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Qual o capital mínimo para começar a investir em ações?

A resposta é: Qualquer valor! Mas vamos entender melhor as condições.

Mercado Fracionário

Até com R$ 100 é possível comprar uma ação no mercado fracionário, isto é, mercado onde é possível comprar qualquer quantidade ações, em oposição ao lote padrão, onde só é possível comprar múltiplos de 100 ações, que é o mais comum. A ação no mercado fracionário possui o mesmo código porém com a letra “F” no final. Por exemplo o Itaú PN tem a sigla ITUB4 no lote padrão, no fracionário fica ITUB4F.

Dependendo da ação que for comprar, não há muita diferença do preço no lote padrão e no fracionário. Quanto maior a liquidez, mais negócios tiver no dia, menor tende a ser o spread (diferença entre a melhor oferta compra e a melhor oferta de venda).

Nos 2 exemplos abaixos vemos que o spread é bem baixo, na casa dos 0,1%, tanto no lote padrão quanto no fracionário:

Nos próximo 2 exemplos o spread no mercado fracionário é maior, na casa dos 1%, sendo que no lote padrão tem um spread normal, entre 1 e 2 centavos:

Por fim, nos 2 exemplos seguintes vemos que o spread no mercado fracionário é muito maior, portanto impactando mais na hora da compra como também na hora da venda:

Se a estratégia for de longo prazo, eu considero um spread de 1% aceitável, porque as expectativas de lucro são bem maiores que isso, portanto essa perda é diluída sem muitos impactos negativos. Agora quando o spread é muito alto já pode impactar mais o resultado final, correndo o risco até de ficar sem liquidez (ofertas de compra ou venda) em determinado momento, portanto não é recomendado operar no fracionário esses ativos com menor liquidez e spread maior.

Outro ponto a ser considerado no mercado fracionário é o custo de corretagem. Se a corretagem for relativamente alta, uma boa parte do dinheiro será tirado do montante para comprar as ações. Se for fazer a compra de R$ 500 com uma corretagem de R$ 15, estará deixando 3% do dinheiro em forma de taxa, talvez não compense. Lembrando que na venda da ação será cobrado mais R$ 15 também. Nesse caso o melhor é acumular um pouco mais de capital por alguns meses e comprar um valor superior, por exemplo R$ 1.500, onde a corretagem representaria 1% do valor. Se a corretagem for mais baixa, e tem corretoras que cobram um valor menor para o mercado fracionário, entre R$ 3 e R$ 5 por exemplo, já pode valer a pena fazer uma compra de R$ 500.

Gestão de risco

Agora vamos ver do ponto de vista da gestão de risco. Conforme detalhado na página Controle de risco, uma gestão de risco adequada envolve arriscar um percentual pequeno do capital em cada operação, eu por exemplo arrisco 1%, alguns autores falam em 2%.

Se a pessoa iniciar na bolsa com R$ 1.000, entrar em uma operação com todo o capital onde o risco (baseado no stop) é de 10%, significa que se ela tiver prejuízo nessa operação ela perderá 10% de todo seu capital destinado a bolsa de valores, ou seja, bem superior aos 2% máximos sugeridos. Caso ela queira aplicar a gestão de risco e arriscar 2% do capital, ela teria que comprar R$ 200 de ações para essa operação, pois o stop de 10% seria R$ 20, o que equivale a 2% do capital total de R$ 1.000. Com esse volume de compra de ações de R$ 200, voltamos a refletir sobre as condições do mercado fracionário explicados no item anterior.

O trader deve primeiramente definir qual o percentual de risco por operação do capital total que se sente mais confortável, idealmente não mais que 2%. A sugestão é entre 0,5% e 2%. Definido isso, o próximo passo é definir qual o capital mínimo que desejará alocar por operação, baseado no que foi dito até aqui, ou seja, lote padrão ou fracionário, spread e corretagem. Por fim é preciso saber qual a média percentual de risco (stop) por operação da estratégia a ser utilizada. Vamos supor que a pessoa decidiu usar um risco maior no início, de 2%, uma vez que o capital é menor portanto as perdas não serão tão grandes, o risco médio de 10% por operação e o mínimo de dinheiro para comprar uma ação de R$ 1.500. Para saber o capital mínimo necessário para operar com uma gestão de risco apropriada conforme os parâmetros definidos basta pegar o capital por trade e multiplicar pelo risco médio por trade, ou R$ 1.500 x 10% (ou 0,1), que resulta em R$ 150 e significa o risco por operação em reais. Agora divida esse valor, pelo risco por operação do capital total, então seria R$ 150 / 2% (ou 0,02), que resulta no valor de R$ 7.500. Ou seja, esse é valor mínimo recomendado para operar com essa gestão de risco definida.

Essa conta define o MÍNIMO mesmo, pois se devido a perdas o capital baixar desse valor não será possível fazer a gestão de risco adequada ou será obrigado a comprar ações com valor inferior ao estipulado, portanto o recomendado é iniciar com valor superior ao mínimo, deixando uma foga para eventuais diminuições do capital total, algo entre 20% e 30% acima. Esse valor mínimo se alterará baseado nos parâmetros definidos por cada um.

Obviamente é possível começar a investir sem fazer essa gestão de risco completa, talvez arriscando um percentual maior do capital total por operação, por exemplo 5%, começar comprando 1 ou 2 ações somente. Mas é importante que o trader tenha ciência do risco que está tomando e analisar bem se é isso que quer mesmo.

Diversificação

Todos já ouvimos aquele velho clichê: “Não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta”. Na bolsa de valores isso é mais importante ainda. Se tratando de um investimento de renda variável de alta volatilidade, usar todo nosso patrimônio para comprar uma ação somente pode ser extremamente arriscado. A idéia da diversificação é pulverizar o risco, e obviamente o lucro também. Exemplo: se tivéssemos somente uma ação e esta caísse 10%, perderíamos 10% do nosso capital. Agora, se tivéssemos 10 ações e uma delas caíse 10%, perderíamos somente 1%. O lado ruim disso é que se tivéssemos 10 ações e uma ação e subisse 50%, ganharíamos somente 5% ao invés de 50% se tivéssemos somente ela, porém o mais importante na renda variável é proteger o capital, diminuir o risco. Apesar de ser uma desvantagem esse exemplo de lucro, há uma vantagem também em diversificar: temos mais chances de acertar uma ou mais ações que vão fazer um movimento bom de subida, a ponto que se tivermos uma ação somente, dependemos somente dela.

Não há um número perfeito de quantidade de ações para diversificar. Ter uma quantidade muito grande, como 50 ações, dificulta o gerenciamento e aumenta as chances de perdermos oportunidades ou fazermos alguma operação errada. Ter 1 ou 2 ações também é muito pouco.

Portanto a análise do capital inicial para começar a investir deve considerar também a questão da diversificação. Se a pessoa tiver R$ 5 mil na corretora, provavelmente não dará pra ter 10 ações diferentes. Com capital reduzido será possível fazer uma diversificação pequena, até ir conseguindo aumentar com o tempo, por exemplo começando com 2 a 3 ações na medida do possível, e provavelmente não conseguindo fazer uma gestão de risco adequada. Se a pessoa tiver menos dinheiro ainda, provavelmente conseguirá comprar somente 1 ou 2 ações diferentes. Tendo um capital razoável, eu sugeriria diversificar entre 7 e 12 ações, dependendo das condições do mercado e do perfil do trader, mas nesse ponto é crucial que uma gestão de risco adequada já esteja sendo feita. Não é recomendado aumentar a diversificação se for descumprir os seus parâmetros de gestão de risco.

Conclusão

Coloquei alguns pontos importantes para a definição do capital mínimo para investir em ações. Cada trader deve fazer sua análise individual e chegar ao seu valor mínimo para entrar na bolsa de valores. Eu não comecei o artigo respondendo “Depende!” para a pergunta do título porque todos fazem isso e já cansei de ver sempre essa mesma resposta! Mas então deixando para o final para não perder o clichê, depende de cada pessoa essa decisão do valor do capital mínimo para começar a investir em ações e ninguém poderá falar qual é.

Uma vez definido o capital para iniciar, se a pessoa não tiver todo o disponível valor ainda, a sugestão seria manter a quantia disponível em uma renda fixa e ir fazendo aportes regulares dentro do possível até conseguir poupar e acumular o valor necessário. Com um capital inicial bem definido com certeza o trader passará por menos perrengues após alguma eventual sequência negativa de operações.

Espero que essas informações ajudem a dar uma boa idéia para iniciar bem na bolsa de valores.

Se alguém tiver informações para complementar por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Categorias:Aprendizado, Artigos

O Mito dos Dividendos

12 de abril de 2019 8 comentários

Desde os primórdios da bolsa de valores, desde os tempos mais remotos, quando se fala em dividendos até brilha os olhos do investidor! “A empresa X paga bons dividendos”. “Uau! Eu quero ser sócio dessa empresa então!”. Quando se fala em comprar ações de uma empresa já se pensa em ser sócio dela, e por consequência para muitas pessoas já se associa a receber dividendos como forma de renda como consequência dessa sociedade.

Mas será que receber dividendos é bom mesmo? Será que faz sentido? Será que as empresas que pagam bons dividendos são as melhores e mais rentáveis?

Há vários pontos de análise e vou comentar alguns deles a seguir, sob o meu ponto de vista.

 

1) Dividendos para viver de renda

Vamos começar pelo ponto mais óbvio e que faz mais sentido, usar dividendos para viver de renda. Dividendos é uma forma que muitos investidores usam para ter rendas frequentes para uso em suas vidas. A frequência dessa renda vai depender da data de distribuição de cada empresa, que pode ser mensal, trimestral, semestral, anual, ou datas não frequentes definidas nas assembléias.

O dividend yield (percentual do dividendo distribuido em relação ao preço da ação) médio da Bovespa fica entre 3% e 4% ao ano nos últimos 10 anos, podendo ser maior selecionando empresas que pagam melhores dividendos.

O dividend yield médio selecionando as top 10 pagadoras de 2018 conforme relação mais abaixo fica em 9,55% ao ano. Ambas rentabilidades se aproximam do obtido em produtos de renda fixa no mercado brasileiro, como CDB, tesouro direto e fundos DI ou RF.

Portanto para viver com essa modalidade de renda, é necessário ter um bom capital acumulado. Para uma pessoa que quer uma renda de R$ 120 mil ao ano (R$ 10 mil ao mês), precisa de de uma carteira de R$3,43 milhões com um dividend yield médio de 3,5% ou R$ 1,25 milhão com um dividend yield médio de 9,5%.

Uma pessoa com capital reduzido investido em carteira de dividendos, digamos R$ 100 mil, obterá R$ 3.500 ao ano, ou R$ 291 ao mês com um dividend yield médio de 3,5%. Com um dividend yield médio de 9,5% obteria R$ 9.500 ao ano, ou R$ 791 ao mês. Em ambas situações provavelmente insuficiente para uma renda de sobrevivência.

Então o primeiro ponto é que, na minha opinião, essa modalidade favorece que já tem muito dinheiro acumulado e quer ter uma renda sem precisar vender as ações para reverter em dinheiro. Pessoas com muitos milhões investidos conseguem dezenas ou centenas de milhares de reais fruto desse rendimento, portanto é bem provável que se viva com o valor obtido.

 

2) Isenção de IR

Uma vantagem dos dividendos é que o valor distribuido é isento de IR. Então se a rentabilidade pode ser aproximar de um investimento de renda fixa, os dividendos levam vantagem na isenção de IR por lei.

 

3) Crescimento da empresa vs distribuição de dividendos

Normalmente empresas que querem investir mais no negócio, seja em melhorias, pesquisas, ampliação, desenvolvimento, etc pagam menos dividendos. O motivo é simples, quanto menos dinheiro do lucro é distribuido aos acionistas, mais dinheiro é destinado aos investimentos e com isso maiores chances dessas empresas crescerem, se bem administradas, e consequentemente o valor de suas ações.

As empresas maiores pagadoras de dividendos geralmente são empresas que não têm planos de forte crescimento, normalmente por seu ramo de negócio e/ou sua concessão limitada. É o caso das empresas do ramo elétrico, que estão sempre nas top 10 pagadoras. Elas tem um limite de território, clientes de certa forma fixos, então o lucro é utilizado basicamente em inovação (de certa forma limitada perante outros ramos) e manutenção das malhas existentes. Com isso pode-se pagar um dividendo mais generoso aos acionistas.

Agora, um dividendo muito bem pago vai ser na faixa de 15% em um ano. Já uma empresa mid-cap que está se restruturando forte, investindo pesado em vários tipos de melhorias e inovações, ou seja, na evolução do negócio, o valor da ação dessa empresa pode facilmente valorizar mais de 100% em um ano, na verdade várias empresas valorizam muito mais que isso. Obviamente as ações das boas pagadoras de dividendo podem subir também, mas não vou dar spoiler, vai ter assunto de um tema mais abaixo do artigo.

Portanto o investidor deve avaliar se o objetivo é ter ações de empresas que estão com foco em forte crescimento ou que pagem bons dividendos.

 

4) Ajuste dos preços na data ex-dividendo

Agora vamos entrar nos pontos mais polêmicos! Esse ponto é o que me intriga mais! A data ex-dividendo é a data que as ações compradas não terão mais direito de receber os dividendos da data “com”, que é o dia útil anterior. E na data “ex” ocorre um ajuste no preço da ação, que sofre uma redução exatamente no valor do provento a ser pago.

Então, no meu ponto de vista, não faz sentido nenhum receber dividendos! Se o dividendo é de R$1/ação, o investidor ganhará R$1, porém a ação cai R$1, então na verdade o valor só é tirado do valor da ação e depositado na conta corrente, o que na minha opinião não é vantagem nenhuma, com exceção que quiser viver dessa renda. Se o objetivo da pessoa não for viver de venda, ficará um valor em conta que terá que ser pensado qual ação será comprada, podendo ser a mesma ou outra, e pode não ser um bom momento para comprar. Ou seja, é um estorvo a mais. Eu particularmente prefiro que o valor continue agregado na ação, principalmente se ela estiver em forte tendência de alta, que são as ações que eu busco comprar.

Então se quando fecha o mercado na data “com” e quando abre na data “ex” o valor do patrimônio é o mesmo, qual é a vantagem? Para mim não faz sentido nenhum isso! É uma falsa ilusão de ter rendido alguma coisa, mas não houve rendimento nenhum! Muitas pessoas não tem essa consciência que o dividendo não é um rendimento extra que a empresa está distribuindo, o que está ocorrendo é uma transferência de dinheiro da empresa para o acionista e como consequência a empresa valerá menos.

Exemplificando: uma ação que vale R$20 e ela pagará R$1 de dividendos. Se o preço continuasse R$20, teria rendido 5% naquele período relativo ao que foi pago o dividendo, OK, faria muito sentido. Mas não é assim, na data “ex” a ação abre a R$19 (mais ou menos a variação normal do mercado) e o investidor receberá R$1 na conta na data do pagamento, então ele continua com R$20 de valor de aplicação, ele NÃO ganhou R$1!! Colocando em valores, se você tivesse 1000 dessas ações, se não tivesse dividendos você continuaria com R$ 20 mil. Havendo distribuição de dividendos de R$1, na data “ex” você terá R$ 19 mil em valor de ações e R$ 1 mil quando a empresa pagar os dividendos. De novo, você não ganha nada!! É diferente de uma aplicação qualquer que você investe R$ 20 mil, rende 5%, você fica com os R$ 20 mil MAIS os R$ 1 mil que rendeu.

Portanto a afirmação que os dividendos são um rendimento extra é um MITO. Reiterando: o que ocorre é uma transferência de dinheiro da empresa para o acionista e como consequência a empresa valerá menos.

 

5) Os preços recuperam depois do ajuste

Quando eu converso com as pessoas que me falam que gostam de receber dividendos e eu falo sobre o ponto anterior da queda do ajuste, quase sempre eu ouço “Ah mas depois os preços recuperam esse ajuste”.

Será mesmo? Será que esse mantra repetido por mais de 90% da pessoas é uma realidade ou um mito? E mantra mesmo, porque eu ouço sempre a mesma frase, é muito engraçado! Será que as pessoas só repetem essa frase que escutaram de alguém ou falam porque viram que é verdade?

Para analisar essa afirmação vamos fazer um estudo. Vamos pegar as 10 ações que mais pagaram dividendos no ano passado (2018). Utilizarei como referência a seguinte matéria: https://economia.uol.com.br/cotacoes/noticias/redacao/2019/01/09/dividendos-2018-yield-quem-pagou-mais.htm

 

1) Taesa (TAEE11): 13,06%

Provento 1 (02/05): dia seguinte inicia queda e os preços ficam abaixo desse valor até meio de julho, ou seja, 2 meses e meio para voltar ao mesmo patamar, o que não dura muito, voltando a cair e só superar de forma definitiva no ano no início de outubro.

Provento 2 (14/05): data e preço próximos ao provento 1, mesmo comentário.

Provento 3 (09/08): sobe nos próximos dias pós provento porém depois cai de novo. Preços chegam ao mesmo patamar no começo de outubro.

Provento 4 (09/11): preço mantém o patamar na sequência do provento e no mês seguinte sobe.

Provento 5 (17/12): preços caem por 2 dias e voltam a subir, seguindo a tendência prévia.

 

2) Engie Brasil (EGIE3): 12,22%

Provento 1 (20/08): dia seguinte inicia queda e os preços ficam abaixo desse valor por 2 meses.

Provento 2 (12/11): dia seguinte continua tendência de alta prévia.

Provento 3 (26/12): dia seguinte preços começam a subir.

 

3) BB Seguridade (BBSE3): 10,86%

Provento 1 (22/02): preços começam a cair e só recuperam o mesmo patamar depois de 10 meses.

Provento 2 (09/08): preços começam a subir na sequência.

Provento 3 (11/12): preços começam a cair e dias depois retomam a tendência de alta prévia.

 

4) Cemig (CMIG4): 9,38%

Provento 1 (30/04): preços continuam dentro da congestão prévia.

Provento 2 (21/12): preços continua tendência de alta prévia.

 

5) Itaúsa (ITSA4): 9,04%

Provento 1 (22/02): preços entram em congestão na sequência, e posteriormente havendo queda forte nos preços

Provento 2 (28/02): preços entram em congestão na sequência, e posteriormente havendo queda forte nos preços

Provento 3 (30/05): preços continuam tendência de baixa prévia, precisando de 4 meses para superar de vez o mesmo patamar (no ano)

Provento 4 (17/08): preços continuam tendência de baixa prévia, precisando de 1 mês e meio para superar o mesmo patamar

Provento 5 (31/08): preços seguem a congestão prévia e depois de 1 mês começam a subir

Provento 6 (30/11): preços começam a cair na sequência

Provento 7 (17/12): preços continuam a queda e no fim do mês começam a subir

 

6) Telefônica (VIVT4): 8,47%

Provento 1 (12/03): preços começam a cair, demorando 9 meses para voltar no mesmo valor

Provento 2 (18/06): preços continuam a tendência de baixa, demorando 4 meses para voltar do mesmo patamar

Provento 3 (05/09): preços continuam a congestão prévia e depois de 2 meses começam a subir

Provento 4 (05/12): preços continuam a tendência de alta prévia

 

7) Cyrela (CYRE3): 8,47%

Provento 1 (07/05): preços continuam a tendência de baixa prévia, demorando 6 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 2 (18/12): preços continuam a tendência de alta prévia

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3): 8,33%

Provento 1 (01/02): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 2 (25/04): preços sobem nos próximos dias e depois despencam, demorando 5 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 3 (11/12): preços começam a subir nos próximos dias

 

9) MRV (MRVE3): 8,18%

Provento 1 (20/04): preços sobem nos próximos dias e depois caem forte, demorando 8 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 2 (28/05): preços caem forte nos próximos dias, demorando 7 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 3 (13/12): preços iniciam uma forte tendência de alta na sequência

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4): 7,51%

Provento 1 (31/01): preços caem nos próximos dias e na sequência sobem e ficam 2 meses acima desse patamar

Provento 2 (15/02): preços continuam a tendência de alta prévia e depois ficam em congestão

Provento 3 (28/02): preços entram em congestão mantendo o preço pelos próximos 2 meses

Provento 4 (29/03): preços continuam congestão prévia, mantendo o preço pelo próximos mês

Provento 4 (30/04): preços começam a despencar pelos próximos 2 meses, demorando 6 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (30/05): preços continuam a tendência de baixa prévia, demorando 2 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (29/06): preços sobem na sequência

Provento 4 (31/07): preços começam a cair na sequência, demorando 2 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (17/08): preços entram em congestão

Provento 4 (31/08): preços continuam a congestão prévia

Provento 4 (28/09): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 4 (31/10): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 4 (30/11): preços começam a cair na sequência, demorando 1 mês para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (17/12): preços continuam a cair e depois de alguns dias voltam a subir

Provento 4 (28/12): preços continuam a subir pelos próximos dias

 

Podemos ver que não houve nenhuma lógica ou verdade que os preços recuperam ou sobem após distribuição de dividendos. Na maior parte das vezes os preços continuam o movimento que estavam fazendo previamente. Em outros casos vemos que há um início de novo movimento dos preços após o provento, sendo esse de alta ou baixa.

Agora, o mercado em geral subiu em 2018, vamos pegar um período maior, que inclui anos bons e ruins. Vamos pegar o período do ano 2012 até agora (abril/2019).

Usei como base as maiores pagadoras de dividendos nos últimos 5 anos, reportagem feita em 2016: https://exame.abril.com.br/mercados/as-maiores-pagadoras-de-dividendos-da-bovespa-nos-ultimos-5/

São 30 ações na listagem, algumas ações não existem mais, não vou analisar todas, vou pegar uma amostragem das que possuem histórico desde 2012 pelo menos, focando nas que tiveram dividend yield maior. No gráfico vou colocar uma seta destacando as datas dos dividendos.

1) Cemig (CMIG4): dividendos médios de 11,2% ao ano

2) Light (LIGT3): dividendos médios de 10,7% ao ano

3) Coelce (COCE5): dividendos médios de 10,3% ao ano

4) Telefônica (VIVT4): dividendos médios de 9,7% ao ano (várias distribuições por ano, não marquei no gráfico)

5) Banco Pine (PINE4): dividendos médios de 7,9% ao ano (distribuições praticamente trimestrais, não marquei no gráfico)

6) Grendene (GRND3): dividendos médios de 7,1% ao ano (distribuições praticamente trimestrais, não marquei no gráfico)

7) CSN (CSNA3): dividendos médios de 6,9% ao ano

 

Podemos ver que praticamente em todas as ações houveram dividendos distribuidos que houve o ajuste de preço para baixo e os preços continuaram a cair, demorando anos para voltar ao valor original pré-dividendo, em alguns casos não voltou ao preço original até hoje!

Se a empresa for boa, os preços tendem a subir no longo prazo, então cedo ou tarde o preço deve voltar ao patamar anterior ao dividendo, mas se a empresa estiver ruim ou não tão boa, os preços podem continuar caindo e nunca voltar ao patamar anterior!

Portanto essa máxima que o preço desconta o dividendo (cai) mas depois volta, tanto no curto prazo quanto no longo prazo, é totalmente falso, é um MITO.

 

6) Ações que pagam dividendos dão boa rentabilidade

Agora vamos analisar se as melhores pagadoras de dividendo são um bom negócio, se geram uma boa rentabilidade comparando com o IBOV e com outro grupo de ações que têm foco em crescimento e não dividendos.

Primeiramente, o gráfico do IBOV em 2018:

IBOV

Valor inicial: 76402

Valor final: 87887

Variação: 15,03%

 

Agora vamos ver a rentabilidade de 2018 das mesmas 10 ações do item anterior. Não vou repetir os mesmos gráficos, qualquer consulta pode ser feita na seção acima. Estou usando o dividendo em percentual do ano informado no mesmo site da listagem.

1) Taesa (TAEE11):

Valor inicial: R$ 20,12

Valor final: R$ 23,60

Variação ação: 17,29%

Proventos: 13,06%

Total ação + proventos = 30,35%

 

2) Engie Brasil (EGIE3):

Valor inicial: R$ 27,00

Valor final: R$ 33,02

Variação ação: 22,29%

Proventos: 12,22%

Total ação + proventos = 34,51%

 

3) BB Seguridade (BBSE3):

Valor inicial: R$ 25,44

Valor final: R$ 27,59

Variação ação: 8,45%

Proventos: 10,86%

Total ação + proventos = 19,31%

 

4) Cemig (CMIG4):

Valor inicial: R$ 6,39

Valor final: R$ 13,86

Variação ação: 116,90%

Proventos: 9,38%

Total ação + proventos = 126,28%

 

5) Itaúsa (ITSA4):

Valor inicial: R$ 9,04

Valor final: R$ 12,08

Variação ação: 33,62%

Proventos: 9,04%

Total ação + proventos = 42,66%

 

6) Telefônica (VIVT4):

Valor inicial: R$ 43,86

Valor final: R$ 45,81

Variação ação: 4,44%

Proventos: 8,47%

Total ação + proventos = 12,91%

 

7) Cyrela (CYRE3):

Valor inicial: R$ 13,22

Valor final: R$ 15,47

Variação ação: 17,01%

Proventos: 8,47%

Total ação + proventos = 25,48%

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3):

Valor inicial: R$ 16,34

Valor final: R$ 25,70

Variação ação: 57,28%

Proventos: 8,33%

Total ação + proventos = 65,61%

 

9) MRV (MRVE3):

Valor inicial: R$ 12,59

Valor final: R$ 12,36

Variação ação: 1,82%

Proventos: 8,18%

Total ação + proventos = 10,00%

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4):

Valor inicial: R$ 25,36

Valor final: R$ 33,81

Variação ação: 33,32%

Proventos: 7,51%

Total ação + proventos = 40,83%

 

Das 10 ações, todas tiveram uma rentabilidade positiva em 2018, o que é um bom começo. Duas delas tiveram rentabilidade menor que o IBOV – VIVT4 e MRVE3, uma teve rentabilidade próxima – BBSE3, e as demais tiveram rentabilidade bem superior.

Agora vamos comparar com ações que tiveram foco em valorização do preço, independente dos proventos:

1) Unipar (UNIP6): 173%

2) IRB Brasil (IRBR3): 157%

3) Log-In Logística (LOGN3): 155%

4) Magazine Luiza (MGLU3): 126%

5) Trisul (TRIS3): 107%

6) B2W (BTOW3): 104%

7) Suzano Papel e Celulose (SUZB3): 103%

8) Locamerica (LCAM3): 102%

9) Fertilizantes Heringer (FHER3): 76%

10) Tenda Construtora (TEND3): 60%

 

Podemos ver que somente 2 ações da listagem de dividendos tiveram rentabilidade total (variação de preço + proventos distribuidos) maior que a pior da listagem de ganho de preço. Nesta lista houveram 8 ações com rentabilidade acima dos 100% em 2018 e somente uma ação na listagem de dividendos.

Agora vamos analisar o período entre 2012 até 2019, que inclui anos bons e ruins. Vou considerar as mesmas ações usadas no item anterior (5).

Primeiramente, o gráfico do IBOV:

IBOV: 55% (em 7 anos)

1) Cemig (CMIG4): dividendos médios de 11,2% ao ano / variação de preços em 7 anos = 70%

2) Light (LIGT3): dividendos médios de 10,7% ao ano / variação de preços em 7 anos = -17%

3) Coelce (COCE5): dividendos médios de 10,3% ao ano / variação de preços em 7 anos = 84%

4) Telefônica (VIVT4): dividendos médios de 9,7% ao ano / variação de preços em 7 anos = 53%

5) Banco Pine (PINE4): dividendos médios de 7,9% ao ano / variação de preços em 7 anos = -63%

6) Grendene (GRND3): dividendos médios de 7,1% ao ano / variação de preços em 7 anos = 357%

7) CSN (CSNA3): dividendos médios de 6,9% ao ano / variação de preços em 7 anos = -16%

Das 7 ações: 1 teve rentabilidade negativa (PINE4), 2 tiveram variação de preços negativas mas os dividendos deixaram a rentabilidade positiva (LIGT3 e CSNA3). Essas 3 perderam para o IBOV. As 4 demais superaram o IBOV, sendo que 3 delas teriam uma rentabilidade média entre 1% e 2% ao mês (CMIG4, COCE5 e VIVT4) e por fim 1 delas teve um rendimento excelente (GRND3).

Agora vamos comparar com ações que tiveram foco em valorização do preço ao invés dos proventos:

1) Unipar (UNIP6): 2725%

2) Magazine Luiza (MGLU3): 1936%

3) Equatorial Energia (EQTL3): 583%

4) Lojas Renner (LREN3): 454%

5) Estácio (ESTC3): 438%

6) RaiaDrogasil (RADL3): 372%

7) Braskem (BRKM5): 369%

Das 7 ações que focaram em crescimento de preço, todas superaram de lavada as ações que focaram em dividendos. Coloquei somente as top 7 que encontrei, mas se eu fosse continuar a lista, teriam algumas dezenas de ações com muito melhores rendimentos que todas da lista de dividendos (com exceção da GRND3).

Em vários casos os dividendos são altos (perante a média do mercado) porém há perda do valor da ação, ou variação positiva muito pequena que talvez não compense o risco de investimento em renda variável.

Claramente vemos que investir em uma empresa porque paga bons dividendos não é uma boa estratégia quando o objetivo é a multiplicação (crescimento) do patrimônio. Pode-se até ter melhor rentabilidade que o IBOV em alguns casos, melhor rentabilidade que produtos de renda fixa e alguns multimercado, porém quando se compara a outras empresas listadas na bolsa com liquidez aceitável a rentabilidade deixa muito a desejar e o investidor pode ficar com um gostinho de “poderia ter ganhado mais” vendo várias ações dispararem.

Portanto a afirmação que empresas que pagam bons dividendos dão uma boa rentabilidade é um MITO.

 

7) Comprar mais ações com os dividendos aumenta mais o patrimônio

A próxima análise será relativo a afirmação que mesmo com o preço da ação caindo pelo ajuste do dividendo, usando o dinheiro recebido do provento para comprar mais papéis aumenta mais rápido do patrimônio, pois ao longo do tempo terá maior quantidade de ações.

Será que essa afirmação é verdadeira? Tem alguma relevância ter cada vez mais papéis de determinada empresa para aumento do capital?

Vamos analisar o mesmo conjunto de 10 ações do item 5, onde os gráficos já foram mostrados.

A comparação vai ser feita em relação ao valor da variação da ação mais proventos recebidos, porém não reinvestidos, conforme detalhado no item 6.

Nessa análise utilizarei o dinheiro recebido de proventos junto com o saldo em conta para comprar mais papéis. Como não consta data de pagamento para todos proventos, para finalidade do cálculo será considerado que o pagamento será no dia seguinte (data “ex”) e a compra de novos papéis será feita com o preço de abertura. Será utilizado um capital inicial de R$ 100 mil para efetuar os cálculos. Será comprada a máxima quantidade de ações possíveis pelo lote padrão (múltiplo de 100) e o saldo restante ficará em conta e será somado com os proventos quando recebido, que então serão compradas mais ações se houver capital suficiente. Por fim, no último dia útil do ano de 2018 todas as ações serão liquidadas pelo preço de fechamento e com o patrimônio total em conta será calculada a rentabilidade total do ano.

Aqui estou considerando dividendos mais juros sobre capital. Os proventos foram obtidos nos sites https://www.infomoney.com.br/ e https://br.advfn.com/

1) Taesa (TAEE11):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 20,12 | qtde ações compradas = 4900 | saldo em conta = R$ 1.412

Provento 1 (02/05) = R$ 0,4625 | para 4900 ações = R$ 2.266,25 | saldo em conta = R$ 3.678,25 | abertura do dia seguinte = R$ 19,95 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5000 | saldo em conta = R$ 1.683,25

Provento 2 (14/05) = R$ 0,7280 | para 5000 ações = R$ 3.640,00 | saldo em conta = R$ 5.323,25 | abertura do dia seguinte = R$ 19,40 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 5200 | saldo em conta = R$ 1.443,25

Provento 3 (09/08) = R$ 0,4770 | para 5200 ações = R$ 2.480,40 | saldo em conta = R$ 3.923,65 | abertura do dia seguinte = R$ 19,71 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5300 | saldo em conta = R$ 1.952,65

Provento 4 (09/11) = R$ 0,7116 | para 5300 ações = R$ 3.771,48 | saldo em conta = R$ 5.724,13 | abertura do dia seguinte = R$ 22,19 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 5500 | saldo em conta = R$ 1.286,13

Provento 5 (17/12) = R$ 0,3993 | para 5500 ações = R$ 2.196,15 | saldo em conta = R$ 3.482,28 | abertura do dia seguinte = R$ 23,45 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5600 | saldo em conta = R$ 1.137,28

Fim: preço ação = R$ 23,60 | qtde ações = 5500 | valor da venda = R$ 129.800 | saldo final em conta = R$ 130.937,28

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 30,93%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 30,35%

 

2) Engie Brasil (EGIE3)

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 27,00 | qtde ações compradas = 3700 | saldo em conta = R$ 100

Provento 1 (20/08) = R$ 1,7557 | para 3700 ações = R$ 6.496,09 | saldo em conta = R$ 6.596,09 | abertura do dia seguinte = R$ 28,72 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 3900 | saldo em conta = R$ 852,09

Provento 2 (12/11) = R$ 1,0000 | para 3900 ações = R$ 3.900,00 | saldo em conta = R$ 4.752,09 | abertura do dia seguinte = R$ 32,47 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4000 | saldo em conta = R$ 1.505,09

Provento 3 (26/12) = R$ 0,4866 | para 4000 ações = R$ 1.946,40 | saldo em conta = R$ 3.451,49 | abertura do dia seguinte = R$ 32,70 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4100 | saldo em conta = R$ 181,49

Fim: preço ação = R$ 33,02 | qtde ações = 4100 | valor da venda = R$ 135.382 | saldo final em conta = R$ 135.563,49

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 35,56%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 34,51%

 

3) BB Seguridade (BBSE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 25,44 | qtde ações compradas = 3900 | saldo em conta = R$ 784

Provento 1 (22/02) = R$ 0,9557 | para 3900 ações = R$ 3.727,23 | saldo em conta = R$ 4.511,23 | abertura do dia seguinte = R$ 27,55 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4000 | saldo em conta = R$ 1.756,23

Provento 2 (09/08) = R$ 0,7859 | para 4000 ações = R$ 3.143,60 | saldo em conta = R$ 4.899,83 | abertura do dia seguinte = R$ 22,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 389,83

Provento 3 (11/12) = R$ 1,3523 | para 4200 ações = R$ 5.679,66 | saldo em conta = R$ 6.069,49 | abertura do dia seguinte = R$ 27,00 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 4400 | saldo em conta = R$ 669,49

Fim: preço ação = R$ 27,59 | qtde ações = 4400 | valor da venda = R$ 121.396 | saldo final em conta = R$ 122.065,49

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 22,06%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 19,31%

 

4) Cemig (CMIG4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 6,39 | qtde ações compradas = 15600 | saldo em conta = R$ 316

Provento 1 (30/04) = R$ 0,5003 | para 15600 ações = R$ 7.804,68 | saldo em conta = R$ 8.120,68 | abertura do dia seguinte = R$ 7,91 | ações compradas com novo saldo = 1000 | total ações = 16600 | saldo em conta = R$ 210,68

Provento 2 (21/12) = R$ 0,1440 | para 16600 ações = R$ 2.390,40 | saldo em conta = R$ 2.601,08 | abertura do dia seguinte = R$ 13,21 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 16700 | saldo em conta = R$ 1.280,08

Fim: preço ação = R$ 13,86 | qtde ações = 16700 | valor da venda = R$ 231.462 | saldo final em conta = R$ 232.742,08

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 132,74%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 126,28%

 

5) Itaúsa (ITSA4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 9,04 | qtde ações compradas = 11000 | saldo em conta = R$ 560

Provento 1 (22/02) = R$ 0,6693 | para 11000 ações = R$ 7.362,30 | saldo em conta = R$ 7.922,30 | abertura do dia seguinte = R$ 12,15 | ações compradas com novo saldo = 600 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 632,30

Provento 2 (28/02) = R$ 0,0150 | para 11600 ações = R$ 174,00 | saldo em conta = R$ 806,30 | abertura do dia seguinte = R$ 11,67 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 806,30

Provento 3 (30/05) = R$ 0,0150 | para 11600 ações = R$ 174,00 | saldo em conta = R$ 980,30 | abertura do dia seguinte = R$ 10,25 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 980,30

Provento 4 (17/08) = R$ 0,2088 | para 11600 ações = R$ 2.422,08 | saldo em conta = R$ 3.402,38 | abertura do dia seguinte = R$ 9,77 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 471,38

Provento 5 (31/08) = R$ 0,0150 | para 11900 ações = R$ 178,50 | saldo em conta = R$ 649,88 | abertura do dia seguinte = R$ 9,46 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 649,88

Provento 6 (30/11) = R$ 0,0200 | para 11900 ações = R$ 238,00 | saldo em conta = R$ 887,88 | abertura do dia seguinte = R$ 12,53 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 887,88

Provento 7 (17/12) = R$ 0,0081 | para 11900 ações = R$ 96,39 | saldo em conta = R$ 984,27 | abertura do dia seguinte = R$ 11,90 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 984,27

Fim: preço ação = R$ 12,08 | qtde ações = 11900 | valor da venda = R$ 143.752 | saldo final em conta = R$ 144.736,27

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 44,73%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 42,66%

 

6) Telefônica (VIVT4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 43,86 | qtde ações compradas = 2200 | saldo em conta = R$ 3.508

Provento 1 (12/03) = R$ 0,6693 | para 2200 ações = R$ 1.472,46 | saldo em conta = R$ 4.980,46 | abertura do dia seguinte = R$ 46,57 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 323,46

Provento 2 (18/06) = R$ 0,0150 | para 2300 ações = R$ 34,50 | saldo em conta = R$ 357,96 | abertura do dia seguinte = R$ 42,48 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 357,96

Provento 3 (05/09) = R$ 0,0150 | para 2300 ações = R$ 34,50 | saldo em conta = R$ 392,46 | abertura do dia seguinte = R$ 37,11 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 392,46

Provento 4 (05/12) = R$ 0,2088 | para 2300 ações = R$ 480,24 | saldo em conta = R$ 872,70 | abertura do dia seguinte = R$ 44,94 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 872,70

Fim: preço ação = R$ 45,81 | qtde ações = 2300 | valor da venda = R$ 105.363 | saldo final em conta = R$ 106.235,70

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 6,23%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 12,91%

 

7) Cyrela (CYRE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 13,22 | qtde ações compradas = 7500 | saldo em conta = R$ 850

Provento 1 (07/05) = R$ 0,5209 | para 7500 ações = R$ 3.906,75 | saldo em conta = R$ 4.756,75 | abertura do dia seguinte = R$ 12,84 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 7800 | saldo em conta = R$ 904,75

Provento 2 (18/12) = R$ 0,5987 | para 7800 ações = R$ 4.669,86 | saldo em conta = R$ 5.574,61 | abertura do dia seguinte = R$ 15,09 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 8100 | saldo em conta = R$ 1.047,61

Fim: preço ação = R$ 15,47 | qtde ações = 8100 | valor da venda = R$ 125.307 | saldo final em conta = R$ 126.354,61

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 26,35%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 25,48%

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 16,34 | qtde ações compradas = 6100 | saldo em conta = R$ 326

Provento 1 (01/02) = R$ 0,5653 | para 6100 ações = R$ 3.448,33 | saldo em conta = R$ 3.774,33 | abertura do dia seguinte = R$ 20,56 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 6200 | saldo em conta = R$ 1.718,33

Provento 2 (25/04) = R$ 0,3722 | para 6200 ações = R$ 2.307,64 | saldo em conta = R$ 4.025,97 | abertura do dia seguinte = R$ 21,55 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 6300 | saldo em conta = R$ 1.870,97

Provento 3 (11/12) = R$ 0,4839 | para 6300 ações = R$ 3.048,57 | saldo em conta = R$ 4.919,54 | abertura do dia seguinte = R$ 23,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 6500 | saldo em conta = R$ 209,54

Fim: preço ação = R$ 25,70 | qtde ações = 6500 | valor da venda = R$ 167.050 | saldo final em conta = R$ 167.259,54

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 67,25%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 65,61%

 

9) MRV (MRVE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 12,59 | qtde ações compradas = 7900 | saldo em conta = R$ 539

Provento 1 (20/04) = R$ 0,3500 | para 7900 ações = R$ 2.765,00 | saldo em conta = R$ 3.304,00 | abertura do dia seguinte = R$ 12,69 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 8100 | saldo em conta = R$ 766,00

Provento 2 (28/05) = R$ 0,3512 | para 8100 ações = R$ 2.844,72 | saldo em conta = R$ 3.610,72 | abertura do dia seguinte = R$ 11,72 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 8400 | saldo em conta = R$ 94,72

Provento 3 (13/12) = R$ 0,3300 | para 8400 ações = R$ 2.772,00 | saldo em conta = R$ 2.866,72 | abertura do dia seguinte = R$ 10,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 8600 | saldo em conta = R$ 756,72

Fim: preço ação = R$ 12,36 | qtde ações = 8600 | valor da venda = R$ 106.296 | saldo final em conta = R$ 107.052,72

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 7,05%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 10,00%

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4):

Obs: essa ação teve desdobramento em 19/11, onde foi recebido 1 ação para cada 2 ações. O gráfico com esse ajuste de preço por ação, porém nos cálculos abaixo estou usando os valores originais.

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 38,25 | qtde ações compradas = 2600 | saldo em conta = R$ 550

Provento 1 (31/01) = R$ 0,0150 | para 2600 ações = R$ 39,00 | saldo em conta = R$ 589,00 | abertura do dia seguinte = R$ 46,35 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2600 | saldo em conta = R$ 589,00

Provento 2 (15/02) = R$ 2,2430 | para 2600 ações = R$ 5.831,80 | saldo em conta = R$ 6.420,80 | abertura do dia seguinte = R$ 47,31 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.689,80

Provento 3 (28/02) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.730,30 | abertura do dia seguinte = R$ 47,24 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.730,30

Provento 4 (29/03) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.770,80 | abertura do dia seguinte = R$ 47,85 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.770,80

Provento 5 (30/04) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.811,30 | abertura do dia seguinte = R$ 46,86 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.811,30

Provento 6 (30/05) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.851,80 | abertura do dia seguinte = R$ 40,65 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.851,80

Provento 7 (29/06) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.892,30 | abertura do dia seguinte = R$ 37,29 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.892,30

Provento 8 (31/07) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.932,80 | abertura do dia seguinte = R$ 42,51 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.932,80

Provento 9 (17/08) = R$ 0,7492 | para 2700 ações = R$ 2.022,84 | saldo em conta = R$ 3.955,64 | abertura do dia seguinte = R$ 39,99 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 3.955,64

Provento 10 (31/08) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 3.996,14 | abertura do dia seguinte = R$ 39,63 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 33,14

Provento 11 (28/09) = R$ 0,0150 | para 2800 ações = R$ 42,00 | saldo em conta = R$ 75,14 | abertura do dia seguinte = R$ 42,14 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 75,14

Provento 12 (31/10) = R$ 0,0150 | para 2800 ações = R$ 42,00 | saldo em conta = R$ 117,14 | abertura do dia seguinte = R$ 47,15 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 117,14

Descobramento = para 2800 ações | foi recebido = 1400 ações | total ações = 4200

Provento 13 (30/11) = R$ 0,0150 | para 4200 ações = R$ 63,00 | saldo em conta = R$ 180,14 | abertura do dia seguinte = R$ 35,04 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 180,14

Provento 14 (17/12) = R$ 0,0106 | para 4200 ações = R$ 44,52 | saldo em conta = R$ 224,66 | abertura do dia seguinte = R$ 33,06 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 224,66

Provento 15 (28/12) = R$ 0,0150 | para 4200 ações = R$ 63,00 | saldo em conta = R$ 287,66 | abertura do dia seguinte = R$ 33,75 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 287,66

Fim: preço ação = R$ 33,81 | qtde ações = 4200 | valor da venda = R$ 142.002 | saldo final em conta = R$ 142.289,66

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 42,28%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 40,83%

 

Analisando a rentabilidade reinvestindo os proventos com a rentabilidade sem reinvestir vemos que na maioria das vezes há um aumento da rentabilidade e consequentemente do patrimônio quando se compra novas ações com os proventos recebidos, porém esse aumento é muito baixo, em torno de 1% a 2% ao ano. É claro que qualquer dinheiro a mais é bom, mas considerando que estamos lidando com renda variável, especialmente ações, eu considero que é um valor muito baixo para se dizer que é uma estratégia interessante do ponto de vista de crescimento de capital. Se o objetivo é esse e compararmos com a lista de ações com foco em valorização do preço como vimos no item 6, com certeza veremos uma grande diferença no aumento do patrimônio.

Portanto a idéia de que ir comprando mais ações com os dividendos recebidos e consequentemente ir aumentando a quantidade de ações em custódia colabora significamente para aumentar mais o patrimônio investido é PARCIALMENTE UM MITO.

 

8) Para viver de renda o melhor é investir em empresas boas pagadoras de dividendos

Por fim vamos analisar a situação da pessoa que já tenha um volume de dinheiro razoável e queira viver com a rentabilidade vinda das ações. O mais comum e recomendado nesses casos é ter ações que pagam bons dividendos para utiliza-los como renda, certo? Pois dessa forma não é necessário liquidar nenhuma ação e o rendimento entra na conta, a quantidade de ações permanece a mesma ao longo dos anos.

Mas será que é a melhor forma de obter renda mensal/anual na bolsa de valores? Será que é a forma mais efetiva de investir o capital? Será que investir em ações com foco em crescimento e vender uma parte pequena geraria um melhor aproveitamento?

Não vou entrar na discussão do método para a escolha das ações com foco em crescimento, nem vou aplicar estratégias de entrada e saída, como por exemplo algum trend following, ou seguidor de tendência. Simplesmente vou simular a compra inicial no início de 2012 e ficar comprado até o fim de 2018 para fazer o balanço, o que não é comum para o trader de longo prazo. Vou considerar as mesmas ações usadas no item 5.

Vou utilizar um capital de R$ 1 milhão aplicado no início de 2012. Os dividendos recebidos ao longo de um ano serão guardados e utilizados (gastos) durante o próximo ano. Nas ações com foco em crescimento, será feita uma venda da quantidade necessária de ações para ter um valor médio ao dos dividendos. Vou considerar um valor de R$ 10 mil ao mês, ou R$ 120 mil ao ano, para equiparar aos melhores dividendos recebidos. Dependendo do preço de entrada esse valor necessitaria de pagar IR, o que faria a rendabilidade se equiparar às melhores pagadoras conforme abaixo. Mas caso o investidor vendesse mensalmente abaixo de R$ 20 mil, haveria isenção de IR da mesma forma que os dividendos, portanto a quantidade de ações vendidas seria menor.

Primeiro as ações com foco em dividendos, utilizando os dados e gráficos já informados nos itens anteriores.

1) Cemig (CMIG4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 11,2% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 112.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 9.333
Variação de preços em 7 anos: 70%
Capital final: R$ 1.700.000

 

2) Light (LIGT3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 10,7% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 107.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.916
Variação de preços em 7 anos: -17%
Capital final: R$ `830.000

 

3) Coelce (COCE5)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 10,3% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 103.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.583
Variação de preços em 7 anos: 84%
Capital final: R$ 1.840.000

 

4) Telefônica (VIVT4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 9,7% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 97.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.083
Variação de preços em 7 anos: 53%
Capital final: R$ 1.530.000

 

5) Banco Pine (PINE4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 7,9% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 79.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 6.583
Variação de preços em 7 anos: -63%
Capital final: R$ 370.000

 

6) Grendene (GRND3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 7,1% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 71.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 5.916
Variação de preços em 7 anos: 357%
Capital final: R$ 4.570.000

 

7) CSN (CSNA3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 6,9% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 69.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 5.750
Variação de preços em 7 anos: -16%
Capital final: R$ 840.000

 

Nesse cenário onde o investidor utiliza os rendimentos dos dividendos para uso pessoal, como sua previdência própria, das 7 melhores pagadoras de dividendos do período informado, 3 tiveram patrimônio reduzido após 7 anos, 3 tiveram o patrimônio aumentado porém pouco (abaixo de 100% em 7 anos), e 1 teve um grande aumento do patrimônio (GRND3).

Agora vamos ver como ficam as açoes com foco em crescimento. E aqui nem vou considerar os eventuais dividendos que elas distribuiram ao longo desses anos.

1) Unipar (UNIP6)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 1,31
Ações compradas: 763.359

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 1,82
Quantidade ações vendidas: 65.934
Ações restante em carteira: 697.425
Capital atual: R$ 1.269.313

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 2,45
Quantidade ações vendidas: 48.980
Ações restante em carteira: 648.445
Capital atual: R$ 1.588.691

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 2,26
Quantidade ações vendidas: 53.097
Ações restante em carteira: 595.348
Capital atual: R$ 1.345.486

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 2,20
Quantidade ações vendidas: 54.545
Ações restante em carteira: 540.802
Capital atual: R$ 1.189.765

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 3,81
Quantidade ações vendidas: 31.496
Ações restante em carteira: 509.306
Capital atual: R$ 1.940.457

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 13,38
Quantidade ações vendidas: 8.969
Ações restante em carteira: 500.338
Capital atual: R$ 6.694.518

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 38,86
Quantidade ações vendidas: 3.088
Ações restante em carteira: 497.250
Capital atual: R$ 19.323.121

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 763.359
Quantidade ações vendidas: 266.109
Ações restante em carteira: 497.250
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 19.323.121
Variação do patrimônio em 7 anos: 1.832,31%

 

2) Magazine Luiza (MGLU3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 8,84
Ações compradas: 113.122

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,42
Quantidade ações vendidas: 10.508
Ações restante em carteira: 102.614
Capital atual: R$ 1.171.855

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 7,00
Quantidade ações vendidas: 17.143
Ações restante em carteira: 85.471
Capital atual: R$ 598.300

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 7,24
Quantidade ações vendidas: 16.575
Ações restante em carteira: 68.897
Capital atual: R$ 498.813

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 1,46
Quantidade ações necessárias para venda: 82.192

Obs: nessa simulação com o valor da ação em forte queda, a quantidade de ações disponível é menor do que o necessário para a venda, portanto não seria possível fazer o resgate.

Vamos fazer uma nova simulação com essa ação começando o investimento no fim de 2015.

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 1,46
Ações compradas: 684.932

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 12,95
Quantidade ações vendidas: 9.266
Ações restante em carteira: 675.665
Capital atual: R$ 8.749.863

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 80,68
Quantidade ações vendidas: 1.487
Ações restante em carteira: 674.178
Capital atual: R$ 54.392.660

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 181,07
Quantidade ações vendidas: 663
Ações restante em carteira: 673.515
Capital atual: R$ 121.953.363

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 684.932
Quantidade ações vendidas: 11.416
Ações restante em carteira: 673.515
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 121.953.363
Variação do patrimônio em 7 anos: 12.095,34%

 

3) Equatorial Energia (EQTL3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 11,42
Ações compradas: 87.566

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 17,18
Quantidade ações vendidas: 6.985
Ações restante em carteira: 80.581
Capital atual: R$ 1.384.378

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 21,72
Quantidade ações vendidas: 5.525
Ações restante em carteira: 75.056
Capital atual: R$ 1.630.215

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 26,09
Quantidade ações vendidas: 4.599
Ações restante em carteira: 70.456
Capital atual: R$ 1.838.210

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 34,72
Quantidade ações vendidas: 3.456
Ações restante em carteira: 67.000
Capital atual: R$ 2.326.249

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 54,40
Quantidade ações vendidas: 2.206
Ações restante em carteira: 64.794
Capital atual: R$ 3.524.814

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 65,65
Quantidade ações vendidas: 1.828
Ações restante em carteira: 62.967
Capital atual: R$ 4.133.751

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 74,54
Quantidade ações vendidas: 1.610
Ações restante em carteira: 61.357
Capital atual: R$ 4.573.523

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 87.566
Quantidade ações vendidas: 26.209
Ações restante em carteira: 61.357
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 4.573.523
Variação do patrimônio em 7 anos: 357,35%

 

4) Lojas Renner (LREN3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 7,60
Ações compradas: 131.579

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 13,01
Quantidade ações vendidas: 9.224
Ações restante em carteira: 122.355
Capital atual: R$ 1.591.842

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 9,98
Quantidade ações vendidas: 12.024
Ações restante em carteira: 110.331
Capital atual: R$ 1.101.106

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 12,80
Quantidade ações vendidas: 9.375
Ações restante em carteira: 100.956
Capital atual: R$ 1.292.240

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 14,71
Quantidade ações vendidas: 8.158
Ações restante em carteira: 92.799
Capital atual: R$ 1.365.066

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 20,33
Quantidade ações vendidas: 5.903
Ações restante em carteira: 86.896
Capital atual: R$ 1.766.594

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 35,40
Quantidade ações vendidas: 3.390
Ações restante em carteira: 83.506
Capital atual: R$ 2.956.115

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 41,35
Quantidade ações vendidas: 2.902
Ações restante em carteira: 80.604
Capital atual: R$ 3.332.976

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 131.579
Quantidade ações vendidas: 50.975
Ações restante em carteira: 80.604
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.332.976
Variação do patrimônio em 7 anos: 233,30%

 

5) Estácio (ESTC3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 4,66
Ações compradas: 214.592

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,04
Quantidade ações vendidas: 10.870
Ações restante em carteira: 203.723
Capital atual: R$ 2.249.099

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 16,21
Quantidade ações vendidas: 7.403
Ações restante em carteira: 196.320
Capital atual: R$ 3.182.345

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 20,16
Quantidade ações vendidas: 5.952
Ações restante em carteira: 190.367
Capital atual: R$ 3.837.809

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 10,98
Quantidade ações vendidas: 10.929
Ações restante em carteira: 179.439
Capital atual: R$ 1.970.235

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 14,50
Quantidade ações vendidas: 8.276
Ações restante em carteira: 171.163
Capital atual: R$ 2.481.859

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 30,48
Quantidade ações vendidas: 3.937
Ações restante em carteira: 167.226
Capital atual: R$ 5.097.038

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 23,55
Quantidade ações vendidas: 5.096
Ações restante em carteira: 162.130
Capital atual: R$ 3.818.164

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 214.592
Quantidade ações vendidas: 52.462
Ações restante em carteira: 162.130
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.818.164
Variação do patrimônio em 7 anos: 281,82%

 

6) RaiaDrogasil (RADL3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 12,27
Ações compradas: 81.500

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 22,23
Quantidade ações vendidas: 5.398
Ações restante em carteira: 76.101
Capital atual: R$ 1.691.736

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 14,23
Quantidade ações vendidas: 8.433
Ações restante em carteira: 67.669
Capital atual: R$ 962.924

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 23,58
Quantidade ações vendidas: 5.089
Ações restante em carteira: 62.580
Capital atual: R$ 1.475.625

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 35,09
Quantidade ações vendidas: 3.420
Ações restante em carteira: 59.160
Capital atual: R$ 2.075.916

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 59,68
Quantidade ações vendidas: 2.011
Ações restante em carteira: 57.149
Capital atual: R$ 3.410.654

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 91,37
Quantidade ações vendidas: 1.313
Ações restante em carteira: 55.836
Capital atual: R$ 5.101.707

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 57,00
Quantidade ações vendidas: 2.105
Ações restante em carteira: 53.730
Capital atual: R$ 3.062.634

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 81.500
Quantidade ações vendidas: 27.769
Ações restante em carteira: 53.730
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.062.634
Variação do patrimônio em 7 anos: 206,26%

 

7) Braskem (BRKM5)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 9,98
Ações compradas: 100.200

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,03
Quantidade ações vendidas: 10.879
Ações restante em carteira: 89.321
Capital atual: R$ 985.210

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 17,04
Quantidade ações vendidas: 7.042
Ações restante em carteira: 82.279
Capital atual: R$ 1.402.030

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 14,89
Quantidade ações vendidas: 8.059
Ações restante em carteira: 74.220
Capital atual: R$ 1.105.130

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 26,18
Quantidade ações vendidas: 4.584
Ações restante em carteira: 69.636
Capital atual: R$ 1.823.070

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 34,04
Quantidade ações vendidas: 3.525
Ações restante em carteira: 66.111
Capital atual: R$ 2.250.409

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 42,88
Quantidade ações vendidas: 2.799
Ações restante em carteira: 63.312
Capital atual: R$ 2.714.827

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 47,38
Quantidade ações vendidas: 2.533
Ações restante em carteira: 60.779
Capital atual: R$ 2.879.732

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 100.200
Quantidade ações vendidas: 39.421
Ações restante em carteira: 60.779
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 2.879.732
Variação do patrimônio em 7 anos: 187,97%

 

Podemos ver que para as ações com foco em crescimento, utilizando a estratégia de vender uma pequena parte das ações para transformar em dinheiro para uso pessoal, mesmo com a diminuição da quantidade de ações ao longo dos anos vemos que todas tiveram um aumento do patrimônio muito bom, todas acima de 180%, algumas com rentabilidade muito superior.

No caso de MGLU3, realizar esse método de vendas de ações periódicas sem uma estratégia de entrada e saída adequada poderia ter quebrado a carteira. Numa estratégia tradicional de trend following jamais teria passado por essa situação pois o encerramento da posição total já teria sido feito bem anteriormente e uma nova compra poderia ter sido feito na retomada da subida.

Um comentário óbvio seria: “Ah mas se eu vender ações frequentemente uma hora elas vão acabar!”. Bem, matematicamente sim, na prática talvez não. Se as ações continuarem subindo décadas seguidas, a medida que o preço vai subindo a quantidade de ações necessárias para liquidar e gerar a renda definida diminui, o que pode ser visto nos exemplos acima. Em determinado momento poderia ser necessário vender menos de 1 ação para gerar a renda do mês. E como quando as ações atingem preços altos elas fazem desobramento, a quantidade de ações pode voltar a aumentar com o tempo e nunca acabar.

Mas para o trader seguidor de tendência de longo prazo, o objetivo nunca será ficar posicionado por muitos anos ou décadas, normalmente ele fica entre 1 e 2 anos. Então com o aumento de patrimônio exemplicado acima, o trader compraria outras ações que estivessem em tendência de forte crescimento, ficando posicionado somente enquanto essa tendência durasse. Portanto o comentário que em um momento a quantidade de ações acabariam não faz sentido nessa abordagem. Mesmo com quantidade de ações menor do que quando a compra foi feita, o valor do patrimônio é bem maior e é isso que importa. O que importa é a quantidade de DINHEIRO e não de AÇÕES!! Ao encerrar a posição na determinada ação e liquidar o dinheiro, esse patrimônio aumentado seria aplicado em outra ação com uma nova quantidade de ações dependendo do seu preço e o procedimento continuaria.

Ou seja, o cidadão mesmo que aposentado poderia continuar sua estratégia de investir ou fazer trades buscando ações com forte crescimento que assim conseguiria os rendimentos que as melhores pagadoras de dividendos dão e ainda sim poderia conseguir um maior aumento de seu patrimônio, conseguindo assim também que sua retirada mensal/anual pudesse ser aumentada ao longo dos anos, promovendo uma melhor qualidade de vida.

Portanto a afirmação popular que para viver de renda o melhor é investir em empresas boas pagadoras de dividendos é um MITO.

 

CONCLUSÃO

Do MEU ponto de vista, focando nos pontos que escolhi para analisar que são as frases mais faladas sobre o tema no mercado a fora, eu NÃO acho que montar uma carteira focada em empresas que pagam melhores dividendos é uma boa estratégia. Meu foco sempre foi buscar ações com força de tendência e que possam ter uma grande variação de alta nos preços. Eu acredito que dessa forma o patrimônio pessoal pode crescer de forma bem mais rápida e com uma bom nível segurança com controle de risco adequado.

Como todos sabem eu tenho perfil extremamente técnico, em nenhum momento entrei no mérito dos fundamentos da empresas, que apesar de pagarem bons dividendos talvez não entraria da lista de um investidor. Também não analisei a “segurança” e “estabilidade” de uma ação que paga bons dividendos tem durante períodos de crise. E também não foquei na análise de carteiras de pessoas multi-milionárias ou bilionárias, bem como fundos em geral, porque para uma grande quantidade de dinheiro a história é completamente diferente, meu foco foi pensando mais no investidor pessoa física comum, que engloba a grande maioria dos investidores em bolsa.

Esse tema de dividendos é bem polêmico, principalmente porque a maioria dos investidores nunca analisou todos os fatos envolvidos e acredita em frases ouvidas no mercado, repetindo-as sem saber se é verdade ou mito. E mesmo entre o público mais experiente esse tema gera alguma polêmica entre as discussões. Eu tenho minhas opiniões e conviccções que muitas vezes são totalmente contrárias da grande maioria dos investidores e traders e talvez nesse assunto de dividendos também seja, pelo menos em todas as conversas que tive ao longo da minha vida de trader eu sei que são.

Estou totalmente aberto a comentários, sugestões, correções e críticas!

Para balancear minha opinião, deixo o link de uma matéria sobe esse essa tema no blog da Focalise: https://blog.focalise.com.br/dividendos-opcao-para-a-aposentadoria/ . Recomendo a visita, um blog com muito conteúdo bom de investimentos em geral.

Bons aprendizados, reflexões e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado, Artigos

A besteira popular do “Já subiu muito, não é hora de comprar”

Dentre os comentários que ouço quando o assunto é bolsa de valores ou ações, os mais comuns são:

“A ação já subiu muito, não é hora de comprar” ou “Já passou da hora de comprar” ou “A ação está cara”.

E se é uma ação que eu tenho que se encontra nesse cenários, o comentário de sempre é: “Você não vai vender?”

Já me considero um quase vidente! Quando é uma pessoa nova que estou falando desse assunto, eu praticamente já sei as frases que ela vai falar, e eu acerto em 90% das vezes!

São aquelas frases clichês do mercado financeiro. Algumas pessoas experientes falam, OK, elas tem as estratégias pessoais que talvez não considerem uma entrada com uma ação em alta, tudo bem, cada um tem sua estratégia. Mas a maioria das pessoas que ainda não investem na bolsa e vários iniciantes falam isso também, nesse caso já provavelmente por falta de conhecimento de mercado.

Outro motivo que possa motivar esse pensamento, apesar de não totalmente correto, é que a grande maioria das pessoas só vê as blue chips, e essas realmente dificilmente sobem por muitos meses e anos seguidos, depois que o mercado brasileiro ficou mais difícil, pós crise 2008.

Agora se ampliamos as ações analisadas para mid caps e small caps, a gama de opções é muito maior. Muitas ações sobem por meses e anos a fio, sem dar trégua. Muitas delas inclusive se movimentam totalmente independente do índice Bovespa. Quando alguém vem me falar que a ação X já subiu muito e que está na hora de vender ou não está na hora de comprar já me dá nervoso! Aí preciso respirar fundo e começar minha resposta padrão! Sempre tentando ser educado, mas nem sempre rsss Afinal ouvindo a vida inteira a mesma coisa tem hora que escapa!

Antes de continuar, melhor explicar dois pontos para também não ser hostilizado e mal interpretado:

1) Comprar mais barato é mais lucrativo. Isso é óbvio, não há argumento contra isso. É uma conta matemática. Se ação está caindo forte, você compra a R$10. A ação em determinado momento começa a subir, eu compro a R$15. Usamos o mesmo stop ou alvo e ambos vendemos a R$30. É claro que você que comprou mais barato vai ter lucrado mais. Quanto mais barato você comprar, melhor, SEEE e somente SE a ação subir depois que você comprar! A maioria das pessoas que conheço gostam de comprar ações mais baratas, esperar uma forte queda, de preferência uma mega tendência de baixa para então comprar. Praticamente todas essas também não usam stop inicial, ou seja, o risco da operação é 100%! Por mais sólida que seja a empresa, ela sempre pode ficar ruim e eventualmente até quebrar. Nos EUA já teve vários casos desse tipo, o mais famoso é da gigante Enron, que quebrou totalmente. A Sadia aqui no Brasil ia muito bem mas quando fez uma operação financeira errada foi pro brejo. Nos anos 2000 a NET chegou a valer R$440 para anos depois valer centavos. Então a questão não é qual é o método certo, comprar quando a ação subindo ou caindo, mas sim qual a estratégia faz mais sentido para cada um. As duas dão dinheiro, mas exigem níveis emocionais bem diferentes. A idéia de comprar uma ação em tendência de alta não é ser mais lucrativo necessariamente de uma ação que está em tendência de baixa. Uma ação em tendência de baixa tende a continuar caindo, se ela está caindo há vários motivos da empresa, mercado, etc que estão fazendo ela cair. Se ela estivesse boa as ações estariam subindo! Então a taxa de acerto dessas operações são muito baixas e o risco muito alto. O objetivo principal de comprar ações em tendência de alta é aumentar a probabilidade de acertar e lucrar, bem como diminuir absurdamente o risco da operação ao utilizar stop inicial.

2) Numa tendência de alta, com os preços subindo fazendo zigue zague, é melhor comprar mais perto do início da tendência do que após vários meses ou anos. De novo, é óbvio que é mais lucrativo, mais perto do início da tendência, mais barato será e mais lucro dará no final. A consideração aqui é quão perto do início da tendência é mais seguro ou com maior probabilidade de acerto. Comprar após um pivot (rompimento do primeiro zique zague de alta) no gráfico diário é um bom ponto, porém a probabilidade de uma reversão para tendência primária é baixa. Comprar após um pivot no gráfico semanal já melhora as probabilidades, porém ainda considero muito cedo, ainda não terá um padrão na movimentação dos preços e da força da ação. E para mim o maior problema é que em qualquer uma dessas entradas o FR ainda não estará alto, sendo um tiro quase no escuro, pois em 400 ações na Bovespa sempre haverá pivots sendo formados, mas a maioria deles resultará em subida fraca da ação, congestão ou continuação da tendência de baixa em pouco tempo. Serão algumas poucas que resultarão em tendência forte e consistente que durará meses ou anos e se sobressairá das demais. Portanto na minha visão, pela minha estratégia pessoal e meu perfil de investimento, acho mais interessante não arriscar comprar qualquer pivot de qualquer ação e esperar a movimentação de algumas semanas ou meses de modo a permitir escolher ações que está se desenhando com padrão de alta força no movimento. Algumas me enganarão, começará um movimento forte somente para parar em seguida, mas faz parte do mercado, acertamos umas e erramos outras, o que vale é a somatória das operações, perder pouco nas que erramos e ganhar muito nas que acertamos, buscando pegar tendências longas em ações que assim fizerem. Quando o FR ficar acima dos 90 e der entrada, o bom é que seja algumas semanas ou poucos meses após o início da tendência primária. Sempre será melhor comprar o mais barato possível, dentro das regras que aumentem a probabilidade do acerto. Mas mesmo não sendo tão lucrativo quanto, não significa que comprar uma ação após estar subindo por 6 meses ou 1 ano seja mau negócio. Diante as oportunidades disponíveis no mercado naquele momento, essa suposta ação pode ser mais interessante. Algumas ações podem continuar subindo por muito mais tempo. Mas confesso que prefiro comprar ações que não estejam subindo por mais de 1 ano aproximadamente. Prefiro entrar mais cedo na tendência, mas eventualmente posso optar por comprar alguma que já esteja subindo há mais tempo. Outro cenário é quando a ação está subindo há muitos meses, mas em ritmo bem lento, e de repente a situação muda na empresa e as ações começam a subir mais forte, entrando no radar do FR. Isso é como desse vida a empresa e as projeções mudam totalmente, portanto extremamente válido a entrada.

Então voltando às argumentações iniciais, dizer que é hora de vender ou não é hora de comprar uma ação porque ela já subiu 50%, 100% ou 200% é pura besteira! Quem acreditar nisso pode ficar de fora de um belo movimento que pode vir na sequência! E a dor de deixer de ganhar e deixar a oportunidade passar é maior do que a de perder! O mesmo para quem vender as ações somente porque subiu 50% ou 100%.

Empresas em forte crescimento ou restruturação, possivelmente recebendo muitos investimentos, tendem ter suas ações subindo por muitos meses ou anos. Quando a empresa entra no radar de mega investidores e esses resolver comprar milhões de ações, eles tem que ir comprando aos poucos devido a liquidez do ativo. Essa compra normalmente dura meses e normalmente isso é só o começo da subida, pois do contrário esses investidores não se interessariam pela empresa.

Eu acho que a maioria das pessoas não gosta de comprar ações depois dela ter subido 100% digamos, por 2 motivos principais:

1) Medo de já ter subido o suficiente e o movimento de alta já estar no fim. É pertinente e válido, todo movimento de alta chega ao fim em algum momento, pelo menos para uma tendência secundária de baixa. Mas por outro lado comprar na baixa gera o mesmo medo, porém pior, que é não saber se a tendência de baixa está perto do fim. Afinal, inércia da tendência de alta é que os preços continuem subindo, inércia da tendência de baixa é que os preços continuem caindo.

2) Ego. Ego grande. A ação X caiu durante anos até chegar a R$10. Uma hora iniciou uma tendência de alta e agora já está R$25. A pessoa não aceita comprar alguma coisa que estava valendo R$10 e agora está R$25, ela se sente como se estivesse sendo passada para trás, alguém vendendo para ela algo que valia bem menos. É como se tivesse vergonha em falar pra alguém que comprou a R$25 e a pessoa iria falar “Nossa meu, como você é burro! A ação X valia R$10 e você pagou R$25?”. Ela acha que está fazendo um mau negócio, como se fosse um produto, uma TV que estava custando R$1000 e agora está R$2500, muitas pessoas associam o conceito de produtos e comércio com ações e isso não tem nada a ver! Um produto nós compramos para uso próprio e não para lucrar, pelo contrário, sempre vai desvalorizar com o tempo. Ações nós compramos esperando valorização da empresa para obter lucro. Ações praticamente não tem limite de valor enquanto a empresa estiver crescendo ou falindo (limite teórico zero), já um produto tem uma certa limitação, uma TV não vai custar R$100 ou R$100 mil. Portanto ninguém precisa ter vergonha, se sentir pior ou inferior, ou que está fazendo mau negócio se comprar uma ação depois de já ter subido e estar mais cara que antes. A pessoa deve se sentir mal se está perdendo dinheiro constantemente no mercado, mês após mês, isso sim não é legal. Se você está ganhando dinheiro e está psicologicamente confortável com o método de trade, então continue assim! Deixe o ego de lado e use o lado racional para definir um plano de trading, não o lado emocional.

Minha opinião é que não importa o preço que pagamos e sim a rentabilidade em percentual que obtemos. Melhor  comprar uma açãodepois de já ter subido e ganhar 200% do que comprar uma ação na queda e ganhar 50%. A meta principal é o lucro, não importando o valor da compra e da venda. Eu comprei MGLU3 a R$100 e vendi a quase R$200. E quem comprou a R$200 poderia ter vendido a R$600!!! (preços sem split) Mas a R$100 a ação não estava cara? E a R$200 ela não estava mega cara??? O preço não quer dizer nada! O que manda é o potencial de crescimento da empresa e consequentemente das ações.

Se as ações estão subindo, por que não aproveitar? É muito mais fácil acertar na continuação da subida do que na reversão da queda. Para isso servem os stops, você compra e coloca stop, se a ação parar de subir, você toma um pequeno prejuízo, digamos 10% e analisa outras oportunidades. Se você acerta e o movimento continua por um longo tempo mais, você ganha um ótimo lucro, 100%, 200%, às vezes bem mais!

Bem, isso tudo é minha opinião e visão do mercado. Respeito todas as formas de operar e investir no mercado, até porque não existe somente uma forma certa. O que importa é ter lucro, se está ganhando dinheiro está ótimo, cada um operando da sua forma.

Por fim vou exibir abaixo alguns exemplos de compras em tendência de alta que teriam dado muito lucro e também de compras durantes quedas que teriam levado a uma mega perda jamais recuperada ou que demoraram uma década para somente voltar perto do zero a zero, perdendo muito tempo de oportunidades. Para as compras estou colocando valores em pontos de rompimentos de resistências/topos anteriores recentes. Nos gráficos eu destaco nas linhas horizontais somente alguns desses pontos.

MGLU3

A primeira possibilidade de compra seria no pivot semanal de reversão de tendência em 2,31 no começo de 2016. Uma compra nessa época e mantido até hoje estaria rendendo incríveis 5440%!
Alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 4,80. “Nossa, mas já subiu mais de 100%, está caro!” (Lembrando que o valor naquela época antes de ter ocorrido o split era de 38,40). Essa compra mantido até hoje estaria rendendo outros incríveis 2566%!

Mais alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 8,27. “Ihh é ruim hein, já subiu 250% do primeiro ponto de entrada, mega caro! Já são 9-10 meses subindo direto! É hora de sair com certeza!” Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1447%!

Aí chegou um camarada meio desavisado, nem conhecia MGLU e viu ela no começo de 2017, já tinha subido aproximadamente 1500% desde o fundo principal antes do início da tendência no fim de 2015. “Você é louco cara?” – diziam seus amigos – “É nabo na certa se você comprar agora!”. O rapaz resolveu comprar mesmo assim, pagou 16,31. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 684%. Acho que o camarada deve ter ficado contente em ter comprado caro!

Um outro camarada resolveu entrar na bolsa no meio de 2017 e começou analisar as ações para escolher o que comprar e compor sua carteira. Ele viu o gráfico da MGLU3 e pensou “Essa ação está com uma tendência fortíssima! Se eu estivesse na bolsa 1 ano atrás eu já teria comprado naquela época e estaria ganhando muito dinheiro, mas como só estou entrando agora vou comprar agora”. E ele comprou a 35,35. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 262%.

E mesmo depois de uma compra absurda depois de 2 anos de subida da ação no início de 2018 a 86,31 estaria rendendo 48% em 4 meses.

ABEV3

Primeira compra já esticada a 0,59, que é 78% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 2967%.

2 anos depois em 2003, após uma queda e consolidação uma compra a 1,18, que é 100% acima da primeira compra e 257% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1433%.

Alguns anos depois em 2009, uma compra a 3,55, que é 501% acima da primeira compra e 975% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 410%.

2 anos depois em 2011, após uma alta revigorante uma compra a 7,53. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 140%.

GGBR4

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2008 no meio da crise conforme final do gráfico, após as ações terem caído 32%.

Após uma tendência de alta iniciada em 2001, uma compra seria feito no fim de 2002 a 0,01 (gráfico ajustado). Essa compra teria rendido 228800%.

Poucos meses depois após uma mega alta de 200%, uma compra a 0,03. Essa compra teria rendido 76200%.

Final de 2003, ações subindo sem parar, uma compra a 0,13, que é 1200% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 17507%.

Após uma outra mega alta de 300% em apenas 6 meses, no meio de 2004 uma compra a 0,52, que é 5100% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 4301%.

A tendência continuou forte e no fim de 2005 uma compra a 2,20. Essa compra teria rendido 940%.

Mesmo uma compra no início de 2008, depois de 7 anos de tendência de alta, uma compra a 11,53 teria rendido 98%!!

Claramente vemos que qualquer venda com “apenas” 100% de lucro ou evitar compras após a tendência ter iniciado faria o trader deixar de ganhar muito dinheiro!

HGTX3

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2012 após o fim da tendência primária e sua reversão conforme final do gráfico, após as ações terem caído 23%.

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,53, rentabilidade 1093%.
Compra a 4,51, rentabilidade 569%.
Compra a 5,69, rentabilidade 430%.
Compra a 8,54, rentabilidade 253%.
Compra a 10,29, rentabilidade 193%.
Compra a 15,48, rentabilidade 95%.

ITSA4

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 0,11, rentabilidade 8754%.
Compra a 0,31, rentabilidade 3041%.
Compra a 0,53, rentabilidade 1737%.
Compra a 0,99, rentabilidade 883%.
Compra a 2,06, rentabilidade 372%.
Compra a 4,03, rentabilidade 141%.

UNIP6

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,59, rentabilidade 1409%.
Compra a 4,89, rentabilidade 699%.
Compra a 6,66, rentabilidade 487%.
Compra a 9,12, rentabilidade 328%.
Compra a 16,91, rentabilidade 131%.

Agora alguns exemplos de ações em queda que se o investidor ou trader fosse comprando a medida que caiam tentando comprar mais barato teriam problemas com o capital. Para efeito teórico, vou determinar pontos de compra a 25% de queda do topo, a 50% e a 75%.

OGXP3

O topo da OGXP3 foi em 10/2010 a R$2339,00. O valor atual é de R$3,00.
Uma compra após 25% de queda seria a R$1754,25. O resultado hoje seria -99,82%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$1169,50. O resultado hoje seria -99,74%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$584,75. O resultado hoje seria -99,48%.
Ou seja, essa foi uma típica ação que comprando na queda teria resultado em desastre total. Conheço algumas pessoas que fizeram isso, compraram sem stop, hoje praticamente perderam tudo o investido.

PDGR3

O topo da PDGR3 foi em 11/2010 a R$494,98. O valor atual é de R$0,91.
Uma compra após 25% de queda seria a R$371,23. O resultado hoje seria -99,75%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$247,49. O resultado hoje seria -99,63%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$123,74. O resultado hoje seria -99,26%.

RSID3

O topo da RSID3 foi em 10/2010 a R$426,46. O valor atual é de R$4,48.
Uma compra após 25% de queda seria a R$319,84. O resultado hoje seria -98,60%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$213,23. O resultado hoje seria -97,89%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$106,61. O resultado hoje seria -95,79%.

RAIL3

O topo da RAIL3 foi em 07/2007 a R$97,50. O valor atual é de R$13,69.
Uma compra após 25% de queda seria a R$73,12. O resultado hoje seria -81,27%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$48,75. O resultado hoje seria -71,91%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$24,37. O resultado hoje seria -43,82%.

OIBR4

O topo da OIBR4 foi em 12/2009 a R$114,56 (não disponível nesse gráfico do TradingView. O valor atual é de R$2,90.
Uma compra após 25% de queda seria a R$85,92. O resultado hoje seria -96,62%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$57,28. O resultado hoje seria -94,93%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$28,64. O resultado hoje seria -89,87%.

GOLL4

O topo da GOLL4 foi em 05/2006 a R$71,25. O valor atual é de R$11,12.
Uma compra após 25% de queda seria a R$53,43. O resultado hoje seria -79,18%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$35,62. O resultado hoje seria -68,78%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$17,81. O resultado hoje seria -37,56%.

São dezenas de casos iguais a esses que não convém ficar repetindo muito. Acho que deu pra expor meus pontos referente a esse tema. Meu objetivo não é dizer que o meu método é melhor que os outros, com certeza não é e nem tenho essa pretensão. Trading é um jogo de probabilidades, meu principal objetivo é mostrar os dois lados da moeda, mercado em alta que pode continuar em alta, e de baixa que pode continuar em baixa. Mostrado isso, cada um deve montar sua própria estratégia de trading baseado em suas crenças, gostos, expectativas e visão do mercado e depois de ler esse artigo levar em conta essas informações extremamente importantes que podem fazer a diferença em uma operação.

Bons aprendizados, reflexões e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Perdi a entrada (compra) da ação, o que fazer?

10 de março de 2018 7 comentários

Às vezes, geralmente por descuido, perdemos a entrada de compra em uma ação. Eu mesmo já fiz isso algumas vezes, faço todo dever de casa, analiso os gráficos, separo as ações que formaram o setup para compra, atualizo a planilha, atualizo o blog(!) mas esqueço de colocar a ordem no home broker! E é muito chato e frustrante! Principalmente se a ação dispara depois.

Então o que fazer nesses casos (que espera-se ser raros)?

Vamos tomar como exemplo a ROMI3 (gráfico ajustado), que inclusive um colega fez essa pergunta nesse período do gráfico.

A resistência estava em 7,75 na região mais a direita do gráfico semanal em dezembro. Eu fiz uma entrada no rompimento dessa resistência. Mas e se não tivesse feito? Quais as opções?

A primeira opção é esperar os preços recuarem até o preço de original de compra (7,75). É normal de uma vez acontecido o rompimento os preços recuarem e tocarem na resistência novamente, que acaba virando um suporte. Nesse caso da ROMI3 acabou acontecendo 2 vezes nas próximas semanas (linha horizontal azul):

A segunda opção é quando temos mais sorte e a ação rompe a resistência mas ainda fecha a semana abaixo do ponto de entrada. Nesse caso temos 2 escolhas: ou comprar imediatamente na abertura do pregão seguinte, provavelmente com preço mais barato que o original, ou colocar o start de compra no ponto original para confirmar se a ação atingirá aquele patamar novamente, dando uma segurança extra na operação, sendo menos suscetível a um rompimento falso. Exemplo acontecendo algumas semanas antes do gráfico anterior, onde está a seta azul:

Mas muitas vezes as ações com FR alto acima de 90 rompem e fazem uma forte alta sem olhar para trás (ou para baixo)! Nesse caso entram as próximas opções.

A terceira opção é pagar um pouco a mais do preço de entrada. Normalmente eu já aceito pagar um pouco mais, já que meu slippage que coloco no home broker na ordem de start de compra sempre é de 3% acima do preço de disparo. Apesar de não gostar quando as raras vezes que eu pego um slippage de 3%, digamos que num caso específico desses eu pagaria esse preço. Então nesse caso eu aceitaria comprar por no máximo 7,98.

Então se quando resolver comprar atrasado, os preços estiverem entre 7,75 e 7,98, eu compraria pelo valor de mercado. Agora se os preços estiverem acima de 7,98, eu poderia esperar os preços cairem e chegarem até esse patamar, mas eu acompanharia durante o dia o book e o gráfico intraday para ver se conseguiria comprar mais barato. É uma situação que não gosto, quando acontece fico meio ansioso. Por sorte é bem raro acontecer, mas acontece.

Então essa seria uma variação da opção 1 e seria uma opção bem particular, de esperar os preços cairem até o preço de entrada (7,75) ou até o preço com slippage aceitável (7,98). Como se tratam de ações em forte tendência de alta, pode gerar uma ansiedade e medo de esperar cair para entrar e os preços nunca chegarem a esse patamar e ficarmos de fora de uma possível forte alta posterior, gerando uma grande frustração. Então se for esse o caso, talvez fosse melhor aceitar e já tentar comprar na faixa dos 7,98 mesmo e saber que se os preços tiverem uma forte alta, o pequeno valor pago a mais será compensado.

Olhando pelo gráfico diário abaixo, vemos que o dia que os preços romperam a resistência (linha horizontal azul) fechou em 8,05 (primeira seta azul), o que significa 3,87% acima do preço de entrada, já fora de qualquer faixa aceitável de compra (linha horizontal verde). No dia seguinte a ação abriu a 8,19 e fechou a 8,62, que dá 11,22% acima do preço de entrada. Neste caso, dias depois os preços recuaram e atingiram os 2 patamares anteriores, mas em muitos casos isso não ocorre. Por isso se recuarem até somente a faixa mais alta talvez já seja interessante fazer a compra.

A quarta opção é se em último caso o preço não corrigir até o ponto de entrada ou aos 3% acima, eu acabo deixando passar a oportunidade e espero o preço corrigir no semanal até dar uma nova entrada pelo setup.

É o caso que aconteceu em UNIP6 em julho/2017 conforme gráfico abaixo. Caso fosse perdido a entrada do rompimento da resistência da linha azul, onde teria ocorrido na seta azul, não daria para entrar conforme nenhuma das opções anteriores, pois na semana do rompimento a ação subiu 37%! Nesse caso eu teria esperado uma nova correção, que aconteceu bem leve 2 semanas depois, formando uma nova resistência na linha verde, e eu poderia comprar no seu rompimento, que teria ocorrido na seta verde.

A quinta e última opção, mas que não costumo fazer porque sai do definido no meu setup e não testei essa variação, é olhar no gráfico diário e esperar uma correção, aí comprar na máxima do dia anterior, ou também acima da resistência mais próxima (topo recente). Tecnicamente são entradas válidas, o problema é onde ficará o stop loss inicial. Se puser no meu ponto original no semanal talvez fique muito longe. Se puser abaixo da mínima do candle recente formado (suporte no gráfico diário), ficará muito próximo, a chance de ser stopado é alta. Então por isso que é bem raro eu entrar no gráfico diário dessa forma.

É isso. Se alguém tiver outras opções interessantes por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Realizações Parciais são boas?

28 de fevereiro de 2018 6 comentários

Recebi uma pergunta de um amigo hoje e decidi criar um post com a resposta, pode ser útil para mais pessoas.

P: Você comentou que não era favorável às realizações parciais, eu tambem não sou, porém quando vejo alguns ativos como ROMI3 que em menos de 60 dias está dando mais de 25% de lucro começo a ficar um pouco incomodado, qual sua visão?

R: Realizações parciais são menos rentáveis matematicamente falando. Ou o melhor ponto será o longo, ou o curto. Fazendo dois pontos de venda nunca será mais rentável do que vender tudo em um deles, basta fazer contas com números fictícios de compra e venda. Elas podem ser boas para o psicológico mas não para a rentabilidade. Sempre será uma média da rentabilidade do curto prazo com o longo prazo (supondo que essas sejam as expectativas de cada posição parcial). Se a ação disparar depois para 105% de lucro, você lucrará (105%+25%)/2 que dá 65%. Mas serve para o prejuizo também, se a posição restante cair e sair no 0%, você lucrará alguma coisa, no caso (0%+25%)/2 que dá 12,5%. Ou seja, esse recurso vai suavizando a curva de capital. Então no primeiro caso o melhor seria sair com toda posição nos 105% com a posição mais longa, e no segundo caso o melhor seria encerrar os 25%, com a posição mair curta. A realização parcial nunca será a mais rentável. Se fizermos backtests de uma ação ou de múltiplas veremos que o mais rentável será sempre uma das escolhas, mas nunca a RP. A vantagem dela é que com ela você melhora a taxa de acerto e diminui o drawdown. Uma outra desvantagem além da rentabilidade é que o dinheiro volta para sua conta e você precisa realocar em outra ação.

Eu minhas operações, ou eu vendo toda posição da ação, ou continuo com tudo, nunca faço realização parcial. A única exceção acontece com casos como da FESA4 recente por exemplo. Apareceu uma oportunidade melhor e eu estava com a carteira 100% alocada. Fiz o position sizing da nova ação porém o valor total era menor do que o total da FESA4, sendo assim vendi somente parte da FESA4 para ser suficiente para comprar a nova ação.

Realmente 25% em poucas semanas é muito tentador! Um belo rendimento. Acho que depende da meta e estratégia de cada um. Eu acho que é válido realizar um lucro dessses mas é interessante ter bem definido as regras de sua estratégia, qual o objetivo principal da estratégia e quais exceções podem haver no meio do caminho. Afinal a estratégia não se resume só a ter um lucro maior, outros fatores de avaliação são importantes também.

Eu sou muito simplista, sistêmico e direto ao ponto. O objetivo da minha estratégia é de seguir a tendência (trend following) o maior tempo possível e não sair até que a ação me diga para sair, segundo minhas regras. Apesar de 25% ser um ótimo lucro, eu busco rentabilidade bem maiores, de preferência acima de 100% quando possível. Por isso eu sou resistente a vender na subida, em congestões (mesmo que OBV ou similar estiver caindo) ou em correções de média amplitude (15-20%). Sempre permaneço acreditando que a ação possa continuar subindo mais e mais, até que ela me diga o contrário.

Eu lido melhor com regras bem definidas e não gosto muito de exceções, a não ser que bem testadas e que façam parte das regras. Não gosto de tomar decisões de mudar minha operação no meio, prefiro só olhar no gráfico e seguir instruções mecânicas, sem ter que ficar pensando na tomada de decisão. Eu acho que isso gera um stress a cada análise pois temos a tendência de ficar nos martirizando se estamos tomando a melhor decisão possível, portanto somente seguir regras nos pouca desse stress, e pra mim isso é muito importante. Quaisquer exceções técnicas que possam ter eu gostaria de testar antes se possível. Eu sigo fielmente a estratégia em todos os casos. Mesmo se o mercado ficar estranho com eleições por ex. ou qualquer outro motivo incluindo os técnicos, eu vou seguindo. A única regra que eu tenho de sair de uma ação antes de bater o stop é se minha carteira estiver 100% alocada e aparecer uma oportunidade mais interessante com FR alto, e alguma ação minha estiver perdendo força e estiver com FR mais baixo, aí eu faço a troca.

É uma questão de perfil, cada um deve operar como se sente mais confortável, tanto visando lucros quanto diminuindo prejuizos. Não existe certo ou errado, existe lucro ou prejuizo! E aproveitando, outra coisa muito importante além do lucro é o comportamento da carteira e da curva de capital durante esse processo. Por ex, eu prefiro ganhar 40% num ano com drawdown da carteira de 15%, do que ganhar 100% com drawdown de 50%. Seguindo essa linha, uma pessoa pode preferir usar RP por ter um perfil mais conservador, e está tudo certo! O perfil conservador, moderado ou agressivo vai determinar os tipos de operações, as regras e o prazo operacional que cada um vai escolher.

Espero que tenha ajudado a refletir sobre o assunto.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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