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IBOVESPA – 10/03/2020 – É crise? O que fazer?

10 de março de 2020 4 comentários

Estamos passando por um momento de reversão de tendência na bolsa de valores brasileira – B3 – assim como em todas bolsas mundiais. Com as quedas fortíssimas ocorridas nas últimas semanas, a tendência do IBOV e da maioria das ações já virou para baixa. Ontem já presenciamos até um circuit breaker que ocorre somente quando há muito medo no mercado.

O IBOV saiu de uma máxima de 119.593 pontos em 24/01/2020 e bateu uma mínima de 85.880 pontos ontem 09/03/2020, representando uma queda de 28,19% em 45 dias, voltando para o patamar de preços de dezembro de 2018.

Com isso já encerrei todas minhas posições compradas e não tenho mais nenhuma ação em carteira. Alocarei todo meu dinheiro em fundos de renda fixa até que a tendência vire novamente para alta. O importante é não deixar o dinheiro parado na conta da corretora pois se ela sofrer problemas e chegar até a falir, o dinheiro estará alocado em outra instituição. Eu prefiro fundos DI e RF pois o resgate é no máximo em poucos dias e não têm carência. Outros produtos como CDB, LCI, LCA, Debêntures e outros podem ter carência de meses ou anos para resgate, portanto não é interessante se o objetivo for ter o dinheiro todo disponível para utilizar logo assim que a bolsa melhorar.

Alguns me comentaram: “Poxa, mas colocar num fundo DI hoje vai render muito pouco. Em 6 meses vai dar algo em torno de 2% com o juros baixo que está no país”. E eu comento alguns pontos. Primeiro, essa taxa de juros é a nova realidade do país, portanto renda fixa “pura” e com menor risco possível irá render proporcional à SELIC, que é 4,25% ao ano. Segundo, o objetivo desse capital é rentabilizar em ações e não na renda fixa, portanto essa alocação é temporária e faz parte da estratégia de ter dinheiro em caixa e sem nenhuma ação em carteira em momentos como esse. Para o trader de longo prazo mais conservador, não deve se importar muito com essa rentabilidade nesse momento. Terceiro, você ganhando 2% vai estar ganhando de todos que estiverem na bolsa segurando ou comprando ações durante a queda! Quem tem ações ou cotas de fundos de ações sofrerão uma perda (que pode ou não ser realizada) que pode ser altíssima dependendo do quão forte a queda da bolsa for. Em 2008 vários fundos tiveram rentabilidades desastrosas, muitos fundos, talvez a maioria teve rentabilidade inferior a -40%, sendo que vários foram inferiores a -60%. Portanto 2% comparado com qualquer valor negativo, com certeza estará em vantagem! Quarto, com todo dinheiro disponível em caixa, quanto mais a bolsa cair, melhor, pois quando a tendência virar para alta novamente, começaremos a comprar com preços realmente lá embaixo e com enorme potencial de subida. E teremos todo nosso dinheiro disponível para isso! Ao contrário de quem “queimar a largada” e começar a comprar durante a queda.

Agora os mais ativos podem optar por fazer operações de venda nesse período, alugando ações e vendendo, para ganhar com a queda dos preços. Uma vez que os preços caírem o suficiente, basta recomprar as ações no mercado e devolver o aluguel. Por exemplo, se alugar 1000 PETR4 e vender a R$25, isso gerou um dinheiro em caixa de R$25 mil. A PETR4 caiu e ao chegar a R$15 recompra-se as 1000 ações, pagando R$15 mil por isso, com isso sobrou R$10 mil na conta, ou seja, o lucro da operação. Na sequência deve devolver as ações alugadas. A operação é o inverso da operação comprada que estamos acostumados, e pode ser utilizada nesses momentos para aproveitar para lucrar ao invés de só ficar de fora. Mas como qualquer operação no mercado, tem riscos e deve ser utilizada uma estratégia testada previamente para que haja embasamento estatístico e assim gerando confiança e segurança. Eu talvez faça algumas dessas operações mas não colocarei no blog pois não as fiz no passado e apesar de ter feito várias simulações, eu não me sinto confortável em colocar publicamente pois não são operações que faço sempre e não tem um histórico de operações reais para dar respaldo.

Os sistemas de Trend Following (TF) – seguidor de tendência – são muito eficazes em mercados em que há tendências prolongadas, pois seu objetivo é ficar posicionado durante todo o movimento, podendo ser anos nos TF de longo prazo. É um sistema provado lucrativo e ao mesmo tempo protetivo pois opera a favor das probabilidades. E isso genericamente falando, não falando especificamente da forma que opero. Porém esse sistema não tem como objetivo fazer entradas mais “relâmpagos” após movimentos bruscos do mercado como o atual. Eu como me especializei nesse método e me sinto confortável fazendo praticamente só ele, acabo não operando na compra em reversões rápidas após quedas fortes. Para isso os sistemas de TF de longo prazo não são adequados.

Muitos ficam ansiosos nesses períodos, querendo aproveitar a volatilidade e variação dos preços para lucrar. Se for para longo prazo, minha recomendação é esperar o mercado estabilizar. Agora se for para curto prazo e day trade, OK, é válido. Portanto aos interessados em aproveitar preços teoricamente baratos e querendo pegar reversões de alta no meio da crise (mais arriscado), devem utilizar outros sistemas de trades ou avaliações específicas para isso. Mas novamente, tudo deve ser estudado antes e não fazer nada na euforia ou no “oba oba”. Como a tendência é de baixa, eu posso resolver fazer algumas operações de venda para lucrar com a queda, porém não farei nenhuma operação de compra nesse momento.

Eu por enquanto fico de fora esperando o mercado estabilizar a tendência virar de alta de novo. Isso obviamente não acontecerá tão próximo do ponto mais baixo do fundo e nem nos preços mais baratos que as ações chegarão. Mas o sistema TF é assim, mais conservador porém ainda muito lucrativo quando se dá o tempo pra ele. Lembrando do conceito do Trend Following: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/

Nunca foi meu estilo operar contra tendência pois apesar de poder ser lucrativo também, o risco é muito maior e a taxa de acerto muito menor. Mas seja qual for a forma de operar, é indispensável o intenso estudo do método antes de fazê-lo na prática, de modo a fazer com embasamento estatístico e com confiança e segurança.

Esse momento que estamos passando é muito pertinente para lembrar de alguns exemplos de ações que caíram muito durante crises, algumas small caps e outras blue chips: https://traderrodrigo.com.br/estrategias/estrategias-protecao-do-capital/

Portanto a mensagem principal é: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!!”. Para os que acham que 20% de desconto é uma baita promoção, imagina se for 40%? E se for 60%? E se for mais???

Como pregador da tendência, fui sempre otimista nos últimos 3-4 anos, quem conversa comigo sabe. Agora com tendência virada, mudei pra turma dos pessimistas rs. Não no sentido literal da palavra, de ver as coisas negativas, mas no sentido da bolsa de achar que os preços vão continuar caindo. É um pessimismo de mercado que é possível ganhar dinheiro também, ou pelo menos não perder. Não estou prevendo futuro, e nunca faço, estou dando o panorama técnico de tendência atual, que é de baixa até que vire novamente pra alta, onde voltarei pra turma dos otimistas. Então no momento estou “Urso” como dizemos no mercado financeiro.

Dito isso, agora minhas pregações são referente às quedas, esquecendo das compras por um tempo. E já que o cenário é esse, gostaria de chamar a atenção para a cautela nesse momento pois não sabemos até onde essa crise vai, ou onde será o fundo. Não sabemos se o mercado financeiro passará por uma crise como a de 2008 ou 2000, ou se será algo passageiro e rápido, mas no momento a tendência já de baixa e atenção é necessária.

Dias como o de hoje pode dar esperança e enganar muita gente. De novo, não prevejo o futuro, hoje pode ser o primeiro dia da reversão para tendência de alta, e não romper o suporte de ontem mais. Ou pode ser uma correção da queda e esta continuar cair por muito mais tempo. A análise técnica trabalha com probabilidades e com estudo dos cenários mais prováveis, nunca com certezas.

Esse gráfico diário do IBOV mostra a queda iniciada no fim de janeiro de 2020, os vários dias de fortíssima queda e alguns dias de alta, bem como o de hoje:

Vale a pena estudar brevemente o gráfico do IBOV de 2008 e ver como foram os dias durante os 5 meses de queda. De novo, não sabemos se a queda atual será igual a 2008, menor ou maior, mas é importante estudar 2008 para que se a queda continuar, termos uma noção do que esperar.

Segue o gráfico diário do IBOV do período da crise de 2008:

Mesmo tendo sido uma crise profunda, somente 60% do dias foram de queda, e 40% foram de alta. Isso mesmo, a maior crise recente não foi toda vermelha, com queda atrás de queda. Houve muitos dias de alta também, a diferença que os dias de queda foram mais expressivos.

Os retângulos amarelos destacam os principais dias e movimentos de alta durante a crise. Podemos ver que não foram poucos nem sequer fracos. Durante esse período houve formação de pivot de alta (ponto 1), rompimento de topo anterior (ponto 2) e reversão de suporte/fundo (ponto 3). Mas nenhum deles foi suficiente para parar a tendência de baixa, judiando muito dos mais afoitos ou antecipados.

Então mesmo numa crise mundial há vários dias de pseudo-otimismo, com subidas até muito fortes, levando o investidor/trader a pensar que a crise ou o pior já passou. Mas muitos dessses respiros do mercado são pontos de compra que investidores consideram que os preços das ações estão muito baratos e aproveitam para comprar. Mas repetindo o que disse mais acima: “Nenhuma ação está tão barata a ponto de não poder ficar muito mais ainda!”. Portanto se os motivos levando a crise ainda não cesssaram ou se resolveram e os principais investidores mundiais não estiverem otimistas novamente, os preços continuarão a cair mais e mais, e o preço que os investidores menores consideravam barato e fizeram as compras, já virou caro! À medida que vão comprando durante a queda, seus primeiros preços de compra já estão lá em cima no gráfico e precisarão de uma forte recuperação no preço para pelo menos empatar.

No sistemas de trend following para compras, em 2008 só começaria dar novas entradas em dezembro ou então janeiro/fevereiro de 2009, onde a volatilidade normalizou e os preços entraram em uma tendência de alta. É um método que visa muito lucro porém a segurança vem em primeiro lugar. E por isso não se tenta ficar acertando fundos e topos, ao invés deixamos os preços iniciarem os movimentos e reagimos a partir deles, ou seja, seguimos a tendência. Sem neura de aproveitar o melhor preço possível para comprar, para acertar na loteria e ficar milionário rápido. Esse pensamento e atitude podem gerar a prejuizos e quebras ao invés de prosperidade e riqueza. É importante deixar o ego de lado e lembrar que não precisamos comprar nos fundos e vender nos topos para ganhar dinheiro, mas sim comprar por um preço X e vender por um preço maior futuramente. Sempre vão existir pessoas que compraram mais barato que nós e venderam mais caro, e acertaram preço próximo do fundo e próximo do topo, porém com certeza a grande maioria que tentou fazer isso quebrou e ninguém conta a história deles. O TF é um sistema lento, que exige paciência em determinados momentos, podendo ficar meses sem realizar operações, mas é importante seguir a estratégia em todos momentos para que haja êxito e consistência no mercado.

Relembrando o famoso gráfico que ilustra um sistema genérico de Trend Following (https://traderrodrigo.com.br/estrategias/trend-following/):

Portanto a mensagem principal desse post é CAUTELA. A bolsa está aí e há possibilidades de ganhos de muitas formas, mas também de perdas. Saiba muito bem o que está fazendo nesses momentos pois a volatilidade aumenta demais em períodos de crise, chegando a ficar 3 a 5 vezes maior que o normal. Se estiver na dúvida do que fazer, não faça nada, aplique o dinheiro em algum fundo de renda fixa e espere a queda finalizar. Não se deixe levar e ficar muito otimista em dias de alta, pois podem ser só uma correção da tendência de baixa. Lembre-se que o principal lema do investimento na renda variável com segurança é a proteção do capital. Finalizando com uma frase um tanto redundante mas para ficar na memória e ser lembrada: “A tendência de baixa só acaba quando terminar!”

Abraços a todos, boa sorte e muito juízo! rs

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Estratégias, Mercado

Estudo sobre entradas por rompimento no gráfico diário

9 de janeiro de 2020 1 comentário

Conforme detalhei no post Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário, no último ano eu experimentei uma variação de entrada na minha estratégia.

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

Conforme mostrei no post, no geral foram operações com bons resultados, o que me motivou um estudo maior sobre essa modalidade de entrada.

Rodei os testes em todas ações da Bovespa nos últimos 10 anos, o que inclui mais anos ruins do que bons. Não rodei em mais de 10 anos pois o Metatrader 5 da XP não disponibiliza base de dados maior.

 

Testes

As regras básicas do sistema são as mesmas do Rompimento Semanal, todas que estão detalhadas no menu Estratégias. As únicas diferenças são a análise do gráfico diário ao invés do semanal para procurar correções e rompimentos, e consequentemente o posicionamento do stop inicial que será abaixo dessa correção no gráfico diário. O stop móvel ATR continua pelo gráfico semanal, bem como os demais indicadores.

Como possíveis regras adicionais para o setup de Rompimento Diário eu testei valores para tamanho mínimo da correção medidos em ATR semanal e também ATR diário, tamanho mínimo de stop em ATR semanal (para não colocar um stop muito curto em correções curtas) e quantidade mínima de candles na correção.

Os parâmetros de tamanho mínimo de correção e tamanho mínimo de stop não geraram resultados mais interessantes com nenhum valor.

O único parâmetro que gerou efeitos positivos foi a quantidade mínima de candles na correção.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado base do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +22% +32% -7% +41%
2 +23% +25% -4% +33%
3 +20% +19% -2% +23%
4 +17% +7% -1% +15%

Testei valores maiores que 4 para esse parâmetro, porém os resultados já começaram a sair do ponto ótimo.

Vemos que em todas configurações a entrada pelo gráfico diário apresenta lucro superior ao gráfico semanal, pois a entrada acaba sendo antes ou no máximo no mesmo ponto do que no semanal. Porém, analisando o drawdown, que é o termo utilizado para rebaixamento máximo do capital, vemos que o aumento do lucro acaba sendo descompensado em algumas configurações de correções mais curtas.

No setup considerando como mínimo somente 1 candle de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 22% maior que o setup no semanal, porém o drawdown foi 32% maior, o que não compensa do ponto de vista matemático. A taxa de acerto diminui 7 pontos percentuais, de 42% (que é a taxa de acerto do setup no semanal) para 35%, e a quantidade de trades realizados também aumenta bastante, havendo 41% mais trades.

No setup considerando como mínimo 2 candles de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 23% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 25% maior. Aqui já apresenta uma melhora com relação ao mínimo de 1 candle, onde o lucro é pouco melhor e o drawdown menor, mas mesmo assim ainda não tão atrativo matematicamente. A taxa de acerto diminui 4 pontos percentuais, para 38%, e a quantidade de trades realizados aumenta 33%.

No setup considerando como mínimo 3 candles de correção, o lucro foi 20% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 19% maior. Aqui o aumento do lucro, apesar de menor que o dos casos anteriores, já é maior que o aumento do rebaixamento. A taxa de acerto diminui somente 2 pontos percentuais, para 40%, e a quantidade de trades realizados aumenta 23%.

Por fim, no setup considerando como mínimo 4 candles de correção, ou seja, uma correção mais bem formada, o lucro foi 17% maior que o setup no semanal e o drawdown foi de meros 7% maior. A taxa de acerto diminui somente 1 ponto percentuais, para 41%, e a quantidade de trades realizados aumenta 15%.

 

Minhas considerações

Na minha visão, a melhor configuração, ou regra, para esse parâmetro, que muda bastante o resultado do setup, é haver uma correção de no mínimo 4 candles após o topo para considerar o rompimento. Essa configuração mostra um bom aumento de lucro do que no gráfico semanal e ao mesmo tempo um aumento baixo no rebaixamento de capital. A taxa de acerto podemos considerar praticamente a mesma, 42% vs 41%, e a quantidade de trades feitas a mais do que no setup semanal é relativamente baixa, somente 15% mais trades.

A configuração de no mínimo 3 candles de correção eu também considero válida porém selecionando mais as ações para utilizar, uma vez que os resultados não são tão satisfatórios quando o de 4 candles, principalmente no quesito drawdown, que é uma boa medida de risco.

As configurações de mínimos 1 e 2 candles de correção eu evitaria muito usar, deixando para usar em casos muito específicos, talvez em ações muito fortes, mas com muita cautela e sabendo que as probabilidades ajudam menos aqui.

 

Conclusão

Eu achei bem interessantes e positivos os resultados utilizando o setup no gráfico diário.

Acredito que em várias ocasiões eu conseguirei fazer uma compra mais cedo do que eu faria pelo setup no gráfico semanal.

A partir de hoje pretendo fazer mais uso dessa modalidade de entrada e com isso devo colocar alguns posts mais curtos no meio da semana quando eu identificar tais oportunidades.

Não substituirei a entrada no semanal pela entrada no diário, pelo menos não agora. Continuarei usando as duas modalidades de entrada, até porque se pensar bem, uma correção que dura vários dias também virará obrigatoriamente uma correção no semanal, e nesse caso tanto faz o gráfico utilizado. Nesses casos eu devo dar preferência no gráfico semanal pela maior simplicidade, consolidação de dados e menos ruídos apresentados, conforme explanado anteriormente.

Então a grande diferença para o que eu já vinha fazendo “informalmente” no ano passado é que eu começava a buscar uma entrada no gráfico diário depois de várias semanas de alta no gráfico semanal sem que houvesse uma correção nessa periodicidade. Agora eu analisarei o diário para todas as ações do radar, ao mesmo tempo que analisarei o semanal.

 

Bem, contra fatos não há argumentos! Os testes mostram alguma vantagem na utilização do gráfico diário para entradas por rompimento, utilizar ou não é uma questão de gosto, visto que para isso precisa de um acompanhamento diário do mercado ao invés de semanal. E quando eu digo diário eu quero dizer à noite, e não durante o dia.

Agora finalmente saiu da clandestinidade uma operação que vinha fazendo sem saber os impactos reais para uma modalidade homologada!

Portanto agora estou entrando no Setup versão 3.0!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Estudo de folga no start de compra para evitar falsos rompimentos

Desde que comecei a operar com essa estratégia de position trade de longo prazo lá em 2009 eu segui as recomendações e também a estratégia do livro que me motivou a entrar no Trend Following (mesmo sem falar nesse termo no livro), que é o “How I Made $2,000,000 in the Stock Market” do Nicolas Darvas.

Nesse livro o autor fala para dar uma folga no preço para colocar a ordem de start de compra, com relação ao último topo ou resistência. Então se por exemplo a resistência está em 27,75, a compra seria arredondada pra cima em 28,00 ou 28,01 para também romper a resistência de números redondos. E eu sempre deixei essa folga nas minhas ordens de compra e o principal motivo é para evitar falsos rompimentos, onde o preço passa somente por alguns centavos da resistência e volta para baixo dela.

Alguns poucos momentos eu até me lembro de ter me livrado de falsos rompimentos por causa dessa técnica, porém realmente bem poucos. E essa minha folga acaba girando em torno de 0,5% a 1,0%, colocada subjetivamente, tentando sempre arredondar acima do xx,00 ou senão acima do xx,50, ou senão simplesmente alguma folga sem algum valor especial, somente para estar um pouco distante da resistência mais recente.

Resolvi fazer um estudo sobre essa folga se realmente vale a pena e o quanto ela previne de falsos rompimentos.

Testei valores de 0,1% a 1,0% acima do preço da resistência/topo.

O resultado obtido é que até faz sentido esse embasamento, mas o ganho é muito baixo.

O melhor valor para a folga foi de 0,5%.

De todas operações feitas sem a folga, ou seja, comprando a somente 1 centavo acima da resistência, somente 2,7% foram evitadas por falso rompimento, que geraram perdas no stop inicial.

E de todas as outras restantes, o risco fica 0,5% mais caro, consequentemente no cálculo de tamanho de posição, ou position sizing, será comprado menos ações, consequentemente o lucro financeiro será menor. Além disso, o preço de compra sempre será 0,5% mais caro, portanto o lucro sempre será um pouco menor.

Portanto minha conclusão baseado nesse estudo e testes é que vale mais a pena entrar a somente 1 centavo acima da resistência, para diminuir o valor do stop da operação e potencializar um pouco mais os ganhos, mesmo tendo prejuízo em poucas operações a mais.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário

28 de dezembro de 2019 6 comentários

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

No total foram 7 operações que fiz nessa modalidade. Algumas dessas ações eu vendi antes de pegar no stop ATR conforme detalhei no post anterior, porém aqui não vou levar isso em consideração pois o tema da análise é outro.

Nos gráficos abaixo, a seta azul indica onde fiz a entrada. A seta amarela indica onde teria sido a entrada se eu esperasse uma correção pelo gráfico semanal, conforme o setup original.

 

MOVI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 7 semanas seguidas de alta e então resolvi fazer a entrada após uma correção no gráfico diário. Nesse caso 2 semanas depois teria dado uma entrada pelo gráfico semanal também.

Variação do preço até hoje: 83%

 

PPLA11

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 3 semanas seguidas de alta. Nesse caso não teria havido entrada pelo gráfico semanal pois a ação simplesmente despencou alguns dias depois que entrei.

Variação do preço até o stop inicial: -12%

 

JSLG3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 7 semanas depois, 27% acima da entrada pelo gráfico diário, e provavelmente teria pegado o stop inicial.

Variação do preço até hoje: 81%

 

QUAL3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 9 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 39% acima da entrada pelo gráfico diário, porque o mega candle verde pouco depois da seta azul foi um gap enorme de alta, o que não teria entrado na ordem de start.

Variação do preço até hoje: 89%

 

JHSF3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, porém houve um intervalo com uma correção curta de 1 candle que eu não entrei naquele momento, resolvi entrar depois que a forte alta confirmou a força da tendência que eu estava meio desconfiado. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 16% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 88%

 

HBOR3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, tendo uma pequena correção de 1 candle no meio que não cheguei a entrar. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 5 semanas depois, 22% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 24%

 

POSI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de forte alta. Não teria dado entrada pelo gráfico semanal até o momento.

Variação do preço até hoje: 30%

 

Conclusão

Das 7 operações que fiz utilizando rompimento do gráfico diário, 6 foram com sucesso e 1 não. Ainda são poucos dados para considerar uma regra mas nesse ano essas operações foram vantajosas e tecnicamente válidas.

Vendo a vantagem com relação às entradas posteriores nos gráficos semanais me faz pensar num estudo mais abrangente de sempre considerar uma entrada pelo gráfico diário ao invés do semanal para evitar ao máximo deixar a ação correr muito antes de dar uma pausa para minha entrada. Talvez uma entrada pelo gráfico diário em ações com FR acima de 90 possa otimizar mais o setup. Vou tentar fazer um estudo mais concreto em breve sobre isso.

Mas por enquanto vou continuar fazendo entradas pelo gráfico diário quando as ações não fizerem correções no gráfico semanal.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações encerradas antes do stop ATR

28 de dezembro de 2019 4 comentários

Nos últimos 2 anos eu encerrei algumas operações prematuramente, vendendo ações antes de atingir o stop ATR, por considerar que a força da tendência estava ficando cada vez mais fraca e outras oportunidades mais interessantes estavam surgindo.

Depois de ter passado um bom tempo após as vendas, resolvi fazer uma análise para ver o que aconteceu com cada ação depois da minha saída.

No total foram 12 ações, que mostrarei na sequência.

A seta azul indica o candle semanal que fiz a saída. A seta vermelha indica onde teria sido a saída pelo setup, quando atingisse o stop móvel. Em alguns casos não teria tido saída até hoje.

Colocarei um valor aproximado de variação de preços do meu ponto de saída para o ponto se tivesse continuado estritamente no setup. Aproximado porque os gráficos são ajustados por proventos.

 

FLRY3 – 19/10 e 27/11/2017

Preço médio de venda antecipado = R$ 26,20
Preço de venda pelo setup = R$ 23,28
Diferença = -11%

 

ANIM3 – 05/03/2018

Preço de venda antecipado = R$ 26,10
Preço de venda pelo setup = R$ 22,71
Diferença = -13%

 

UNIP6 – 25/02/2019

Preço de venda antecipado = R$ 33,80
Preço de venda pelo setup = R$ 28,47
Diferença = -16%

 

MGLU3 – 25/03/2019

Preço de venda antecipado = R$ 21,70
Preço atual da ação = R$ 48,73
Diferença = +124%

 

HGTX3 – 18/04/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 30,00
Preço atual da ação = R$ 34,00
Diferença = +13%

 

JHSF3 – 22/05 e 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 2,40
Preço atual da ação = R$ 7,06
Diferença = +194%

 

LOGN3 – 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 8,70
Preço de venda pelo setup = R$ 15,63
Diferença = +79%

 

KEPL3 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 19,30
Preço de venda pelo setup = R$ 19,22
Diferença = -0,5%

 

BIDI4 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 9,95
Preço de venda pelo setup = R$ 14,73
Diferença = +48%

 

IRBR3 – 25/06 e 01/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 33,40
Preço atual da ação = R$ 39,52
Diferença = +18%

 

QUAL3 – 24/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 20,00
Preço atual da ação = R$ 37,67
Diferença = +88%

 

MOVI3 – 30/09 e 11/10/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 14,80
Preço atual da ação = R$ 19,12
Diferença = +29%

 

Das 12 vendas antecipadas, posso dividir em 3 categorias:

– Em 4 delas eu vendi por um preço superior ao que queria vendido pelo stop ATR: FLRY3, ANIM3, UNIP6, KEPL3.
– Em 3 delas eu venderia por um preço um pouco maior do que vendi: HGTX3, IRBR3, MOVI3.
– Em 5 delas eu deixei de ganhar um alto percentual de lucro: MGLU3, JHSF3, LOGN3, BIDI4, QUAL3.

Na primeira categoria me dei bem, vendi antes e tive vantagem. Na segunda categoria eu também considero vantagem pois apesar de ter tido uma pequena variação positiva, demorou vários meses e com isso perderia outras oportunidades (com exceção de MOVI3 que ainda é um pouco recente). Agora com certeza na terceira categoria foi onde não valeu nem um pouco a pena ter vendido antes, pois houve movimentos fortes de alta, em alguns deles mais de 100% de variação após minha saída.

Mas eu vejo que a análise é mais complicada que isso, pois ao mesmo tempo que deixei de ganhar com essas 5, eu ganhei com outras que comprei. Por exemplo, comprei TRIS3 e JSLG3 no fim de junho e tiveram forte alta até aqui. A própria JHSF3 eu acabei recomprando algumas semanas depois, deixando de ganhar uma parte do movimento obviamente. E nas 7 ações dos primeiros grupos, várias delas demorariam meses para ter dado stop, deixando o dinheiro parado praticamente. Pensando numa análise de carteira, fica difícil saber se valeu e vale a pena a venda antecipada das ações que aparentam estar perdendo força na tendência.

Analisando individualmente as ações, me parece que não vale a pena sair tão cedo, tem que haver um pouco mais de paciência para deixar fluir e ver se a tendência continuará forte ou não. Em alguns casos uma ação com FR acima de 90 que teve uma desaceleração da tendência, é só um preparo para um estouro posterior, portanto vale a pena esperar para pagar para ver.

Fiz um estudo de todas as ações que tiveram compra pelo meu setup nos últimos 15 anos e cheguei a conclusão que não é interessante fazer saídas antecipadas muito cedo em ações com algumas semanas de congestão. Em valores objetivos, o stop por tempo mínimo é de 22 semanas depois do último topo. Isso significa que após os preços fazerem um novo topo, e em seguida fazer uma correção e posteriormente entrar num congestão, se os preços não romperem esse topo em 22 semanas é válido fazer uma venda antecipada, ou stop por tempo. E o stop por tempo ideal seria de 24 a 26 semanas.

Esse estudo mostra que uma ação com FR alto que estava em forte tendência e de repente os preços lateralizaram, em até 26 semanas há uma grande probabilidade dos preços romperem e dispararem novamente. Se passar de 26 semanas e o preço estiver nessa congestão ainda, as chances maiores indicam que a tendência forte deve ter finalizada e então vale a pena vender antecipadamente.

Um recurso que comecei a utilizar no fim desse ano quando surgiram novas oportunidades e eu não tinha dinheiro disponível em conta e também não queria vender antecipadamente nenhuma ação para fazer a troca, foi fazer operações a termo. Essa é uma modalidade que basicamente a corretora de empresta dinheiro a um juros baixo (em torno de 0,5% a.m.), usando as minhas ações como garantia, e então faço a compra da ação que eu quero. Com isso posso esperar o tempo necessário para ver as ações que tenho se vão continuar andando ou não, e ainda assim abrir novas posições. Mas aqui vai um ALERTA! Esse tipo de operação só é recomendado para traders mais experientes e com muita gestão de risco, pois se trata de uma operação alavancada, onde usamos mais dinheiro do que temos para operar. No meu caso, estou fazendo com muita cautela, o risco da minha carteira estava em somente 2% sendo que meu limite é 6%, portanto tinha uma boa margem de risco para novas operações e por isso resolvi fazer, abrindo 2 operações a termo com 1% de risco do meu capital em cada.

Então esse foi um ano com alguns arrependimentos gerados pela ansiedade de ver novas oportunidades passando na janela e a falta de paciência de esperar as ações darem os frutos. Mas tudo isso faz parte do aprendizado, o mais importante é sempre analisar as operações realizadas, ver onde estamos acertando, onde estamos errando e onde podemos melhorar. Testar novas abordagens é positivo, afinal com eles podemos evoluir nos investimentos. Se um teste não deu certo, damos um passo para trás e seguimos o jogo. Agora que fiz os testes e determinei objetivamente um valor para stop por tempo, dará mais segurança quando decidir vender antecipadamente, bem como saberei que devo ter mais paciência em eventuais congestões pois em várias ocasições haverá uma boa recompensa depois.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Stop por rompimento ou fechamento?

10 de junho de 2018 6 comentários

Quando fiz os testes automáticos para definir os melhores parâmetros para meu setup semanal não cheguei a testar o stop por fechamento. Principalmente porque exige mais psicológico de ver uma semana despencando, talvez bem forte, e vender somente na abertura da próxima semana. Obviamente em muitos casos esse movimento será realmente falso e você terá sorte de ter segurado firme a posição até o fim da semana.

Mas eu resolvi fazer os testes! Usei somente o stop ATR automático por rompimento com multiplicador de 3,5 subtraído do fechamento, que é o que utilizado no meu setup atual, comparando com stops por fechamento com multiplicador 2,5 até 5,0. A regra é esperar fechar o candle abaixo da linha do stop ATR e vender na abertura do candle seguinte. Como o gráfico é semanal isso significa esperar fechar a semana inteira e vender na abertura da próxima, ou seja, segunda-feira.

Por incrível que pareça (não imaginava isso) o melhor resultado em termos de lucro foi do multiplicador 5,0! Eu me recusei a continuar aumentando os valores visto que os stops já ficam longes o suficiente. O resultado geral foi um lucro 26% maior com aumento de 9% de drawdown, o que seria bem interessante. A comparação é feita em relação ao stop por rompimento com multiplicador 3,5 sempre.

Se pegarmos o resultado com o multiplicador 3,5, o lucro fica 9% maior e o drawdown 6% maior, o que já parece médio interessante.

Com multiplicador 3,0 temos outro resultado interessante, o lucro aumenta 23% e o drawdown se mantém igual.

A taxa de acerto piora bem pouco nos casos de stop por fechamento, em torno de 2%.

Agora vou detalhar um pouco mais as análises comparando o stop atual de rompimento com multiplicador 3,5 com os stops por fechamento de multiplicadores 5,0 e 3,0 que considerei os melhores nos testes, sendo um de caráter mais longo e outro mais próximo do que uso hoje.

Um ponto interessante que observei usando o multiplicador 5,0 é que, por ser muito longo, muitas operações ficaram posicionadas por vários anos, mesmo a ação ter ficado as vezes 1-2 anos de lado, mas no fim ter dado um bom rendimento. Na prática isso não ocorreria pois alguns meses que a ação fique de lado e novas oportunidades mais interessantes vão surgindo, eu teria vendido com certeza. Então levando isso em conta provavelmente os resultados acima teriam um lucro reduzido, já que se trata de um parâmetro subjetivo que acabo usando quando a carteira está cheia.

Considerando principalmente o stop com multiplicador 5,0, analisando os gráficos e comparando as operações com o 3,5 por rompimento atual, ele predomina bastante em muitas ações, alguns lucros individuais seriam bem maiores no 5,0. Mas aqui entra um ponto de alerta, infelizmente a minha base de MT5 só tem dados de 2008 pra frente. O ideal seria muito maior, pelo menos 2000 pra frente onde houveram vários ciclos do mercado de alta, baixa e lateralização. Portanto nesses últimos 10 anos posso dizer que o stop de 5,0 por fechamento foi melhor nas ações da Bovespa seguindo todas as outras regras que uso do setup. Porém me deixa inseguro por não ter mais trades para avaliar, se tratando de uma mudança muito relevante no setup que impacta fortemente.

Outro ponto analisando é que o stop fica muito longe com multiplicador 5,0, considerando ainda a margem do valor do indicador até o fechamento, que sempre será mais abaixo. Vi muitos casos que o stop fica 40% abaixo do topo, as vezes mais.

Analisando individualmente as ações usando o multiplicador 3,0 por fechamento, para a grande maioria dos trades o resultado foi praticamente igual ao multiplicador 3,5 por rompimento. Em geral a saída foi muito próxima nos 2 casos, na média os candles fechado abaixo da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,0 ficam ao redor da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,5. Houveram entre 25-30 casos em que uma saída foi melhor que a outra numa margem pequena.

Houveram poucos casos de destaque de diferença mais significante. No caso onde o rompimento foi melhor, foram EZTC3, ITUB4 e TGMA3. Onde fechamento foi melhor, foram MGLU3, UGPA3, BPAC11 e IGTA3, sendo que de todo o universo geral a MGLU3 foi a única que se destacou absurdamente, outras ações com tendências muito fortes não tiveram situações de violinada assim. Detalharei mais a observação sobre MGLU3.

Com stop por fechamento, tanto com multiplicador 3,0 quanto 5,0, teria um mega ganho ter ficado posicionado na MGLU3 ao invés de ter saído pelo stop de rompimento na semana da mega violinada de outubro de 2016. Estaria ganhando uma boa nota pois comprei a R$4,50 +- e ela chegou a mais de R$120 até então. Esse resultado foi único, foi muito acima dos demais portanto desbalanceou os resultados a favor dos stops por fechamento. Mas o que teria que ser avaliado também é o stress que o trader passaria vendo uma ação cair 30-40% para violinar e subir depois. O emocional deve estar na balança das escolhas também. E nesse caso de MGLU3 voltou, poderia não ter voltado, como aconteceu com algumas outras ações no passado em situações dessa. Se uma situação é extremamente emocionante a outra é violentamente frustrante.

A MGLU3 foi uma divisora de resultados, ela foi bem atípica na sua movimentação, ou seja, ela é um outlier, um valor aberrante na estatística. Se tirarmos ela dos testes, os resultados foram bem próximos. Na verdade, comparando o stop 3,0 por fechamento com o 3,5 por rompimento, gerei os resultados sem considerar a MGLU3 e o stop por rompimento foi melhor, o lucro foi 16% maior e o drawdown igual.

Uma estratégia não é só questão de números e lucro, todos esses fatores devem ser avaliados e definidos por cada um o que é melhor para si de modo a atingir seus objetivos e ficar confortável com seu psicológico. Com a base de dados de somente 10 anos posso dizer que não me sinto confortável com esse tipo de stop, mesmo sendo mais lucrativo nesse período. Se eu tivesse testado em 20 ou 30 anos e desse um resultado igual ou até melhor, eu ainda sim iria pensar bem para tomar uma decisão de qual stop usar.

Não é uma decisão fácil. Do mesmo modo que é difícil ser stopado e ver a ação continuar a voar depois, também não é fácil estar tendo um ótimo lucro e perder tudo num stop longo. Cada pessoa tem um peso maior para cada um desses fatores, e isso define se a pessoa é agressiva, moderada ou conservadora na bolsa de valores. Eu me considero moderado para conservador, com certeza não sou agressivo. Portanto no momento prefiro ter um stop relativamente longo que as ações possam fluir na tendência de longo prazo, mas não tão longo, e também não esperar a semana fechar. Prezo muito pelo estado emocional nos investimentos, mesmo ganhando menos. Prosperidade para mim não é só financeira, envolve outras áreas de bem estar pessoal, e na bolsa de valores é um ambiente muito fácil de bagunçar a cabeça e sensações das pessoas. A muito tempo vendo isso nas outras pessoas sempre foquei ao máximo em escolher estratégias para manter a qualidade de vida. Isso também inclui ter mais tempo, esse é um dos motivos que parei de focar em swing trade e day trade manual.

Portanto depois de muito analisar muitos os gráficos e pensar sobre os resultados, cheguei a conclusão pessoal de manter o stop por rompimento como está, ATR por rompimento com multiplicador de 3,5 (que inclusive retestei e o melhor valor se manteve inalterado).

Mas valeu os testes, sempre é bom novas análises de mercado, sempre aprendemos e observamos coisas novas e tiramos novas conclusões. Talvez algo que não sirva no presente pode servir no futuro.

Abraços para todos e boa semana!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Setup para compras em correções da tendência

Há muito tempo acompanho o mercado sempre nos gráficos semanais e montando as operações sempre no rompimentos de topos ou resistências. Frequentemente ações muito interessantes com tendências fortes, que estou de olho para comprar, fazem uma correção um pouco mais forte e isso me impedia ou inviabilizava uma entrada por rompimento devido ao alto risco pelo stop largo.

Sempre que via esse cenário ficava com a pulga atrás da orelha perguntando se não valeria a pena entrar na correção, na retomada do movimento de alta, pois do contrário teria que esperar o rompimento, uma nova correção e um novo rompimento para compra. Vários amigos leitores do blog já fizeram perguntas semelhantes. Minha resposta sempre foi a mesma: tecnicamente é totalmente válido a operação, mas nunca testei e parametrizei e por isso não uso.

Essa semana resolvi testar essa variação do setup. Minha condição de compra seria baseada somente no price action, sem uso de indicadores. O tempo gráfico seria no diário. A compra ocorreria no rompimento da máxima do candle anterior de queda, num movimento de correção da tendência principal, sempre utilizando os filtros de seleção de papéis que já utilizo. O stop seria abaixo do fundo recente com ou sem folga.

A opção de não usar indicadores clássico de correção como IFR, estocástico, MACD, médias móveis, HiLo, Parabolic SAR, e muitos outros, é que como meu setup busca as ações mais fortes do mercado, na grande maioria das vezes a correção mesmo sendo um pouco mais forte que o normal não atingiria pontos de sobrevendido ou reversão nos indicadores, pelo menos não das calibragens clássicas. Obviamente poderíamos calibrar de modo a deixa-los mais sensíveis às variações de preços, mas preferi simplesmente não utilizar e fazer somente olhando os preços.

A maior parte das simulações gerou mais operações e menos lucro total que utilizando o setup somente de rompimento. Algumas poucas simulações geraram um lucro total um pouco maior, cerca de 10%, porém o drawdown (rebaixamento máximo de capital) aumentou também, em cerca de 15%. O lucro por trade diminui, bem como a taxa de acerto (pouco). Obs: não simulo compras piramidadas (acréscimo de posição).

Cheguei a testar para utilizar a compra em correção somente em ações com FR acima de 95, enquanto a de rompimento valeria acima de 90, mas não surtiu muito efeito.

Portanto minha conclusão é que não compensa muito adicionar essa variação para o setup atual, preferindo manter as compras em rompimentos somente. Mas é claro que como disse, é uma estratégia válida, então pode ser que caso haja uma ação muito forte (UNIP6 por exemplo) que estou querendo entrar de qualquer jeito mas justo agora ela fez uma correção mais forte, eu resolva entrar seguindo o setup de correção. Mas provavelmente será bem poucas exceções que utilizarei esse método.

Nos testes sistemáticos, precisamos escolher uma configuração exata para trabalhar de modo a não deixar subjetivo. Um trading system deve ser totalmente objetivo em todas suas regras. É basicamente como faço com meu setup de rompimento semanal, a parte gráfico dele considero 100% objetiva. A estratégia em si não é 100% objetiva porque ainda entra uma parcela de feeling, experiência ou gosto na seleção dos papéis, depois de filtrados seguindo os critérios definidos. Se seleciono 10 ações pelos critérios e tenho capital livre para somente 1, preciso selecionar de alguma forma e isso ainda não é objetivo.

Dito isso, agora falando sobre a variação para o setup de correção no gráfico diário, eu não selecionei exatamente uma configuração como definitiva, principalmente porque não utilizarei no dia a dia. Quando testamos, os resultados foram regiões de conjuntos de parâmetros interessantes que são lucrativos e não somente um conjunto. Até porque se somente uma combinação de parâmetros desse lucro, com certeza o setup não seria bom! Então eu vou descrever aqui uma idéia do que seria essa região e não uma regra estrita. Será mais ou menos o que vou usar se um dia decidir faze-lo. Lembrando que as regras básicas de filtro e tendência são as mesmas do setup de rompimento, somadas a essas para o gráfico diário.

As regras/parâmetros são:

Distância mínima entre a máxima do candle anterior para o topo recente = 3 ATR (para ter uma distância da compra até o topo; se for correção muito pequena é preferível a compra por rompimento do topo)
Distância máxima entre a fundo recente para o topo recente = 6 ATR (para não ser uma correção muito forte podendo indicar reversão na tendência)
Stop inicial = abaixo do fundo recente
Tamanho mínimo do stop = 2 ATR

Obs: O ATR utilizado é de 20 períodos do gráfico diário

Bem, essa é a idéia de uma estratégia de compra em correção. Eu gosto de manter as coisas meio simples, então se um dia for utilizar essa variação será mais ou menos com esses parâmetros, não necessariamente a ferro e fogo como faço no rompimento semanal. Na prática só considerarei utilizar esse também se a correção pelo gráfico semanal for maior que 2,5 ATR, que é meu limite definido para entrada por rompimento. Se a correção for inferior a isso eu nem pensarei em entrar pelo diário. E de novo, só usarei em ações muito interessantes e se eu for perder a oportunidade.

É isso! Desconfiança acabada, questionamentos respondidos, agora toco a vida como estava tocando sem ficar com o “SE” na cabeça, que é o maior martírio do trader.

Bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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