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Estudo sobre entradas por rompimento no gráfico diário

9 de janeiro de 2020 1 comentário

Conforme detalhei no post Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário, no último ano eu experimentei uma variação de entrada na minha estratégia.

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

Conforme mostrei no post, no geral foram operações com bons resultados, o que me motivou um estudo maior sobre essa modalidade de entrada.

Rodei os testes em todas ações da Bovespa nos últimos 10 anos, o que inclui mais anos ruins do que bons. Não rodei em mais de 10 anos pois o Metatrader 5 da XP não disponibiliza base de dados maior.

 

Testes

As regras básicas do sistema são as mesmas do Rompimento Semanal, todas que estão detalhadas no menu Estratégias. As únicas diferenças são a análise do gráfico diário ao invés do semanal para procurar correções e rompimentos, e consequentemente o posicionamento do stop inicial que será abaixo dessa correção no gráfico diário. O stop móvel ATR continua pelo gráfico semanal, bem como os demais indicadores.

Como possíveis regras adicionais para o setup de Rompimento Diário eu testei valores para tamanho mínimo da correção medidos em ATR semanal e também ATR diário, tamanho mínimo de stop em ATR semanal (para não colocar um stop muito curto em correções curtas) e quantidade mínima de candles na correção.

Os parâmetros de tamanho mínimo de correção e tamanho mínimo de stop não geraram resultados mais interessantes com nenhum valor.

O único parâmetro que gerou efeitos positivos foi a quantidade mínima de candles na correção.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado base do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +22% +32% -7% +41%
2 +23% +25% -4% +33%
3 +20% +19% -2% +23%
4 +17% +7% -1% +15%

Testei valores maiores que 4 para esse parâmetro, porém os resultados já começaram a sair do ponto ótimo.

Vemos que em todas configurações a entrada pelo gráfico diário apresenta lucro superior ao gráfico semanal, pois a entrada acaba sendo antes ou no máximo no mesmo ponto do que no semanal. Porém, analisando o drawdown, que é o termo utilizado para rebaixamento máximo do capital, vemos que o aumento do lucro acaba sendo descompensado em algumas configurações de correções mais curtas.

No setup considerando como mínimo somente 1 candle de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 22% maior que o setup no semanal, porém o drawdown foi 32% maior, o que não compensa do ponto de vista matemático. A taxa de acerto diminui 7 pontos percentuais, de 42% (que é a taxa de acerto do setup no semanal) para 35%, e a quantidade de trades realizados também aumenta bastante, havendo 41% mais trades.

No setup considerando como mínimo 2 candles de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 23% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 25% maior. Aqui já apresenta uma melhora com relação ao mínimo de 1 candle, onde o lucro é pouco melhor e o drawdown menor, mas mesmo assim ainda não tão atrativo matematicamente. A taxa de acerto diminui 4 pontos percentuais, para 38%, e a quantidade de trades realizados aumenta 33%.

No setup considerando como mínimo 3 candles de correção, o lucro foi 20% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 19% maior. Aqui o aumento do lucro, apesar de menor que o dos casos anteriores, já é maior que o aumento do rebaixamento. A taxa de acerto diminui somente 2 pontos percentuais, para 40%, e a quantidade de trades realizados aumenta 23%.

Por fim, no setup considerando como mínimo 4 candles de correção, ou seja, uma correção mais bem formada, o lucro foi 17% maior que o setup no semanal e o drawdown foi de meros 7% maior. A taxa de acerto diminui somente 1 ponto percentuais, para 41%, e a quantidade de trades realizados aumenta 15%.

 

Minhas considerações

Na minha visão, a melhor configuração, ou regra, para esse parâmetro, que muda bastante o resultado do setup, é haver uma correção de no mínimo 4 candles após o topo para considerar o rompimento. Essa configuração mostra um bom aumento de lucro do que no gráfico semanal e ao mesmo tempo um aumento baixo no rebaixamento de capital. A taxa de acerto podemos considerar praticamente a mesma, 42% vs 41%, e a quantidade de trades feitas a mais do que no setup semanal é relativamente baixa, somente 15% mais trades.

A configuração de no mínimo 3 candles de correção eu também considero válida porém selecionando mais as ações para utilizar, uma vez que os resultados não são tão satisfatórios quando o de 4 candles, principalmente no quesito drawdown, que é uma boa medida de risco.

As configurações de mínimos 1 e 2 candles de correção eu evitaria muito usar, deixando para usar em casos muito específicos, talvez em ações muito fortes, mas com muita cautela e sabendo que as probabilidades ajudam menos aqui.

 

Conclusão

Eu achei bem interessantes e positivos os resultados utilizando o setup no gráfico diário.

Acredito que em várias ocasiões eu conseguirei fazer uma compra mais cedo do que eu faria pelo setup no gráfico semanal.

A partir de hoje pretendo fazer mais uso dessa modalidade de entrada e com isso devo colocar alguns posts mais curtos no meio da semana quando eu identificar tais oportunidades.

Não substituirei a entrada no semanal pela entrada no diário, pelo menos não agora. Continuarei usando as duas modalidades de entrada, até porque se pensar bem, uma correção que dura vários dias também virará obrigatoriamente uma correção no semanal, e nesse caso tanto faz o gráfico utilizado. Nesses casos eu devo dar preferência no gráfico semanal pela maior simplicidade, consolidação de dados e menos ruídos apresentados, conforme explanado anteriormente.

Então a grande diferença para o que eu já vinha fazendo “informalmente” no ano passado é que eu começava a buscar uma entrada no gráfico diário depois de várias semanas de alta no gráfico semanal sem que houvesse uma correção nessa periodicidade. Agora eu analisarei o diário para todas as ações do radar, ao mesmo tempo que analisarei o semanal.

 

Bem, contra fatos não há argumentos! Os testes mostram alguma vantagem na utilização do gráfico diário para entradas por rompimento, utilizar ou não é uma questão de gosto, visto que para isso precisa de um acompanhamento diário do mercado ao invés de semanal. E quando eu digo diário eu quero dizer à noite, e não durante o dia.

Agora finalmente saiu da clandestinidade uma operação que vinha fazendo sem saber os impactos reais para uma modalidade homologada!

Portanto agora estou entrando no Setup versão 3.0!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Estudo de folga no start de compra para evitar falsos rompimentos

Desde que comecei a operar com essa estratégia de position trade de longo prazo lá em 2009 eu segui as recomendações e também a estratégia do livro que me motivou a entrar no Trend Following (mesmo sem falar nesse termo no livro), que é o “How I Made $2,000,000 in the Stock Market” do Nicolas Darvas.

Nesse livro o autor fala para dar uma folga no preço para colocar a ordem de start de compra, com relação ao último topo ou resistência. Então se por exemplo a resistência está em 27,75, a compra seria arredondada pra cima em 28,00 ou 28,01 para também romper a resistência de números redondos. E eu sempre deixei essa folga nas minhas ordens de compra e o principal motivo é para evitar falsos rompimentos, onde o preço passa somente por alguns centavos da resistência e volta para baixo dela.

Alguns poucos momentos eu até me lembro de ter me livrado de falsos rompimentos por causa dessa técnica, porém realmente bem poucos. E essa minha folga acaba girando em torno de 0,5% a 1,0%, colocada subjetivamente, tentando sempre arredondar acima do xx,00 ou senão acima do xx,50, ou senão simplesmente alguma folga sem algum valor especial, somente para estar um pouco distante da resistência mais recente.

Resolvi fazer um estudo sobre essa folga se realmente vale a pena e o quanto ela previne de falsos rompimentos.

Testei valores de 0,1% a 1,0% acima do preço da resistência/topo.

O resultado obtido é que até faz sentido esse embasamento, mas o ganho é muito baixo.

O melhor valor para a folga foi de 0,5%.

De todas operações feitas sem a folga, ou seja, comprando a somente 1 centavo acima da resistência, somente 2,7% foram evitadas por falso rompimento, que geraram perdas no stop inicial.

E de todas as outras restantes, o risco fica 0,5% mais caro, consequentemente no cálculo de tamanho de posição, ou position sizing, será comprado menos ações, consequentemente o lucro financeiro será menor. Além disso, o preço de compra sempre será 0,5% mais caro, portanto o lucro sempre será um pouco menor.

Portanto minha conclusão baseado nesse estudo e testes é que vale mais a pena entrar a somente 1 centavo acima da resistência, para diminuir o valor do stop da operação e potencializar um pouco mais os ganhos, mesmo tendo prejuízo em poucas operações a mais.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário

28 de dezembro de 2019 6 comentários

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

No total foram 7 operações que fiz nessa modalidade. Algumas dessas ações eu vendi antes de pegar no stop ATR conforme detalhei no post anterior, porém aqui não vou levar isso em consideração pois o tema da análise é outro.

Nos gráficos abaixo, a seta azul indica onde fiz a entrada. A seta amarela indica onde teria sido a entrada se eu esperasse uma correção pelo gráfico semanal, conforme o setup original.

 

MOVI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 7 semanas seguidas de alta e então resolvi fazer a entrada após uma correção no gráfico diário. Nesse caso 2 semanas depois teria dado uma entrada pelo gráfico semanal também.

Variação do preço até hoje: 83%

 

PPLA11

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 3 semanas seguidas de alta. Nesse caso não teria havido entrada pelo gráfico semanal pois a ação simplesmente despencou alguns dias depois que entrei.

Variação do preço até o stop inicial: -12%

 

JSLG3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 7 semanas depois, 27% acima da entrada pelo gráfico diário, e provavelmente teria pegado o stop inicial.

Variação do preço até hoje: 81%

 

QUAL3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 9 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 39% acima da entrada pelo gráfico diário, porque o mega candle verde pouco depois da seta azul foi um gap enorme de alta, o que não teria entrado na ordem de start.

Variação do preço até hoje: 89%

 

JHSF3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, porém houve um intervalo com uma correção curta de 1 candle que eu não entrei naquele momento, resolvi entrar depois que a forte alta confirmou a força da tendência que eu estava meio desconfiado. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 16% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 88%

 

HBOR3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, tendo uma pequena correção de 1 candle no meio que não cheguei a entrar. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 5 semanas depois, 22% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 24%

 

POSI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de forte alta. Não teria dado entrada pelo gráfico semanal até o momento.

Variação do preço até hoje: 30%

 

Conclusão

Das 7 operações que fiz utilizando rompimento do gráfico diário, 6 foram com sucesso e 1 não. Ainda são poucos dados para considerar uma regra mas nesse ano essas operações foram vantajosas e tecnicamente válidas.

Vendo a vantagem com relação às entradas posteriores nos gráficos semanais me faz pensar num estudo mais abrangente de sempre considerar uma entrada pelo gráfico diário ao invés do semanal para evitar ao máximo deixar a ação correr muito antes de dar uma pausa para minha entrada. Talvez uma entrada pelo gráfico diário em ações com FR acima de 90 possa otimizar mais o setup. Vou tentar fazer um estudo mais concreto em breve sobre isso.

Mas por enquanto vou continuar fazendo entradas pelo gráfico diário quando as ações não fizerem correções no gráfico semanal.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações encerradas antes do stop ATR

28 de dezembro de 2019 4 comentários

Nos últimos 2 anos eu encerrei algumas operações prematuramente, vendendo ações antes de atingir o stop ATR, por considerar que a força da tendência estava ficando cada vez mais fraca e outras oportunidades mais interessantes estavam surgindo.

Depois de ter passado um bom tempo após as vendas, resolvi fazer uma análise para ver o que aconteceu com cada ação depois da minha saída.

No total foram 12 ações, que mostrarei na sequência.

A seta azul indica o candle semanal que fiz a saída. A seta vermelha indica onde teria sido a saída pelo setup, quando atingisse o stop móvel. Em alguns casos não teria tido saída até hoje.

Colocarei um valor aproximado de variação de preços do meu ponto de saída para o ponto se tivesse continuado estritamente no setup. Aproximado porque os gráficos são ajustados por proventos.

 

FLRY3 – 19/10 e 27/11/2017

Preço médio de venda antecipado = R$ 26,20
Preço de venda pelo setup = R$ 23,28
Diferença = -11%

 

ANIM3 – 05/03/2018

Preço de venda antecipado = R$ 26,10
Preço de venda pelo setup = R$ 22,71
Diferença = -13%

 

UNIP6 – 25/02/2019

Preço de venda antecipado = R$ 33,80
Preço de venda pelo setup = R$ 28,47
Diferença = -16%

 

MGLU3 – 25/03/2019

Preço de venda antecipado = R$ 21,70
Preço atual da ação = R$ 48,73
Diferença = +124%

 

HGTX3 – 18/04/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 30,00
Preço atual da ação = R$ 34,00
Diferença = +13%

 

JHSF3 – 22/05 e 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 2,40
Preço atual da ação = R$ 7,06
Diferença = +194%

 

LOGN3 – 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 8,70
Preço de venda pelo setup = R$ 15,63
Diferença = +79%

 

KEPL3 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 19,30
Preço de venda pelo setup = R$ 19,22
Diferença = -0,5%

 

BIDI4 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 9,95
Preço de venda pelo setup = R$ 14,73
Diferença = +48%

 

IRBR3 – 25/06 e 01/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 33,40
Preço atual da ação = R$ 39,52
Diferença = +18%

 

QUAL3 – 24/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 20,00
Preço atual da ação = R$ 37,67
Diferença = +88%

 

MOVI3 – 30/09 e 11/10/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 14,80
Preço atual da ação = R$ 19,12
Diferença = +29%

 

Das 12 vendas antecipadas, posso dividir em 3 categorias:

– Em 4 delas eu vendi por um preço superior ao que queria vendido pelo stop ATR: FLRY3, ANIM3, UNIP6, KEPL3.
– Em 3 delas eu venderia por um preço um pouco maior do que vendi: HGTX3, IRBR3, MOVI3.
– Em 5 delas eu deixei de ganhar um alto percentual de lucro: MGLU3, JHSF3, LOGN3, BIDI4, QUAL3.

Na primeira categoria me dei bem, vendi antes e tive vantagem. Na segunda categoria eu também considero vantagem pois apesar de ter tido uma pequena variação positiva, demorou vários meses e com isso perderia outras oportunidades (com exceção de MOVI3 que ainda é um pouco recente). Agora com certeza na terceira categoria foi onde não valeu nem um pouco a pena ter vendido antes, pois houve movimentos fortes de alta, em alguns deles mais de 100% de variação após minha saída.

Mas eu vejo que a análise é mais complicada que isso, pois ao mesmo tempo que deixei de ganhar com essas 5, eu ganhei com outras que comprei. Por exemplo, comprei TRIS3 e JSLG3 no fim de junho e tiveram forte alta até aqui. A própria JHSF3 eu acabei recomprando algumas semanas depois, deixando de ganhar uma parte do movimento obviamente. E nas 7 ações dos primeiros grupos, várias delas demorariam meses para ter dado stop, deixando o dinheiro parado praticamente. Pensando numa análise de carteira, fica difícil saber se valeu e vale a pena a venda antecipada das ações que aparentam estar perdendo força na tendência.

Analisando individualmente as ações, me parece que não vale a pena sair tão cedo, tem que haver um pouco mais de paciência para deixar fluir e ver se a tendência continuará forte ou não. Em alguns casos uma ação com FR acima de 90 que teve uma desaceleração da tendência, é só um preparo para um estouro posterior, portanto vale a pena esperar para pagar para ver.

Fiz um estudo de todas as ações que tiveram compra pelo meu setup nos últimos 15 anos e cheguei a conclusão que não é interessante fazer saídas antecipadas muito cedo em ações com algumas semanas de congestão. Em valores objetivos, o stop por tempo mínimo é de 22 semanas depois do último topo. Isso significa que após os preços fazerem um novo topo, e em seguida fazer uma correção e posteriormente entrar num congestão, se os preços não romperem esse topo em 22 semanas é válido fazer uma venda antecipada, ou stop por tempo. E o stop por tempo ideal seria de 24 a 26 semanas.

Esse estudo mostra que uma ação com FR alto que estava em forte tendência e de repente os preços lateralizaram, em até 26 semanas há uma grande probabilidade dos preços romperem e dispararem novamente. Se passar de 26 semanas e o preço estiver nessa congestão ainda, as chances maiores indicam que a tendência forte deve ter finalizada e então vale a pena vender antecipadamente.

Um recurso que comecei a utilizar no fim desse ano quando surgiram novas oportunidades e eu não tinha dinheiro disponível em conta e também não queria vender antecipadamente nenhuma ação para fazer a troca, foi fazer operações a termo. Essa é uma modalidade que basicamente a corretora de empresta dinheiro a um juros baixo (em torno de 0,5% a.m.), usando as minhas ações como garantia, e então faço a compra da ação que eu quero. Com isso posso esperar o tempo necessário para ver as ações que tenho se vão continuar andando ou não, e ainda assim abrir novas posições. Mas aqui vai um ALERTA! Esse tipo de operação só é recomendado para traders mais experientes e com muita gestão de risco, pois se trata de uma operação alavancada, onde usamos mais dinheiro do que temos para operar. No meu caso, estou fazendo com muita cautela, o risco da minha carteira estava em somente 2% sendo que meu limite é 6%, portanto tinha uma boa margem de risco para novas operações e por isso resolvi fazer, abrindo 2 operações a termo com 1% de risco do meu capital em cada.

Então esse foi um ano com alguns arrependimentos gerados pela ansiedade de ver novas oportunidades passando na janela e a falta de paciência de esperar as ações darem os frutos. Mas tudo isso faz parte do aprendizado, o mais importante é sempre analisar as operações realizadas, ver onde estamos acertando, onde estamos errando e onde podemos melhorar. Testar novas abordagens é positivo, afinal com eles podemos evoluir nos investimentos. Se um teste não deu certo, damos um passo para trás e seguimos o jogo. Agora que fiz os testes e determinei objetivamente um valor para stop por tempo, dará mais segurança quando decidir vender antecipadamente, bem como saberei que devo ter mais paciência em eventuais congestões pois em várias ocasições haverá uma boa recompensa depois.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Stop por rompimento ou fechamento?

10 de junho de 2018 6 comentários

Quando fiz os testes automáticos para definir os melhores parâmetros para meu setup semanal não cheguei a testar o stop por fechamento. Principalmente porque exige mais psicológico de ver uma semana despencando, talvez bem forte, e vender somente na abertura da próxima semana. Obviamente em muitos casos esse movimento será realmente falso e você terá sorte de ter segurado firme a posição até o fim da semana.

Mas eu resolvi fazer os testes! Usei somente o stop ATR automático por rompimento com multiplicador de 3,5 subtraído do fechamento, que é o que utilizado no meu setup atual, comparando com stops por fechamento com multiplicador 2,5 até 5,0. A regra é esperar fechar o candle abaixo da linha do stop ATR e vender na abertura do candle seguinte. Como o gráfico é semanal isso significa esperar fechar a semana inteira e vender na abertura da próxima, ou seja, segunda-feira.

Por incrível que pareça (não imaginava isso) o melhor resultado em termos de lucro foi do multiplicador 5,0! Eu me recusei a continuar aumentando os valores visto que os stops já ficam longes o suficiente. O resultado geral foi um lucro 26% maior com aumento de 9% de drawdown, o que seria bem interessante. A comparação é feita em relação ao stop por rompimento com multiplicador 3,5 sempre.

Se pegarmos o resultado com o multiplicador 3,5, o lucro fica 9% maior e o drawdown 6% maior, o que já parece médio interessante.

Com multiplicador 3,0 temos outro resultado interessante, o lucro aumenta 23% e o drawdown se mantém igual.

A taxa de acerto piora bem pouco nos casos de stop por fechamento, em torno de 2%.

Agora vou detalhar um pouco mais as análises comparando o stop atual de rompimento com multiplicador 3,5 com os stops por fechamento de multiplicadores 5,0 e 3,0 que considerei os melhores nos testes, sendo um de caráter mais longo e outro mais próximo do que uso hoje.

Um ponto interessante que observei usando o multiplicador 5,0 é que, por ser muito longo, muitas operações ficaram posicionadas por vários anos, mesmo a ação ter ficado as vezes 1-2 anos de lado, mas no fim ter dado um bom rendimento. Na prática isso não ocorreria pois alguns meses que a ação fique de lado e novas oportunidades mais interessantes vão surgindo, eu teria vendido com certeza. Então levando isso em conta provavelmente os resultados acima teriam um lucro reduzido, já que se trata de um parâmetro subjetivo que acabo usando quando a carteira está cheia.

Considerando principalmente o stop com multiplicador 5,0, analisando os gráficos e comparando as operações com o 3,5 por rompimento atual, ele predomina bastante em muitas ações, alguns lucros individuais seriam bem maiores no 5,0. Mas aqui entra um ponto de alerta, infelizmente a minha base de MT5 só tem dados de 2008 pra frente. O ideal seria muito maior, pelo menos 2000 pra frente onde houveram vários ciclos do mercado de alta, baixa e lateralização. Portanto nesses últimos 10 anos posso dizer que o stop de 5,0 por fechamento foi melhor nas ações da Bovespa seguindo todas as outras regras que uso do setup. Porém me deixa inseguro por não ter mais trades para avaliar, se tratando de uma mudança muito relevante no setup que impacta fortemente.

Outro ponto analisando é que o stop fica muito longe com multiplicador 5,0, considerando ainda a margem do valor do indicador até o fechamento, que sempre será mais abaixo. Vi muitos casos que o stop fica 40% abaixo do topo, as vezes mais.

Analisando individualmente as ações usando o multiplicador 3,0 por fechamento, para a grande maioria dos trades o resultado foi praticamente igual ao multiplicador 3,5 por rompimento. Em geral a saída foi muito próxima nos 2 casos, na média os candles fechado abaixo da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,0 ficam ao redor da linha gerada pela subtração do multiplicador 3,5. Houveram entre 25-30 casos em que uma saída foi melhor que a outra numa margem pequena.

Houveram poucos casos de destaque de diferença mais significante. No caso onde o rompimento foi melhor, foram EZTC3, ITUB4 e TGMA3. Onde fechamento foi melhor, foram MGLU3, UGPA3, BPAC11 e IGTA3, sendo que de todo o universo geral a MGLU3 foi a única que se destacou absurdamente, outras ações com tendências muito fortes não tiveram situações de violinada assim. Detalharei mais a observação sobre MGLU3.

Com stop por fechamento, tanto com multiplicador 3,0 quanto 5,0, teria um mega ganho ter ficado posicionado na MGLU3 ao invés de ter saído pelo stop de rompimento na semana da mega violinada de outubro de 2016. Estaria ganhando uma boa nota pois comprei a R$4,50 +- e ela chegou a mais de R$120 até então. Esse resultado foi único, foi muito acima dos demais portanto desbalanceou os resultados a favor dos stops por fechamento. Mas o que teria que ser avaliado também é o stress que o trader passaria vendo uma ação cair 30-40% para violinar e subir depois. O emocional deve estar na balança das escolhas também. E nesse caso de MGLU3 voltou, poderia não ter voltado, como aconteceu com algumas outras ações no passado em situações dessa. Se uma situação é extremamente emocionante a outra é violentamente frustrante.

A MGLU3 foi uma divisora de resultados, ela foi bem atípica na sua movimentação, ou seja, ela é um outlier, um valor aberrante na estatística. Se tirarmos ela dos testes, os resultados foram bem próximos. Na verdade, comparando o stop 3,0 por fechamento com o 3,5 por rompimento, gerei os resultados sem considerar a MGLU3 e o stop por rompimento foi melhor, o lucro foi 16% maior e o drawdown igual.

Uma estratégia não é só questão de números e lucro, todos esses fatores devem ser avaliados e definidos por cada um o que é melhor para si de modo a atingir seus objetivos e ficar confortável com seu psicológico. Com a base de dados de somente 10 anos posso dizer que não me sinto confortável com esse tipo de stop, mesmo sendo mais lucrativo nesse período. Se eu tivesse testado em 20 ou 30 anos e desse um resultado igual ou até melhor, eu ainda sim iria pensar bem para tomar uma decisão de qual stop usar.

Não é uma decisão fácil. Do mesmo modo que é difícil ser stopado e ver a ação continuar a voar depois, também não é fácil estar tendo um ótimo lucro e perder tudo num stop longo. Cada pessoa tem um peso maior para cada um desses fatores, e isso define se a pessoa é agressiva, moderada ou conservadora na bolsa de valores. Eu me considero moderado para conservador, com certeza não sou agressivo. Portanto no momento prefiro ter um stop relativamente longo que as ações possam fluir na tendência de longo prazo, mas não tão longo, e também não esperar a semana fechar. Prezo muito pelo estado emocional nos investimentos, mesmo ganhando menos. Prosperidade para mim não é só financeira, envolve outras áreas de bem estar pessoal, e na bolsa de valores é um ambiente muito fácil de bagunçar a cabeça e sensações das pessoas. A muito tempo vendo isso nas outras pessoas sempre foquei ao máximo em escolher estratégias para manter a qualidade de vida. Isso também inclui ter mais tempo, esse é um dos motivos que parei de focar em swing trade e day trade manual.

Portanto depois de muito analisar muitos os gráficos e pensar sobre os resultados, cheguei a conclusão pessoal de manter o stop por rompimento como está, ATR por rompimento com multiplicador de 3,5 (que inclusive retestei e o melhor valor se manteve inalterado).

Mas valeu os testes, sempre é bom novas análises de mercado, sempre aprendemos e observamos coisas novas e tiramos novas conclusões. Talvez algo que não sirva no presente pode servir no futuro.

Abraços para todos e boa semana!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Setup para compras em correções da tendência

Há muito tempo acompanho o mercado sempre nos gráficos semanais e montando as operações sempre no rompimentos de topos ou resistências. Frequentemente ações muito interessantes com tendências fortes, que estou de olho para comprar, fazem uma correção um pouco mais forte e isso me impedia ou inviabilizava uma entrada por rompimento devido ao alto risco pelo stop largo.

Sempre que via esse cenário ficava com a pulga atrás da orelha perguntando se não valeria a pena entrar na correção, na retomada do movimento de alta, pois do contrário teria que esperar o rompimento, uma nova correção e um novo rompimento para compra. Vários amigos leitores do blog já fizeram perguntas semelhantes. Minha resposta sempre foi a mesma: tecnicamente é totalmente válido a operação, mas nunca testei e parametrizei e por isso não uso.

Essa semana resolvi testar essa variação do setup. Minha condição de compra seria baseada somente no price action, sem uso de indicadores. O tempo gráfico seria no diário. A compra ocorreria no rompimento da máxima do candle anterior de queda, num movimento de correção da tendência principal, sempre utilizando os filtros de seleção de papéis que já utilizo. O stop seria abaixo do fundo recente com ou sem folga.

A opção de não usar indicadores clássico de correção como IFR, estocástico, MACD, médias móveis, HiLo, Parabolic SAR, e muitos outros, é que como meu setup busca as ações mais fortes do mercado, na grande maioria das vezes a correção mesmo sendo um pouco mais forte que o normal não atingiria pontos de sobrevendido ou reversão nos indicadores, pelo menos não das calibragens clássicas. Obviamente poderíamos calibrar de modo a deixa-los mais sensíveis às variações de preços, mas preferi simplesmente não utilizar e fazer somente olhando os preços.

A maior parte das simulações gerou mais operações e menos lucro total que utilizando o setup somente de rompimento. Algumas poucas simulações geraram um lucro total um pouco maior, cerca de 10%, porém o drawdown (rebaixamento máximo de capital) aumentou também, em cerca de 15%. O lucro por trade diminui, bem como a taxa de acerto (pouco). Obs: não simulo compras piramidadas (acréscimo de posição).

Cheguei a testar para utilizar a compra em correção somente em ações com FR acima de 95, enquanto a de rompimento valeria acima de 90, mas não surtiu muito efeito.

Portanto minha conclusão é que não compensa muito adicionar essa variação para o setup atual, preferindo manter as compras em rompimentos somente. Mas é claro que como disse, é uma estratégia válida, então pode ser que caso haja uma ação muito forte (UNIP6 por exemplo) que estou querendo entrar de qualquer jeito mas justo agora ela fez uma correção mais forte, eu resolva entrar seguindo o setup de correção. Mas provavelmente será bem poucas exceções que utilizarei esse método.

Nos testes sistemáticos, precisamos escolher uma configuração exata para trabalhar de modo a não deixar subjetivo. Um trading system deve ser totalmente objetivo em todas suas regras. É basicamente como faço com meu setup de rompimento semanal, a parte gráfico dele considero 100% objetiva. A estratégia em si não é 100% objetiva porque ainda entra uma parcela de feeling, experiência ou gosto na seleção dos papéis, depois de filtrados seguindo os critérios definidos. Se seleciono 10 ações pelos critérios e tenho capital livre para somente 1, preciso selecionar de alguma forma e isso ainda não é objetivo.

Dito isso, agora falando sobre a variação para o setup de correção no gráfico diário, eu não selecionei exatamente uma configuração como definitiva, principalmente porque não utilizarei no dia a dia. Quando testamos, os resultados foram regiões de conjuntos de parâmetros interessantes que são lucrativos e não somente um conjunto. Até porque se somente uma combinação de parâmetros desse lucro, com certeza o setup não seria bom! Então eu vou descrever aqui uma idéia do que seria essa região e não uma regra estrita. Será mais ou menos o que vou usar se um dia decidir faze-lo. Lembrando que as regras básicas de filtro e tendência são as mesmas do setup de rompimento, somadas a essas para o gráfico diário.

As regras/parâmetros são:

Distância mínima entre a máxima do candle anterior para o topo recente = 3 ATR (para ter uma distância da compra até o topo; se for correção muito pequena é preferível a compra por rompimento do topo)
Distância máxima entre a fundo recente para o topo recente = 6 ATR (para não ser uma correção muito forte podendo indicar reversão na tendência)
Stop inicial = abaixo do fundo recente
Tamanho mínimo do stop = 2 ATR

Obs: O ATR utilizado é de 20 períodos do gráfico diário

Bem, essa é a idéia de uma estratégia de compra em correção. Eu gosto de manter as coisas meio simples, então se um dia for utilizar essa variação será mais ou menos com esses parâmetros, não necessariamente a ferro e fogo como faço no rompimento semanal. Na prática só considerarei utilizar esse também se a correção pelo gráfico semanal for maior que 2,5 ATR, que é meu limite definido para entrada por rompimento. Se a correção for inferior a isso eu nem pensarei em entrar pelo diário. E de novo, só usarei em ações muito interessantes e se eu for perder a oportunidade.

É isso! Desconfiança acabada, questionamentos respondidos, agora toco a vida como estava tocando sem ficar com o “SE” na cabeça, que é o maior martírio do trader.

Bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Estratégias

Alteração do setup de Position Trade – versão 2.0

30 de novembro de 2016 21 comentários

Bom dia pessoal!

Há vários anos (desde 2009) venho usando um setup para position trade criado, e até modificado um pouco ao longos dos anos, através de idéias de longo prazo porém validada através de backtests limitados, manuais, em relativamentes poucos ativos (algumas dezenas) e combinações de parâmetros como stop móvel, filtros de tendência e outros.

Como esse ano eu aprendi a programar no Metatrader 5 para fazer robôs, é muito útil também para fazer backtests e otimizações de parâmetros totalmente automatizados de qualquer setup que seja 100% objetivo. Eu programei todas as regras originais do meu setup, incluindo o FR que deu mais trabalho, e ao longo das últimas semanas eu rodei centenas ou milhares de backtests para otimizar cada parâmetro individualmente.

Devido a essa automatização nos testes, foi possível rodar o setup em praticamente todas as ações da Bovespa em quase 1 década de histórico. O ideal é que fosse mais, o máximo possível, mas infelizmente o Metatrader não fornece dados tão antigos assim, principalmente porque todas as datas disponíveis na base de dados tem dados até gráfico de 1 minuto, e talvez as corretoras não tenham armazenado esse nível de informação de dados até 20 anos atrás por exemplo. Mas se a estratégia foi bem lucrativa em períodos ruins da bolsa, como entre 2011 a 2015, com certeza performará extremamente bem em períodos de forte tendência generalizada como de 2003 a 2007.

Portanto nesse setup versão 2.0 todas as regras escolhidas tem um respaldo maior vindo de testes maiores, mais completos e principalmente mais precisos. Para a escolha do melhor resultado foram analisados principalmente uma combinação de lucro, drawdown máximo (rebaixamento da curva de capital) e profit factor (soma das operações de lucro dividido pela soma das operações de prejuízo). A taxa de acerto da estratégia é de 40% a 45%, ou seja, a estratégia mais erra do que acerta. Isso é normal em estratégias do tipo trend following (seguidoras de tendência), porém é normal também que as perdas sejam pequenas e os ganhos muito maiores, por isso a matemática do mercado funciona.

Quase todas as regras/parâmetros da versão 1.0 foram alteradas, removidas e inseridas novas, mesmo que a idéia e objetivo da estratégia continuem o mesmo: entrar numa tendência de alta já definida e permanecer nela o máxima de tempo possível, até que ela termine.

A principal mudança que os testes mostraram ser mais vantajosa é entrar na tendência o mais cedo possível, ao invés de esperar por maiores confirmações igual eu sempre fiz na metodologia anterior. Eu tinha uma confirmação extra porém deixava mais lucro na mesa. Para isso os seguintes indicadores deixaram de ser utilizados:

– Força Relativa de 1 ano
– Média móvel simples de 21 períodos
– Média móvel simples de 50 períodos
– ADX

Pelos testes usar somente o FR de 6 meses é mais efetivo que usar só o FR 12 meses ou os dois juntos. O uso das médias mais lentas também teve resultados inferiores. Testei todas combinações de uso com 1, 2 ou 3 MM juntas, variando alguns períodos delas, e o mais efetivo foi manter só a de 9 pois perde-se parte da tendência esperando as 3 médias estarem subindo e as mais rápidas estarem acima das mais lentas respectivamente. O ADX também, apesar de interessante, é lento para confirmar a formação da tendência, especialmente quando há uma virada brusca de tendência de baixa para alta. Eu como não tenho apego a indicador nem outra coisa, eu simplesmente sigo o racional e escolho o que performa melhor, portanto tirei o ADX do setup também.

Os indicadores que permaneceram foram:

– Força Relativa de 6 meses
– Média móvel simples de 9 períodos

Testei várias variações de valor para o FR 6 meses e se confirmou que um valor bom para filtrar é maior ou igual a 90, como sempre fiz. A MM9 também continua para confirmar tendência de prazo mais curto no semanal. Uma outra mudança que fiz foi no filtro de ações pelos preços. Antes eu escolhia ações com preço de pelo menos uns R$7 ou R$8, porém como a nova estratégia entra em ações mais cedo na tendência, muitas vezes as ações estarão com preço bem depreciado após uma longa queda, por isso o filtro de preços será menor, a princípio acima de R$1 e será revisado isso ao longo dos meses. Essa filtro não foi feito em backtest pois como a base é ajustada por proventos e eventos corporativos, os preços históricos no gráfico de hoje não correspondem ao preço real na época.

Um ponto importante a se notar é que mesmo tirando indicadores de tendência de médio e longo prazo e mantendo/inserindo indicadores de prazo mais curto, não quer dizer que estou olhando somente para o movimento recente que está ocorrendo na ação pois o principal filtro da estratégia é a Força Relativa, que já filtrará as ações mais performáticas nos últimos 6 meses.

Indicadores e métricas novas que entraram no setup foram:

– Parabolic SAR
– Canal Donchian superior
– Stop ATR com base nas máximas dos preços para filtro de correções

O Parabolic SAR entrou para complementar como indicador de tendência. Os parâmetros utilizados são: passo = 0,02 e valor máximo = 0,10. O Donchian entra para deixar objetivo o que é uma resistência, e basicamente ele é o valor da máxima dos últimos 26 candles. Também incluí o Stop ATR subtraido a partir da máxima dos preços para gerar uma métrica exata de até onde os preços podem corrigir para eu ainda considerar uma entrada no rompimento da resistência prévia. O multiplicador que utilizo no indicador é de 2,5.

Houve também uma alteração na definição do stop móvel, que agora utilizo um multiplicador de 3,5 do ATR subtraídos do fechamento do candle para definição do stop. A definição do stop inicial não foi alterado.

Todas as regras e definições do setup estão descritas detalhadamente nas páginas Seleção das ações e Setup – entradas e saídas.

Conclusão: os backtests foram muito produtivos mostrando cenários favoráveis que eu não tinha visão clara antes. Há alguns meses eu já vinha com alguma insatisfação e questionamento que me via perdendo algumas boas oportunidades por demorar para entrar na tendência. Em épocas de fartura isso não impacta tanto pois sempre há dezenas de ações subindo vigorosamente, portanto sempre iremos acertar em algumas ou várias delas. Porém em épocas de vacas magras, como os últimos 5 anos, isso faz total diferença. Em alguns anos que obtive rendimento com as ações próximo do zero a zero, com essa nova metodologia poderia bem mais tranquilamente ter pegar algumas tendências e obter lucros razoáveis. Eu tinha uma insatisfação e não sabia exatamente o que deveria mudar para atingir esses objetivos. De qualquer forma eu comecei os testes sem nenhum viés específico de alteração de parâmetros e indicadores, fiz todos os testes de forma neutra, alterando todos parâmetros em questão e testando dezenas de indicadores diferentes e os parâmetros selecionados no final e a decisão de entrar cedo ou tarde na tendência foi uma decisão dos resultados dos testes e não particular minha.

Já adaptei minha análise, planilha e software para o novo setup e já estou operando com a versão 2.0. Espero que os próximos anos tragam melhores frutos e mais dinheiro no bolso!

Agradeço a todos os amigos que sempre vem contribuindo ao longo dos anos colocando questionamentos e dicas nos comentários do blog, pois através disso nos ajuda a questionar nossa estratégia e ir evoluindo para tentar melhorar sempre. Espero que os meus testes possa contribuir de alguma forma para outras pessoas também.

Abraços a todos e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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