entrada 1 é o mais básico, a cada candle de correção que faz uma máxima inferior a máxima do candle anterior, eu marco a máxima desse último candle formado (última semana) e coloco uma ordem de start de compra 1 centavo acima dessa máxima. Se na semana seguinte os preços caírem novamente, não rompendo a máxima anterior e portanto formando uma máxima inferior, eu diminuo o preço da ordem de start para 1 centavo acima da nova máxima.

O tipo de entrada 2 é similar porém a diferença é que eu só considero entrada se o candle de correção for de alta, ou seja, fechamento maior que abertura, formando um candle de reversão, seja martelo, harami, piercing, engolfo ou algum outro. Se o candle for de baixa (vermelho) eu não faço nada.

O tipo de entrada 3 precisaria esperar a formação de um fundo, que seria um padrão de no mínimo de 2 candles de correção, onde o último deve apresentar a mínima superior a mínima do candle anterior, agindo como um sinal de reversão. Nesse tipo não importa a cor dos candles. A compra seria no rompimento da máxima do último candle.

E finalmente o tipo de entrada 4 seria similar a 3 porém o último candle precisaria ser de alta (verde).

Nos testes o melhor resultado foi o tipo de entrada 1, ou seja, vou buscar comprar no rompimento da máxima anterior sem importar com a cor do candle e também sem esperar a formação de um fundo.

A quantidade mínima de candles de correção é 1 somente. Já a quantidade máxima de candles de correção é em torno de 7 ou 8.

A opção de não usar indicadores clássico de correção como IFR, estocástico, MACD, médias móveis, HiLo, Parabolic SAR, e muitos outros, é que como meu setup busca as ações mais fortes do mercado, na grande maioria das vezes a correção mesmo sendo um pouco mais forte que o normal não atingiria pontos de sobrevendido ou reversão nos indicadores, pelo menos não das calibragens clássicas. Obviamente poderíamos calibrar de modo a deixa-los mais sensíveis às variações de preços, mas preferi simplesmente não utilizar e fazer somente olhando os preços.

Algumas regras mudam do setup de Rompimento Semanal:

  • Os indicadores MM9 e Parabolic SAR devem estar ascendentes até o candle de topo, porém não precisam continuar durante a correção.
  • A correção máxima não será do valor 2,5 vezes o ATR20.

A regra do FR continua mantida obviamente, uma vez que ele é o carro chefe da estratégia. O stop móvel ATR também continua o mesmo.

O tamanho mínimo da correção é em torno de 0,8 vezes o ATR e o tamanho máximo da correção é em torno de 5,0 vezes o ATR.

Outro parâmetro de referência é a distância da última máxima do candle de correção até o topo recente que deve ter um tamanho mínimo de aproximadamente 0,5 vezes o ATR. Na verdade resultados melhores foram obtidos com valores menores como 0,1, 0,2 e 0,3, o que fazem delas correções mínimas e com preço de rompimento bem próximo ao topo, o que tecnicamente não faria sentido comprar uma correção próxima ao topo, mas sim no seu rompimento pela maior segurança, e isso já engloba o setup de rompimento, portanto coloquei um valor superior para indicador uma distância mínima até o topo para ser viável uma compra por correção. Mesmo assim na prática, talvez 0,5 ATR seja curto para uma compra de correção, vou avaliar melhor durante as análises individuais na prática.

O stop inicial será abaixo do fundo atual, normalmente sendo a mínima do último candle, mas não necessariamente. Aqui deve haver um bom senso de aumentar o stop caso ele seja muito curto pois senão a chance de ser atingido é muito alta. Nos testes uma medida seria algo em torno de 0,9 vezes o ATR20. Mas esse não é um valor a ser seguido rigorosamente, é só uma ideia de grandeza. O melhor será observar regiões de suportes próximo ou anteriores ao topo.

Os valores mencionados dos parâmetros do setup foram uma forma de deixar os testes objetivos para que eles pudessem ser feitos, mas na minha opinião não devem ser levados como valores absolutos mas sim como uma faixa ao redor e uma boa leitura do padrão gráfico sendo formado, por isso usei termos como “em torno de” e “aproximadamente”. Melhores resultados de parâmetros e estilo da formação da correção virão com o tempo pela experiência e prática.

Resultados

Como já era esperado, a taxa de acerto e drawdown aumentaram no setup de correção, comparando com o de rompimento.

O lucro total na Correção foi 16% maior porém o lucro por trade foi 13% menor, uma vez que esse setup faz 34% mais trades.

A taxa de acerto na Correção foi 5% menor, de 45% para 40% no período testado. O rebaixamento máximo (drawdown) foi 26% maior que no Rompimento.

Conclusão

Os principais objetivos em usar entradas em correções são:

  • Otimizar o preço de compra, podendo entrar em uma ação por um preço inferior do que em um rompimento de resistência.
  • Conseguir fazer entrada em uma boa ação mesmo ela fazendo uma correção um pouco mais forte, o que deixaria uma compra por rompimento inviável.
  • Diminuir o risco da operação e com isso poder comprar mais lotes.

Após a confirmação dos testes resolvi começar a utilizar o setup Correção Semanal em conjunto com o Rompimento Semanal e Rompimento Diário.

Confesso que no início dará um certo frio na barriga e talvez uma demora em colocar a ordem no home broker, devido a ficar olhando e olhando novamente no gráfico até estar convencido de entrar por esse setup naquela determinada ação! rs

Mas também é uma barreira pessoal que talvez seja positivo quebrar, quem sabe pode agregar no repertório e ajudar a obter resultados melhores no longo prazo.

Um dos principais desafios iniciais vai ser treinar o olho e cérebro para os tipos de correção que entrarei e os tipos que não. Como disse anteriormente, se a correção for muito curta, ou até for média porém a distância entre a máxima do candle para rompimento e o topo prévio for pequena, vou preferir comprar no rompimento para ter mais segurança, e não tentar antecipar para uma possível barreira na resistência.

Da mesma forma o quão grande uma correção pode ser, em número de candles ou em queda de preço, que pode valer a pena a entrada ainda? E se eu comprar e for stopado, fazendo assim um novo fundo ainda na correção, tentarei fazer uma reentrada? A princípio penso que o número máximo de tentativas de compras que posso fazer em uma correção será 2.

Onde colocarei o stop inicial para ficar relativamente curto comparando a um rompimento, de modo a diminuir o risco e conseguir comprar mais ações, mas não ficar tão curto a ponto de uma piscada do mercado já bater no stop?

Apesar de ter testado e obtido valores de referência para todos esses questionamentos, acho que muito aprendizado virá da prática, analisando os gráficos, acertando e errando nos trades.

Então mão na massa e novas operações à vista!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Estudo da estratégia de position trade para o mercado americano

Conforme detalhei no post Comecei a investir em ações nos EUA! – Introdução às corretoras americanas, envio de dinheiro para o exterior, plataformas, plano de trade e IR, mês passado resolvi começar a investir, ou melhor, fazer trades de longo prazo em ações no mercado americano. Sempre me pareceu ser um mercado bem tentador, robusto e com centenas de excelentes oportunidades a todo momento, já que há milhares de ações negociadas nas bolsas de valores dos EUA. Na terra do capitalismo, oportunidades de ações fogueteiras que não devem faltar!

Então visando não perder tempo, eu primeiro comecei a operar e só na sequência fui fazer os backtests da minha estratégia. Esse post é para detalhar as minhas conclusões, dos testes automatizados e também depois de analisar visualmente centenas de gráficos (sim, foram quase mil!).

 

Estratégia base

Eu utilizarei a mesma estratégia base que já uso nas ações brasileiras (explicada em detalhes no menu Estratégias), ou seja, Position trade na modalidade Trend Following (seguidor de tendência) de longo prazo, que é visando vários meses ou poucos anos.

Os objetivos dos testes são basicamente:

  1. Validar se o setup que uso no Brasil funciona exatamente igual nos EUA
  2. Verificar se há configurações a ser modificadas para ter melhor aproveitamento no mercado americano

Então resumidamente os parâmetros do setup brasileiro são:

  • Gráfico semanal
  • FR acima de 90
  • Média móvel aritmética de 9 subindo
  • Parabolic SAR com passo 0,02 e valor máximo 0,10 subindo e abaixo dos preços
  • Correção máxima até stop ATR com multiplicador 2,5, subtraído da máxima
  • Esperar uma correção de pelo menos 1 candle semanal, com máxima menor que máxima anterior
  • Ou entrada alternativa esperando uma correção de pelo menos 4 candles diários
  • Start de compra no rompimento do topo recente
  • Stop inicial abaixo do fundo recente feito logo após o último topo
  • Stop móvel pelo stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento
  • Risco por operação de 1% do capital total
  • Stop por tempo de 26 semanas

 

Testes

O teste no mercado americano foi feito com todas as ações das 3 bolsas de valores: NYSE, NASDAQ e AMEX, que fica em torno de 9 mil ações. Ok, mas não usei as 9 mil nos testes porque fazendo filtros de liquidez, filtro de tempo mínimo de 1 ano de IPO, e de ações que nunca tiveram FR alto, ficaram pouco mais de 1000 que realmente apresentaram liquidez razoável e que tiverem no mínimo 1 trade no período.

Eu testei de janeiro/2000 até julho/2020, ou seja, arredondando 20 anos. Apesar de até ter histórico anterior a 2000, eu resolvi limitar até esse ano pois foi próximo de quando as negociações eletrônicas começaram a acontecer, então o mercado antes disso provavelmente teria um perfil um pouco diferente, apesar de já ser muito maduro.

 

Regras mantidas

Basicamente todos os parâmetros se mantiveram iguais ao setup brasileiro, também como melhores opções nas ações americanas:

  • Média móvel aritmética de 9 subindo
  • Parabolic SAR com passo 0,02 e valor máximo 0,10 subindo e abaixo dos preços
  • Esperar uma correção de pelo menos 1 candle semanal, com máxima menor que máxima anterior
  • Ou entrada alternativa esperando uma correção de pelo menos 4 candles diários
  • Start de compra no rompimento do topo recente
  • Stop inicial abaixo do fundo recente feito logo após o último topo
  • Stop móvel pelo stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento
  • Stop por tempo de 26 semanas

Sim, o parâmetro que eu achava que iria mudar, quase certeza, era o stop móvel, mas não é que essa configuração foi que rodou melhor lá também! E eu testei 14 tipos de stops móveis diferentes com 5 configurações de parâmetros em cada. Também testei tudo isso no gráfico semanal e diário. E o resultado melhor ainda foi o Stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento. Devido ao padrão das ações americanas que descrevi acima, eu achava que algum outro de stop iria ser mais adequado, mas o que é testado não mente! Então segue o mesmo stop!

Com relação aos filtros de tendência – MM9 e Parabolic SAR – eu não testei outros filtros, até porque eles não são pontos chave da estratégia, são mais indicadores secundário para evitar entrar em congestões ou outras situações atípicas. Eu só testei o setup com ou sem eles. A diferença com eles foi bem pequena, sinceramente não faz muita diferença positiva mante-los, eu vou deixa-los no gráfico e também no setup mais para ter uma compatibilidade maior entre BR e EUA.

Eu testei a entrada clássica pelo gráfico semanal mas também testei pelo gráfico diário, igual fiz recentemente o mesmo estudo aqui no Brasil. Os resultados entre gráfico semanal e diário foram semelhantes, sendo que a melhor configuração para quantidade mínima de candles de correção no diário seria de 4, da mesma forma que no Brasil.

 

Mudanças

O primeiro ponto de mudança óbvia foi o valor do FR. No Brasil eu uso um filtro acima de 90, isso significa que seleciono as top 10% das ações do mercado em termos de performance nos últimos 6 meses. Aplicando esse mesmo filtro nos EUA, num total de 9000 ações, me retornaria 900 ações! O que é totalmente inviável. Então o FR utilizado nos EUA foi de 99 pra cima (rs). Então ao invés da ação ser FR 90 ou 91 ou 92, etc, lá vai ser 99,0, 99,1, 99,2, etc. Então o filtro será para retornar as top 1% ações do mercado americano, que será em torno de 90, e diminuirá aplicando filtros de liquidez.

Outra mudança foi o risco por operação, na questão de controle de risco. Isso não foi testado pois o Metatrader não faz teste de carteira e sim somente individuais. A ideia é que usando FR acima de 99 nos EUA ainda sim filtra muito mais ações do que usando FR acima de 90 no Brasil, mais que o dobro da quantidade. Portanto usar um risco por operação de 1% sobre o capital total me permitiria ter uma carteira com uma média de 12 ações, sendo que lá aparecem dezenas de ações muito interessantes, portanto para poder diversificar mais e manter o risco controlado em no máximo 6% do capital total, eu vou usar um risco por operação menor. Comecei usando 0,33% mas talvez reavalie para ficar em 0,5%.

O único parâmetro que apesar de não ter mudado radicalmente a configuração mas que deu uma boa diferença nos testes foi a Correção máxima, onde a melhor configuração foi com stop ATR com multiplicador 2,2 subtraído da máxima, ao invés do 2,5 usado no Brasil. Então a correção passando desse valor já começa diminuir a chance de lucro e acerto. Lembrando que estamos falando de testes estatísticos, não significa que será ruim se corrigir até um pouco mais, significa somente que em 20 anos de dados, comprando sempre que corrigia até 2,5 por ex teria dado menos lucro e acertado menos. Mas se estamos querendo muito comprar uma ação em particular e quando ela faz uma correção, essa tem um tamanho um pouco maior que os 2,2, pode ser interessante comprar mesmo assim. Mas isso seria uma exceção. Em linhas gerais a ideia é respeitar os 2,2 como parâmetro de correção máxima, pois é um ponto limite que aumentam as chances de acerto.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +4% +28% -4% +106%
2 +0% +17% -3% +70%
3 +7% +14% -2% +53%
4 +10% +10% 0% +37%

Podemos ver que comprar após 1 ou 2 candles de correção somente aumenta muito os trades porém o lucro não aumenta proporcional, e o drawdown aumenta muito, portanto não vale a pena. A correção de 4 candles é a mais coerente e semelhante, uma vez que o lucro aumenta em 10% e o drawdown aumenta na mesma proporção. A quantidade de trades aumenta consideravelmente mas ainda razoável. Alguns trades com correção de 3 candles seria válido também.

Agora uma comparação dos resultados do mercado brasileiro com o americano, considerando o setup semanal em ambos.

Uma métrica interessante é a expectativa média de ganho por trade. Para se ter uma base inicial, nos testes nas ações brasileiras o lucro médio por trade é de 14,6%. Isso considerando todas operações de lucro (pouco, médio, muito) e também as de prejuízo. Então na média geral fica nesse valor. (Coincidentemente ou não é bem próximo da minha média na prática! A minha média geral está em 15,7% considerando todas minhas operações desde 2009 quando comecei no meu setup v1.) Agora esse número nos testes dos EUA é de 6,3% para a entrada pelo gráfico semanal e 5,0% pelo gráfico diário com 4 candles mínimos de correção. A taxa de acerto que no Brasil fica em 38%, nos EUA fica bem abaixo, em 27%. O drawdown nos EUA fica 37% maior que no Brasil.

Então vemos que os números dos testes mostram que o setup no Brasil gera resultados bem mais satisfatórios que nos EUA.

 

Constatações subjetivas

Conforme mencionei anteriormente, fiz análises visuais olhando gráfico a gráfico de centenas de ações e pude tirar algumas observações disso. Eu primeiramente fiz esse estudo visual individual para só depois fazer os testes automatizados.

Um ponto que constatei, e que eu imaginava totalmente ao contrário, é que por ter um mercado gigante com 9 mil ações e um país com muito mais estímulos e facilidades de empreender do que o Brasil, além de girar muito mais dinheiro e o mundo inteiro investir na bolsa americana, eu imaginava que oportunidades de ações fogueteiras como as brasileiras na última década – MGLU3, UNIP6, HGTX3, JSLG3, JHSF3, LCAM3, dentre outras – iriam ter muito mais lá, talvez até muito melhores. E para minha surpresa é totalmente ao contrário. Foi muito difícil achar aquelas tendências lindas que vemos aqui com uma certa frequência.

Ao analisar visualmente as centenas de gráficos, e depois que os testes me confirmaram, pude constatar que proporcionalmente há muito poucas oportunidades desse estilo, de ganhos de centenas de % em uma tendência única e forte, que normalmente fica entre 1 e 2 anos. Nos testes usando FR acima de 99, o que constatei é que em quantidades absolutas, o número dessas oportunidades no Brasil nos últimos 10 anos foi mesmo nos EUA nos últimos 20 anos! Mas no Brasil nós temos aproximadamente 400 ações e nos EUA 9 mil, portanto proporcionalmente o Brasil gerou MUITO mais oportunidades desse tipo que nos EUA. E vamos lembrar que metade da última década o Brasil passou estagnado economicamente, já nos últimos 20 a economia americana houve crises e estagnação em um percentual bem menor de tempo.

Mas veja, aqui estou avaliando da perspectiva do meu sistema, da minha estratégia. Tiveram várias ações que subiram muito porém apresentando correções intermediárias muito grandes na casa de 30-50%, o que o sistema teria vendido bem antes. Mas outros tipos de estratégia poderiam ter pego esse movimentos mais efetivamente. Enfim, não é como eu imaginava que seria mas mesmo assim não deixa de ser um bom negócio e interessante diversificar investindo nos EUA, até pelos outros motivos que descrevi brevemente no post que citei acima.

Minha impressão sobre as ações e bolsas americanas é que o mercado é mais maduro, realista e justo, menos especulativo. Por isso mesmo com muito mais empresas listadas, não acontece em um número muito grande esses movimentos fortíssimos.

Outro ponto que notei estudando os gráficos é que é bem normal, é que a grande enorme maioria dos ativos fazem correções muito fortes, de 4 a 6 ATR, o que é uma baita correção. Mas depois muitas delas continuam a tendência primária de alta. Essas correções matam qualquer setup seguidor de tendência. São semelhantes às correções das blue chips brasileiras, comparadas com as small e mid caps.

Alguns exemplos do padrão que estou dizendo:

HD: Iniciou nos US$ 40 em 2011 e bateu os US$ 200 em 2018 com 5 correções maiores no intervalo.

PATK: Iniciou nos US$ 2 em 2011 e bateu os US$ 70 em 2018 com 6 correções maiores no intervalo.

MSFT: Iniciou nos US$ 35 em 2013 e bateu os US$ 190 em 2020 com 3 correções maiores no intervalo.

AAPL: Iniciou nos US$ 2 em 2004 e bateu os US$ 28 em 2008 com 3 correções maiores no intervalo.

AAPL: Iniciou nos US$ 16 em 2009 e bateu os US$ 100 em 2012 com 3 correções maiores no intervalo.

MO: Iniciou nos US$ 17 em 2009 e bateu os US$ 76 em 2007 com 8 correções maiores no intervalo.

Esses padrões de correção são normais na maioria das ações em tendências de alta e às vezes em algumas ações vemos que ficam um intervalo maior de 1 a 2 anos sem correções maiores.

Outro ponto que notei é que a volatilidade aumenta demais quando preços começam a subir forte, as vezes aumenta absurdamente, um padrão que não vemos aqui no Brasil, assim deixando o stop ATR muito longe do topo em percentual.

Alguns exemplos do padrão de aumento grande de volatilidade:

SLP: Fez um pico nos US$ 8,50 e o stop ficou nos US$ 4,80 (-43%)

AMGN: Fez um pico nos US$ 76 e o stop ficou nos US$ 54 (-29%). Esse exemplo também conta com uma correção intermediária grande.

SYNL: Fez um pico nos US$ 47,50 e o stop ficou nos US$ 30,50 (-36%). Esse exemplo também conta com uma correção intermediária grande.

EDUC: Fez um pico nos US$ 8,50 e o stop ficou nos US$ 5,70 (-33%)

Enfim, esses pontos mencionados nessa seção com certeza deixam o mercado americano mais difícil de se operar e de achar aquelas realmente boas oportunidades (ironicamente).

 

Conclusão

O que pude constatar tanto empiricamente através das análises visuais dos gráficos das ações americanas e posteriormente também refletindo nos resultados dos testes, é que o a bolsa de valores americana é um mercado mais difícil e complexo, com padrões gráficos menos “limpos”, fazendo correções intermediárias muito fortes e com aumento altíssimo na volatilidade durante as altas, portanto dificultando os trades de longo prazo, não dando aquela continuidade desejada de longas tendências de 1 a 2 anos.

Pelo menos para mim, uma impressão prévia que sempre tive do mercado americano, vendo somente alguns gráficos aleatórios ao longo dos anos daquelas ações famosas que bombaram, não se mostrou realidade nos estudos mais aprofundados.

Não quer dizer que é um mercado ruim, óbvio que não, porém para quem está acostumado com o padrão das ações brasileiras pode esperar grandes diferenças nos EUA.

Só com anos de trades na prática confirmarão se as estatísticas geradas dos testes estão precisas ou se o trader tendo opção de fazer ou não uma operação baseado na análise do gráfico em conjunto, e não somente seguir o setup totalmente mecanizado, conseguirá resultados melhores, pois dentro da lista que será gerada pelo FR acima de 99 teremos que priorizar algumas ainda, não dará para entrar em todas. Então quem sabe não conseguimos melhorar essa estatística baseado em escolhas humanas que não conseguimos traduzir para o computador!

Ainda considero interessante investir uma parte do capital lá? Sim, pelo motivos que falo no link no início do post, eu continuo achando interessante investir de 10% a 20% do capital fora, e talvez em determinados períodos ruins no Brasil, aumentar o valor no estrangeiro.

Vou continuar meus trades lá, até para pegar mais experiência prática nesse mercado e quem sabe pode melhorar a estratégia no futuro.

Agora meu recado para aqueles que se interessam pelo mercado americano mas por qualquer motivo não podem ou conseguem começar a investir lá agora: Relaxe! Você não está perdendo uma mina de ouro! Continue se dedicando firme nas operações aqui no Brasil que é um mercado excelente em oportunidades de movimentos das ações. É possível rentabilizar muito bem a carteira aqui, além das ações fazerem movimentos bem mais fáceis. E deixe como uma ideia para um futuro você ter a opção de diversificar nos EUA também.

Para aqueles que esperavam um post mega otimista, me desculpem por talvez dar um banho de água fria, mas mundo de trade é assim, precisamos trabalhar com fatos e não criar falsas expectativas. Com os amigos sempre colaborando nas análises e opiniões, aqueles que estão ingressando nesse novo mercado também, se forem tendo insights e ideias de melhorias vai compartilhando conosco!

 

Abraços para todos e bons estudos and good trades in the USA!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Comecei a investir em ações nos EUA! – Introdução às corretoras americanas, envio de dinheiro para o exterior, plataformas, plano de trade e IR

Faaaaaala galera!!

Hoje estou empolgado porque oficialmente virei um investidor (ou melhor, trader) internacional! Há umas 2 semanas atrás surgiu o assunto entre os colegas de comprar ações nos EUA e eu acabei animando com o tema. Então fui atrás de mais detalhes de tudo relacionado a isso, fiz um intensivão e já comecei a fazer os trades, sendo essa sexta-feira a minha primeira compra! Bem, eu sou assim, quando há um tema que me interesso eu vou fundo nele e tendo fazer acontecer o mais rápido possível.

Resolvi finalizar todo processo de estudo e prática inicial antes de postar a respeito no blog, para já ter um conteúdo mais razoável e poder ajudar em alguma dúvida que os colegas possam ter. Óbvio que ainda sou novato no esquema, então o que eu não souber eu posso ir atrás para aprender também.

Como o título sugere, esse post será somente uma introdução a alguns temas que pesquisei nesse período. Não tenho a pretensão de me aprofundar em nada de EUA ainda, isso só virá com o tempo em estudo e prática.

Vamos aos temas.

 

Motivos para compras ações nos EUA

A primeira pergunta básica desse assunto é: “Mas por que investir na bolsa de valores americana? Com tantas empresas disponíveis no Brasil, não é suficiente?”. Bem, sinceramente esse sempre foi meu ponto de vista, quando também nunca me dispus de buscar mais informações até hoje.

Então os motivos que eu vejo são:

1) Investir na maior economia do mundo

A economia americana é de longe muito maior que a brasileira, além de muito mais sólida, e isso se reflete na bolsa de valores. Também com muito mais estímulos do governo do que aqui, menos impostos e empecilhos, muitas empresas prosperam ano a ano.

2) Quantidade de empresas

Enquanto aqui temos aproximadamente 400 empresas listadas na bolsa de valores, nos EUA tem aproximadamente 9 mil, considerando as bolsas NYSE, Nasdaq e AMEX. Então é uma infinidade de opções de escolha.

3) Probabilidade de ter ações bombando

Um ponto derivado do anterior é que numa amostragem de 9 mil empresas, a probabilidade de ter pelo menos 1% ou 0,5% bombando em forte tendência de alta é grande. E 1% equivale a 90 empresas, o que já é mais que suficiente para filtrar liquidez e outros pontos e ainda sobrar umas boas opções de escolha.

4) Alternativas de investimento quando o momento do Brasil estiver ruim

Com questões políticas e econômicas mais delicadas em nosso país, haverá muitos momentos em que nossa economia ficará praticamente estagnada, como ocorreu por longos 6 anos de 2010 a 2015. Esse período gerou pouquíssimas boas opções de investimentos na bolsa. Em contrapartida, no mesmo período a economia americana estava indo relativamente muito bem, a bolsa subindo ano após ano, portanto houve muitas oportunidades nos EUA onde o dinheiro poderia ter sido muito bem rentabilizado ao invés de praticamente estagnado no Brasil.

5) Dolarizar os investimentos

Para investirmos nos EUA precisamos fazer um câmbio e depositar dólares na corretora americana. Portanto todo lucro e saldo na conta obviamente será em dólares. Com isso além dos possíveis lucros provenientes das ações, teremos uma proteção cambial, onde se o dólar se valorizar ao longo do tempo perante ao real (o que historicamente é o que acontece e tende a continuar acontecendo), esse nosso montante no exterior também será ajustado na mesma proporção.

6) Proteção política

Nem preciso me alongar nesse tema que todo mundo já conhece bem. Historicamente já tivemos uma série de problemas políticos no país, inclusive até de confisco de dinheiro. Portanto ter um dinheiro legalmente no exterior promove uma proteção nesse aspecto.

 

Corretoras

Uma vez decidido investir nos EUA o próximo passo é escolher uma corretora. Aqui dou um breve resumo da minha pesquisa. Aos que quiserem ir mais a fundo, recomendo uma pesquisa mais detalhada na internet.

Depois de pesquisar em diversos sites de reviews, artigos e vídeos de depoimentos e opiniões no Youtube, fiquei com 3 finalistas: Charles Schwab, TD Ameritrade e E*Trade. São 3 das maiores e mais bem conceitudadas do país. Todas tem corretagem zero para ações e sem taxas de custódia e inatividade. Também é possível operar as 3 bolsas (NYSE, Nasdaq e AMEX) nessas corretoras.

Outra gigante que com certeza faria parte da lista é a Fidelity, que é excelente também, porém não está aceitando mais contas de estrangeiros, portanto ficará fora da lista pra gente.

A corretora Interactive Brokers não é das maiores mas é bem famosa especialmente entre traders, principalmente pela vasta opções de mercado a operar que não se restringe só ao americano. Porém ela cobra taxa de custódia mensal e taxa de inatividade quando não faz trades no mês, além de pagar corretagem também. No plano IBKR LITE a corretagem é de graça, mas estrangeiro não pode optar por esse plano.

A Avenue está bem famosa aqui no Brasil pois o dono dela é um brasileiro, é o ex-dono da corretora Clear, então é uma corretora feita para brasileiros, com site em português, atendimento em português. Tem outras facilidades como envio de dinheiro através de TED entre bancos no Brasil e dinheiro entrando na conta americana em minutos ou poucas horas, além de um relatório detalhado de declaração de IR no Brasil, o que pode ser muito útil. Apesar disso as desvantagens são que a corretagem não é gratuita e também não pode operar todas as ações do mercado americano, somente as X com maior liquidez (não sei a quantidade exata).

Então falando das 3 finalistas, todas são top e estaria bem em qualquer delas, mas tem que escolher uma só. Pelo que vi, entre essas 3, a galera diz que a E*Trade é a mais simples e não aparece nos topos dos rankings, que normalmente estão Charles Schwab e a TD Ameritrade. Portanto me concentrei mais entre essas 2. Inclusive a E*Trade foi comprada esse ano (2020) pelo grande banco Morgan Stanley.

Antes de continuar, um contexto importante no mercado americano de corretoras. Havia algumas corretoras que ofereciam taxa zero de corretagem, pelo que vi começou com Robinhood. É até uma corretora bem conceituada, não tão grande, mas que funciona legal e a galera curte. Entre as corretoras grandes, todas cobravam taxas. Aí no ano passado (2019) a Charles Schwab anunciou taxa zero para ações e para não ficarem atrás as demais gigantes também anunciaram na sequência – TD Ameritrade, E-trade e Fidelity. Então isso começou a afetar o mercado e as corretoras de certa forma, foi um marco importante no país, inédito.

Outro contexto importante que esse ano de 2020, a Charles Schwab anunciou a compra da TD Ameritrade! É uma compra absurdamente grande e que dizem que deve demorar anos para as corretoras se integrarem de verdade, e não se sabe se os clientes da TD vão migrar para a Schwab ou se as empresas permanecerão independentes, como a XP e Rico aqui no Brasil.

Agora voltando a escolha. As duas finalistas – Charles Schwab e TD Ameritrade – estão no topo do ranking de todos os sites e vídeos e análises, cada um prefere uma de acordo com o perfil e experiêcia.

O que parece ser indiscutível é que para os traders – swing trader e day trader – a plataforma da TD Ameritrade chamada “thinkorswim” é uma das melhores do país, então provavelmente ela seria a melhor opção. Mas para mim que farei um esquema de position trade de longo prazo, praticamente nem usarei a plataforma, portanto não foi o ponto mais importante da decisão. O home broker de ambas as corretoras são bem parecidos, é um sistema web bem mais simples que o nosso aqui, e é provavelmente esse que eu usaria para colocar minhas ordens, igual faço no HB da XP aqui.

Apesar de muitos elogios das 2, inicialmente eu acabei escolhendo a Charles Schwab para abrir conta, pelos seguintes motivos:

– Encontrei alguns vídeos de traders americanos falando que após anunciar corretagem zero, a qualidade em geral da TD Ameritrade caiu razoavelmente. Isso inclui: lag nas cotações, atraso no envio de ordens, suporte piorado, ferramentas travando. O que era uma corretora impecável até então, com prêmios de melhores ordens no mercado, começou a sofrer declínio após a mudança. Estão falando que deve ter aumentando muito o número de clientes e ordens após a mudança e não estão aguentando apropriadamente. Isso pode ser temporário somente até a empresa se ajustar.

– A receita proveniente de corretagem na TD Ameritrade era mais de 60% do faturamento da empresa, então essa mudança afetou profundamente a receita. Vi muitos vídeos da galera discutindo como a empresa ia sobreviver com esse declínio de mais da metade da receita. Já a Charles Schwab é uma mega instituição com diversas áreas financeiras de atuação (como a XP) e a corretagem era aproximadamente 15% do total da receita, então o impacto foi muito pequeno. Talvez tenha sido até uma estratégia da Schwab de zerar a corretagem para justamente comprar a TD pelo baque sofrido, uma vez que as ações deles caíram absurdamente (isso é especulação minha somente).

– O atendimento da Charles Schwab é o melhor do país, entre todas as corretoras. Então mesmo esperando não precisar de usar, é bom ter uma corretora que oferece um bom atendimento, pois sabemos que quando o assunto é dinheiro, é muito importante.

– Como a TD Ameritrade foi comprada pela Charles Schwab, há grandes chances de haver muitas mudanças na TD Ameritrade para haver uma fusão, então pode afetar de alguma forma. E se há a possibilidade de todos serem migrados para a Charles Schwab no futuro, melhor já abrir conta nela de uma vez.

Então a Charles Schwab seria a primeira opção para abertura de conta. Mas ela tem um porém, ela exige um depósito inicial mínimo de US$ 25 mil! Então não achei interessante essa exigência, nem queria enviar esse dinheiro para fora, uma vez que hoje ficaria na faixa dos R$ 135 mil.

Portanto a minha escolha acabou sendo a TD Ameritrade. Eu já abri conta lá e comecei a operar nessa semana.

O processo de abertura de conta não é dos mais simplificados, inclusive eles pedem até para mandar fax dos documentos exigidos. Mas no fim dá tudo certo, eles não embaçam com nada.

Para mandar fax com os documentos, eu scaneei para o computador e enviei para a corretora através do site https://faxzero.com/ , que não tem custo nenhum.

Após finalizada a abertura da conta, eles mandam a senha por correio, o que pode demorar algumas semanas para chegar. Para agilizar, é possível ligar lá e pedir para te fornecerem uma senha temporária de acesso, aí eles te fornecem por telefone e você já consegue acessar.

Aqui deixo alguns vídeos brasileiros que falam como abrir conta lá em detalhes:

https://www.youtube.com/watch?v=RRjnqNFHEwE
https://www.youtube.com/watch?v=IHtm6RQMvqM
https://www.youtube.com/watch?v=T3L7uQ_sNkk

Minhas primeiras impressões foram:

– Tela de envio de ordens simples e tranquila de preencher. O mesmo para a tela de acompanhamento das ordens em aberto.
– Para ordens stops loss, tem um tipo de ordem chamada Stop Market, onde não precisamos preencher o preço de execução como fazemos aqui, preenchemos somente o preço de gatilho. Assim não tem risco de acontecer as famosas puladas de stop. Pretendo fazer um post específico sobre ordens em breve com exemplos práticos.
– A tal mega plataforma famosa deles “thinkorswim”, tem realmente muitos recursos na versão instalada no computador, mas para a parte de gráficos que nos interessa não achei muito boa, especialmente a facilidade de ficar mudando de ativos. Digamos que o nosso brasileiro ProfitChart é muito melhor para isso!
– Liguei uma vez suporte para pedir minha senha temporária e achei o atendimento muito bom. São muito educados e não falam muito rápido. Isso é num número internacional que tem no site, que inclusive é gratuito. Eu usei o Skype para ligar. O ponto negativo foi o tempo de espera para ser atendido, que demorou entre 10 e 15 minutos.

Aqui deixo alguns vídeos brasileiros que mostram como é a corretora:

https://www.youtube.com/watch?v=6iKxFQdop30
https://www.youtube.com/watch?v=DuyEdD1QFF4
https://www.youtube.com/watch?v=MTm-HWDYjQo

 

Envio de dinheiro para o exterior

O envio de dinheiro para o exterior é muito simples! Pode ser feito utilizando bancos ou casas de câmbio. Pesquisei taxas em alguns bancos grandes tradicionais, alguns bancos de porte um pouco menor, vários bancos digitais e nas principais casas de câmbio porém o mais simples, rápido e barato que encontrei é utilizando o serviço da empresa Remessa Online.

A Remessa Online é uma instituição financeira registrada no Banco Central. Quem quiser pode pesquisar mais a respeito dela na internet, vai ver que ela é séria e tem boa reputação, além de prestar um ótimo serviço. Já utilizei para fazer alguns recebimentos internacionais de serviços de TI prestados para o exterior e também foi tudo muito prático e tranquilo.

Eles usam a cotação do dólar comercial para fazer o câmbio e cobram somente 1,3% de spread, a menor do mercado. Fora isso sempre encontramos cupons na internet se buscarmos no Google, dando entre 5% e 15% de desconto nessa taxa.

Quando forem fazer o primeiro envio de dinheiro para o exterior, utilize o meu código de desconto RL3882 que te dará 50% de desconto na taxa. Obs: Quem me acompanha a mais tempo sabe que nunca fiz esse tipo de sugestão de afiliados ou coisa do tipo para ter benefícios com indicações que faço aos leitores do blog. Nesse caso estou fazendo primeiro porque é o serviço que realmente utilizei e vou continuar utilizando nas próximas transferências, tendo algum desconto ou não. Segundo porque vocês ganham um belo desconto se usar o cupom. E terceiro, que será uma consequência, eu terei algum pequeno benefício de desconto para mim também quando alguém utilizar esse código.

Além dessas vantagens todas, a Remessa Online ainda tem mais um facilitador pois já tem os dados da corretora TD Ameritrade pré-cadastrados, portanto quando for enviar, basta selecionar a TD como corretora e digitar o seu código de cliente, nada mais! Realmente muito simples!

Segue um vídeo mostrando essa operação na prática:

https://www.youtube.com/watch?v=pN527keUBK8

 

Plataformas

A corretora TD Ameritrade fornece a plataforma “thinkorswim” gratuitamente para operar. Ela tem disponível para download para Windows, a versão online web e para smart phones.

A versão para Windows é mega completa, tem muitos recursos e ferramentas agregadas. A parte de gráficos dela é bom mas não ótima, a usabilidade de navegação não é das melhores, além de não ser simples de ficar trocando de ativos através de uma lista por exemplo. Tem uma opção de screener mas para o meu objetivo não tem os dados que eu preciso. Além disso é uma plataforma não muito amigável e meio complexa de utilização. Não gostei e não devo usar.

A versão web é o oposto, muito simples com quase nada de recursos, basicamente as cotações e informações das ações, um gráfico e as boletas de ordens. Para mim poderia até ser interessante se não fosse o caso do gráfico ser bem ruim e em algumas questões mal feito. E se for só para emitir ordens, é mais fácil fazer pela página principal da corretora mesmo, como se fosse o home broker.

A versão mobile eu não cheguei a instalar mas pelos screenshots que vi parece ser bem interessante para prover cotações, ordens e gráficos quando não estamos no computador. Parece ser bem feito.

Eu pesquisei se havia alguma corretora que oferecesse o Metatrader 5 para bolsa de valores mas não achei nenhuma, só tem para Forex mesmo.

Eu queria que tivesse o Profit Chart da Nelogica lá, mas acho que não tem rs.

Eu sei que há muitos softwares nos EUA, eu acabei não focando em pesquisar a fundo isso. No fim das contas eu optei por utilizar a plataforma web do TradingView.

O TradingView deve ser a melhor plataforma de gráficos web do mundo. A qualidade é muito grande, com navegação fácil e uma imensidão de recursos. Muitos indicadores nativos e ainda tem uma biblioteca de milhares de indicadores feito por usuários. Também tem uma linguagem proprietária chama PINE que é possível criar indicadores customizados. Tem muitas ferramentas de desenhos e estudos.

Outro ponto crucial que me vez escolher o TradingView é o screener (ou rastreador). O screener é uma listagem de todas as ações do mercado americano onde é possível selecionas as informações que deseja mostrar, bem como fazer filtros diversos. É provavelmente o melhor do mercado também. E é através desse screener que eu baixo os dados para gerar o FR das ações americanas. Tentei através de vários outros sites mas nenhum me deu a facilidade e precisão desse.

O melhor de tudo é que o TradingView é gratuito! Para um uso mais básico que tem limite de indicadores por gráfico, layouts e outros mais, pode usar a vontade para acessar todas as ações do mundo, com atraso de 15 minutos nas cotações. Como eu planejo as operações com o mercado fechado, isso não tem importância para mim.

Eu provavelmente terei que usar a versão Pro paga do TradingView, principalmente para conseguir fazer download dos dados do screener, que não está disponível na versão free. Outro ponto é que no plano Pro eu consigo colocar até 5 indicadores no gráfico e no gratuito só 3. Com 5 indicadores eu consigo montar o layout do meu setup igual uso aqui no Brasil.

O plano Pro custa US$ 14,95 por mês porém normalmente depois que assina, eles oferecem um desconto de 50% assinando por 1 ano, portanto ficaria US$ 7,47 por mês somente. Os planos do TradingView podem ser comparados nesse link: https://br.tradingview.com/gopro/

 

Plano de Trade

Não consegui fazer nenhum estudo e backtest específico para o mercado americano, portanto a minha ideia inicial é usar a mesma estratégia que uso no Brasil, com os mesmos parâmetros de indicadores. Nos próximos dias eu pretendo fazer alguns backtests manuais com relação ao stop ATR para stop móvel das operações. Quero ver se a calibragem de 3,5 de multiplicador é adequada.

Com relação ao FR, como mencionei anteriormente o mercado americano tem quase 9 mil ações, então usar o FR até 90 como utilizo no Brasil, me retornaria uma lista de 900 empresas nos EUA! Então devido a quantidade de ações, vou filtrar as ações com FR 99 para cima (rsrs). Outro mundo mesmo! Eventualmente usar até 98 ou 97.

Vou gerar a lista do FR mensalmente e colocar no blog da mesma forma que faço para as ações da B3. Aqui eu deixo a prévia que gerei essa semana: FR_Acoes_EUA_2020-07-22.xlsx

Com relação ao risco por operação utilizado, não pretendo utilizar os 1% que utilizo no Brasil, pois como há muito mais opções de ações interessantes nos EUA, tenho a intenção de diversificar mais. Num primeiro momento vou começar utilizando um risco por operação de 0,33% sobre o capital total, o que deve me gerar uma carteira com 3 vezes mais ações que no Brasil. Terá um tempo de gerenciamento maior, mas eu não gosto da ideia de diversificar pouco e ficar de fora de várias oportunidades passando, então optei por esse valor mesmo. Esse capital total para controle de risco é somente meu capital disponibilizado para a corretora americana, farei 2 controles de riscos separados, um para carteira do Brasil e outro para EUA.

Uma característica importante da bolsa americana é que o lote padrão é de 1 ação, enquanto aí no Brasil é 100. Portanto mesmo com pouco dinheiro enviado, como a corretagem é grátis, usando o 0,33% de risco é possível comprar somente 1, 2 ou 10 ações, o que é um ponto muito positivo. Algumas corretoras ainda permitem comprar fração de 1 ação, como 0,2 ação.

Ainda não tenho definido qual a proporção do meu capital eu pretendo deixar investido nos EUA, talvez seja algo entre 10% e 20%, podendo ser maior em períodos de crises exclusivamente brasileira.

 

Imposto de Renda

Chegou a parte chata rs. Bem, chata mas necessária, afinal todos precisamos declarar nossos IR anualmente e pagar impostos mensais sobre ganhos de capital, seja no Brasil ou no exterior.

Eu como estou começando nesse mercado agora, não tenho a pretensão de detalhar muito como fiz no artigo recente referente a IR com operações no Brasil. Aqui vou dar simplesmente uma introdução no tema e o que esperar em termos gerais.

De cara eu já falo que SIM, para residentes brasileiros investindo no exterior, precisa pagar impostos sobre lucros!

Acredito que muita gente pense ou já tenha ouvido falar (inclusive eu mesmo já tinha ouvido isso) que o imposto deve ser pago somente quando o capital for repatriado para o Brasil. Porém em todo material que li e vi na minha pesquisa, essa informação não procede. O IR deve ser pago mensalmente da mesma forma que é feito em operações no Brasil. Ou seja, após encerrado um mês, deve ser apurado o ganho desse mês e o imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente.

A alíquota sobre ganho de capital no exterior é de 15%, a mesma que no Brasil. Não vi nada falando sobre day trade, porém pelo que deu a entender a alíquota é única, não havendo diferença das operações. Essa alíquota é para ganhos até R$ 5 milhões, acima disso o imposto é maior e gradativo. Acho que a maioria de nós estaremos nessa alíquota por um bom tempo, certo? rs

A boa notícia é que há isenção de IR quando o total de vendas no mês tenha sido até R$ 35 mil. Veja bem, reais, não dólar.

Mais de US$ 100 mil – precisa declarar para o Banco Central (não é o IR da Receita Federal). Faz online pelo site do BC.

Para ganhos de capital no mês onde o total de vendas ultrapassar os R$ 35 mil, o lucro deve ser preenchido no programa GCAP (Ganhos de Capital) da Receita Federal. Aqui tem um ponto bem confuso que eu vi divergências em matérias e vídeos que pesquisei, que deve ser preenchido se os rendimentos auferidos foram em reais, em moeda estrangeira ou misto. Precisarei pesquisar mais a respeito sobre isso quando for declarar. Após fazer o preenchimento do mês, deverá de impresso o DARF para pagamento.

Os rendimentos de dividendos nos EUA incidem um imposto de 30% já retidos na fonte. Esse é um imposto americano. Mesmo esse rendimento precisa ser declarado no Brasil, apesar de não ter que pagar nenhum IR extra sobre ele. A declaração dever feita no programa Carnê Leão da Receita Federal. O rendimento deve ser declarado em reais, usando a tabela de conversão da Receita Federal, usando a cotação de compra do dólar do mês do recebimento. Se atentar para preencher a coluna Imposto Pago no Exterior a Compensar com o valor do imposto retido.

Na Declaração Anual de IR, deve ser declarado basicamente tudo, os mesmos tipos de informação para os investimentos nacionais. Todos os dados preenchidos nos programas GCAP e Carnê Leão podem ser importados pelo programa de Declaração Anual IRPF. Além das informações mencionadas até agora, outras que devem ser declaradas são as ações em custódia e saldo em conta na corretora. Para as declarações das ações em custódia em Bens e Direitos, deve ser considerado o preço pago em reais, usando a cotação do dólar no site do Banco Central do dia da compra.

Por fim, para que tem mais que US$ 100 mil no exterior precisa declarar anualmente para o Banco Central no site da Declaração de Capitais brasileiros no exterior (CBE). Essa declaração não é para fins de IR porém paga multa se não declarar.

Como vemos essa questão de IR de renda variável no exterior é mais complexa do que a de renda variável nacional, porém eu acho que não pode ser um motivo para não fazer esses investimentos. Na dúvida é melhor pedir a ajuda de um contador especialista no assunto.

Aqui deixo alguns materiais sobre o tema:

como-declarar-ativos-no-exterior.pdf – Um excelente material feito em parceria com o Credit Suisse
https://viverdedividendos.org/tudo-sobre-ganho-de-capital-em-investimentos-no-exterior/
https://www.youtube.com/watch?v=nFvaFN2Vhas
https://www.youtube.com/watch?v=DbaZIOuTiv4
https://www.youtube.com/watch?v=XjLw7GWX1Ck
https://www.youtube.com/watch?v=hgNbNIAr69s
https://www.youtube.com/watch?v=dYNfTI5ld_s

 

Aos que animarem em investir nos EUA, vamos caminhar juntos nessa nova jornada!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

IBOVESPA – 17/04/2020

17 de abril de 2020 2 comentários

IBOV deu uma recuperada nas últimas 2 semanas, sendo que a semana atual diminuiu bem a volatilidade, provavelmente ainda muita indecisão do mercado a respeito dos próximos acontecimentos no mundo e consequentemente para a economia e as empresas.

No gráfico diário já formou um pivot de alta, isto é, formou um fundo mais alto que o anterior e os preços romperam o topo anterior, conforme destacado com as linhas azuis no gráfico abaixo. Esse é um padrão clássico de início de reversão, e para os trader mais agressivos já poderia ser um momento válido de pensar em algumas entradas de compra. Obviamente quem já estiver entrando nesse momento, caso o mercado realmente volta a recuperar e subir no médio-longo prazo, terão mais lucros.

Porém eu sou mais conservador e para o meu perfil eu ainda acho mais arriscado uma entrada nesse momento. Eu demoro para considerar a mudança da tendência de alta para baixa, que seria quando os preços começam atingir o meu stop ATR em todas ações. Da mesma forma eu demoro para considerar a mudança da tendência de baixa para alta, esperando por mais confirmações, mesmo que isso diminuirá meu lucro comparando com quem entrou mais cedo.

No gráfico semanal vemos que os últimos 4 candles não romperam os limites de preço máximo e mínimo do candle grande de queda da semana do dia 16/03, que estão destacados pelas linhas azuis. Estão todos contidos dentro dos limites do candle, e são chamados inside bars na análise técnica. No momento esses candles ainda estão representando uma certa indecisão no mercado e na minha visão precisaria romper essa faixa para cima ou para baixo para uma confirmação mais do movimento.

Não quer dizer que se romper a máxima dos preços da linha azul eu já irei comprar, o que quer dizer é que enquanto estiver dentro dessa faixa eu não penso em fazer nada. Quando romper, se for para cima, eu reavaliarei o mercado, se for para baixo, esperarei mais ainda!

Abraços a todos e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Estratégias, Mercado

IBOVESPA – 10/03/2020 – É crise? O que fazer?

10 de março de 2020 4 comentários

Estamos passando por um momento de reversão de tendência na bolsa de valores brasileira – B3 – assim como em todas bolsas mundiais. Com as quedas fortíssimas ocorridas nas últimas semanas, a tendência do IBOV e da maioria das ações já virou para baixa. Ontem já presenciamos até um circuit breaker que ocorre somente quando há muito medo no mercado.

O IBOV saiu de uma máxima de 119.593 pontos em 24/01/2020 e bateu uma mínima de 85.880 pontos ontem 09/03/2020, representando uma queda de 28,19% em 45 dias, voltando para o patamar de preços de dezembro de 2018.

Com isso já encerrei todas minhas posições compradas e não tenho mais nenhuma ação em carteira. Alocarei todo meu dinheiro em fundos de renda fixa até que a tendência vire novamente para alta. O importante é não deixar o dinheiro parado na conta da corretora pois se ela sofrer problemas e chegar até a falir, o dinheiro estará alocado em outra instituição. Eu prefiro fundos DI e RF pois o resgate é no máximo em poucos dias e não têm carência. Outros produtos como CDB, LCI, LCA, Debêntures e outros podem ter carência de meses ou anos para resgate, portanto não é interessante se o objetivo for ter o dinheiro todo disponível para utilizar logo assim que a bolsa melhorar.

Alguns me comentaram: “Poxa, mas colocar num fundo DI hoje vai render muito pouco. Em 6 meses vai dar algo em torno de 2% com o juros baixo que está no país”. E eu comento alguns pontos. Primeiro, essa taxa de juros é a nova realidade do país, portanto renda fixa “pura” e com menor risco possível irá render proporcional à SELIC, que é 4,25% ao ano. Segundo, o objetivo desse capital é rentabilizar em ações e não na renda fixa, portanto essa alocação é temporária e faz parte da estratégia de ter dinheiro em caixa e sem nenhuma ação em carteira em momentos como esse. Para o trader de longo prazo mais conservador, não deve se importar muito com essa rentabilidade nesse momento. Terceiro, você ganhando 2% vai estar ganhando de todos que estiverem na bolsa segurando ou comprando ações durante a queda! Quem tem ações ou cotas de fundos de ações sofrerão uma perda (que pode ou não ser realizada) que pode ser altíssima dependendo do quão forte a queda da bolsa for. Em 2008 vários fundos tiveram rentabilidades desastrosas, muitos fundos, talvez a maioria teve rentabilidade inferior a -40%, sendo que vários foram inferiores a -60%. Portanto 2% comparado com qualquer valor negativo, com certeza estará em vantagem! Quarto, com todo dinheiro disponível em caixa, quanto mais a bolsa cair, melhor, pois quando a tendência virar para alta novamente, começaremos a comprar com preços realmente lá embaixo e com enorme potencial de subida. E teremos todo nosso dinheiro disponível para isso! Ao contrário de quem “queimar a largada” e começar a comprar durante a queda.

Agora os mais ativos podem optar por fazer operações de venda nesse período, alugando ações e vendendo, para ganhar com a queda dos preços. Uma vez que os preços caírem o suficiente, basta recomprar as ações no mercado e devolver o aluguel. Por exemplo, se alugar 1000 PETR4 e vender a R$25, isso gerou um dinheiro em caixa de R$25 mil. A PETR4 caiu e ao chegar a R$15 recompra-se as 1000 ações, pagando R$15 mil por isso, com isso sobrou R$10 mil na conta, ou seja, o lucro da operação. Na sequência deve devolver as ações alugadas. A operação é o inverso da operação comprada que estamos acostumados, e pode ser utilizada nesses momentos para aproveitar para lucrar ao invés de só ficar de fora. Mas como qualquer operação no mercado, tem riscos e deve ser utilizada uma estratégia testada previamente para que haja embasamento estatístico e assim gerando confiança e segurança. Eu talvez faça algumas dessas operações mas não colocarei no blog pois não as fiz no passado e apesar de ter feito várias simulações, eu não me sinto confortável em colocar publicamente pois não são operações que faço sempre e não tem um histórico de operações reais para dar respaldo.

Os sistemas de Trend Following (TF) – seguidor de tendência – são muito eficazes em mercados em que há tendências prolongadas, pois seu objetivo é ficar posicionado durante todo o movimento, podendo ser anos nos TF de longo prazo. É um sistema provado lucrativo e ao mesmo tempo protetivo pois opera a favor das probabilidades. E isso genericamente falando, não falando especificamente da forma que opero. Porém esse sistema não tem como objetivo fazer entradas mais “relâmpagos” após movimentos bruscos do mercado como o atual. Eu como me especializei nesse método e me sinto confortável fazendo praticamente só ele, acabo não operando na compra em reversões rápidas após quedas fortes. Para isso os sistemas de TF de longo prazo não são adequados.

Muitos ficam ansiosos nesses períodos, querendo aproveitar a volatilidade e variação dos preços para lucrar. Se for para longo prazo, minha recomendação é esperar o mercado estabilizar. Agora se for para curto prazo e day trade, OK, é válido. Portanto aos interessados em aproveitar preços teoricamente baratos e querendo pegar reversões de alta no meio da crise (mais arriscado), devem utilizar outros sistemas de trades ou avaliações específicas para isso. Mas novamente, tudo deve ser estudado antes e não fazer nada na euforia ou no “oba oba”. Como a tendência é de baixa, eu posso resolver fazer algumas operações de venda para lucrar com a queda, porém não farei nenhuma operação de compra nesse momento.

Eu por enquanto fico de fora esperando o mercado estabilizar a tendência virar de alta de novo. Isso obviamente não acontecerá tão próximo do ponto mais baixo do fundo e nem nos preços mais baratos que as ações chegarão. Mas o sistema TF é assim, mais conservador porém ainda muito lucrativo quando se dá o tempo pra ele. Lembrando do conceito do Trend Following: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/

Nunca foi meu estilo operar contra tendência pois apesar de poder ser lucrativo também, o risco é muito maior e a taxa de acerto muito menor. Mas seja qual for a forma de operar, é indispensável o intenso estudo do método antes de fazê-lo na prática, de modo a fazer com embasamento estatístico e com confiança e segurança.

Esse momento que estamos passando é muito pertinente para lembrar de alguns exemplos de ações que caíram muito durante crises, algumas small caps e outras blue chips: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/estrategias-protecao-do-capital/

Portanto a mensagem principal é: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!!”. Para os que acham que 20% de desconto é uma baita promoção, imagina se for 40%? E se for 60%? E se for mais???

Como pregador da tendência, fui sempre otimista nos últimos 3-4 anos, quem conversa comigo sabe. Agora com tendência virada, mudei pra turma dos pessimistas rs. Não no sentido literal da palavra, de ver as coisas negativas, mas no sentido da bolsa de achar que os preços vão continuar caindo. É um pessimismo de mercado que é possível ganhar dinheiro também, ou pelo menos não perder. Não estou prevendo futuro, e nunca faço, estou dando o panorama técnico de tendência atual, que é de baixa até que vire novamente pra alta, onde voltarei pra turma dos otimistas. Então no momento estou “Urso” como dizemos no mercado financeiro.

Dito isso, agora minhas pregações são referente às quedas, esquecendo das compras por um tempo. E já que o cenário é esse, gostaria de chamar a atenção para a cautela nesse momento pois não sabemos até onde essa crise vai, ou onde será o fundo. Não sabemos se o mercado financeiro passará por uma crise como a de 2008 ou 2000, ou se será algo passageiro e rápido, mas no momento a tendência já de baixa e atenção é necessária.

Dias como o de hoje pode dar esperança e enganar muita gente. De novo, não prevejo o futuro, hoje pode ser o primeiro dia da reversão para tendência de alta, e não romper o suporte de ontem mais. Ou pode ser uma correção da queda e esta continuar cair por muito mais tempo. A análise técnica trabalha com probabilidades e com estudo dos cenários mais prováveis, nunca com certezas.

Esse gráfico diário do IBOV mostra a queda iniciada no fim de janeiro de 2020, os vários dias de fortíssima queda e alguns dias de alta, bem como o de hoje:

Vale a pena estudar brevemente o gráfico do IBOV de 2008 e ver como foram os dias durante os 5 meses de queda. De novo, não sabemos se a queda atual será igual a 2008, menor ou maior, mas é importante estudar 2008 para que se a queda continuar, termos uma noção do que esperar.

Segue o gráfico diário do IBOV do período da crise de 2008:

Mesmo tendo sido uma crise profunda, somente 60% do dias foram de queda, e 40% foram de alta. Isso mesmo, a maior crise recente não foi toda vermelha, com queda atrás de queda. Houve muitos dias de alta também, a diferença que os dias de queda foram mais expressivos.

Os retângulos amarelos destacam os principais dias e movimentos de alta durante a crise. Podemos ver que não foram poucos nem sequer fracos. Durante esse período houve formação de pivot de alta (ponto 1), rompimento de topo anterior (ponto 2) e reversão de suporte/fundo (ponto 3). Mas nenhum deles foi suficiente para parar a tendência de baixa, judiando muito dos mais afoitos ou antecipados.

Então mesmo numa crise mundial há vários dias de pseudo-otimismo, com subidas até muito fortes, levando o investidor/trader a pensar que a crise ou o pior já passou. Mas muitos dessses respiros do mercado são pontos de compra que investidores consideram que os preços das ações estão muito baratos e aproveitam para comprar. Mas repetindo o que disse mais acima: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!”. Portanto se os motivos levando a crise ainda não cesssaram ou se resolveram e os principais investidores mundiais não estiverem otimistas novamente, os preços continuarão a cair mais e mais, e o preço que os investidores menores consideravam barato e fizeram as compras, já virou caro! À medida que vão comprando durante a queda, seus primeiros preços de compra já estão lá em cima no gráfico e precisarão de uma forte recuperação no preço para pelo menos empatar.

No sistemas de trend following para compras, em 2008 só começaria dar novas entradas em dezembro ou então janeiro/fevereiro de 2009, onde a volatilidade normalizou e os preços entraram em uma tendência de alta. É um método que visa muito lucro porém a segurança vem em primeiro lugar. E por isso não se tenta ficar acertando fundos e topos, ao invés deixamos os preços iniciarem os movimentos e reagimos a partir deles, ou seja, seguimos a tendência. Sem neura de aproveitar o melhor preço possível para comprar, para acertar na loteria e ficar milionário rápido. Esse pensamento e atitude podem gerar a prejuizos e quebras ao invés de prosperidade e riqueza. É importante deixar o ego de lado e lembrar que não precisamos comprar nos fundos e vender nos topos para ganhar dinheiro, mas sim comprar por um preço X e vender por um preço maior futuramente. Sempre vão existir pessoas que compraram mais barato que nós e venderam mais caro, e acertaram preço próximo do fundo e próximo do topo, porém com certeza a grande maioria que tentou fazer isso quebrou e ninguém conta a história deles. O TF é um sistema lento, que exige paciência em determinados momentos, podendo ficar meses sem realizar operações, mas é importante seguir a estratégia em todos momentos para que haja êxito e consistência no mercado.

Relembrando o famoso gráfico que ilustra um sistema genérico de Trend Following (https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/):

Portanto a mensagem principal desse post é CAUTELA. A bolsa está aí e há possibilidades de ganhos de muitas formas, mas também de perdas. Saiba muito bem o que está fazendo nesses momentos pois a volatilidade aumenta demais em períodos de crise, chegando a ficar 3 a 5 vezes maior que o normal. Se estiver na dúvida do que fazer, não faça nada, aplique o dinheiro em algum fundo de renda fixa e espere a queda finalizar. Não se deixe levar e ficar muito otimista em dias de alta, pois podem ser só uma correção da tendência de baixa. Lembre-se que o principal lema do investimento na renda variável com segurança é a proteção do capital. Finalizando com uma frase um tanto redundante mas para ficar na memória e ser lembrada: “A tendência de baixa só acaba quando terminar!”

Abraços a todos, boa sorte e muito juízo! rs

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Estudo sobre entradas por rompimento no gráfico diário

9 de janeiro de 2020 1 comentário

Conforme detalhei no post Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário, no último ano eu experimentei uma variação de entrada na minha estratégia.

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

Conforme mostrei no post, no geral foram operações com bons resultados, o que me motivou um estudo maior sobre essa modalidade de entrada.

Rodei os testes em todas ações da Bovespa nos últimos 10 anos, o que inclui mais anos ruins do que bons. Não rodei em mais de 10 anos pois o Metatrader 5 da XP não disponibiliza base de dados maior.

 

Testes

As regras básicas do sistema são as mesmas do Rompimento Semanal, todas que estão detalhadas no menu Estratégias. As únicas diferenças são a análise do gráfico diário ao invés do semanal para procurar correções e rompimentos, e consequentemente o posicionamento do stop inicial que será abaixo dessa correção no gráfico diário. O stop móvel ATR continua pelo gráfico semanal, bem como os demais indicadores.

Como possíveis regras adicionais para o setup de Rompimento Diário eu testei valores para tamanho mínimo da correção medidos em ATR semanal e também ATR diário, tamanho mínimo de stop em ATR semanal (para não colocar um stop muito curto em correções curtas) e quantidade mínima de candles na correção.

Os parâmetros de tamanho mínimo de correção e tamanho mínimo de stop não geraram resultados mais interessantes com nenhum valor.

O único parâmetro que gerou efeitos positivos foi a quantidade mínima de candles na correção.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado base do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +22% +32% -7% +41%
2 +23% +25% -4% +33%
3 +20% +19% -2% +23%
4 +17% +7% -1% +15%

Testei valores maiores que 4 para esse parâmetro, porém os resultados já começaram a sair do ponto ótimo.

Vemos que em todas configurações a entrada pelo gráfico diário apresenta lucro superior ao gráfico semanal, pois a entrada acaba sendo antes ou no máximo no mesmo ponto do que no semanal. Porém, analisando o drawdown, que é o termo utilizado para rebaixamento máximo do capital, vemos que o aumento do lucro acaba sendo descompensado em algumas configurações de correções mais curtas.

No setup considerando como mínimo somente 1 candle de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 22% maior que o setup no semanal, porém o drawdown foi 32% maior, o que não compensa do ponto de vista matemático. A taxa de acerto diminui 7 pontos percentuais, de 42% (que é a taxa de acerto do setup no semanal) para 35%, e a quantidade de trades realizados também aumenta bastante, havendo 41% mais trades.

No setup considerando como mínimo 2 candles de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 23% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 25% maior. Aqui já apresenta uma melhora com relação ao mínimo de 1 candle, onde o lucro é pouco melhor e o drawdown menor, mas mesmo assim ainda não tão atrativo matematicamente. A taxa de acerto diminui 4 pontos percentuais, para 38%, e a quantidade de trades realizados aumenta 33%.

No setup considerando como mínimo 3 candles de correção, o lucro foi 20% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 19% maior. Aqui o aumento do lucro, apesar de menor que o dos casos anteriores, já é maior que o aumento do rebaixamento. A taxa de acerto diminui somente 2 pontos percentuais, para 40%, e a quantidade de trades realizados aumenta 23%.

Por fim, no setup considerando como mínimo 4 candles de correção, ou seja, uma correção mais bem formada, o lucro foi 17% maior que o setup no semanal e o drawdown foi de meros 7% maior. A taxa de acerto diminui somente 1 ponto percentuais, para 41%, e a quantidade de trades realizados aumenta 15%.

 

Minhas considerações

Na minha visão, a melhor configuração, ou regra, para esse parâmetro, que muda bastante o resultado do setup, é haver uma correção de no mínimo 4 candles após o topo para considerar o rompimento. Essa configuração mostra um bom aumento de lucro do que no gráfico semanal e ao mesmo tempo um aumento baixo no rebaixamento de capital. A taxa de acerto podemos considerar praticamente a mesma, 42% vs 41%, e a quantidade de trades feitas a mais do que no setup semanal é relativamente baixa, somente 15% mais trades.

A configuração de no mínimo 3 candles de correção eu também considero válida porém selecionando mais as ações para utilizar, uma vez que os resultados não são tão satisfatórios quando o de 4 candles, principalmente no quesito drawdown, que é uma boa medida de risco.

As configurações de mínimos 1 e 2 candles de correção eu evitaria muito usar, deixando para usar em casos muito específicos, talvez em ações muito fortes, mas com muita cautela e sabendo que as probabilidades ajudam menos aqui.

 

Conclusão

Eu achei bem interessantes e positivos os resultados utilizando o setup no gráfico diário.

Acredito que em várias ocasiões eu conseguirei fazer uma compra mais cedo do que eu faria pelo setup no gráfico semanal.

A partir de hoje pretendo fazer mais uso dessa modalidade de entrada e com isso devo colocar alguns posts mais curtos no meio da semana quando eu identificar tais oportunidades.

Não substituirei a entrada no semanal pela entrada no diário, pelo menos não agora. Continuarei usando as duas modalidades de entrada, até porque se pensar bem, uma correção que dura vários dias também virará obrigatoriamente uma correção no semanal, e nesse caso tanto faz o gráfico utilizado. Nesses casos eu devo dar preferência no gráfico semanal pela maior simplicidade, consolidação de dados e menos ruídos apresentados, conforme explanado anteriormente.

Então a grande diferença para o que eu já vinha fazendo “informalmente” no ano passado é que eu começava a buscar uma entrada no gráfico diário depois de várias semanas de alta no gráfico semanal sem que houvesse uma correção nessa periodicidade. Agora eu analisarei o diário para todas as ações do radar, ao mesmo tempo que analisarei o semanal.

 

Bem, contra fatos não há argumentos! Os testes mostram alguma vantagem na utilização do gráfico diário para entradas por rompimento, utilizar ou não é uma questão de gosto, visto que para isso precisa de um acompanhamento diário do mercado ao invés de semanal. E quando eu digo diário eu quero dizer à noite, e não durante o dia.

Agora finalmente saiu da clandestinidade uma operação que vinha fazendo sem saber os impactos reais para uma modalidade homologada!

Portanto agora estou entrando no Setup versão 3.0!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Estudo de folga no start de compra para evitar falsos rompimentos

Desde que comecei a operar com essa estratégia de position trade de longo prazo lá em 2009 eu segui as recomendações e também a estratégia do livro que me motivou a entrar no Trend Following (mesmo sem falar nesse termo no livro), que é o “How I Made $2,000,000 in the Stock Market” do Nicolas Darvas.

Nesse livro o autor fala para dar uma folga no preço para colocar a ordem de start de compra, com relação ao último topo ou resistência. Então se por exemplo a resistência está em 27,75, a compra seria arredondada pra cima em 28,00 ou 28,01 para também romper a resistência de números redondos. E eu sempre deixei essa folga nas minhas ordens de compra e o principal motivo é para evitar falsos rompimentos, onde o preço passa somente por alguns centavos da resistência e volta para baixo dela.

Alguns poucos momentos eu até me lembro de ter me livrado de falsos rompimentos por causa dessa técnica, porém realmente bem poucos. E essa minha folga acaba girando em torno de 0,5% a 1,0%, colocada subjetivamente, tentando sempre arredondar acima do xx,00 ou senão acima do xx,50, ou senão simplesmente alguma folga sem algum valor especial, somente para estar um pouco distante da resistência mais recente.

Resolvi fazer um estudo sobre essa folga se realmente vale a pena e o quanto ela previne de falsos rompimentos.

Testei valores de 0,1% a 1,0% acima do preço da resistência/topo.

O resultado obtido é que até faz sentido esse embasamento, mas o ganho é muito baixo.

O melhor valor para a folga foi de 0,5%.

De todas operações feitas sem a folga, ou seja, comprando a somente 1 centavo acima da resistência, somente 2,7% foram evitadas por falso rompimento, que geraram perdas no stop inicial.

E de todas as outras restantes, o risco fica 0,5% mais caro, consequentemente no cálculo de tamanho de posição, ou position sizing, será comprado menos ações, consequentemente o lucro financeiro será menor. Além disso, o preço de compra sempre será 0,5% mais caro, portanto o lucro sempre será um pouco menor.

Portanto minha conclusão baseado nesse estudo e testes é que vale mais a pena entrar a somente 1 centavo acima da resistência, para diminuir o valor do stop da operação e potencializar um pouco mais os ganhos, mesmo tendo prejuízo em poucas operações a mais.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário

28 de dezembro de 2019 6 comentários

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

No total foram 7 operações que fiz nessa modalidade. Algumas dessas ações eu vendi antes de pegar no stop ATR conforme detalhei no post anterior, porém aqui não vou levar isso em consideração pois o tema da análise é outro.

Nos gráficos abaixo, a seta azul indica onde fiz a entrada. A seta amarela indica onde teria sido a entrada se eu esperasse uma correção pelo gráfico semanal, conforme o setup original.

 

MOVI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 7 semanas seguidas de alta e então resolvi fazer a entrada após uma correção no gráfico diário. Nesse caso 2 semanas depois teria dado uma entrada pelo gráfico semanal também.

Variação do preço até hoje: 83%

 

PPLA11

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 3 semanas seguidas de alta. Nesse caso não teria havido entrada pelo gráfico semanal pois a ação simplesmente despencou alguns dias depois que entrei.

Variação do preço até o stop inicial: -12%

 

JSLG3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 7 semanas depois, 27% acima da entrada pelo gráfico diário, e provavelmente teria pegado o stop inicial.

Variação do preço até hoje: 81%

 

QUAL3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 9 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 39% acima da entrada pelo gráfico diário, porque o mega candle verde pouco depois da seta azul foi um gap enorme de alta, o que não teria entrado na ordem de start.

Variação do preço até hoje: 89%

 

JHSF3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, porém houve um intervalo com uma correção curta de 1 candle que eu não entrei naquele momento, resolvi entrar depois que a forte alta confirmou a força da tendência que eu estava meio desconfiado. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 16% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 88%

 

HBOR3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, tendo uma pequena correção de 1 candle no meio que não cheguei a entrar. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 5 semanas depois, 22% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 24%

 

POSI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de forte alta. Não teria dado entrada pelo gráfico semanal até o momento.

Variação do preço até hoje: 30%

 

Conclusão

Das 7 operações que fiz utilizando rompimento do gráfico diário, 6 foram com sucesso e 1 não. Ainda são poucos dados para considerar uma regra mas nesse ano essas operações foram vantajosas e tecnicamente válidas.

Vendo a vantagem com relação às entradas posteriores nos gráficos semanais me faz pensar num estudo mais abrangente de sempre considerar uma entrada pelo gráfico diário ao invés do semanal para evitar ao máximo deixar a ação correr muito antes de dar uma pausa para minha entrada. Talvez uma entrada pelo gráfico diário em ações com FR acima de 90 possa otimizar mais o setup. Vou tentar fazer um estudo mais concreto em breve sobre isso.

Mas por enquanto vou continuar fazendo entradas pelo gráfico diário quando as ações não fizerem correções no gráfico semanal.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações encerradas antes do stop ATR

28 de dezembro de 2019 4 comentários

Nos últimos 2 anos eu encerrei algumas operações prematuramente, vendendo ações antes de atingir o stop ATR, por considerar que a força da tendência estava ficando cada vez mais fraca e outras oportunidades mais interessantes estavam surgindo.

Depois de ter passado um bom tempo após as vendas, resolvi fazer uma análise para ver o que aconteceu com cada ação depois da minha saída.

No total foram 12 ações, que mostrarei na sequência.

A seta azul indica o candle semanal que fiz a saída. A seta vermelha indica onde teria sido a saída pelo setup, quando atingisse o stop móvel. Em alguns casos não teria tido saída até hoje.

Colocarei um valor aproximado de variação de preços do meu ponto de saída para o ponto se tivesse continuado estritamente no setup. Aproximado porque os gráficos são ajustados por proventos.

 

FLRY3 – 19/10 e 27/11/2017

Preço médio de venda antecipado = R$ 26,20
Preço de venda pelo setup = R$ 23,28
Diferença = -11%

 

ANIM3 – 05/03/2018

Preço de venda antecipado = R$ 26,10
Preço de venda pelo setup = R$ 22,71
Diferença = -13%

 

UNIP6 – 25/02/2019

Preço de venda antecipado = R$ 33,80
Preço de venda pelo setup = R$ 28,47
Diferença = -16%

 

MGLU3 – 25/03/2019

Preço de venda antecipado = R$ 21,70
Preço atual da ação = R$ 48,73
Diferença = +124%

 

HGTX3 – 18/04/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 30,00
Preço atual da ação = R$ 34,00
Diferença = +13%

 

JHSF3 – 22/05 e 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 2,40
Preço atual da ação = R$ 7,06
Diferença = +194%

 

LOGN3 – 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 8,70
Preço de venda pelo setup = R$ 15,63
Diferença = +79%

 

KEPL3 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 19,30
Preço de venda pelo setup = R$ 19,22
Diferença = -0,5%

 

BIDI4 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 9,95
Preço de venda pelo setup = R$ 14,73
Diferença = +48%

 

IRBR3 – 25/06 e 01/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 33,40
Preço atual da ação = R$ 39,52
Diferença = +18%

 

QUAL3 – 24/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 20,00
Preço atual da ação = R$ 37,67
Diferença = +88%

 

MOVI3 – 30/09 e 11/10/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 14,80
Preço atual da ação = R$ 19,12
Diferença = +29%

 

Das 12 vendas antecipadas, posso dividir em 3 categorias:

– Em 4 delas eu vendi por um preço superior ao que queria vendido pelo stop ATR: FLRY3, ANIM3, UNIP6, KEPL3.
– Em 3 delas eu venderia por um preço um pouco maior do que vendi: HGTX3, IRBR3, MOVI3.
– Em 5 delas eu deixei de ganhar um alto percentual de lucro: MGLU3, JHSF3, LOGN3, BIDI4, QUAL3.

Na primeira categoria me dei bem, vendi antes e tive vantagem. Na segunda categoria eu também considero vantagem pois apesar de ter tido uma pequena variação positiva, demorou vários meses e com isso perderia outras oportunidades (com exceção de MOVI3 que ainda é um pouco recente). Agora com certeza na terceira categoria foi onde não valeu nem um pouco a pena ter vendido antes, pois houve movimentos fortes de alta, em alguns deles mais de 100% de variação após minha saída.

Mas eu vejo que a análise é mais complicada que isso, pois ao mesmo tempo que deixei de ganhar com essas 5, eu ganhei com outras que comprei. Por exemplo, comprei TRIS3 e JSLG3 no fim de junho e tiveram forte alta até aqui. A própria JHSF3 eu acabei recomprando algumas semanas depois, deixando de ganhar uma parte do movimento obviamente. E nas 7 ações dos primeiros grupos, várias delas demorariam meses para ter dado stop, deixando o dinheiro parado praticamente. Pensando numa análise de carteira, fica difícil saber se valeu e vale a pena a venda antecipada das ações que aparentam estar perdendo força na tendência.

Analisando individualmente as ações, me parece que não vale a pena sair tão cedo, tem que haver um pouco mais de paciência para deixar fluir e ver se a tendência continuará forte ou não. Em alguns casos uma ação com FR acima de 90 que teve uma desaceleração da tendência, é só um preparo para um estouro posterior, portanto vale a pena esperar para pagar para ver.

Fiz um estudo de todas as ações que tiveram compra pelo meu setup nos últimos 15 anos e cheguei a conclusão que não é interessante fazer saídas antecipadas muito cedo em ações com algumas semanas de congestão. Em valores objetivos, o stop por tempo mínimo é de 22 semanas depois do último topo. Isso significa que após os preços fazerem um novo topo, e em seguida fazer uma correção e posteriormente entrar num congestão, se os preços não romperem esse topo em 22 semanas é válido fazer uma venda antecipada, ou stop por tempo. E o stop por tempo ideal seria de 24 a 26 semanas.

Esse estudo mostra que uma ação com FR alto que estava em forte tendência e de repente os preços lateralizaram, em até 26 semanas há uma grande probabilidade dos preços romperem e dispararem novamente. Se passar de 26 semanas e o preço estiver nessa congestão ainda, as chances maiores indicam que a tendência forte deve ter finalizada e então vale a pena vender antecipadamente.

Um recurso que comecei a utilizar no fim desse ano quando surgiram novas oportunidades e eu não tinha dinheiro disponível em conta e também não queria vender antecipadamente nenhuma ação para fazer a troca, foi fazer operações a termo. Essa é uma modalidade que basicamente a corretora de empresta dinheiro a um juros baixo (em torno de 0,5% a.m.), usando as minhas ações como garantia, e então faço a compra da ação que eu quero. Com isso posso esperar o tempo necessário para ver as ações que tenho se vão continuar andando ou não, e ainda assim abrir novas posições. Mas aqui vai um ALERTA! Esse tipo de operação só é recomendado para traders mais experientes e com muita gestão de risco, pois se trata de uma operação alavancada, onde usamos mais dinheiro do que temos para operar. No meu caso, estou fazendo com muita cautela, o risco da minha carteira estava em somente 2% sendo que meu limite é 6%, portanto tinha uma boa margem de risco para novas operações e por isso resolvi fazer, abrindo 2 operações a termo com 1% de risco do meu capital em cada.

Então esse foi um ano com alguns arrependimentos gerados pela ansiedade de ver novas oportunidades passando na janela e a falta de paciência de esperar as ações darem os frutos. Mas tudo isso faz parte do aprendizado, o mais importante é sempre analisar as operações realizadas, ver onde estamos acertando, onde estamos errando e onde podemos melhorar. Testar novas abordagens é positivo, afinal com eles podemos evoluir nos investimentos. Se um teste não deu certo, damos um passo para trás e seguimos o jogo. Agora que fiz os testes e determinei objetivamente um valor para stop por tempo, dará mais segurança quando decidir vender antecipadamente, bem como saberei que devo ter mais paciência em eventuais congestões pois em várias ocasições haverá uma boa recompensa depois.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Stop por rompimento ou fechamento?

10 de junho de 2018 6 comentários

Quando fiz os testes automáticos para definir os melhores parâmetros para meu setup semanal não cheguei a testar o stop por fechamento. Principalmente porque exige mais psicológico de ver uma semana despencando, talvez bem forte, e vender somente na abertura da próxima semana. Obviamente em muitos casos esse movimento será realmente falso e você terá sorte de ter segurado firme a posição até o fim da semana.

Mas eu resolvi fazer os testes! Usei somente o stop ATR automático por rompimento com multiplicador de 3,5 subtraído do fechamento, que é o que utilizado no meu setup atual, comparando com stops por fechamento com multiplicador 2,5 até 5,0. A regra é esperar fechar o candle abaixo da linha do stop ATR e vender na abertura do candle seguinte. Como o gráfico é semanal isso significa esperar fechar a semana inteira e vender na abertura da próxima, ou seja, segunda-feira.

Por incrível que pareça (não imaginava isso) o melhor resultado em termos de lucro foi do multiplicador 5,0! Eu me recusei a continuar aumentando os valores visto que os stops já ficam longes o suficiente. O resultado geral foi um lucro 26% maior com aumento de 9% de drawdown, o que seria bem interessante. A comparação é feita em relação ao stop por rompimento com multiplicador 3,5 sempre.

Se pegarmos o resultado com o multiplicador 3,5, o lucro fica 9% maior e o drawdown 6% maior, o que já parece médio interessante.

Com multiplicador 3,0 temos outro resultado interessante, o lucro aumenta 23% e o drawdown se mantém igual.

A taxa de acerto piora bem pouco nos casos de stop por fechamento, em torno de 2%.

Agora vou detalhar um pouco mais as análises comparando o stop atual de rompimento com multiplicador 3,5 com os stops por fechamento de multiplicadores 5,0 e 3,0 que considerei os melhores nos testes, sendo um de caráter mais longo e outro mais próximo do que uso hoje.

Um ponto interessante que observei usando o multiplicador 5,0 é que, por ser muito longo, muitas operações ficaram posicionadas por vários anos, mesmo a ação ter ficado as vezes 1-2 anos de lado, mas no fim ter dado um bom rendimento. Na prática isso não ocorreria pois alguns meses que a ação fique de lado e novas oportunidades mais interessantes vão surgindo, eu teria vendido com certeza. Então levando isso em conta provavelmente os resultados acima teriam um lucro reduzido, já que se trata de um parâmetro subjetivo que acabo usando quando a carteira está cheia.

Considerando principalmente o stop com multiplicador 5,0, analisando os gráficos e comparando as operações com o 3,5 por rompimento atual, ele predomina bastante em muitas ações, alguns lucros individuais seriam bem maiores no 5,0. Mas aqui entra um ponto de alerta, infelizmente a minha base de MT5 só tem dados de 2008 pra frente. O ideal seria muito maior, pelo menos 2000 pra frente onde houveram vários ciclos do mercado de alta, baixa e lateralização. Portanto nesses últimos 10 anos posso dizer que o stop de 5,0 por fechamento foi melhor nas ações da Bovespa seguindo todas as outras regras que uso do setup. Porém me deixa inseguro por não ter mais trades para avaliar, se tratando de uma mudança muito relevante no setup que impacta fortemente.

Outro ponto analisando é que o stop fica muito longe com multiplicador 5,0, considerando ainda a margem do valor do indicador até o fechamento, que sempre será mais abaixo. Vi muitos casos que o stop fica 40% abaixo do topo, as vezes mais.

Analisando individualmente as ações usando o multiplicador 3,0 por fechamento, para a grande maioria dos trades o resultado foi praticamente igual ao multiplicador 3,5 por rompimento. Em geral a saída foi muito próxima nos 2 casos, na média os candles fechado abaixo da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,0 ficam ao redor da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,5. Houveram entre 25-30 casos em que uma saída foi melhor que a outra numa margem pequena.

Houveram poucos casos de destaque de diferença mais significante. No caso onde o rompimento foi melhor, foram EZTC3, ITUB4 e TGMA3. Onde fechamento foi melhor, foram MGLU3, UGPA3, BPAC11 e IGTA3, sendo que de todo o universo geral a MGLU3 foi a única que se destacou absurdamente, outras ações com tendências muito fortes não tiveram situações de violinada assim. Detalharei mais a observação sobre MGLU3.

Com stop por fechamento, tanto com multiplicador 3,0 quanto 5,0, teria um mega ganho ter ficado posicionado na MGLU3 ao invés de ter saído pelo stop de rompimento na semana da mega violinada de outubro de 2016. Estaria ganhando uma boa nota pois comprei a R$4,50 +- e ela chegou a mais de R$120 até então. Esse resultado foi único, foi muito acima dos demais portanto desbalanceou os resultados a favor dos stops por fechamento. Mas o que teria que ser avaliado também é o stress que o trader passaria vendo uma ação cair 30-40% para violinar e subir depois. O emocional deve estar na balança das escolhas também. E nesse caso de MGLU3 voltou, poderia não ter voltado, como aconteceu com algumas outras ações no passado em situações dessa. Se uma situação é extremamente emocionante a outra é violentamente frustrante.

A MGLU3 foi uma divisora de resultados, ela foi bem atípica na sua movimentação, ou seja, ela é um outlier, um valor aberrante na estatística. Se tirarmos ela dos testes, os resultados foram bem próximos. Na verdade, comparando o stop 3,0 por fechamento com o 3,5 por rompimento, gerei os resultados sem considerar a MGLU3 e o stop por rompimento foi melhor, o lucro foi 16% maior e o drawdown igual.

Uma estratégia não é só questão de números e lucro, todos esses fatores devem ser avaliados e definidos por cada um o que é melhor para si de modo a atingir seus objetivos e ficar confortável com seu psicológico. Com a base de dados de somente 10 anos posso dizer que não me sinto confortável com esse tipo de stop, mesmo sendo mais lucrativo nesse período. Se eu tivesse testado em 20 ou 30 anos e desse um resultado igual ou até melhor, eu ainda sim iria pensar bem para tomar uma decisão de qual stop usar.

Não é uma decisão fácil. Do mesmo modo que é difícil ser stopado e ver a ação continuar a voar depois, também não é fácil estar tendo um ótimo lucro e perder tudo num stop longo. Cada pessoa tem um peso maior para cada um desses fatores, e isso define se a pessoa é agressiva, moderada ou conservadora na bolsa de valores. Eu me considero moderado para conservador, com certeza não sou agressivo. Portanto no momento prefiro ter um stop relativamente longo que as ações possam fluir na tendência de longo prazo, mas não tão longo, e também não esperar a semana fechar. Prezo muito pelo estado emocional nos investimentos, mesmo ganhando menos. Prosperidade para mim não é só financeira, envolve outras áreas de bem estar pessoal, e na bolsa de valores é um ambiente muito fácil de bagunçar a cabeça e sensações das pessoas. A muito tempo vendo isso nas outras pessoas sempre foquei ao máximo em escolher estratégias para manter a qualidade de vida. Isso também inclui ter mais tempo, esse é um dos motivos que parei de focar em swing trade e day trade manual.

Portanto depois de muito analisar muitos os gráficos e pensar sobre os resultados, cheguei a conclusão pessoal de manter o stop por rompimento como está, ATR por rompimento com multiplicador de 3,5 (que inclusive retestei e o melhor valor se manteve inalterado).

Mas valeu os testes, sempre é bom novas análises de mercado, sempre aprendemos e observamos coisas novas e tiramos novas conclusões. Talvez algo que não sirva no presente pode servir no futuro.

Abraços para todos e boa semana!

Rodrigo Sibin Lichti

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