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Como calcular e declarar o IR de ações

29 de março de 2020 20 comentários

Escrevo esse artigo para auxiliar as pessoas que investem ou operam em ações e no ano seguinte precisam fazer suas declarações de IR, bem como o pagamento mensal de IR quando há lucro. A declaração em si tem complexidade média pois há vários detalhes a serem considerados, tanto no cálculo do IR mensal e também na da declaração anual.

Meu objetivo é mostrar todos os detalhes que fui aprendendo ao longo dos anos, buscando informações para que pudesse fazer corretamente os cálculos e a declaração. Há muitos sites e artigos na Internet que mostram em detalhes essa questão do IR, porém há vários pontos mais específicos que é difícil encontrar e portanto achei interessante reunir todos esses detalhes em um lugar só.

Todas informações de investimentos e renda variável deve ser declarada, porém o escopo desse artigo é somente ações.

Mas um aviso. Não me responsabilizo pela informações colocadas nesse artigo nem com a validade e atualização das normais e leis da Receita Federal com o passar dos anos. As informações são de caráter educacional. Recomendo consultar as regras oficiais diretamente no site da Receita Federal e também com um contador especializado em mercado financeiro.

 

Informações para anotar em cada operação

 

Tanto para o cálculo do IR mensal quanto para a declaração anual, é necessário que sejam anotadas várias informações para o cálculo e preenchimento correto. A melhor forma é criar uma planilha ou procurar uma pronta na Internet para ajudar a guardar essas informações.

Deve haver as seguintes informações na planilha:

  • Código da ação
  • Data de compra
  • Quantidade de ações compradas
  • Preço médio da compra
  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Data da venda
  • Quantidade de ações vendidas
  • Preço médio da compra
  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Proventos (dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações)
  • Eventos corporativos (desdobramentos e grupamentos de ações)

A quantidade de ações vendidas é importante ter pois pode ser diferente da compra se houve subscrição (incorporação de novas ações), desdobramento (dividir 1 ação em X) ou grupamento (juntas N ações em 1).

Todas essas informações estão disponíveis nas notas de corretagem da corretora, com exceção dos proventos, que são mostrados em uma área diferente e também podem ser vistos nos extratos de conta. Nessa planilha os proventos tem a finalidade somente de calcular o rendimento total de uma operação realizada, pois eles não entram no cálculo do IR mensal.

Veja um exemplo de nota de corretagem:

Esse trecho mostra a parte superior da nota de corretagem e contém as seguintes informações:

  • Data da operação na parte superior direita: 06/09/2011
  • A operação realizada, “C/V”, que nesse caso é “C”, de compra
  • A ação comprada, “B2W VAREJO ON NM”, que o código é BTOW3
  • A quantidade comprada: 200
  • O preço médio da compra: 15,78

Esse trecho mostra a parte inferior da nota de corretagem e contém as seguintes informações:

  • Corretagem = R$10,91. A corretagem é o valor total da soma de Taxa Operacional, Impostos (normalmente ISS) e Outros.
  • Taxas B3 = R$1,08. As taxas B3 são compostas pela Taxa de liquidação, Taxa de registro e emolumentos.
  • I.R.R.F. s/ operações: esse é o imposto de renda retido na fonte pela corretora, é importante guardar essa informação para descontar no IR a ser pago mensal

Mais informações sobre as tarifas cobradas pela B3 podem ser encontradas no site: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/tarifas/listados-a-vista-e-derivativos/renda-variavel/tarifas-de-acoes-e-fundos-de-investimento/a-vista/

Estou anexando uma planilha Excel de exemplo, que pode e deve ser alterarada para deixar do modo da preferência, o importante é ter uma. As operações que coloquei como exemplo são fictícias, não foram feitas por mim, bem como os preços e datas foram aleatórios e não refletem o real. Não garanto a exatidão dos cálculos, principalmente para fonte de IR, fica a critério de cada um revisar as fórmulas e corrigi-las se necessário.

Exemplo_Controle_Ações.xlsx

A planilha tem 3 abas, a aba do controle de operaçõe é a “OperaçõesAções”. As demais explicarei mais abaixo.

 

Cálculo do imposto de renda mensal

 

Assim como a maioria das operações financeiras no país, temos que pagar imposto de renda sobre o lucro obtido em operações em ações na bolsa de valores. Aqui eu descrevo as informações relevantes para ações.

a) Período de apuração

A apuração deve ser realizada mensalmente, após o encerramento de cada mês.

b) Prazo para pagamento

Caso haja IR a pagar, este deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente.

Exemplo: o mês de março finalizou, deve-se fazer a apuração do lucro obtido no mês de março e o IR deve ser pago até 30 de abril.

c) Quais ações/operações fazem parte do cálculo

Fazem parte do cálculo todas as operações encerradas no mês de apuração, estando aptas a calcular o lucro ou prejuízo.

d) Alíquota de IR

A alíquota é de 15% para operações comuns e 20% para day trade. A mesma alíquota é para operações à termo e vendas a descoberto.

As operações de day trade devem ser anotadas separado das operações comuns (position trade e swing trade) de forma que sejam feitos dois cálculos separados, um com todas operações day trade e outro com todas operações comuns, e aplicada a respectiva alíquota em cada um.

e) Custos que podem serem abatidos do lucro

Os seguintes custos e taxas podem ser abatidos do lucro de cada operação:

  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Taxa termo
  • Taxa BTC (aluguel de ações)

No caso da taxa de termo, normalmente ela já vem embutida no preço da ação, portanto nesse caso não entraria como custo. Por exemplo um termo feito em uma ação a R$10,00 com taxa de juros a 2% pelo período acordado, o preço de compra na nota de corretagem virá a R$10,20.

As seguintes despesas não podem ser abatidas do lucro do mês:

  • Plataformas
  • Softwares
  • Serviços de assessoria
  • Relatórios
  • outros

f) Isenção de IR

Para operações comuns, há isenção de IR caso o total das vendas do mês seja inferior a R$20.000,00.

Exemplo:
Durante o mês de apuração realizei somente 2 vendas (encerramento de operação):
Vendi 300 ações AAAA4 por R$20,00, totalizando R$6,000. Lucro foi de R$500.
Vendi 200 ações BBBB4 por R$40,00, totalizando R$8,000. Lucro foi de R$1.200.

O lucro total do mês foi de R$1.700.
O total de vendas do mês foi de R$14.000.
Eu obtive lucro mas como o total de vendas foi inferior a R$20 mil, eu terei isenção e não precisarei pagar IR. Mesmo assim a informação deve ser guardada pois deverá ser declarada no ano seguinte.

Para day trade não há isenção, deve-se pagar IR sobre qualquer lucro, independente do total do valor operado.

Essa soma das vendas para isenção pode ficar mais complicada se o trader faz operações de venda a descoberto em ações, ou seja, aluga ações para vender e apostar numa queda. A Receita Federal não diferencia operações compradas e vendidas, ela só informa que há isenção quando o total de vendas for inferior a R$20 mil. Portanto caso haja uma mistura de operações compradas com vendidas, a regra que permanece para isenção de IR é o total de vendas do mês, seja para encerrar uma operação comprada ou para iniciar uma operação vendida.

Exemplo: Comprei ação AAAA4 num mês anterior e vendi esse mês no total de R$ 15 mil e tive lucro. Fiz uma venda a descoberta da ação BBBB4 esse mês totalizando R$ 10 mil, e ainda não encerrei a operação. Nesse caso o total de vendas seria a soma dos 15 mil com os 10 mil, totalizando 25 mil reais, portanto não haveria isenção de IR! O IR deverá ser pago referente ao lucro obtido na ação AAAA4.

Há controvérsias sobre esse tema porém essa é a forma mais segura que vejo para evitar cair na malha fina.

g) Valores baixos de IR

Caso o IR a pagar seja inferior a R$10, pode ser acumulado para os próximos meses. O mínimo a pagar é R$10.

Ex: Em janeiro foi apurado IR a pagar de R$8,00. Não precisa ser pago por enquanto. Em fevereiro foi apurado IR a pagar de R$24,00. Então até dia 31 de março deverá ser pago R$32,00, referente aos R$24 de fevereiro somados aos R$8 pendentes.

h) Meses com prejuízos

Caso haja prejuizo em um determinado mês, não é necessário pagar IR mesmo se algumas operações tiverem dado lucro, o que importa é a soma dos resultados de todas as operações. Além disso este prejuízo pode ser abatido de lucros futuros.

Se nos próximos meses houver mais prejuízos, esses valores devem ser somados e acumulados, não havendo prazo para compensação, mesmo que demore anos.

Exemplo:
Em janeiro tive prejuizo de R$300. Não pago IR. Prejuízo total acumulado = R$300.
Em fevereiro tive prejuizo de R$400. Não pago IR. Prejuízo total acumulado = R$700.
Em março tive lucro de R$1100. Primeiro desconto o prejuízo acumulado para calcular o lucro remanescente: R$1100-R$700 = R$400.
Portanto pagarei 15% de IR sobre um lucro de R$400, que dará R$60.

Prejuízos em day trade só podem ser abatidos de lucros futuros em day trade, e prejuízos em operações comuns só podem ser abatidos de lucros em operações comuns. Prejuízo em day trade não pode ser abatido de lucro em operações comuns e vice-versa.

Um detalhe importante a comentar é que se existe prejuizo a compensar e num determinado mês haja lucro porém com total de vendas abaixo de R$ 20 mil, o que entra na regra da isenção de IR, o prejuízo a compensar não reduz com esse lucro, ele fica com o mesmo valor de antes.

Exemplo:
Em janeiro tive prejuizo de R$300 e em fevereiro tive prejuizo de R$400. Prejuízo total acumulado = R$700.
Em março tive lucro de R$1100 porém meu total de vendas do mês foi R$12.000.
Nesse caso não pagarei IR referente ao mês de março pois será isento e o prejuízo acumulado a compensar continuará de R$700.

i) IR retido na fonte

Nas operações de lucro, há retenção de imposto de renda na fonte. Para operações comuns a alíquota é de 0,005% e para operações day trade a alíquota é de 1%.

Esses valores deverão ser somados de todas as notas de corretagem e poderão ser subtraidos do IR a pagar do mês.

Para esse valor não importa se o IR retido é de operações comuns ou day trade, pode ser somado o IR retido em um valor total único.

Se foi retido IR em um mês porém não houve lucro neste mesmo mês, portanto não haverá IR a ser pago, o IR retido pode ser acumulado para ser compensado em pagamentos de próximos meses. Porém esse IR retido acumulado só poderá ser compensado no mesmo ano. Quando muda o ano, o IR retido a compensar zera. Caso o ano finalize com saldo de IR retido na fonte a compensar, é possível solicitar restituição desse valor como mostrarei na seção de declaração anual de IR.

j) Método de cálculo do IR

O cálculo de IR para operações comuns deve ser feito da seguinte forma:

  • Selecionar todas operações encerradas (vendidas) no mês da apuração.
  • Calcular o lucro/prejuízo de cada operação, descontando corretagem e taxas B3.
  • Fazer a soma total do resultado do mês, somando o lucro/prejuízo de cada operação.
  • Subtrair prejuízo acumulado, se houver, obtendo o lucro final.
  • Aplicar a alíquota de 15% para obter o valor do IR do mês.
  • Subtrair do valor do IR do mês, a soma de IR retido na fonte acumulada, obtendo então o valor do IR a pagar.

Caso o trader tenha feito operações em day trade também, deverá fazer o cálculo da mesma forma separado, e aplicado a alíquota de 20% de IR. Caso em ambos haja IR a pagar, esses valores devem ser somados e pagos de uma só vez. Nesse caso o IR retido na fonte deverá ser subtraido do IR total calculado somente após a soma dos IR day trade e operações comuns.

Importante: Os proventos como dividendos e juros sobre capital próprio não entram no cálculo do imposto de renda, portanto não devem estar inclusos na apuração dos lucros de cada operação. Pode até ter uma somatória incluindo esses valores porém em um campo separado, para ter a visão do lucro total da operação, já que os proventos fazem parte. Mas o lucro para cálculo do IR não deve somar esses valores pois dividendos são isentos de IR e juros sobre capital próprio já são tributados na fonte.

Na planilha dispobinilizada no início do artigo, a aba “IR” mostra um exemplo de controle dos meses. Os valores do Lucro e Total Vendas está colocado manualmente. O melhor seria criar uma macro para pegar automaticamente os valores somados das outras abas de operações.

k) Compras e vendas piramidadas

É normal montar várias posições em uma mesma ação, isto é, fazendo algumas compras em datas diferentes à medida que uma ação está subindo e continuando a tendência ou à medida que está caindo se a pessoa tem perfil mais investidor.

É importante mencionar que para a Receita Federal não existe esse conceito de posição.

Então se por exemplo eu comprei 1000 ações CCCC4 a R$10, abrindo minha primeira posição, depois comprei mais 600 ações a R$15, abrindo minha segunda posição. Algum tempo depois se eu encerrar somente a segunda posição a R$14, seja porque estava com stop mais curto que a primeira ou por qualquer outro motivo, o cálculo do IR não será em cima do resultado dessa minha segunda posição somente, ou seja, não poderei assumir que houve prejuízo de R$1 por ação na segunda posição.

Para a Receita Federal quando há múltiplas compras na mesma ação, o que a legislação diz é que deve ser calculado o preço médio das compras. Portanto a cada nova compra, deve ser calculado o novo preço médio e quando houver vendas, seja parcial ou da quantidade total, o lucro para finalidade de IR deve ser calculado entre o preço de venda e o preço médio até aquele ponto. Nesse caso os custos da operação podem ser somados no cálculo do preço médio.

Vamos ver um exemplo de como isso funciona:

01/02 (primeira compra):
Compra de 1000 ações por R$ 5,00, totalizando R$5.000,00
Corretagem e taxas B3: R$12,50, totalizando R$5.012,50
Saldo = 1000 ações
Preço médio = 5.012,50/1000 = R$5,0125

10/04 (segunda compra):
Compra de 800 ações por R$ 6,50, totalizando R$5.200,00
Corretagem e taxas B3: R$12,60, totalizando R$5.212,60
Valor posição anterior = R$5.012,50
Novo valor posição total = 5.012,50 + 5.212,60 = R$10.225,10
Saldo = 1800 ações
Preço médio = 10.225,10/1800 = R$5,6806

15/07 (terceira compra):
Compra de 500 ações por R$ 11,30, totalizando R$5.650,00
Corretagem e taxas B3: R$12,75, totalizando R$5.662,75
Valor posição anterior = R$10.225,10
Novo valor posição total = 10.225,10 + 5.662,75 = R$15.887,85
Saldo = 2300 ações
Preço médio = 15.887,85/2300 = R$6,9077

Essa é a forma de calcular o preço médio a cada nova compra. Calculando o total financeiro de cada compra, somado com as taxas, depois somando com o total financeiro das posições anteriores e por fim dividindo pelo total de ações atuais. Caso só seja feita somente uma compra em uma determinada ação, não será necessário fazer esses cálculos.

Agora quando houver uma venda, supondo que seja parcial de 200 ações, o lucro dessa operação é calculado da seguinte forma:

22/09:
Venda de 200 ações por R$ 13,70, totalizando R$2.740,00
Corretagem e taxas B3: R$11,80, totalizando R$2.728,20
Preço médio de compra das ações = R$6,9077
Valor compra das 200 ações com preço médio = 6,9077×200 = R$1.381,54
Lucro da operação = 2.728,20-1.381,54 = R$1.343,66
Saldo = 2100 ações
Preço médio do restante das ações = R$6,9077

Calcula-se o total financeiro da operação de venda, subtrai a corretagem e taxas B3, calcula-se o total financeiro com o valor da compra pelo último preço médio até então, e então calcula-se o lucro da operação. Após a venda o saldo das ações diminui porém o preço médio do restante das ações em carteira continua inalterado, somente as compras alteram o preço médio.

A medida que for vendendo as demais ações, o mesmo cálculo deve ser feito para determinar o lucro. Caso haja mais compras depois dessa venda parcial, deve ser calculado o novo preço médio novamente.

Na planilha dispobinilizada no início do artigo, a aba “PreçosMédiosAções” mostra um exemplo de controle desses cálculos.

l) Pagamento do IR

Para pagar o IR, deve ser gerado um DARF e pago em qualquer banco. O DARF pode ser preenchido e gerado diretamente no site ou aplicativo dos bancos ou também pode ser gerado no site Sicalcweb da Receita Federal.

Veja passo a passo como preencher o DARF no site do banco:

O DARF normalmente está dentro do menu “Pagamentos” e depois “Impostos e Tributos”. Preencha da seguinte forma:

  • Campo 01: Nome e Telefone. Preencha seu nome completo e telefone de contato.
  • Campo 02: Período de apuração. Informe o último dia do mês de apuração, ex: 31/03/2020, se o pagamento for referente a março de 2020.
  • Campo 03: CPF ou CNPJ. Informe seu CPF se for pessoa física ou CNPJ se for pessoa jurídica.
  • Campo 04: Código da receita. Preencha com o número 6015, que corresponde ao IR sobre renda variável para pessoa física.
  • Campo 05: Número de referência. Deixe o campo em branco, não é necessário.
  • Campo 06: Data de vencimento. Informe o último dia útil do mês seguinte ao mês de apuração. Se o mês de apuração for março de 2020, a data de vencimento será 30/04/2020.
  • Campo 07: Valor principal. Informe o valor do IR a pagar.
  • Campo 08: Valor da multa. Deixe em branco se estiver pagando antes do vencimento.
  • Campo 09: Valor dos juros e/ou encargos. Deixe em branco se estiver pagando antes do vencimento.
  • Campo 10: Valor total. É a soma dos campos 07, 08 e 09. Se estiver pagando antes do vencimento o valor será igual ao do campo 07.

Basta finalizar a geração do DARF e já fazer o pagamento.

Para gerar o DARF através do Sicalcweb:

  • Acesse o site do Sicalcweb
  • Clique em Sicalcweb para Pessoa Física
  • Clique em “Pagamento”
  • Selecione seu Estado e clique em Continuar
  • Selecione seu Município e clique em Continuar
  • No campo “Código da Receita” preencha com 6015 para pessoa física e clique em Continuar
  • No campo “Período” preencha o mês da apuração, exemplo “03/2020” para março de 2020. Se não couber o último número, preencha sem a barra, ex: “032020”
  • No campo “Valor Principal” preencha o valor do IR a pagar, calculado das operações em ações e clique em Continuar
  • Deixe o campo “Referência” em branco e clique em Continuar
  • Se o pagamento estiver sendo feito com atraso, já será calculado o valor da multa e juros automaticamente
  • No campo “CPF” preencha seu CPF e clique em Continuar
  • O DARF será gerado, basta imprimir e fazer o pagamento em qualquer banco

m) Atraso no pagamento

Se você não pagar o IR mensal quando houver lucro até a data de vencimento, terá que pagar multa diária de 0,33%, até o limite de 20% do valor devido, acrescidos de juro mensal, proporcional à taxa Selic.

Caso nunca pague, há grande risco de cair na malha fina da Receita Federal, uma vez que existe o “dedo-duro”, aquele IR retido na fonte que é proporcional ao seu lucro, e portanto já informa à Receita quanto de lucro obteve.

Para gerar o DARF de um mês atrasado, o melhor é usar o site do Sicalcweb conforme explicado no item anterior, e informando os meses passados e os valores do IR de cada mês.

n) Sites e sistemas para auxiliar a apuração do IR

Hoje em dia há diversos sistemas para auxiliar a apuração de IR, onde você deve fazer o envio das notas de corretagem e o sistema calcula mensalmente o quanto deve pagar.

Aqui cito alguns:

Algumas corretoras também oferecem esse serviço.

 

Declaração anual do imposto de renda

 

Agora vou mostrar como declarar as diversas informações provenientes do mercado de ações.

Quase todas as informações necessárias são fornecidas pela corretora. Normalmente tem disponível o “Informe Rendimentos”, que é o documento oficial que as instituições financeiras devem fornecer, e também os “Relatórios Auxiliares”, onde contém informações de proventos recebidos no ano, ações em custódia no dia 31/12, imposto retido na fonte e outros.

Tenha o máximo de informações da corretora em mãos para fazer a declaração. Abaixo mostro as informações mais comuns de quem opera ou investe em ações.

Em algumas seções será necerrário preencher o campo CNPJ da empresa. Infelizmente as corretoras não disponibilizam essa informação, portanto a forma mais fácil e confiável é obter do site da bolsa de valores acessando o link de Empresas Listadas. Basta procurar pela empresa e ao clicar no nome dela na lista já aparecerá os dados da empresa junto com o CNPJ.

Nas telas de exemplo que mostrarei estou utilizando o programa da Receita IRPF 2020, ou seja, declarão dos rendimentos e posição de 31/12/2019, porém a lógica é igual para os demais anos.

a) Ações em custódia

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todas ações que estava em custódia no dia 31/12 devem ser declaradas na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “31 – Ações (inclusive as provenientes de linha telefônica)”.

No campo CNPJ, preencher com os dados da empresa referente a ação que está sendo declarada.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, o preço médio da compra e a corretora onde está custodiada.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da multiplicação da quantidade de ações pelo preço médio declarados. Aqui não deve ser informado o valor atual ou de mercado da ação. Caso passe mais de 1 ano com a ação e mesma quantidade, basta repetir os valores da situação de 31/12/2018.

Veja exemplo de preenchimento:

b) Dividendos

As informações dos dividendos normalmente são enviadas por carta para a nossa residência pelos bancos que escrituram as ações da empresa, porém infelizmente somente os bancos que temos conta que enviam essas cartas. Para os demais bancos, eles não nos enviam. É uma falha grave do sistema da bolsa pois não podemos garantir a fidelidade das informações preenchidas na declaração do IR. A informação oficial é que deveríamos entrar em contato com o RI de todas empresas que recebemos dividendos e outros proventos e solicitar o envio para nós, porém isso gera um mega trabalho.

Normalmente as corretoras disponibilizam nos relatórios auxiliares a relação de todos proventos recebidos, então o mais fácil é utilizar essa relação, apesar de não ser a forma oficial e garantida de se fazer.

Os dividendos devem ser declarados na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “09 – Lucros e dividendos recebidos”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido.

Exemplo:

c) Juros sobre capital próprio

As informações dos juros sobre capital próprio (JCP) são obtidas da mesma forma que os dividendos.

Os JCP devem ser declarados na seção “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

No tipo de rendimento utilizar o código “10 – Juros sobre capital próprio”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido.

Exemplo:

d) Proventos creditados e não pagos

No caso de nos informes de rendimentos contiverem informações sobre dividendos ou juros sobre capital próprio creditados e não pagos, esses valores devem ser declarados na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “99 – Outros bens e direitos”.

No campo discriminação deve ser informado que são créditos a receber, o tipo do provento, o nome da empresa e o CNPJ.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor dos créditos a receber.

Exemplo:

e) Lucros mensais

Essa informação deve estar contida no controle de cada um, conforme planilha de exemplo de lucro mensal. Infelizmente as corretoras não fornecem esses dados. A alternativa é utilizar algum sistema para calcular através das notas de corretagem.

Esses lucros devem ser declarados no menu “Renda Variável”, na seção “Operações Comuns / Day-Trade”.

Nessa seção deve ser informado o lucro e outros dados mês a mês, nas 12 abas à esquerda.

Há várias categorias de ativos que deve ser declarado caso o trader tenha feito operações: ações, opções, futuros (índice, dólar, juros, commodities) e termo. Para todas elas tem a coluna de operações comuns e day trade separado. Aqui vou comentar somente de operações comuns em ações e termo.

Começando por janeiro, preencher o lucro obtido nas ações na subseção “Mercado à Vista”, no campo “Mercado à Vista – ações”, na coluna “Operações Comuns”. Se for prejuízo colocar o número com sinal de “-” na frente.

Caso tenha encerrado operações à termo nesse mês, preencher o valor na subseção “Mercado a Termo”, no campo “Mercado a termo – ações/ouro”, na coluna “Operações Comuns”, ou seja, o lucro de operações em ações à termo deve ser declarado separado do lucro em ações à vista.

IMPORTANTE: caso tenha tido lucro no mês porém com isenção de IR devido ao total de vendas ter sido inferior a R$20 mil, não colocar o lucro do respectivo mês nessa seção de “Renda Variável – Operações Comuns / Day-Trade” pois eles serão declarados em outra seção. Nesse caso deixar com valor zero. Porém se houve IR retido nesse mês ele deve ser declarado, conforme mostrado abaixo.

Exemplo:

Antes de passar para o mês de fevereiro, descer a tela para os demais campos.

Especificamente em janeiro, é necessário preencher o campo “Resultado negativo até o mês anterior” na subseção “Resultados”. Preencha esse campo caso haja prejuízo a compensar no fim do ano anterior, nesse caso seria ao fim de dezembro de 2018. Nesse campo não coloque o sinal de “-“, coloque só o número e repare que será somado ao valor do resultado do mês atual no campo abaixo “Prejuízo a compensar”. Esse valor digitado deve ser o mesmo do campo “Prejuízo a compensar” da declaração de IR do ano anterior para manter a consistência das informações, sendo uma forma de continuidade.

Na subseção “Consolidação do Mês” é necessário preencher 3 valores.

Preencha o campo “IR fonte de Day-Trade no mês” caso tenha feito day trade e teve retenção de IR. As informações de retenção de IR estão normalmente disponíveis nos relatórios auxiliares das corretoras.

Preencha o campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) no mês” caso tenha tido retenção de IR em operações comuns.

Preencha o campo “Imposto pago” caso tenha tido lucro no mês e foi pago IR referente a esse valor.

Exemplo:

Nesse exemplo de janeiro, houve prejuízo e também vinha de prejuízo do ano anterior. Houve retenção de IR na fonte e não houve pagamento de IR.

Concluído o mês de janeiro, passamos para o mês de fevereiro. Repita a mesma lógica de preenchimento de janeiro, com a diferença que não será necessário mais preencher nenhum campo da subseção “Resultados”. Repare como tudo é calculado automaticamente, com os mesmos dados que deveria ter na nossa planilha de controle:

Na subseção “Consolidação do Mês” após preenchido o IR retido, foi calculado o IR a pagar referente a fevereiro, que é o valor que deveria já ter sido pago em março do ano anterior (2019), pois a declaração que está fazendo no ano atual (2020) é realizada somente em caráter informativo. Por isso a importância da planilha de controle para que os valores sejam calculados corretamente e no momento da declaração os dados batam com os cálculos da Receita.

Nesse exemplo de fevereiro, houve lucro que foi minimizado pelo prejuízo a compensar anterior. Houve retenção de IR na fonte e houve pagamento de IR.

Todos os meses devem ser preenchidos com todas essas informações. Ao final, no mês de dezembro, observar se ficou algum valor no campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) a compensar”. Esse valor poderá ser restituido conforme mostrado mais a frente, uma vez que o IR retido de um ano não pode ser compensado no ano seguinte.

Exemplo:

f) Lucros de meses com vendas abaixo de R$20 mil

Essa informação deve estar contida no controle de cada um, conforme planilha de exemplo de lucro mensal.

Para os meses que houve lucro e as vendas totais do mês foram abaixo de R$20 mil, há isenção de IR. Para todos os meses que apresentaram essa condição, os valores dos lucros devem ser somados para obter um total do ano.

Esses rendimentos devem ser declarados na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “20 – Ganhos líquidos em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsa de valores nas alienações realizadas até R$20.000,00 em cada mês, para o conjunto de ações”.

No campo valor preencher com o soma dos lucros isentos calculado.

g) Desdobramentos e grupamentos

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora.

Desdobramentos e grupamentos são eventos corporativos onde se altera a quantidade total de ações em circulação porém sem alterar o valor do capital da empresa, portanto o preço das ações é alterado na mesma proporção da quantidade.

Desdobramento é quando 1 ação vira N ações, normalmente quando a empresa considera que o preço da ação está muito cara. Um desdobramento de 1 para 4 por exemplo significa que para cada ação que o acionista tiver, irá se transformar em 4, portanto cada 100 ações virarão 400. Na mesma proporção, o preço da ação é dividido por 4, portanto se estava valendo R$80 ela passa a valer R$20.

Grupamento é quando N ações viram 1, o contrário do desdobramento, normalmente quando os preços das ações estão muito baratos. Um grupamento de 10 para 1 por exemplo significa que para cada 10 ações que o acionista tiver, irá se transformar em 1, portanto cada 100 ações virarão 10. Na mesma proporção, o preço da ação é multiplicado por 10, portanto se estava valendo R$1 ela passa a valer R$10.

Como esses eventos não alteram o volume investido nem o lucro da operação, não é necessário declarar em nenhuma seção especial. A única coisa que se deve fazer é ajustar a quantidade de ações em custódia e o preço médio de compra de acordo com o evento ocorrido na ação. O ajuste deve ser feito na seção “Bens e Direitos” nas ações em custódia descrito no item “a”.

Quando as ações forem vendidas e for apurado o lucro/prejuízo da operação, basta fazer o cálculo utilizando a quantidade e valor de compra ajustados.

h) Bonificações

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora.

A bonificação é um recebimento de mais ações pela empresa devido a incorporação de lucros, portanto aumentando o capital da empresa. A quantidade de ações recebidas é proporcional à quantidade que o acionista tinha em custódia até a data-ex.

Uma bonificação de 10% significa que para cada 100 ações que o acionista tiver, irá receber mais 10, portanto ficará com 110.

As bonificações devem ser declaradas em mais de uma seção.

A primeira informação deverá ser preenchida na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “18 – Incorporação de reservas ao capital / Bonificações em ações”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido, que é a multiplicação da quantidade recebida pelo valor por ação divulgado pela empresa.

Exemplo:

Caso o investidor vire o ano com essas ações em carteira, deve-se ajustar a quantidade de ações em custódia e o preço médio de compra de acordo com a bonificação. O ajuste deve ser feito na seção “Bens e Direitos” nas ações em custódia descrito no item “a”.

Por exemplo se tinha comprado 1000 ações ABCD4 por R$ 25,00 cada, totalizando R$ 25.000,00, e recebeu uma bonificação de 10%, portanto 100 ações com preço definido em R$19,50, totalizando R$ 1.950,00. Nesse caso o novo preço médio será (25000+1950)/1100 = R$ 24,50 e a nova quantidade será 1100 ações.

Quando as ações forem vendidas e for apurado o lucro/prejuízo da operação, basta fazer o cálculo utilizando a quantidade e valor de compra ajustados.

Um acontecimento comum em bonificações é o investidor receber uma quantidade “quebrada” de ações, ou seja, menos que 1 ação, por exemplo 25,7 ações. Nesse caso ele receberá 25 ações e a parte fracionada (0,7) ação será depositada em dinheiro na conta do investidor.

Esse valor recebido em dinheiro deve preenchido na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” e no tipo de rendimento utilizar o código “26 – Outros”. Na descrição informar que é um ganho referente à venda de resíduos de ações bonificadas.

i) Saldo em conta na corretora

Essa informação está contida no Informe Rendimentos.

O saldo em conta na corretora deve ser declarado na seção “Bens e Direitos”.

Por não ser conta corrente nem conta poupança, mas sim conta investimento, deve ser utilizado o código “69 – Outros depósitos à vista e numerário”.

Preencher o CNPJ da corretora, que vem informado no Informe Rendimentos.

No campo discriminação deve ser informado que é saldo em conta, o nome da corretora, o número da agência e o número da conta.

Prencher o campo valor com o informado no Informe Rendimentos.

Exemplo:

j) Imposto retido na fonte e não compensado

Nas operações de lucro, há retenção de imposto de renda na fonte. Para operações comuns a alíquota é de 0,005% e para operações day trade a alíquota é de 1%. Esses valores deverão ser subtraidos do IR a pagar do mês, porém só poderá ser compensado no mesmo ano. Em janeiro do ano seguinte esse IR retido acumulado deve ser zerado. Caso o ano finalize com saldo de IR retido na fonte a compensar, é possível solicitar restituição desse valor.

Esse imposto retido e não compensado deve ser declarado na seção “Imposto Pago/Retido”.

Preencher o valor do saldo do IR retido no final do ano no campo “03. Imposto sobre a renda na fonte (Lei nº 11.033/2004)”.

Esse valor precisa ser o mesmo do valor do campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) a compensar” do mês de dezembro na seção “Renda Variável – Operações Comuns / Day-Trade”, conforme mostrado anteriormente.

Exemplo:

k) Operações a termo

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todos os termos em andamento no dia 31/12 devem ser declarados. Como o termo é um tipo de empréstimo, deverá ser declarado em 2 seções.

Primeiro deve ser declarada a custódia do termo na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “47 – Mercados futuros, de opções e a termo”.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, o preço médio da compra, a corretora onde está custodiada e a data de vencimento do termo. O preço médio deve ser o informado pela corretora ao realizar o termo, onde já está com a taxa de juros embutida.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da multiplicação da quantidade de ações pelo preço médio declarados. Aqui não deve ser informado o valor atual ou de mercado da ação.

Exemplo:

Depois é necessário declarar o empréstimo da corretora para você comprar as ações. Essa informação é preenchida na seção “Dívidas e Ônus Reais”.

No campo código utilizar “12 – Sociedades de crédito, financiamento e investimento”.

No campo discriminação deve ser informado o objetivo do empréstimo, que são as operações à termo, e a corretora em qual foi feito.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da soma de todos os termos feitos nessa corretora declarados na seção “Bens e Direitos”.

Exemplo:

l) Ações alugadas (BTC) para operações de venda à descoberto

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todas as ações que ainda estiverem alugadas no dia 31/12 devem ser declaradas. Como envolve empréstimo, deverá ser declarado em 2 seções.

Primeiro deve ser declarada a custódia das ações na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “31 – Ações (inclusive as provenientes de linha telefônica)”.

No campo CNPJ, preencher com os dados da empresa referente a ação que está sendo declarada.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, a corretora onde está custodiada e informar que as ações são oriundas de aluguel. Não é necessário colocar preço de compra ou preço médio.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor total da multiplicação da quantidade de ações pelo preço de fechamento da ação em 31/12 ou último dia útil do ano.

Exemplo:

Depois é necessário declarar o empréstimo das ações na seção “Dívidas e Ônus Reais”.

No campo código utilizar “16 – Outras dívidas e ônus reais”.

No campo discriminação deve ser informado o objetivo do empréstimo, o nome da ação, a quantidade, o CNPJ da empresa e a corretora em qual foi feito.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o mesmo valor informado na seção “Bens e Direitos”.

Exemplo:

 

Esse conteúdo cobre boa parte da informação relacionada a ações. Qualquer dúvida ou correções mande nos comentários.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Como perder o medo de investir na bolsa de valores

8 de dezembro de 2019 2 comentários

A bolsa de valores está ficando cada vez mais popular no Brasil. Cada ano que passa mais brasileiros estão entrando na B3 (antiga Bovespa) para comprar ações.

Os motivos podem ser alguns como:

  • Desejo de obter ganhos mais expressivos para seus investimentos
  • Possível retomada da economia do país
  • Forte queda da taxa básica de juros SELIC, que determina a base dos investimentos de renda fixa
  • Maior acesso à informação para aprender a investir, através de conteúdos gratuitos de sites, vídeos e relatórios, como também cursos pagos
  • Efeito manada de ver o índice Bovespa (IBOV) subindo com uma certa constância nos últimos 4 anos e querer fazer parte do movimento
  • entre outros…

Até início dos anos 2000 havia menos de 90 mil investidores pessoas físicas ativas, ou seja, que possuiam ações. De 2004 a 2008 houve um forte crescimento de investidores na bolsa, que foi mantido até 2016 praticamente, e nos últimos 3 anos essa quantidade voltou a crescer fortemente, passando de 1,5 milhão de pessoas ativas.

Os dados podem ser vistos na tabela abaixo:


Fonte: http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/market-data/consultas/mercado-a-vista/historico-pessoas-fisicas/

Apesar do forte crescimento, em percentual ainda representa uma parcela minúscula da população brasileira. O Brasil tem uma população aproximada de 202 milhões de habitantes, portantos os investidores ativos em bolsa representam menos de 1% da população total. Mas o importante é a conscientização do brasileiro para essa modalidade de investimento e o crescimento gradual, visto que culturalmente não é um investimento nem um pouco tradicional, como são os imóveis.

Que a bolsa é um ótimo lugar para se investir, isso é fato, basta pegarmos valorizações de várias ações que superaram os 100%, ações que triplicaram seu valor ou muito mais. Se analisarmos fundos de investimentos de ações veremos muitos fundos com rentabilidades históricas muito interessantes também. Nos últimos anos praticamente todos ouviram falar da famosa Magazine Luiza (MGLU3). Ela simplesmente multiplicou seu valor mais de 400 vezes (isso mesmo, quatrocentas!!!), do seu valor mais baixo em dezembro de 2015 até seu valor mais alto em novembro de 2019. Todos querem um pedacinho disso! Ela instigou muitos de fora da bolsa e se interessar um pouco por esse mercado.

No post que fiz de título “A importância dos aportes regulares na construção de riqueza” eu faço algumas simulações investindo na bolsa por 20 anos, com resultados passados reais que obtive de um fundo de investimento em ações, mostrando quão interessante pode ser investir em ações no longo prazo.

Então é fato que esse mercado favorece excelentes negócios e rentabilidades. Mas obviamente como se trata de renda variável, inclui riscos, e aí que o bicho pega pra grande maioria.

 

Minha história de medo da bolsa

Muitas pessoas tem interesse em investir em ações mas tem medo de perder seu dinheirinho, arduamente ganhado e poupado. Outras já ficam desesperadas só de pensar no assunto e não demonstram interesse algum. Eu estava nessas categorias também no passado, mais pra segunda, sempre fui da linha conservadora para muitas coisas em minha vida, e com dinheiro principalmente! Então eu já tinha definido que iria poupar parte do meu salário mensal, no mínimo 10% mas de preferência uns 30%, e iria investir a vida inteira em alguma renda fixa. E eu estava muito confortável com isso, afinal depois de um certo dinheiro poupado os juros compostos iriam me ajudar muito na multiplicação do capital.

Num primeiro momento, durante minhas leituras de livros de finanças pessoais (que listo no menu “Livros“), lendo o famoso “Pai Rico, Pai Pobre” e as várias continuações (leitura obrigatória), ele menciona que basicamente existem 2 formas de ficar rico, sendo dono de empresa ou negócio, ou sendo investidor, em ações, imóveis ou qualquer outro segmento. Imóveis eu nunca me interessei, e também não tinha dinheiro para comprar um em começo de carreira profissional. Na época também não existiam fundos imobiliários. Ações eram extremamente arriscados na minha concepção, então eu nem sonhava com isso, dava pavor só de pensar! Então na questão de investimentos eu ficaria na renda fixa mesmo. Na seção de dono de empresa, ele colocava 3 subitens: empresa tradicional, franquia ou marketing multinível. Eu estava em início de carreira profissional na área de TI e não tinha interesse em montar empresa, sendo de marca própria ou franquia. Mas o marketing multinível (MMN) me pareceu interessante para aumentar minha renda e talvez atingir riqueza, devido ao seu modelo de negócio e projeção de ganhos. Então eu tentei por alguns poucos anos me dedicar em paralelo ao meu trabalho como empregado, desenvolver um ou outro negócio de MMN. Não vou citar quais foram para não ficar embaraçoso rs, mas não foi muito pra frente, e acabei desistindo. Mas as ações e bolsa de valores eram totalmente fora de cogitação até então.

Até que um dia me caiu a ficha. Em 2007, lendo o livro “Os Segredos da Mente Milionária” (leitura obrigatória também), com vários exemplos e depoimentos ao longo do livro sobre ações e lucros, eu me convenci que poderia ser interessante tentar investir na bolsa para caminhar em direção a minha independência financeira. Eu não comecei ler esse livro por causa do tema de ações, na verdade nem é o tema principal e ele não fala muito sobre isso, mas falou o suficiente para mim. Não sei explicar, simplesmente deu um estalo em minha cabeça e me deu essa vontade de pesquisar sobre o tema. O medo paralisador saiu um pouco de cena e eu me abri para o desconhecido, no mínimo me dei a chance e oportunidade de um aprendizado novo. Porque o medo paralisador que me impedia de ir para frente era baseado em ignorância (de conhecimento) e em notícias que ouvia por aí, tanto de pessoas quanto das mídias.

Mas enfim resolvi pesquisar sobre o assunto, não concentrando em medo, mas sim em aprendizado. Não iria colocar dinheiro algum num primeiro momento, iria aprender, entender como funciona, ver se é um assunto que eu iria gostar ou não, e se seria um risco que faria sentido correr ou não. Enfim, antes de deixar o medo dominar, resolvi aprender, aí a decisão de investir ou não em ações seria baseado no meu racional e nos meus gostos, mas não no medo. E foi aí que comecei minha jornada nesse mercado.

Mas nem todas as pessoas tem esse “click” para se dar uma nova oportunidade de aprendizado financeiro na vida, e o medo continua lá, às vezes a vida inteira, e com isso elas não se permitem investir em mercados de renda variável onde poderiam ter um futuro financeiro muito melhor, seja se aposentando com mais qualidade de vida, ou atingindo a independência financeira bem antes da aposentadoria, alguns ainda relativamente bem jovens, podendo então fazer o que quiserem da vida, trabalhar com o que gostam, aproveitar mais a vida onde o dinheiro pode ajudar. Se continuar trabalhando como empregado, não temer uma possível demissão mais, pois sabe que tem uma renda mensal passiva. Mas para isso tem que aprender a dominar aquele medo. Como diz o ditado na minha terra: “Quem não arrisca, não petisca!”, ou seja, quem não corre riscos, não consegue realizar algo diferente e possivelmente melhor.

Então para os que não conseguiram virar essa chave do medo de perder dinheiro na bolsa até hoje que escrevo esse artigo. Com algumas explicações e dicas, baseado na minha crença e no meu modo de ver e investir em ações, que me dão uma tranquilidade grande para investir mais de 90% do meu capital acumulado em ações, e dormir tranquilamente à noite, mesmo com as oscilações normais do mercado, e mesmo também com uma crise podendo ocorrer em qualquer ano ou momento.

 

Brasileiros e americanos

Com a renda fixa rendendo pouco atualmente, diversificar em algum investimento de renda variável ficou essencial. Não muito antigamente uma boa renda fixa rendia 18% ao ano, “livre de riscos”. Quem iria querer arriscar perder dinheiro para ganhar na média uns 25% ao ano talvez. Realmente fazia muito sentido ficar somente na renda fixa. Mas hoje com renda fixa rendendo 5% ao ano, a história mudou.

Americanos investem em ações há décadas, talvez mais de um século. É cultural, mais de 50% das pessoas fazem. Apesar disso, a grande maioria investe sem nenhum tipo de controle, sem avaliar os riscos de nenhuma forma!

Já vi reportagens dizendo que na crise americana de 2000, muitas ações cairam mais de 90% e muitos aposentados que dependiam desses fundos como suas aposentadorias tiveram seu dinheiro dizimado, sendo necessário voltar a trabalhar com idade avançada porque não coseguiam mais se manter. Muito triste isso.

Então certo grau medo faz bem, aquele medo que faz analisarmos a situação de forma completa, traçarmos todos os cenários possíveis na cabeça e SEMPRE fazer as seguintes perguntas: “Qual a pior situação que pode acontecer?” e “Qual será a consequência para mim se isso acontecer?”. Se a resposta para a segunda pergunta for algo muito ruim, em qualquer aspecto, algo que te desestabilizará muito, então é necessário se fazer a terceira pergunta: “Como fazer para minimizar ou evitar ao máximo essa situação, caso eu resolva investir nesse mercado?”.

Muito provavelmente quase todos aqueles americanos que perderam absurdamente em 2000 nunca se fizeram nenhuma dessas perguntas. Porque a maioria compra ações e “esquece”, é um compra para o resto da vida, o famoso “Buy and Hold” como é conhecido no mercado. Mas se esses investidores tivessem feito essas perguntas, seus destinos financeiros com certeza seriam bem diferentes dessa “fatalidade”. Enfim, qualquer pessoa que invista em ações pode passar por situação semelhante se não investir com sabedoria.

Se você está achando que está começando a fica meio chato essa história de ficar questionando sobre qualquer investimento, se acha que está começando a dar trabalho esse negócio de estudar e pensar para investir em ações, então para tudo! Bolsa não é lugar para amadores! Você não precisa ser nenhum especialista com formação acadêmica e pós-graduação para investir, mas precisa se interessar pelo assunto e estudar o básico necessário para saber o que está fazendo e tomar as decisões conscientes. Esse estudo não é difícil nem demorado, mas precisa ser feito. Se você está acostumado a colocar o dinheiro em qualquer produto que o banco oferece e não precisar esquentar a cabeça com mais nada, precisa mudar a mentalidade para investir na bolsa, porque esse tipo de praticidade não existe nesse mercado. Quem resolve investir em ações tem que tomar as rédeas de sua vida financeira e dos seus investimentos.

E se você está achando que esse tipo de comportamento só deve ocorrer no mercado americano, você está enganado! Na minha página Proteção do capital eu mostro vários exemplos de ações que caíram absurdamente também, e nunca mais recuperaram. Vale a pena conferir.

Então muito dessa aversão do brasileiro a bolsa de valores é cultural. Devido a problemas e crises que aconteceram e ainda existem no país, o brasileiro criou um medo enorme de perder dinheiro.

 

Mas então, Como perder o medo de investir na bolsa?

A resposta é: com gestão de risco!

 

Perdas e as emoções

Veja bem, para ser bem claro, você vai perder! Se você investir na bolsa, em algumas ocasiões você vai perder dinheiro. A questão é quanto você vai perder!

Se a você investir R$ 10 mil em ações e perder R$ 100, não me parece muito problema, certo? Representa 1% do que investiu. Mas e se perder R$ 1.000? Bem, agora já fica um pouco desconfortável. Ainda aceitável considerando que é renda variável, mas já desconfortável. E se perder R$ 3.000 ou R$ 5.000? Pô, aí fica ruim hein! Perder um volume grande desses já desanima total. Seria 30% ou 50% do que investi. Falando de R$ 10 mil de investimento a perda dói mas não é tão grande ainda, agora e se fosse R$ 100 mil ou mais?

Parece coisa de outro mundo, alguém perder 30% ou 50% na bolsa. Parece algo muito raro, mas não é! Por incrível que pareça e por mais ilógico que seja, a maioria das pessoas que investem em ações não aceitam perder 1% mas aceitam perder 50%!!! Sim, é isso mesmo! E eu conheço MUITAS pessoas que já fizeram exatamente isso, algumas perdendo mais ainda. É muito mais comum do que você pensa!

E isso basicamente acontece por ego e desespero. Ego porque as pessoas fazem uma aposta numa ação, numa empresa, e acreditam que ela dará lucros para ele, que será uma boa opção de investimento. Só que pode ser que não, e depois de comprar essa ação o preço comece cair. Aí entra o ego que não deixa admitir que fez uma escolha errada, seja na empresa errada ou no momento errado, então não vai vender com um pequeno prejuizo porque quer acreditar de qualquer forma que estava certo quando tomou a decisão. E aí o preço pode cair mais, e o ego fica ainda mais ferido, “Agora que não vendo mesmo!”, é o que mais ouvimos nesses momentos. E pode continuar caindo mais e mais, até onde ninguém sabe e pode prever. Aí depois de ter caído muito, 50%, as vezes 70%, entra o desespero generalizado, a perda foi muito grande, e não para de cair, está perdendo cada vez mais naquela ação, vem aquele momento de dor. Quando essa dor chega no limite, a pessoa quer salvar pelo menos algum dinheiro, para não perder tudo, e vende com um prejuízo monstro. Agora, se a pessoa estivesse investindo e tomando as decisões totalmente com o racional e intelectual, zero com emoções ou achismos, isso não aconteceria.

Esse padrão de atitude das pessoas no mercado é clássico e é dessa forma desde que os mercados existem. É um ciclo de emoções baseado nos preços das ações e pode ser descrito perfeitamente na seguinte imagem:

As pessoas que não tem uma estratégia bem definida e compram ações por impulso, e não sabem o momento que vão vender, normalmente compra as ações na fase de animação a euforia e vendem na fase de pânico a depressão. Elas fazem totalmente o contrário do que deve ser feito. Enquanto fizerem dessa forma, sempre estarão passando apuros e provavelmente sempre estarão perdendo dinheiro na bolsa. A estratégia que será utilizada para investir deve mostrar bons momentos de compras mas também bons momentos de venda, seja para sair com um prejuízo, cortando perdas logo cedo, ou seja para sair com lucro depois de uma boa subida dos preços.

Veja, um ponto importante a comentar é que o preço das ações não tem nenhuma relação direta com os lucros da empresa. Há uma certa tendência de empresas com lucro crescente, os preços das suas ações subirem também, pois mais investidores são atraídos. Porém essa relação não é obrigatória e não funciona sempre. Então é perfeitamente comum uma empresa que esteja apresentando lucros consistentes mas suas ações estarem com preços em queda por semanas ou meses. Então a sua escolha da empresa pode até ter sido boa, porém a ação pode não estar seguindo os números da empresa naquele momento. E isso pode ser temporário ou de prazo maior, a empresa pode estar prestes a passar por algum tipo de apuros e já existem muitos investidores sabendo, por isso estão vendendo e os preços caindo. Mas o motivo não importa! O que importa é que ganhamos dinheiro quando a ação valoriza, então seja qual for o motivo da ação estar desvalorizando, isso não é interessante para os investimentos, portanto é muito arriscado manter uma ação assim em carteira.

 

A matemática das perdas e lucros

Agora vamos usar a lógica um pouco, vamos pensar em termos matemáticos, com o racional. Se a cada ação que eu invisto, se eu estiver errado eu aceito perder R$ 100, e vamos dizer que quando eu acerto eu ganho R$ 700. Vamos agora supor que eu erre mais que um sistema aleatório de cara e coroa de moeda, a cada 3 ações que eu compro, eu erro em 2 e acerto em 1. “Poxa, mas acertar 33% das vezes me parece bem ruim.. Vou perder dinheiro toda hora..”. Ok, mas estamos investindo para ganhar dinheiro ou para mostrarmos que somos os melhores e fazer campeonato de quem acerta mais? A pessoa que estiver querendo acertar tudo e brincar de prever o futuro, recomendo que não faça isso com dinheiro. Enfim, mas qual seria o resultado dessas operações? A cada 3 compras, eu perderia R$ 200 e ganharia R$ 700 (2 erros e 1 acerto), ou seja teria um saldo positivo de R$ 500. Estatisticamente, com 30 operações realizadas ao longo do tempo, eu teria perdido 20 vezes, gerando R$ 2.000 de prejuizo, e teria ganhado 10 vezes, gerando R$ 7.000 de lucro, resultado em R$ 5.000 de lucro.

Então matematicamente podemos ver que é possível ganhar dinheiro com o tempo mesmo perdendo a maioria das vezes! A chave para o mercado é: quando perder, perder pouco, e quando ganhar, ganhar muito. Agora, o que teria acontecido na simulação acima se em cada erro eu perdesse R$ 500 ou R$ 1.000? Com certeza eu teria um resultado negativo com o passar do tempo.

Um ponto importante para perder o medo de investir é saber que se você utilizar uma estratégia boa para investir, testada ao longo de muitos anos, estatisticamente você nunca perderá muito sequencialmente. Isso quer dizer que você perderá eventualmente, sim, mas não perderá 30 ou 50 vezes seguidas. Mesmo em períodos ruins para ações, vamos ganhar em várias operações, portanto os ganhos compensarão as perdas parcialmente ou na totalidade. A taxa de acerto da minha estratégia fica em torno de 40%, baseado em mais de 10 anos de operações. Isso significa que estatisticamente a cada 10 operações, eu ganharei em 4 e perderei em 6. Com o padrão Trend Following, ou seguidor de tendência, que é o tipo da minha estratégia, os lucros são muito superiores que as perdas, na faixa de 10 vezes, às vezes muito mais! Então a matemática fecha. Basta ter paciência e não se abalar quando vierem os trades perdedores.

Na prática, quando eu vou comprar uma ação, eu arrisco 1% do meu capital disponível na corretora. Se tiver R$ 10.000, eu arriscarei R$ 100 por operação. Ou seja, se der errado e o preço cair até meu limite da estratégia, vou perder esse valor. Se eu perder algumas operações seguidas e eu ficar com R$ 9.500, agora cada operação eu arriscarei R$ 95. Da mesma forma se eu ganhar dinheiro e ficar com R$ 15.000, em cada operação eu arriscarei R$ 150, que representa 1% desse novo capital. Isso quer dizer que a medida que meu capital diminui, eu arrisco menos dinheiro, e a medida que meu capital aumenta e que estou tendo êxito, eu arrisco mais dinheiro, mas a proporção do risco será sempre 1% do capital total. Como o risco em reais diminui cada vez que o capital diminui, matematicamente a conta nunca seria quebrada. Mas de novo, as chances de perder 20 ou 30 vezes seguidas são praticamente zero. E se isso acontecer é melhor parar de investir com a estratégia e revisar tudo, porque algo está muito errado.

Lembra que falei anteriormente que invisto mais de 90% do meu capital em ações? Quando digo isso para as pessoas elas pensam que sou louco ou irresponsável com dinheiro. Mas elas pensam isso justamente porque tem a mente de risco máximo na bolsa, que pode perder tudo se tudo começar a cair. Mas como vimos nesses parágros anteriores, isso é possível e feito com muita responsabilidade devido justamente ao extremo controle de risco aplicado nas operações.

Podemos concluir que quem não quer perder, e portanto não vende uma ação com pequeno prejuízo, está arriscando muito mais do que quem aceita perder!

 

Validação da estratégia de investimento ou trading

O estudo e a validação da estratégia a ser utilizada na compra e venda de ações fazem parte fundamental no processo do aprendizado bem como na questão da segurança antes de investir.

É importante utilizar uma estratégia que seja amplamente testada e se possível já utilizada por outras pessoas que obtém êxito através dela.

Uma estratégia descreverá passo a passo tudo que deve ser analisado na tomada de decisão de compra e venda de ações. Ela deve descrever como será feita a seleção de ações, quando será considerado um bom momento de comprar, quando será um bom momento de vender com prejuízo para limitar as perdas, quando será um bom momento de vender para realizar lucros, quando o risco por operação, etc. Enfim, a estratégia deve descrever tudo o necessário para o investimento ou trading.

Eu sugiro pegar uma estratégia que você simpatize e testa-la em dezenas, ou de preferência centenas de gráficos históricos de todas as ações disponíveis, utilizando algum software adequado. Através de cada gráfico você determinará onde teriam sido pontos de compras e de vendas seguindo as regras da estratégia, e anotando os resultados de cada operação fictícia. Isso é o que chamamos backtesting, ou seja, teste no passado.

Depois de testar a estratégia vastamente, se o resultado de tudo isso foi um bom lucro, com uma boa taxa de acerto, lucros grandes e prejuizos pequenos, você de certa forma já vai ter operado, só não com dinheiro real. Mas já vai ter vivenciado muitos e muitos gráficos, com centenas de operações. Você vai ter a segurança para saber que quando for finalmente comprar ações de verdade seguindo essa mesma estratégia, suas chances são grandes de manter resultados semelhantes aos dos testes. E você vai ter vivenciado que os testes geraram várias perdas eventualmente, mas mesmo assim os resultados foram positivos. Isso te dará uma tranquilidade muito maior quando passar por situação semelhante em conta real, quando for operar para valer.

A maioria das pessoas não tem peciência para fazer esses tipos de testes, porém vamos lembrar que estamos falando de dinheiro aqui, cada um tem que pesar o que é importante e com que nível de seriedade quer levar os investimentos. Vamos lembrar que não estamos deixando o dinheiro pro gerente do banco aplicar mais! Portanto os estudos são muito importantes antes de começar a investir.

 

Perdendo dinheiro na prática

Depois de ter entendido a matemática do mercado, de perder pouco e buscar ganhar muito, a hora da prática é um pouco diferente da teoria. Mesmo entendendo isso tudo, é óbvio que NINGUÉM gosta de perder. Mas sabemos que vamos perder como parte do investimento saudável na bolsa. Portanto antes de começar a investir, a pessoa deve procurar fazer um trabalho de reflexão sobre esses momentos de perdas, e não se deixar abalar ou mudar o plano por causa disso. Precisa ter ciência e estar bem emocionalmente quando perder, saber que faz parte do jogo. Continuar seguindo o plano e saber que no médio e longo prazo os resultados tendem a ser positivos, se o histórico da estratégia assim disser.

Com o passar dos anos vai ficando cada vez mais fácil ter esse domínio emocional das pequenas perdas, mas no começo pode ser um desafio maior dependendo da pessoa. E o que podemos fazer no começo dos investimentos para começar a dominar essas emoções negativas das pequenas perdas?

A primeira coisa é determinar o valor em reais que você pode arriscar por trade que não vá te abalar, um valor que para esse momento inicial você considere aceitável, “tranquilo”. Pode ser R$ 500, R$ 200, R$ 100, R$ 50, R$ 20, etc. Enfim, faça um exercício mental e se imagine perdendo cada um desses valores, e veja qual é o seu número. Vai ser o valor que quando você perder (e lembrando, você VAI perder!), não te afetará emocionalmente porque será um valor relativamente pequeno para você. Você saberá que essa perda é parte do processo de investimento e você continuará com a estratégia normalmente da forma que você definiu.

Em segundo, você deve disponibilizar para bolsa somente o dinheiro total que pode colocar em risco. Deve ser um dinheiro que você não precise em pelo menos 1 ano. Não deve ser um dinheiro tirado do seu fundo de emergências, que normalmente fica em alguma renda fixa com alta liquidez. A sugestão é começar com um valor baixo na bolsa de valores, para ir aprendendo e começando a ganhar dinheiro, para só depois aplicar mais dinheiro se assim for a intenção. A idéia é começar com 5% a 20% do seu capital total acumulado, dependendo de quanto você tiver. Se você tiver muito dinheiro, 5% para iniciar deve ser adequado. Se você tiver menos, talvez precise disponibilizar 10% ou 20% para que haja uma quantia razoável para a compra das ações. O importante é que esse valor que será depositado na corretora, seja um valor pequeno perto do que você já tem, dessa forma você ficará psicologicamente bem mais tranquilo, sabendo que estará colocando em renda variável uma parte pequena do seu dinheiro, isso ajudará no seu processo do medo.

 

Crises

Outro medo muito comum em bolsa de valores são as temidas crises. A crise grande mais recente foi a de 2008, que estourou nos EUA e afetou o mundo inteiro. O IBOV caiu 60% e muitas ações caíram mais que isso. As ações da Petrobrás (PETR4) caíram 68%. Muitas pessoas têm medo porque acham que podem perder 60-70% do capital, ou mais, do dia pra noite, sem conseguir se desfazer das ações a tempo. Mas isso não é verdade!

Vejam o gráfico da PETR4 abaixo:

Podemos ver que o preço mais alto ocorreu em 21/05, a partir desse dia os preços começaram a cair. O preço mais baixo ocorreu no dia 21/11, ou seja, exatos 6 meses depois! Vejam que a queda foi gradativa durante todo esse período, caindo um percentual relativamente pequeno a cada dia com barra vermelha. Houve somente alguns dias de maior desespero dos investidores e quedas relativamente maiores.

O ponto chave aqui é que mesmo durante as crises mais fortes, dá tempo de sair tranquilamente. Uma venda de ações seria possível em qualquer momento nesses 6 meses, e não somente lá embaixo.

Na minha estratégia eu sempre fico de fora de crises acentuadas com essa, vendendo todas minha ações que possuia até então, e espero o fim da crise quando os preços voltarem a subir para voltar a comprar. Eu JAMAIS compro ações durante as quedas de preços, pois como pode-se ver no gráfico, qualquer tentativa precoce de compra teria levado a muitos prejuízos!

Então não precisa ter medo de crises, basta saber como identificá-las, normalmente depois que já começaram, com uma queda moderada dos preços, para liquidar todas as ações e ficar simplesmente de fora esperando acabar. Essa é justamente a minha recomendação, não ficar com nenhuma ação em carteira durante crises, evitando assim um desgaste emocional tremendo, como pude testemunhar algumas pessoas nessa época de 2008.

 

Quando já estiver investindo

Vamos falar agora do medo e outras emoções indesejadas que podem surgir durante as operações, quando já tiver começado a comprar ações.

Uma vez que já tenhamos comprado algumas ações, é natural que façamos o acompanhamento delas frequentemente. Para os iniciantes ou para aqueles que ainda não tem certo domínio das emoções, como medo, ansiedade, insegurança, desespero, frutração, etc, eu recomendo o acompanhamento semanal da carteira, olhar as ações somente no fim de semana depois que a bolsa estiver fechada, para ver como foi a semana e fazer o planejamento para a próxima, se vai haver ajustes de vendas, novas entradas ou outra coisa a fazer. Na minha opinião essa é a melhor forma para manter a calma investindo em renda variável. Ficar acompanhando as oscilações das ações durante o dia pode causar muita ansiedade. Durante a semana foque nas outras áreas de sua vida como trabalho, família, saúde, espiritualidade, etc.

Se você tiver algum app no celular, software no computador, home broker ou página da corretora para acompanhamento da carteira de ações, minha recomendação é não ficar acompanhando o valor do capital total atualizado, principalmente em momentos de correções e dias de queda para não afetar psicologicamente de ver o dinheiro alterando para menos. Você deve lembrar que as correções fazem parte do mercado, altas são seguidas de baixas, o mercado anda em ondas! Então sempre vão haver os dias e semanas de queda, não importa o motivo, e na minha opinião é melhor nem ficar tentando descobrir. Desde que esteja dentro da nossa estratégia, deixa cair e foca em outra coisa. Se for para haver continuidade da alta, ela irá continuar em breve, não adianta sofrer por antecedência.

Se os stops (vendas automáticas no home broker) estiverem bem posicionados, pode ficar tranquilo sem abrir o home broker durante a semana que as ações estarão todas bem protegidas. A unica exceção é que o stop pode ser cancelado caso haja algum evento corporativo da empresa como dividendos, juros sobre capital, desdobramentos, etc. O que pode fazer nesses caso é acompanhar sites de proventos no fim de semana para ver se tem algum planejado para a próxima semana e já ficar esperto para entrar no home broker e recadastrar o stop.

 

Próximo passos

Você tinha medo de investir e agora resolveu se dar uma chance nessa modalidade de investimento? Ok, e agora, como prosseguir com o aprendizado?

1) Sugiro a leitura de livros sobre finanças pessoais e sobre bolsa de valores. Se interesse mais por esse assunto. Na seção Livros eu listo todos os livros que li e uma breve opinião sobre cada um.

2) Acesse o conteúdo na íntegra sobre minha Estratégia, onde descrevo detalhadamente toda minha filosofia de investimento em ações, bem como quando considero comprar e vender cada ação. Também entro no detalhe de cálculo de risco e de como decidir quantas ações comprar em cada ocasião. Utilize esse conteúdo como um ponto de início prático no seu aprendizado, e dali você poderá decidir as partes que gosta e as partes que não gosta, buscando novos conteúdos que te agregue na construção da sua própria estratégia.

3) Acesse o artigo Qual o capital mínimo para começar a investir em ações? para tirar dúvidas sobre o tema antes de enviar qualquer dinheiro para a corretora.

4) Procure pessoas mais experientes ou grupos que tenham convicções e pensamentos sobre investimentos semelhantes aos seus de modo a te ajudar nesse processo. Eu não tive ninguém para me direcionar durante todo meu processo de aprendizado e formação da minha forma de investir. Se eu tivesse tido, com certeza o caminho teria sido muito mais fácil.

 

Conclusão

Bem, essas foram as dicas que lembrei para compartilhar. Espero que possa te ajudar a dar o passo a frente, se for do seu interesse. O que eu posso dizer é que na minha opinião vale muito a pena! Aquele primeiro passo que dei lá atrás em 2007, me dando uma oportunidade de aprendizado e de arriscar algo novo porém de forma totalmente controlada, foi a grande chave de virada na minha vida na área de investimentos.  Mas lembrando que tem que fazer da forma certa, com estudo, consciência e usando o racional.

Para finalizar, deixo uma reflexão sobre o medo. Quando se fala em medo de investir, a quase totalidade das pessoas tem medo da renda variável. Quase ninguém tem medo de investir na renda fixa. E será que não deveriam? Ter medo de render muito pouco e o dinheiro quase não crescer? Ter medo do rendimento ser menor que a inflação, e apesar do dinheiro aumentar ter menos poder de compra com o passar do tempo? Ter medo de não atingir seus objetivos de independência financeira ou aposentadoria no longo prazo?

Fica aí a reflexão para vocês! Pensem com carinho pois a área financeira é muito importante para suas vidas!

Comentem o que acharam do artigo e repassem para os amigos que tem aquele medo de investir em ações! Quem sabe pode ajudá-los.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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A importância dos aportes regulares na construção de riqueza

16 de novembro de 2019 11 comentários

A bolsa de valores é algo fascinante! É um mercado com diversas modalidades de ativos para investir ou especular. É um lugar onde as pessoas tem liberdade para escolher onde aplicar, o prazo operacional, os tipos de estratégias, e o melhor, ter a possibilidade de ganhos muito interessantes.

Eu sou suspeito para falar, afinal até montei um blog (rs). Os brasileiros cada vez mais estão vendo a importância de investir parte de seu capital em renda variável e estão tendo interesse pelo mercado de ações. A grande maioria sempre tem aquele sonho do primeiro milhão, e na renda fixa fica bem difícil atingir, certo? Na bolsa de valores onde as oscilações de preços são muito maiores, fica muito mais viável esse sonho, ou meta. E com razão, é muito mais provável através de renda variável do que renda fixa.

Então o cidadão começa a estudar o mercado, entender seu funcionamento, quer investir em longo prazo, como a grande maioria das pessoas. Ele escolheu um estilo que se identificou, pois pode surfar bastante na tendência de uma ação, ficando meses ou anos posicionado enquanto ela estiver subindo, e ao mesmo tempo com risco muito controlado, sabendo exatamente quanto pode perder nas operações que não forem como o planejado. Ele entendeu que o lucro e a perda fazem parte do jogo, totalmente racional. O estilo que ele escolheu seguir foi o Trend Following, ou seguidor de tendência. Mas poderia ser outro, afinal há diversas formas de investir em ações que podem gerar lucros.

Depois de estudar várias semanas ou meses, analisar vários gráficos, entender como funciona as operações, a seleção de ações e como conduzir os trades, ele resolve começar a investir na prática. Ele resolve começar com R$ 10 mil. Devido ao seu estilo de vida, costuma gastar praticamente tudo que ganha do seu salário ou renda como empresário/autônomo, portanto acaba não fazendo novos aportes. Mas tudo bem, afinal a bolsa é quase uma mina de ouro né! Esses R$ 10 mil devem virar R$ 1 milhão depois de algum tempo, investindo em boas ações!

Bem, vamos fazer algumas continhas… Antes de tudo, todo mundo sabe que rendimentos passados não são garantias de rendimentos futuros e blá blá blá, mas se não tiver números para usar não dá para fazer estimativa de nada. Melhor estimar errado do que não estimar nada e ficar às cegas.

Para não inventar números de rentabilidades anuais quaisquer, vou pegar um fundo que teve uma boa performance, mas não a melhor, e usar a rentabilidade de 20 anos individualmente (1999 a 2018), trocando a ordem desses anos de forma aleatória. Ou seja, são rentabilidades reais que um investidor comprando ações por conta poderia ter tido. Não vou citar o fundo para não fazer propaganda, mas peguei um aleatoriamente. Se acessarem sites de fundos de ações e ver a rentabilidade histórica, verão que os percentuais abaixo são reais e não exagerados. Vou utilizar rentabilidades anuais para simplificar as contas. Para simplificar o assunto e os cálculos, não vou considerar a perda de poder de compra pela inflação no período. Também não vou considerar desconto de IR de 15% sobre o lucro. Podemos supor que a rentabilidade mensal/anual seja líquida, ou seja, a rentabilidade pode ter sido maior e já descontou IR. Ou ainda havia uma política de venda de até R$ 20 mil mensais no último dia útil do mês e recompra no dia seguinte onde os lucros seriam isentos de IR. Enfim, vamos para o que interessa.

Então segue abaixo a conta feita no Excel:

 

Nesse caso houve somente um investimento inicial e todo capital acumulado foi proveniente dos os lucros anuais. Depois de 20 anos, com um investimento inicial de apenas R$ 10 mil, o nosso amigo poderia ter acumulado R$ 519 mil, se tivesse tido as rentabilidades acima. Não chegou no R$ 1 milhão ainda, mas foi uma excelente caminhada, afinal foram só R$ 10 mil investidos! E com esse valor acumulado, ele precisaria de mais 92,5% para entrar na casa do milhão, o que poderia acontecer nos próximos poucos anos dependendo da rentabilidade.

Antes de continuarmos com o tema do artigo, vamos antes comparar essa rentabilidade caso o colega tivesse investido em renda fixa, obtendo uma rentabilidade 100% do CDI:

Fonte da rentabilidade anual: https://www.portalbrasil.net/indices_cdi.htm

 

Acho que o colega não se arrependeu nada de investido nas ações ao invés da renda fixa! Mal passou dos R$ 100 mil. Isso porque na década passada os rendimentos de renda fixa eram muito altos comparados ao resto do mundo. Hoje (11/2019) essa rentabilidade está em 5% anual, portanto investir em renda fixa nos próximos 20 anos pode ser muito mais frustrante!

Agora, voltando para as ações, e se o trader resolvesse fazer aportes mensais de apenas R$ 250, que daria R$ 3 mil ao ano? Um valor pequeno desses faria muita diferença?

Para ninguém falar também que o aporte mensal não necessariamente participaria do lucro pois às vezes poderia demorar para se alocado, eu vou considerar os aportes de um ano somente na soma, o rendimento será baseado somente no capital inicial do ano. Então podemos pensar nesse aporte em qualquer forma, sendo mensal, uma vez ao ano no décimo terceiro, no PLR da empresa, enfim, tanto faz.

Então vamos às contas:

 

Opa!! Eu vi R$ 1 milhão?? Simm, e não só 1, mas 1 milhão e duzentos e sessenta e quatro mil. Que diferença enorme no capital depois de 20 anos com as mesmas rentabilidades! Aqueles 250 reais no fim das contas não eram tão poucos assim. Dessa forma nosso amigo teria atingido sua meta! Então vejam que um sacrifício pequeno no orçamento mensal gera retornos exponenciais no longo prazo. Esse dinheiro economizado nos primeiros anos parecem não fazer muita diferença, mas vejam que no ano 5 já teria mais que o dobro do capital e no ano 8 já teria mais de 100 mil reais de diferença na conta. Então essa economia faz total diferença para atingir as metas financeiras.

Vejamos essas últimas 3 tabelas em forma de gráfico comparativo:

Vamos fazer um outro exercício mental. O cara investiu 10 mil e no começo ficou patinando, vários anos perdendo um pouco, ganhando um pouco, mas basicamente ficou no zero a zero por 6 anos. Vai ver que entrou numa época ruim na bolsa, tinha estratégias ruins, enfim… Então após 6 anos ele continuava com 10 mil. Aí veio o ano 7 conforme a tabela e dessa vez ele acertou em cheio e conseguiu a rentabilidade de 103%! Maravilhoso, mais de 100% num ano é algo quase surreal! Um mega rendimento para qualquer renda variável. Mas com toda essa performance ele ganhou quanto? Somente R$ 10.300. Ok, 10 mil é uma boa grana, mas para ter um ano fantástico, ações subindo absurdamente, aquela euforia, e chega no fim do ano e ter ganho 10 mil, pode dar uma sensação de muita performance em percentual, mas não tanto em reais, afinal 10 mil a mais no melhor ano da história, não deixou tão perto assim do 1 milhão. Agora se ele tivesse poupado os 250 reais mensais durante esses 6 anos, no início do ano 7 ele teria 28 mil. Aí com a rentabilidade de 103% ele teria ganho R$ 28.840. Pô, agora deu uma vantagem! Ainda sim não são rios de dinheiro mas ganhar quase 30 mil num ano ótimo já é bem mais glorioso que os 10 mil sem ter feito os aportes. E percebam que o esforço durante o ano foi o mesmo, a escolha das ações, as entradas, as saídas, os acompanhamentos. A única coisa que mudou foi a quantidade de lotes de ações nas compras. Acho que deu para captar a idéia, certo?

Agora voltando a simulação acima. Reparem que nos primeiros anos, até o sexto, o aporte de 3 mil era um valor proporcionalmente grande comparado ao lucro de cada ano, então era um dinheiro considerável entrando na conta, que na soma dos juros compostos dos anos teriam um reflexo grande. Já a partir do ano 7 e principalmente depois do ano 13, o aporte de 3 mil começou a ficar quase que insignificante perto dos lucros obtidos.

“Humm, isso quer dizer o que eu estou pensando? A partir de certo ponto não preciso poupar mais, só deixar os lucros fazerem meu capital crescer?” É uma pergunta válida! Vamos ver como ficaria algumas simulações de parar de aportar dinheiro após certas quantidades de capital acumulado.

Fazer aportes até atingir R$ 50 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 100 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 200 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 300 mil:

 

Vamos consolidar as tabelas no gráfico comparativo:

 

Epa! Acho que vejo boas notícias aí!! Todas as simulações passaram do R$ 1 milhão, muito acima da simulação de não fazer aportes nenhum. No caso de parar de poupar a partir de 300 mil reais acumulados, teria um resultado muito próximo do poupar sempre. Mesmo parando após os 100 mil reais, a diferença não foi muito grande proporcionalmente.

A lição é que no início dos investimentos, quando se tem menos dinheiro aplicado, os aportes são extremamente mais importantes do que depois de já acumulado um montante razoável.

Que nenhum educador financeiro veja o que eu vou escrever, mas é perfeitamente aceitável parar ou diminuir os aportes após um certo valor acumulado! O valor acumulado para isso vai variar para cada um, e também será proporcional aos aportes, pois quanto maiores eles são, mais influencia no capital final. Vamos fazer mais algumas simulações sobre esse tema mais abaixo.

Mas é óbvio que se conseguir continuar poupando o máximo que der, o capital vai aumentar mais rápido. Então se o objetivo for multiplicação mais rápida do capital, os aportes sempre serão importantes, mesmo que diluidos num capital maior.

Agora vamos fazer algumas simulações de investimentos iniciais maiores mas sem aportes.

Investimento inicial de R$ 20 mil:

 

Investimento inicial de R$ 50 mil:

 

Investimento inicial de R$ 100 mil:

 

Agora o gráfico:

 

Vemos que um investimento inicial do dobro do valor, 20 mil reais, já atingiria o milhão em 20 anos. Um investimento de 50 mil teria atingido em 16 anos. Um investimento maior, de 100 mil, teria atingido em apenas 10 anos, e os próximos 10 anos teria virado incríveis R$ 5 milhões, uma bela aposentadoria hein!

Reparem que até os 100 mil, a rentabilidade tem um passo, e a partir desse valor dá uma acelarada, o capital cresce na casa das dezenas de milhares por ano. A partir dos 300 acelera mais, já podendo ter rendimentos de 3 dígitos num ano com mais probabilidade. Quando chega nos 500 mil, aí é só questão de tempo para atingir o milhão! Depois dos 500 as passadas são bem largas, os rendimentos podem ser muito gordos, e só é necessário 100% para chegar no 1 milhão. Sim, aqueles mesmos 100% do exercício mental que fizemos alguns parágrafos acima! Se demorasse 1, 2, ou que seja 5 anos para bater os 100% de rentabilidade, estaria ali o tal desejado milhão. E se o trader conseguiu chegar nos 500 mil, começando lá de trás, seja qual valor foi, ele tem consistência no que faz, então as chances são altíssimas de conseguir essa rentabilidade dali pra frente, simplesmente fazendo o que ele fez até então. E do 1 milhãozinho pra frente, meu amigo, os rendimentos já podem ser de outro mundo, na casa de centenas de milhares por ano.

Mas vejam, essas contas não são simples contas igual reunião de marketing multinível. Aquelas que todo mundo que vai fica deslumbrado, todo mundo sonha em atingir aqueles números de rendimentos mensais, mas provavelmente você não conhece ninguém que tenha chegado, é quase uma utopia! Na bolsa de valores tudo é possível, só depende de você mesmo. Você não precisa vender nenhum produto pra ninguém, depender de funcionários venderem para você, alguém te dar um aumento de salário, ou seja, de nada. Só depende da sua disciplina em poupar regularmente e ter consistência nos investimentos ao longo dos anos. Tudo é possível, e todos podemos chegar onde quisermos!

Agora vamos fazer outras simulações com o mesmo investimento inicial de R$ 10 mil porém diferentes aportes mensais, desde R$500 até os R$ 3 mil, para os que possuem uma renda melhor e conseguem poupar mais.

Aportes de R$500 mensais:

 

Aportes de R$1.000 mensais:

 

Aportes de R$3.000 mensais:

 

E o gráfico:

 

Vejam que a diferença do valor dos aportes muda fortemente o capital acumulado. O atingimento das metas é muito mais rápido com aportes maiores, bem como a continuação da multiplicação do capital.

Agora vamos ver o impacto de parar de poupar a partir de um certo capital, considerando aportes mensais de mil reais agora.

Fazer aportes até atingir R$ 100 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 300 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 500 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 800 mil:

 

E o último gráfico:

 

Com aportes mensais de 250 reais, consideramos que a partir de 100 mil já seria aceitável parar de poupar, porém um valor melhor seria entre 200 e 300 mil. Agora com aportes de 1000 reais a história muda. Se tivesse parado de poupar após atingir 100 mil, o resultado após 20 anos seria bem diferente, com quase 1 milhão a menos. Mesmo parar após atingir 300 ou 500 mil afetaria razoavelmente o capital final. Parece que só a partir dos 800 mil acumulados que seria mais seguro parar de aportar os mil reais mensais sem que altere significativamente o resultado final. Acho que agora aquele educador financeiro que ficou de cabelo em pé lendo aquele trecho mais acima vai ficar mais tranquilo!

Conclusão

A conclusão que podemos tirar fazendo várias simulações é que os aportes regulares, mensais ou anuais, na construção de riqueza são extremamente importantes. Para quem quer uma rápida multiplicação de capital, aliando a uma boa performance buscada na renda variável, os aportes são fundamentais. Quanto maiores os aportes, maiores as rentabilidades obtidas e mais rápido as metas são atingidas, se aproveitando dos juros compostos, mas mesmo os aportes menores fazem muita diferença no longo prazo.

Simulações poderiam ser feitas com rentabilidades diferentes, sejam inferiores ou superiores, porém a importância de poupar e aportar novos valores ao capital em renda variável será sempre muito relevante.

Como um “alívio” a obrigação de poupar frequentemente por muitos anos de vida, e usar esse dinheiro para curtir mais a vida, pode-se optar por diminuir ou parar os aportes após atingir determinado patamar financeiro. O quanto essa parada irá afetar vai depender do valor total acumulado, do valor do aporte mensal e também da rentabilidade média. Então se for o caso de alguém, é muito importante fazer várias simulações antes de tomar uma decisão dessas.

Quem quiser fazer simulações desse tipo pode usar esses sites: http://webcalc.com.br/Financas/form/aplic e http://www.igf.com.br/calculadoras/simulaVF_1.aspx. Nesses casos terá que usar uma taxa fixa média mensal ou anual.

Também disponibilizo a planilha que montei para fazer as simulações desse artigo, onde é possível modificar para incluir novos anos, bem como colocar rendimentos diferentes a cada ano. Clique aqui para baixar.

Comentem o que acharam do artigo e repassem para os amigos que estão com dificuldade em guardar aquela graninha para ver se animam!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Somos Rêmoras na Bolsa!

7 de outubro de 2019 7 comentários

Os clássicos: Tubarões vs Sardinhas.

Dá pra imaginar quem é quem aí nessa figura e o que acontece nessa fartura né? rs

Praticamente todos que investem ou fazem trades na bolsa de valores já ouviram os termos dos participantes do mercado: tubarões e sardinhas.

Tubarões são os peixes grandes, os reis dos mares, e na bolsa são os players que dominam, que fazem os movimentos das ações, os que detém a grande parte do dinheiro movimentado. São investidores estrangeiros, institucionais, bancos e poucas pessoas físicas.

Sardinhas são os peixes pequenos e que normalmente são comidos pelos tubarões! São pessoas físicas que têm muito menos informações que os institucionais e tomam decisões com muito menos eficácia e acabam perdendo seu dinheiro para os tubarões. Pequenos investidores que em sua maioria não possuem critério objetivos e racionais para as decisões de compra e venda, seja para curto, médio ou longo prazo, normalmente não tendo uma estratégia consistente de atuação na bolsa. Pesquisas já mostraram que 90% das pessoas perdem dinheiro na bolsa.

Como é dito no jargão do mercado: “Sardinhas sendo comidos por tubarões”!

E o que somos?

Com certeza não somos tubarões! (Pelo menos 99,9% de nós)

Mas também não somos sardinhas! Somos pequenos, sim, mas não estamos perdidos nesse mar do mercado esperando algum tubarão nos devorar e nos tirar do game. Usamos controle de risco sempre pois sabemos que na renda variável ora acertamos e ora erramos, e nos caminhos que erramos não queremos ver Game Over. Também não ficamos nadando pra lá e pra cá dando mole e sem propósito. Nós temos um objetivo bem definido e não ficamos mordendo pouco lucro para ser compensado pelo pouco prejuizo, buscamos lucro sempre bem maior que o prejuizo para que o resultado seja positivo.

Então somos o que??

Somos RÊMORAS!!

Rêmoras são peixes amigos dos tubarões, que por consequência não são devorados por eles. Os peixes rêmoras nadam bem próximos aos tubarões e quando o tubarão pega alguma presa para comer, eles comem junto, em menor volume naturalmente.

Nós, seguidores de tendência, seguimos indiretamente os tubarões, os grandes do mercado, pois o grande volume financeiro deles geram a maioria das movimentações mais fortes das ações. Não temos acesso às decisões estratégicas de cada grande player porém quando partem para o operacional de compra de grande volume de ações de uma empresa, não passam despercebidos. Portanto ao invés de cedermos nosso dinheiro para eles, nós estamos sempre ao lado, muitas vezes sem ao menos eles estarem notando, mas estamos comendo a mesmo comida, estamos tendo muito lucro junto. Não a maior parte, mas uma boa quantia, em muitas vezes muito mais do que outros investimentos de renda variável.

Nosso objetivo é ajudar as sardinhas virarem rêmoras para assim prosperarem! Sair da parte dos 90% da estatística e passar para os 10%, de modo que esse número aumente cada vez mais.

Sucesso a todos e excelente trades!

Rêmora Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Há relação entre o lucro da empresa e o valor da ação?

12 de junho de 2019 6 comentários

Esse post não será um artigo, vou compartilhar um estudo que fiz a título de aprendizado e conhecimento.

Quando pensamos em comprar ações para investimento ou longo prazo, talvez o primeiro pensamento seja buscar empresas que estejam tendo lucro e que esse lucro seja crescente. Será que há uma relação direta entre o lucro da empresa e o valor das suas ações? Será que em uma empresa que tem lucros crescentes as ações sobem junto, e em uma empresa que tem lucro decrescente ou prejuizo as ações caem sempre?

Dessa vez vou começar pela conclusão. De 39 empresas avaliadas, focando mais em blue chips, 13 (um terço) tiveram uma boa relação entre o comportamento do lucro e do preço, quando o lucro sobe a ação também sobe, quando cai os 2 caem. 6 ações tiveram comportamento bem diferente do lucro, enquanto um estava subindo o outro caindo. A maioria entra numa categoria intermediária, 20 delas apresentam momento de relação e outros momentos de disparidade.

Portanto a minha conclusão é que no geral não há uma relação direta entre o lucro das empresas e os preços de suas ações na bolsa de valores.

Há muitos momentos em que a relação é direta mas muitos outros que não é. Se for feita uma soma de tempo dos momentos em que há relação e dos momentos que não há, apenas observando os gráficos abaixo, talvez os que há relação fique na casa de 60%, e os que não há relação fique na casa de 40%. Estatisticamente isso seria quase uma aleatoriedade de quando o lucro influencia o preço e quando não.

Deixar de comprar uma ação porque os lucros não estão crescentes pode resultar em perdas de várias boas oportunidades. Do mesmo modo que comprar uma ação porque está com lucro ascendente pode resultar em fortes perdas financeiras em casos que os preços não correspondem.

Quando o preço de uma ação está subindo mesmo quando a empresa apresenta lucros medianos ou ruins, um motivo pode ser uma forte restruturação da empresa onde refletirá nos lucros somente depois de alguns meses, porém grandes investidores que já tem detalhes dessa informação já estão comprando pesado, portanto os preços estão subindo adiantado. Quando o balanço oficial da empresa sair com os lucros muito maiores, uma boa parte do movimento de alta da ação já vai ter acontecido.

Obviamente investidores em geral buscam empresas que rentabilizam bem e que podem aumentar o lucro no futuro, por isso há essa sintonia de lucro e preço em muito momentos. Todos querem ser sócios de empresas muito lucrativas, seja de capital aberto ou fechado. Porém na prática para o trader ou investidor que não pretende ficar décadas com uma ação, o acompanhamento do lucro por si só como um fator da estratégia para decisão de compra ou venda pode gerar resultados indesejados.

Essa conclusão é baseada somente na análise de preço e lucro, aqui não estou analisando a combinação com qualquer outro indicador fundamentalista ou estratégia mais complexa.

Na sequência colocarei gráficos de várias empresas, o primeiro com o preço da ação (fonte: Tradingview) e o segundo com o lucro da empresa (fonte dos dados: Fundamentus). Dividi em 3 categorias conforme explicado acima.

 

Ações que tiveram uma boa relação com o lucro

 

BBDC4:

No geral o lucro foi ascendente e os preços também. Algumas épocas o lucro diminuiu e os preços também cairam. Uma boa relação entre o comportamento do lucro e do preço.

 

PETR4:

Enquanto o lucro caiu o preço caiu, enquanto o lucro subiu o preço subiu. Uma boa relação entre o comportamento do lucro e do preço.

 

LREN3:

No geral o lucro foi ascendente e os preços também. Uma boa relação entre o comportamento do lucro e do preço.

 

UGPA3:

Por muitos anos o lucro foi ascendente e os preços também. Nos últimos anos o lucro começou a reduzir e os preços também cairam. Uma boa relação entre o comportamento do lucro e do preço.

 

RENT3:

Os períodos de subida e consolidação foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

RADL3:

Os períodos de subida e queda foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

WEGE3:

Os períodos de subida e queda foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

PCAR4:

Os períodos de subida e queda foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

CSNA3:

Os períodos de subida e queda foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

ELET3:

O lucro e o preço tiveram uma relação razoavelmente parecida.

 

ESTC3:

O lucro e o preço tiveram uma relação razoavelmente parecida.

 

LCAM3:

Os períodos de subida e lateralização foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

FHER3:

O lucro e o preço tiveram uma relação razoavelmente parecida.

 

Ações que tiveram uma relação parcial com o lucro

 

ITUB4:

No geral o lucro foi ascendente e os preços também. Algumas épocas o lucro diminuiu e os preços também cairam. De 2015 em diante os lucros ficaram numa mesma faixa porém os preços subiram bastante, mostrando uma não-relação com os lucros.

 

VALE3:

De 2009 a 2015 a relação foi bem próximo, as curvas parecidas. Em 2016 o lucro começou a aumentar e o preço também. De 2017 em diante o lucro estagnou porém os preços continuaram a subir forte.

 

B3SA3:

O lucro ficou estagnado até 2015 e o preço também, subindo muito levemente. Em 2016 o lucro aumentou fortemente e os preços começaram a subir. Ainda em 2016 o lucro caiu fortemente porém os preços continuaram a subir rapidamente.

 

RAIL3:

Lucro ficou estagnado até 2014 e os preços já despencavam. Em 2014 o lucro despencou ficando com muito prejuízo e o preço continuou a cair. De 2016 em diante os prejuízos foram diminuindo e a empresa entrou no lucro novamente, maior do que no passado, porém o preço da ação com apenas 1/3 do topo anterior em 2010.

 

VIVT4:

Ao longo dos anos o lucro subiu e os preços também, porém o lucro ficou estagnado de 2012 a 2018, sendo que os preços subiram durante todo o período. Nos últimos anos o lucro cresceu fortemente, dobrando o valor, porém os preços ficaram estagnados nesse período.

 

CCRO3:

Até 2011 o lucro estava estagnado e os preços subindo fortemente. Em 2012 e 2013 tanto o lucro quanto o preço subiram, assim como a queda de 2014 a 2016. Em 2017 o lucro subiu fortemente porém o preço muito pouco, somente no mesmo patamar de antes. Do meio de 2018 até 2019 o lucro continuava uma queda forte porém os preços subiram quase dobrando o valor do fundo anterior.

 

SBSP3:

Até 2013 o lucro e o preço subiram. Em 2014 e 2015 o lucro caiu fortemente porém os preços não cairam na mesma proporção. Em 2016 e 2017 o preço e o lucro subiram e em 2018 cairam. Em 2019 o lucro voltou a subir mas ainda num patamar anterior sendo que os preços subiram fortemente, rompendo topo histórico.

 

CMIG4:

O preço e lucro tiveram movimentos semelhantes porém com proporções muito diferentes. No meio de 2019 o preço está fazendo topo histórico enquanto o lucro está num patamar de 10 anos atrás.

 

GGBR4:

O preço e lucro tiveram movimentos semelhantes porém com proporções muito diferentes. No meio de 2019 o lucro está batendo seu recorde dos últimos 10 anos porém o preço está bem abaixo do seu topo histórico.

 

MGLU3:

Até 2014 o lucro estava crescendo porém os preços caindo. De 2015 para frente os períodos de subida e queda foram semelhantes no gráfico do preço e do lucro.

 

HYPE3:

O preço e lucro tiveram movimentos semelhantes porém com proporções muito diferentes. O lucro em 2016 cresceu absurdamente porém os preços não tiveram a mesma valorização.

 

EGIE3:

No geral o lucro e preço tiveram uma boa relação, porém em 2013 e 2014 o lucro caiu bastante mas os preços continuaram a subir.

 

BRML3:

De 2009 a 2011 o lucro ficou estagnado e o preço subindo. Em 2016 e 2017 o lucro estava caindo e os preços subindo.

 

LAME4:

Até 2013 o lucro e os preços subiram. De 2014 a 2016 o lucro caiu fortemente porém os preços continuaram a subir. Em 2017 e 2018 o lucro voltou a subir forte e os preços entraram em lateralização.

 

NATU3:

Até meio de 2010 o lucro e preço estavam subindo. Do meio de 2010 até meio de 2011 o lucro continuou subindo e os preços cairam cerca de 30%. Até o meio de 2015 o comportamento de lucro e preço foram semelhantes. O lucro continuou a cair até fim de 2016 sendo que o preço subiu nesse período. Em 2019 os preços atingiram topos históricos mas o lucro continuou estagnado com valores de 2015.

 

GOLL4:

Até 2016 o comportamento de lucro e preço foram bem semelhantes. Já a partir de 2017 o lucro começou a cair e o preço da ação quintuplicou o valor.

 

BRKM5:

Até 2016 o comportamento do preço e lucro foram semelhantes em certo grau. Em 2017 e 2018 o lucro aumentou um pouco, voltou praticamente para o patamar de 2015 porém os preços subiram fortemente.

 

CIEL3:

O comportamento do preço e lucro foi razoavelmente parecido, porém o lucro ficou crescendo até 2018 e o preço parou de subir em 2015, onde entrou em congestão ampla até 2018, onde então preço e lucro começaram a cair.

 

TRIS3:

O preço e lucro tiveram movimentos semelhantes porém com proporções muito diferentes. O lucro a partir de 2017 começou a subir e em 2019 atingiu o mesmo patamar de 2010, porém o preço subiu muito mais fortemente, chegando a quase o dobro do valor de 2010.

 

UNIP6:

No geral o preço e lucro fizeram movimentações parecidas. Em 2013, porém, houve um forte crescimento do lucro que não refletiu no preço. Esse lucro que voltou a patamares anteriores depois. Em 2017 houve momento de leve queda no lucro que nos preços não mudou o comportamento de forte alta. No final de 2018 e 2019 o lucro volta a cair e os preços ficam em lateralização.

 

Ações que não tiveram uma relação com o lucro, ou muito pequena

 

EQTL3:

Lucros caíram de 2009 a 2014 enquanto os preços quadruplicaram de valor. Em 2015 os lucros cresceram fortemente. Em 2016 e 2017 o lucro caiu porém os preços continuaram a subir.

 

EMBR3:

Até 2013 o lucro caia e os preços subiam. Em 2015 o lucro caia e os preços ainda subiam. Em 2018 e 2019 o lucro caiu absurdamente, indo para zona de prejuízo, e os preços cairam levemente.

 

CSAN3:

Tirando o forte aumento e depois queda do lucro em 2011 e 2012, o lucro ficou estagnado durante todo período, o valor atual está na mesma faixa que estava em 2010. Já os preços tiveram uma forte queda entre 2013 e 2015 mas no período geral fez um forte aumento de valor, saindo de R$8 para R$ 48 em 2019.

 

BTOW3:

O lucro da empresa basicamente só caiu, de 2009 a 2019, tendo alguns poucos momentos de tentativa de recuperação. Já a ação teve um bom momento em 2009, novamente em 2013 até meio de 2014 e por fim de 2017 até 2018, e o preço atual de 2019 bem acima de 10 anos atrás, muito diferente da curva do lucro.

 

WIZS3:

O lucro basicamente só cresceu desde 2015 porém o preço caiu absurdamente entre 2017 e 2018.

 

GFSA3:

Lucro ficou praticamente estagnado de 2010 a 2019, tendo um bom aumento em 2016 que foi retornado em 2018. Durante todo esse período o preço da ação só caiu.

 

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Qual o capital mínimo para começar a investir em ações?

A resposta é: Qualquer valor! Mas vamos entender melhor as condições.

 

Mercado Fracionário

Até com R$ 100 é possível comprar uma ação no mercado fracionário, isto é, mercado onde é possível comprar qualquer quantidade ações, em oposição ao lote padrão, onde só é possível comprar múltiplos de 100 ações, que é o mais comum. A ação no mercado fracionário possui o mesmo código porém com a letra “F” no final. Por exemplo o Itaú PN tem a sigla ITUB4 no lote padrão, no fracionário fica ITUB4F.

Dependendo da ação que for comprar, não há muita diferença do preço no lote padrão e no fracionário. Quanto maior a liquidez, mais negócios tiver no dia, menor tende a ser o spread (diferença entre a melhor oferta compra e a melhor oferta de venda).

Nos 2 exemplos abaixos vemos que o spread é bem baixo, na casa dos 0,1%, tanto no lote padrão quanto no fracionário:

Nos próximo 2 exemplos o spread no mercado fracionário é maior, na casa dos 1%, sendo que no lote padrão tem um spread normal, entre 1 e 2 centavos:

Por fim, nos 2 exemplos seguintes vemos que o spread no mercado fracionário é muito maior, portanto impactando mais na hora da compra como também na hora da venda:

Se a estratégia for de longo prazo, eu considero um spread de 1% aceitável, porque as expectativas de lucro são bem maiores que isso, portanto essa perda é diluída sem muitos impactos negativos. Agora quando o spread é muito alto já pode impactar mais o resultado final, correndo o risco até de ficar sem liquidez (ofertas de compra ou venda) em determinado momento, portanto não é recomendado operar no fracionário esses ativos com menor liquidez e spread maior.

Outro ponto a ser considerado no mercado fracionário é o custo de corretagem. Se a corretagem for relativamente alta, uma boa parte do dinheiro será tirado do montante para comprar as ações. Se for fazer a compra de R$ 500 com uma corretagem de R$ 15, estará deixando 3% do dinheiro em forma de taxa, talvez não compense. Lembrando que na venda da ação será cobrado mais R$ 15 também. Nesse caso o melhor é acumular um pouco mais de capital por alguns meses e comprar um valor superior, por exemplo R$ 1.500, onde a corretagem representaria 1% do valor. Se a corretagem for mais baixa, e tem corretoras que cobram um valor menor para o mercado fracionário, entre R$ 3 e R$ 5 por exemplo, já pode valer a pena fazer uma compra de R$ 500.

 

Gestão de risco

Agora vamos ver do ponto de vista da gestão de risco. Conforme detalhado na página Controle de risco, uma gestão de risco adequada envolve arriscar um percentual pequeno do capital em cada operação, eu por exemplo arrisco 1%, alguns autores falam em 2%.

Se a pessoa iniciar na bolsa com R$ 1.000, entrar em uma operação com todo o capital onde o risco (baseado no stop) é de 10%, significa que se ela tiver prejuízo nessa operação ela perderá 10% de todo seu capital destinado a bolsa de valores, ou seja, bem superior aos 2% máximos sugeridos. Caso ela queira aplicar a gestão de risco e arriscar 2% do capital, ela teria que comprar R$ 200 de ações para essa operação, pois o stop de 10% seria R$ 20, o que equivale a 2% do capital total de R$ 1.000. Com esse volume de compra de ações de R$ 200, voltamos a refletir sobre as condições do mercado fracionário explicados no item anterior.

O trader deve primeiramente definir qual o percentual de risco por operação do capital total que se sente mais confortável, idealmente não mais que 2%. A sugestão é entre 0,5% e 2%. Definido isso, o próximo passo é definir qual o capital mínimo que desejará alocar por operação, baseado no que foi dito até aqui, ou seja, lote padrão ou fracionário, spread e corretagem. Por fim é preciso saber qual a média percentual de risco (stop) por operação da estratégia a ser utilizada. Vamos supor que a pessoa decidiu usar um risco maior no início, de 2%, uma vez que o capital é menor portanto as perdas não serão tão grandes, o risco médio de 10% por operação e o mínimo de dinheiro para comprar uma ação de R$ 1.500. Para saber o capital mínimo necessário para operar com uma gestão de risco apropriada conforme os parâmetros definidos basta pegar o capital por trade e multiplicar pelo risco médio por trade, ou R$ 1.500 x 10% (ou 0,1), que resulta em R$ 150 e significa o risco por operação em reais. Agora divida esse valor, pelo risco por operação do capital total, então seria R$ 150 / 2% (ou 0,02), que resulta no valor de R$ 7.500. Ou seja, esse é valor mínimo recomendado para operar com essa gestão de risco definida.

Essa conta define o MÍNIMO mesmo, pois se devido a perdas o capital baixar desse valor não será possível fazer a gestão de risco adequada ou será obrigado a comprar ações com valor inferior ao estipulado, portanto o recomendado é iniciar com valor superior ao mínimo, deixando uma foga para eventuais diminuições do capital total, algo entre 20% e 30% acima. Esse valor mínimo se alterará baseado nos parâmetros definidos por cada um.

Obviamente é possível começar a investir sem fazer essa gestão de risco completa, talvez arriscando um percentual maior do capital total por operação, por exemplo 5%, começar comprando 1 ou 2 ações somente. Mas é importante que o trader tenha ciência do risco que está tomando e analisar bem se é isso que quer mesmo.

 

Diversificação

Todos já ouvimos aquele velho clichê: “Não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta”. Na bolsa de valores isso é mais importante ainda. Se tratando de um investimento de renda variável de alta volatilidade, usar todo nosso patrimônio para comprar uma ação somente pode ser extremamente arriscado. A idéia da diversificação é pulverizar o risco, e obviamente o lucro também. Exemplo: se tivéssemos somente uma ação e esta caísse 10%, perderíamos 10% do nosso capital. Agora, se tivéssemos 10 ações e uma delas caíse 10%, perderíamos somente 1%. O lado ruim disso é que se tivéssemos 10 ações e uma ação e subisse 50%, ganharíamos somente 5% ao invés de 50% se tivéssemos somente ela, porém o mais importante na renda variável é proteger o capital, diminuir o risco. Apesar de ser uma desvantagem esse exemplo de lucro, há uma vantagem também em diversificar: temos mais chances de acertar uma ou mais ações que vão fazer um movimento bom de subida, a ponto que se tivermos uma ação somente, dependemos somente dela.

Não há um número perfeito de quantidade de ações para diversificar. Ter uma quantidade muito grande, como 50 ações, dificulta o gerenciamento e aumenta as chances de perdermos oportunidades ou fazermos alguma operação errada. Ter 1 ou 2 ações também é muito pouco.

Portanto a análise do capital inicial para começar a investir deve considerar também a questão da diversificação. Se a pessoa tiver R$ 5 mil na corretora, provavelmente não dará pra ter 10 ações diferentes. Com capital reduzido será possível fazer uma diversificação pequena, até ir conseguindo aumentar com o tempo, por exemplo começando com 2 a 3 ações na medida do possível, e provavelmente não conseguindo fazer uma gestão de risco adequada. Se a pessoa tiver menos dinheiro ainda, provavelmente conseguirá comprar somente 1 ou 2 ações diferentes. Tendo um capital razoável, eu sugeriria diversificar entre 7 e 12 ações, dependendo das condições do mercado e do perfil do trader, mas nesse ponto é crucial que uma gestão de risco adequada já esteja sendo feita. Não é recomendado aumentar a diversificação se for descumprir os seus parâmetros de gestão de risco.

 

Conclusão

Coloquei alguns pontos importantes para a definição do capital mínimo para investir em ações. Cada trader deve fazer sua análise individual e chegar ao seu valor mínimo para entrar na bolsa de valores. Eu não comecei o artigo respondendo “Depende!” para a pergunta do título porque todos fazem isso e já cansei de ver sempre essa mesma resposta! Mas então deixando para o final para não perder o clichê, depende de cada pessoa essa decisão do valor do capital mínimo para começar a investir em ações e ninguém poderá falar qual é.

Uma vez definido o capital para iniciar, se a pessoa não tiver todo o disponível valor ainda, a sugestão seria manter a quantia disponível em uma renda fixa e ir fazendo aportes regulares dentro do possível até conseguir poupar e acumular o valor necessário. Com um capital inicial bem definido com certeza o trader passará por menos perrengues após alguma eventual sequência negativa de operações.

Espero que essas informações ajudem a dar uma boa idéia para iniciar bem na bolsa de valores.

Se alguém tiver informações para complementar por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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O Mito dos Dividendos

Desde os primórdios da bolsa de valores, desde os tempos mais remotos, quando se fala em dividendos até brilha os olhos do investidor! “A empresa X paga bons dividendos”. “Uau! Eu quero ser sócio dessa empresa então!”. Quando se fala em comprar ações de uma empresa já se pensa em ser sócio dela, e por consequência para muitas pessoas já se associa a receber dividendos como forma de renda como consequência dessa sociedade.

Mas será que receber dividendos é bom mesmo? Será que faz sentido? Será que as empresas que pagam bons dividendos são as melhores e mais rentáveis?

Há vários pontos de análise e vou comentar alguns deles a seguir, sob o meu ponto de vista.

 

1) Dividendos para viver de renda

Vamos começar pelo ponto mais óbvio e que faz mais sentido, usar dividendos para viver de renda. Dividendos é uma forma que muitos investidores usam para ter rendas frequentes para uso em suas vidas. A frequência dessa renda vai depender da data de distribuição de cada empresa, que pode ser mensal, trimestral, semestral, anual, ou datas não frequentes definidas nas assembléias.

O dividend yield (percentual do dividendo distribuido em relação ao preço da ação) médio da Bovespa fica entre 3% e 4% ao ano nos últimos 10 anos, podendo ser maior selecionando empresas que pagam melhores dividendos.

O dividend yield médio selecionando as top 10 pagadoras de 2018 conforme relação mais abaixo fica em 9,55% ao ano. Ambas rentabilidades se aproximam do obtido em produtos de renda fixa no mercado brasileiro, como CDB, tesouro direto e fundos DI ou RF.

Portanto para viver com essa modalidade de renda, é necessário ter um bom capital acumulado. Para uma pessoa que quer uma renda de R$ 120 mil ao ano (R$ 10 mil ao mês), precisa de de uma carteira de R$3,43 milhões com um dividend yield médio de 3,5% ou R$ 1,25 milhão com um dividend yield médio de 9,5%.

Uma pessoa com capital reduzido investido em carteira de dividendos, digamos R$ 100 mil, obterá R$ 3.500 ao ano, ou R$ 291 ao mês com um dividend yield médio de 3,5%. Com um dividend yield médio de 9,5% obteria R$ 9.500 ao ano, ou R$ 791 ao mês. Em ambas situações provavelmente insuficiente para uma renda de sobrevivência.

Então o primeiro ponto é que, na minha opinião, essa modalidade favorece que já tem muito dinheiro acumulado e quer ter uma renda sem precisar vender as ações para reverter em dinheiro. Pessoas com muitos milhões investidos conseguem dezenas ou centenas de milhares de reais fruto desse rendimento, portanto é bem provável que se viva com o valor obtido.

 

2) Isenção de IR

Uma vantagem dos dividendos é que o valor distribuido é isento de IR. Então se a rentabilidade pode ser aproximar de um investimento de renda fixa, os dividendos levam vantagem na isenção de IR por lei.

 

3) Crescimento da empresa vs distribuição de dividendos

Normalmente empresas que querem investir mais no negócio, seja em melhorias, pesquisas, ampliação, desenvolvimento, etc pagam menos dividendos. O motivo é simples, quanto menos dinheiro do lucro é distribuido aos acionistas, mais dinheiro é destinado aos investimentos e com isso maiores chances dessas empresas crescerem, se bem administradas, e consequentemente o valor de suas ações.

As empresas maiores pagadoras de dividendos geralmente são empresas que não têm planos de forte crescimento, normalmente por seu ramo de negócio e/ou sua concessão limitada. É o caso das empresas do ramo elétrico, que estão sempre nas top 10 pagadoras. Elas tem um limite de território, clientes de certa forma fixos, então o lucro é utilizado basicamente em inovação (de certa forma limitada perante outros ramos) e manutenção das malhas existentes. Com isso pode-se pagar um dividendo mais generoso aos acionistas.

Agora, um dividendo muito bem pago vai ser na faixa de 15% em um ano. Já uma empresa mid-cap que está se restruturando forte, investindo pesado em vários tipos de melhorias e inovações, ou seja, na evolução do negócio, o valor da ação dessa empresa pode facilmente valorizar mais de 100% em um ano, na verdade várias empresas valorizam muito mais que isso. Obviamente as ações das boas pagadoras de dividendo podem subir também, mas não vou dar spoiler, vai ter assunto de um tema mais abaixo do artigo.

Portanto o investidor deve avaliar se o objetivo é ter ações de empresas que estão com foco em forte crescimento ou que pagem bons dividendos.

 

4) Ajuste dos preços na data ex-dividendo

Agora vamos entrar nos pontos mais polêmicos! Esse ponto é o que me intriga mais! A data ex-dividendo é a data que as ações compradas não terão mais direito de receber os dividendos da data “com”, que é o dia útil anterior. E na data “ex” ocorre um ajuste no preço da ação, que sofre uma redução exatamente no valor do provento a ser pago.

Então, no meu ponto de vista, não faz sentido nenhum receber dividendos! Se o dividendo é de R$1/ação, o investidor ganhará R$1, porém a ação cai R$1, então na verdade o valor só é tirado do valor da ação e depositado na conta corrente, o que na minha opinião não é vantagem nenhuma, com exceção que quiser viver dessa renda. Se o objetivo da pessoa não for viver de venda, ficará um valor em conta que terá que ser pensado qual ação será comprada, podendo ser a mesma ou outra, e pode não ser um bom momento para comprar. Ou seja, é um estorvo a mais. Eu particularmente prefiro que o valor continue agregado na ação, principalmente se ela estiver em forte tendência de alta, que são as ações que eu busco comprar.

Então se quando fecha o mercado na data “com” e quando abre na data “ex” o valor do patrimônio é o mesmo, qual é a vantagem? Para mim não faz sentido nenhum isso! É uma falsa ilusão de ter rendido alguma coisa, mas não houve rendimento nenhum! Muitas pessoas não tem essa consciência que o dividendo não é um rendimento extra que a empresa está distribuindo, o que está ocorrendo é uma transferência de dinheiro da empresa para o acionista e como consequência a empresa valerá menos.

Exemplificando: uma ação que vale R$20 e ela pagará R$1 de dividendos. Se o preço continuasse R$20, teria rendido 5% naquele período relativo ao que foi pago o dividendo, OK, faria muito sentido. Mas não é assim, na data “ex” a ação abre a R$19 (mais ou menos a variação normal do mercado) e o investidor receberá R$1 na conta na data do pagamento, então ele continua com R$20 de valor de aplicação, ele NÃO ganhou R$1!! Colocando em valores, se você tivesse 1000 dessas ações, se não tivesse dividendos você continuaria com R$ 20 mil. Havendo distribuição de dividendos de R$1, na data “ex” você terá R$ 19 mil em valor de ações e R$ 1 mil quando a empresa pagar os dividendos. De novo, você não ganha nada!! É diferente de uma aplicação qualquer que você investe R$ 20 mil, rende 5%, você fica com os R$ 20 mil MAIS os R$ 1 mil que rendeu.

Portanto a afirmação que os dividendos são um rendimento extra é um MITO. Reiterando: o que ocorre é uma transferência de dinheiro da empresa para o acionista e como consequência a empresa valerá menos.

 

5) Os preços recuperam depois do ajuste

Quando eu converso com as pessoas que me falam que gostam de receber dividendos e eu falo sobre o ponto anterior da queda do ajuste, quase sempre eu ouço “Ah mas depois os preços recuperam esse ajuste”.

Será mesmo? Será que esse mantra repetido por mais de 90% da pessoas é uma realidade ou um mito? E mantra mesmo, porque eu ouço sempre a mesma frase, é muito engraçado! Será que as pessoas só repetem essa frase que escutaram de alguém ou falam porque viram que é verdade?

Para analisar essa afirmação vamos fazer um estudo. Vamos pegar as 10 ações que mais pagaram dividendos no ano passado (2018). Utilizarei como referência a seguinte matéria: https://economia.uol.com.br/cotacoes/noticias/redacao/2019/01/09/dividendos-2018-yield-quem-pagou-mais.htm

 

1) Taesa (TAEE11): 13,06%

Provento 1 (02/05): dia seguinte inicia queda e os preços ficam abaixo desse valor até meio de julho, ou seja, 2 meses e meio para voltar ao mesmo patamar, o que não dura muito, voltando a cair e só superar de forma definitiva no ano no início de outubro.

Provento 2 (14/05): data e preço próximos ao provento 1, mesmo comentário.

Provento 3 (09/08): sobe nos próximos dias pós provento porém depois cai de novo. Preços chegam ao mesmo patamar no começo de outubro.

Provento 4 (09/11): preço mantém o patamar na sequência do provento e no mês seguinte sobe.

Provento 5 (17/12): preços caem por 2 dias e voltam a subir, seguindo a tendência prévia.

 

2) Engie Brasil (EGIE3): 12,22%

Provento 1 (20/08): dia seguinte inicia queda e os preços ficam abaixo desse valor por 2 meses.

Provento 2 (12/11): dia seguinte continua tendência de alta prévia.

Provento 3 (26/12): dia seguinte preços começam a subir.

 

3) BB Seguridade (BBSE3): 10,86%

Provento 1 (22/02): preços começam a cair e só recuperam o mesmo patamar depois de 10 meses.

Provento 2 (09/08): preços começam a subir na sequência.

Provento 3 (11/12): preços começam a cair e dias depois retomam a tendência de alta prévia.

 

4) Cemig (CMIG4): 9,38%

Provento 1 (30/04): preços continuam dentro da congestão prévia.

Provento 2 (21/12): preços continua tendência de alta prévia.

 

5) Itaúsa (ITSA4): 9,04%

Provento 1 (22/02): preços entram em congestão na sequência, e posteriormente havendo queda forte nos preços

Provento 2 (28/02): preços entram em congestão na sequência, e posteriormente havendo queda forte nos preços

Provento 3 (30/05): preços continuam tendência de baixa prévia, precisando de 4 meses para superar de vez o mesmo patamar (no ano)

Provento 4 (17/08): preços continuam tendência de baixa prévia, precisando de 1 mês e meio para superar o mesmo patamar

Provento 5 (31/08): preços seguem a congestão prévia e depois de 1 mês começam a subir

Provento 6 (30/11): preços começam a cair na sequência

Provento 7 (17/12): preços continuam a queda e no fim do mês começam a subir

 

6) Telefônica (VIVT4): 8,47%

Provento 1 (12/03): preços começam a cair, demorando 9 meses para voltar no mesmo valor

Provento 2 (18/06): preços continuam a tendência de baixa, demorando 4 meses para voltar do mesmo patamar

Provento 3 (05/09): preços continuam a congestão prévia e depois de 2 meses começam a subir

Provento 4 (05/12): preços continuam a tendência de alta prévia

 

7) Cyrela (CYRE3): 8,47%

Provento 1 (07/05): preços continuam a tendência de baixa prévia, demorando 6 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 2 (18/12): preços continuam a tendência de alta prévia

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3): 8,33%

Provento 1 (01/02): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 2 (25/04): preços sobem nos próximos dias e depois despencam, demorando 5 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 3 (11/12): preços começam a subir nos próximos dias

 

9) MRV (MRVE3): 8,18%

Provento 1 (20/04): preços sobem nos próximos dias e depois caem forte, demorando 8 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 2 (28/05): preços caem forte nos próximos dias, demorando 7 meses para voltar no mesmo patamar

Provento 3 (13/12): preços iniciam uma forte tendência de alta na sequência

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4): 7,51%

Provento 1 (31/01): preços caem nos próximos dias e na sequência sobem e ficam 2 meses acima desse patamar

Provento 2 (15/02): preços continuam a tendência de alta prévia e depois ficam em congestão

Provento 3 (28/02): preços entram em congestão mantendo o preço pelos próximos 2 meses

Provento 4 (29/03): preços continuam congestão prévia, mantendo o preço pelo próximos mês

Provento 4 (30/04): preços começam a despencar pelos próximos 2 meses, demorando 6 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (30/05): preços continuam a tendência de baixa prévia, demorando 2 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (29/06): preços sobem na sequência

Provento 4 (31/07): preços começam a cair na sequência, demorando 2 meses para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (17/08): preços entram em congestão

Provento 4 (31/08): preços continuam a congestão prévia

Provento 4 (28/09): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 4 (31/10): preços continuam a tendência de alta prévia

Provento 4 (30/11): preços começam a cair na sequência, demorando 1 mês para voltar ao mesmo patamar

Provento 4 (17/12): preços continuam a cair e depois de alguns dias voltam a subir

Provento 4 (28/12): preços continuam a subir pelos próximos dias

 

Podemos ver que não houve nenhuma lógica ou verdade que os preços recuperam ou sobem após distribuição de dividendos. Na maior parte das vezes os preços continuam o movimento que estavam fazendo previamente. Em outros casos vemos que há um início de novo movimento dos preços após o provento, sendo esse de alta ou baixa.

Agora, o mercado em geral subiu em 2018, vamos pegar um período maior, que inclui anos bons e ruins. Vamos pegar o período do ano 2012 até agora (abril/2019).

Usei como base as maiores pagadoras de dividendos nos últimos 5 anos, reportagem feita em 2016: https://exame.abril.com.br/mercados/as-maiores-pagadoras-de-dividendos-da-bovespa-nos-ultimos-5/

São 30 ações na listagem, algumas ações não existem mais, não vou analisar todas, vou pegar uma amostragem das que possuem histórico desde 2012 pelo menos, focando nas que tiveram dividend yield maior. No gráfico vou colocar uma seta destacando as datas dos dividendos.

1) Cemig (CMIG4): dividendos médios de 11,2% ao ano

2) Light (LIGT3): dividendos médios de 10,7% ao ano

3) Coelce (COCE5): dividendos médios de 10,3% ao ano

4) Telefônica (VIVT4): dividendos médios de 9,7% ao ano (várias distribuições por ano, não marquei no gráfico)

5) Banco Pine (PINE4): dividendos médios de 7,9% ao ano (distribuições praticamente trimestrais, não marquei no gráfico)

6) Grendene (GRND3): dividendos médios de 7,1% ao ano (distribuições praticamente trimestrais, não marquei no gráfico)

7) CSN (CSNA3): dividendos médios de 6,9% ao ano

 

Podemos ver que praticamente em todas as ações houveram dividendos distribuidos que houve o ajuste de preço para baixo e os preços continuaram a cair, demorando anos para voltar ao valor original pré-dividendo, em alguns casos não voltou ao preço original até hoje!

Se a empresa for boa, os preços tendem a subir no longo prazo, então cedo ou tarde o preço deve voltar ao patamar anterior ao dividendo, mas se a empresa estiver ruim ou não tão boa, os preços podem continuar caindo e nunca voltar ao patamar anterior!

Portanto essa máxima que o preço desconta o dividendo (cai) mas depois volta, tanto no curto prazo quanto no longo prazo, é totalmente falso, é um MITO.

 

6) Ações que pagam dividendos dão boa rentabilidade

Agora vamos analisar se as melhores pagadoras de dividendo são um bom negócio, se geram uma boa rentabilidade comparando com o IBOV e com outro grupo de ações que têm foco em crescimento e não dividendos.

Primeiramente, o gráfico do IBOV em 2018:

IBOV

Valor inicial: 76402

Valor final: 87887

Variação: 15,03%

 

Agora vamos ver a rentabilidade de 2018 das mesmas 10 ações do item anterior. Não vou repetir os mesmos gráficos, qualquer consulta pode ser feita na seção acima. Estou usando o dividendo em percentual do ano informado no mesmo site da listagem.

1) Taesa (TAEE11):

Valor inicial: R$ 20,12

Valor final: R$ 23,60

Variação ação: 17,29%

Proventos: 13,06%

Total ação + proventos = 30,35%

 

2) Engie Brasil (EGIE3):

Valor inicial: R$ 27,00

Valor final: R$ 33,02

Variação ação: 22,29%

Proventos: 12,22%

Total ação + proventos = 34,51%

 

3) BB Seguridade (BBSE3):

Valor inicial: R$ 25,44

Valor final: R$ 27,59

Variação ação: 8,45%

Proventos: 10,86%

Total ação + proventos = 19,31%

 

4) Cemig (CMIG4):

Valor inicial: R$ 6,39

Valor final: R$ 13,86

Variação ação: 116,90%

Proventos: 9,38%

Total ação + proventos = 126,28%

 

5) Itaúsa (ITSA4):

Valor inicial: R$ 9,04

Valor final: R$ 12,08

Variação ação: 33,62%

Proventos: 9,04%

Total ação + proventos = 42,66%

 

6) Telefônica (VIVT4):

Valor inicial: R$ 43,86

Valor final: R$ 45,81

Variação ação: 4,44%

Proventos: 8,47%

Total ação + proventos = 12,91%

 

7) Cyrela (CYRE3):

Valor inicial: R$ 13,22

Valor final: R$ 15,47

Variação ação: 17,01%

Proventos: 8,47%

Total ação + proventos = 25,48%

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3):

Valor inicial: R$ 16,34

Valor final: R$ 25,70

Variação ação: 57,28%

Proventos: 8,33%

Total ação + proventos = 65,61%

 

9) MRV (MRVE3):

Valor inicial: R$ 12,59

Valor final: R$ 12,36

Variação ação: 1,82%

Proventos: 8,18%

Total ação + proventos = 10,00%

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4):

Valor inicial: R$ 25,36

Valor final: R$ 33,81

Variação ação: 33,32%

Proventos: 7,51%

Total ação + proventos = 40,83%

 

Das 10 ações, todas tiveram uma rentabilidade positiva em 2018, o que é um bom começo. Duas delas tiveram rentabilidade menor que o IBOV – VIVT4 e MRVE3, uma teve rentabilidade próxima – BBSE3, e as demais tiveram rentabilidade bem superior.

Agora vamos comparar com ações que tiveram foco em valorização do preço, independente dos proventos:

1) Unipar (UNIP6): 173%

2) IRB Brasil (IRBR3): 157%

3) Log-In Logística (LOGN3): 155%

4) Magazine Luiza (MGLU3): 126%

5) Trisul (TRIS3): 107%

6) B2W (BTOW3): 104%

7) Suzano Papel e Celulose (SUZB3): 103%

8) Locamerica (LCAM3): 102%

9) Fertilizantes Heringer (FHER3): 76%

10) Tenda Construtora (TEND3): 60%

 

Podemos ver que somente 2 ações da listagem de dividendos tiveram rentabilidade total (variação de preço + proventos distribuidos) maior que a pior da listagem de ganho de preço. Nesta lista houveram 8 ações com rentabilidade acima dos 100% em 2018 e somente uma ação na listagem de dividendos.

Agora vamos analisar o período entre 2012 até 2019, que inclui anos bons e ruins. Vou considerar as mesmas ações usadas no item anterior (5).

Primeiramente, o gráfico do IBOV:

IBOV: 55% (em 7 anos)

1) Cemig (CMIG4): dividendos médios de 11,2% ao ano / variação de preços em 7 anos = 70%

2) Light (LIGT3): dividendos médios de 10,7% ao ano / variação de preços em 7 anos = -17%

3) Coelce (COCE5): dividendos médios de 10,3% ao ano / variação de preços em 7 anos = 84%

4) Telefônica (VIVT4): dividendos médios de 9,7% ao ano / variação de preços em 7 anos = 53%

5) Banco Pine (PINE4): dividendos médios de 7,9% ao ano / variação de preços em 7 anos = -63%

6) Grendene (GRND3): dividendos médios de 7,1% ao ano / variação de preços em 7 anos = 357%

7) CSN (CSNA3): dividendos médios de 6,9% ao ano / variação de preços em 7 anos = -16%

Das 7 ações: 1 teve rentabilidade negativa (PINE4), 2 tiveram variação de preços negativas mas os dividendos deixaram a rentabilidade positiva (LIGT3 e CSNA3). Essas 3 perderam para o IBOV. As 4 demais superaram o IBOV, sendo que 3 delas teriam uma rentabilidade média entre 1% e 2% ao mês (CMIG4, COCE5 e VIVT4) e por fim 1 delas teve um rendimento excelente (GRND3).

Agora vamos comparar com ações que tiveram foco em valorização do preço ao invés dos proventos:

1) Unipar (UNIP6): 2725%

2) Magazine Luiza (MGLU3): 1936%

3) Equatorial Energia (EQTL3): 583%

4) Lojas Renner (LREN3): 454%

5) Estácio (ESTC3): 438%

6) RaiaDrogasil (RADL3): 372%

7) Braskem (BRKM5): 369%

Das 7 ações que focaram em crescimento de preço, todas superaram de lavada as ações que focaram em dividendos. Coloquei somente as top 7 que encontrei, mas se eu fosse continuar a lista, teriam algumas dezenas de ações com muito melhores rendimentos que todas da lista de dividendos (com exceção da GRND3).

Em vários casos os dividendos são altos (perante a média do mercado) porém há perda do valor da ação, ou variação positiva muito pequena que talvez não compense o risco de investimento em renda variável.

Claramente vemos que investir em uma empresa porque paga bons dividendos não é uma boa estratégia quando o objetivo é a multiplicação (crescimento) do patrimônio. Pode-se até ter melhor rentabilidade que o IBOV em alguns casos, melhor rentabilidade que produtos de renda fixa e alguns multimercado, porém quando se compara a outras empresas listadas na bolsa com liquidez aceitável a rentabilidade deixa muito a desejar e o investidor pode ficar com um gostinho de “poderia ter ganhado mais” vendo várias ações dispararem.

Portanto a afirmação que empresas que pagam bons dividendos dão uma boa rentabilidade é um MITO.

 

7) Comprar mais ações com os dividendos aumenta mais o patrimônio

A próxima análise será relativo a afirmação que mesmo com o preço da ação caindo pelo ajuste do dividendo, usando o dinheiro recebido do provento para comprar mais papéis aumenta mais rápido do patrimônio, pois ao longo do tempo terá maior quantidade de ações.

Será que essa afirmação é verdadeira? Tem alguma relevância ter cada vez mais papéis de determinada empresa para aumento do capital?

Vamos analisar o mesmo conjunto de 10 ações do item 5, onde os gráficos já foram mostrados.

A comparação vai ser feita em relação ao valor da variação da ação mais proventos recebidos, porém não reinvestidos, conforme detalhado no item 6.

Nessa análise utilizarei o dinheiro recebido de proventos junto com o saldo em conta para comprar mais papéis. Como não consta data de pagamento para todos proventos, para finalidade do cálculo será considerado que o pagamento será no dia seguinte (data “ex”) e a compra de novos papéis será feita com o preço de abertura. Será utilizado um capital inicial de R$ 100 mil para efetuar os cálculos. Será comprada a máxima quantidade de ações possíveis pelo lote padrão (múltiplo de 100) e o saldo restante ficará em conta e será somado com os proventos quando recebido, que então serão compradas mais ações se houver capital suficiente. Por fim, no último dia útil do ano de 2018 todas as ações serão liquidadas pelo preço de fechamento e com o patrimônio total em conta será calculada a rentabilidade total do ano.

Aqui estou considerando dividendos mais juros sobre capital. Os proventos foram obtidos nos sites https://www.infomoney.com.br/ e https://br.advfn.com/

1) Taesa (TAEE11):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 20,12 | qtde ações compradas = 4900 | saldo em conta = R$ 1.412

Provento 1 (02/05) = R$ 0,4625 | para 4900 ações = R$ 2.266,25 | saldo em conta = R$ 3.678,25 | abertura do dia seguinte = R$ 19,95 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5000 | saldo em conta = R$ 1.683,25

Provento 2 (14/05) = R$ 0,7280 | para 5000 ações = R$ 3.640,00 | saldo em conta = R$ 5.323,25 | abertura do dia seguinte = R$ 19,40 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 5200 | saldo em conta = R$ 1.443,25

Provento 3 (09/08) = R$ 0,4770 | para 5200 ações = R$ 2.480,40 | saldo em conta = R$ 3.923,65 | abertura do dia seguinte = R$ 19,71 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5300 | saldo em conta = R$ 1.952,65

Provento 4 (09/11) = R$ 0,7116 | para 5300 ações = R$ 3.771,48 | saldo em conta = R$ 5.724,13 | abertura do dia seguinte = R$ 22,19 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 5500 | saldo em conta = R$ 1.286,13

Provento 5 (17/12) = R$ 0,3993 | para 5500 ações = R$ 2.196,15 | saldo em conta = R$ 3.482,28 | abertura do dia seguinte = R$ 23,45 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 5600 | saldo em conta = R$ 1.137,28

Fim: preço ação = R$ 23,60 | qtde ações = 5500 | valor da venda = R$ 129.800 | saldo final em conta = R$ 130.937,28

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 30,93%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 30,35%

 

2) Engie Brasil (EGIE3)

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 27,00 | qtde ações compradas = 3700 | saldo em conta = R$ 100

Provento 1 (20/08) = R$ 1,7557 | para 3700 ações = R$ 6.496,09 | saldo em conta = R$ 6.596,09 | abertura do dia seguinte = R$ 28,72 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 3900 | saldo em conta = R$ 852,09

Provento 2 (12/11) = R$ 1,0000 | para 3900 ações = R$ 3.900,00 | saldo em conta = R$ 4.752,09 | abertura do dia seguinte = R$ 32,47 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4000 | saldo em conta = R$ 1.505,09

Provento 3 (26/12) = R$ 0,4866 | para 4000 ações = R$ 1.946,40 | saldo em conta = R$ 3.451,49 | abertura do dia seguinte = R$ 32,70 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4100 | saldo em conta = R$ 181,49

Fim: preço ação = R$ 33,02 | qtde ações = 4100 | valor da venda = R$ 135.382 | saldo final em conta = R$ 135.563,49

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 35,56%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 34,51%

 

3) BB Seguridade (BBSE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 25,44 | qtde ações compradas = 3900 | saldo em conta = R$ 784

Provento 1 (22/02) = R$ 0,9557 | para 3900 ações = R$ 3.727,23 | saldo em conta = R$ 4.511,23 | abertura do dia seguinte = R$ 27,55 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 4000 | saldo em conta = R$ 1.756,23

Provento 2 (09/08) = R$ 0,7859 | para 4000 ações = R$ 3.143,60 | saldo em conta = R$ 4.899,83 | abertura do dia seguinte = R$ 22,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 389,83

Provento 3 (11/12) = R$ 1,3523 | para 4200 ações = R$ 5.679,66 | saldo em conta = R$ 6.069,49 | abertura do dia seguinte = R$ 27,00 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 4400 | saldo em conta = R$ 669,49

Fim: preço ação = R$ 27,59 | qtde ações = 4400 | valor da venda = R$ 121.396 | saldo final em conta = R$ 122.065,49

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 22,06%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 19,31%

 

4) Cemig (CMIG4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 6,39 | qtde ações compradas = 15600 | saldo em conta = R$ 316

Provento 1 (30/04) = R$ 0,5003 | para 15600 ações = R$ 7.804,68 | saldo em conta = R$ 8.120,68 | abertura do dia seguinte = R$ 7,91 | ações compradas com novo saldo = 1000 | total ações = 16600 | saldo em conta = R$ 210,68

Provento 2 (21/12) = R$ 0,1440 | para 16600 ações = R$ 2.390,40 | saldo em conta = R$ 2.601,08 | abertura do dia seguinte = R$ 13,21 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 16700 | saldo em conta = R$ 1.280,08

Fim: preço ação = R$ 13,86 | qtde ações = 16700 | valor da venda = R$ 231.462 | saldo final em conta = R$ 232.742,08

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 132,74%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 126,28%

 

5) Itaúsa (ITSA4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 9,04 | qtde ações compradas = 11000 | saldo em conta = R$ 560

Provento 1 (22/02) = R$ 0,6693 | para 11000 ações = R$ 7.362,30 | saldo em conta = R$ 7.922,30 | abertura do dia seguinte = R$ 12,15 | ações compradas com novo saldo = 600 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 632,30

Provento 2 (28/02) = R$ 0,0150 | para 11600 ações = R$ 174,00 | saldo em conta = R$ 806,30 | abertura do dia seguinte = R$ 11,67 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 806,30

Provento 3 (30/05) = R$ 0,0150 | para 11600 ações = R$ 174,00 | saldo em conta = R$ 980,30 | abertura do dia seguinte = R$ 10,25 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11600 | saldo em conta = R$ 980,30

Provento 4 (17/08) = R$ 0,2088 | para 11600 ações = R$ 2.422,08 | saldo em conta = R$ 3.402,38 | abertura do dia seguinte = R$ 9,77 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 471,38

Provento 5 (31/08) = R$ 0,0150 | para 11900 ações = R$ 178,50 | saldo em conta = R$ 649,88 | abertura do dia seguinte = R$ 9,46 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 649,88

Provento 6 (30/11) = R$ 0,0200 | para 11900 ações = R$ 238,00 | saldo em conta = R$ 887,88 | abertura do dia seguinte = R$ 12,53 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 887,88

Provento 7 (17/12) = R$ 0,0081 | para 11900 ações = R$ 96,39 | saldo em conta = R$ 984,27 | abertura do dia seguinte = R$ 11,90 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 11900 | saldo em conta = R$ 984,27

Fim: preço ação = R$ 12,08 | qtde ações = 11900 | valor da venda = R$ 143.752 | saldo final em conta = R$ 144.736,27

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 44,73%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 42,66%

 

6) Telefônica (VIVT4):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 43,86 | qtde ações compradas = 2200 | saldo em conta = R$ 3.508

Provento 1 (12/03) = R$ 0,6693 | para 2200 ações = R$ 1.472,46 | saldo em conta = R$ 4.980,46 | abertura do dia seguinte = R$ 46,57 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 323,46

Provento 2 (18/06) = R$ 0,0150 | para 2300 ações = R$ 34,50 | saldo em conta = R$ 357,96 | abertura do dia seguinte = R$ 42,48 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 357,96

Provento 3 (05/09) = R$ 0,0150 | para 2300 ações = R$ 34,50 | saldo em conta = R$ 392,46 | abertura do dia seguinte = R$ 37,11 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 392,46

Provento 4 (05/12) = R$ 0,2088 | para 2300 ações = R$ 480,24 | saldo em conta = R$ 872,70 | abertura do dia seguinte = R$ 44,94 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2300 | saldo em conta = R$ 872,70

Fim: preço ação = R$ 45,81 | qtde ações = 2300 | valor da venda = R$ 105.363 | saldo final em conta = R$ 106.235,70

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 6,23%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 12,91%

 

7) Cyrela (CYRE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 13,22 | qtde ações compradas = 7500 | saldo em conta = R$ 850

Provento 1 (07/05) = R$ 0,5209 | para 7500 ações = R$ 3.906,75 | saldo em conta = R$ 4.756,75 | abertura do dia seguinte = R$ 12,84 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 7800 | saldo em conta = R$ 904,75

Provento 2 (18/12) = R$ 0,5987 | para 7800 ações = R$ 4.669,86 | saldo em conta = R$ 5.574,61 | abertura do dia seguinte = R$ 15,09 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 8100 | saldo em conta = R$ 1.047,61

Fim: preço ação = R$ 15,47 | qtde ações = 8100 | valor da venda = R$ 125.307 | saldo final em conta = R$ 126.354,61

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 26,35%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 25,48%

 

8) Petrobras BR Distribuidora (BRDT3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 16,34 | qtde ações compradas = 6100 | saldo em conta = R$ 326

Provento 1 (01/02) = R$ 0,5653 | para 6100 ações = R$ 3.448,33 | saldo em conta = R$ 3.774,33 | abertura do dia seguinte = R$ 20,56 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 6200 | saldo em conta = R$ 1.718,33

Provento 2 (25/04) = R$ 0,3722 | para 6200 ações = R$ 2.307,64 | saldo em conta = R$ 4.025,97 | abertura do dia seguinte = R$ 21,55 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 6300 | saldo em conta = R$ 1.870,97

Provento 3 (11/12) = R$ 0,4839 | para 6300 ações = R$ 3.048,57 | saldo em conta = R$ 4.919,54 | abertura do dia seguinte = R$ 23,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 6500 | saldo em conta = R$ 209,54

Fim: preço ação = R$ 25,70 | qtde ações = 6500 | valor da venda = R$ 167.050 | saldo final em conta = R$ 167.259,54

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 67,25%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 65,61%

 

9) MRV (MRVE3):

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 12,59 | qtde ações compradas = 7900 | saldo em conta = R$ 539

Provento 1 (20/04) = R$ 0,3500 | para 7900 ações = R$ 2.765,00 | saldo em conta = R$ 3.304,00 | abertura do dia seguinte = R$ 12,69 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 8100 | saldo em conta = R$ 766,00

Provento 2 (28/05) = R$ 0,3512 | para 8100 ações = R$ 2.844,72 | saldo em conta = R$ 3.610,72 | abertura do dia seguinte = R$ 11,72 | ações compradas com novo saldo = 300 | total ações = 8400 | saldo em conta = R$ 94,72

Provento 3 (13/12) = R$ 0,3300 | para 8400 ações = R$ 2.772,00 | saldo em conta = R$ 2.866,72 | abertura do dia seguinte = R$ 10,55 | ações compradas com novo saldo = 200 | total ações = 8600 | saldo em conta = R$ 756,72

Fim: preço ação = R$ 12,36 | qtde ações = 8600 | valor da venda = R$ 106.296 | saldo final em conta = R$ 107.052,72

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 7,05%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 10,00%

 

10) Itaú Unibanco (ITUB4):

Obs: essa ação teve desdobramento em 19/11, onde foi recebido 1 ação para cada 2 ações. O gráfico com esse ajuste de preço por ação, porém nos cálculos abaixo estou usando os valores originais.

Início: Saldo = R$ 100.000 | preço ação = R$ 38,25 | qtde ações compradas = 2600 | saldo em conta = R$ 550

Provento 1 (31/01) = R$ 0,0150 | para 2600 ações = R$ 39,00 | saldo em conta = R$ 589,00 | abertura do dia seguinte = R$ 46,35 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2600 | saldo em conta = R$ 589,00

Provento 2 (15/02) = R$ 2,2430 | para 2600 ações = R$ 5.831,80 | saldo em conta = R$ 6.420,80 | abertura do dia seguinte = R$ 47,31 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.689,80

Provento 3 (28/02) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.730,30 | abertura do dia seguinte = R$ 47,24 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.730,30

Provento 4 (29/03) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.770,80 | abertura do dia seguinte = R$ 47,85 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.770,80

Provento 5 (30/04) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.811,30 | abertura do dia seguinte = R$ 46,86 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.811,30

Provento 6 (30/05) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.851,80 | abertura do dia seguinte = R$ 40,65 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.851,80

Provento 7 (29/06) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.892,30 | abertura do dia seguinte = R$ 37,29 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.892,30

Provento 8 (31/07) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 1.932,80 | abertura do dia seguinte = R$ 42,51 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 1.932,80

Provento 9 (17/08) = R$ 0,7492 | para 2700 ações = R$ 2.022,84 | saldo em conta = R$ 3.955,64 | abertura do dia seguinte = R$ 39,99 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2700 | saldo em conta = R$ 3.955,64

Provento 10 (31/08) = R$ 0,0150 | para 2700 ações = R$ 40,50 | saldo em conta = R$ 3.996,14 | abertura do dia seguinte = R$ 39,63 | ações compradas com novo saldo = 100 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 33,14

Provento 11 (28/09) = R$ 0,0150 | para 2800 ações = R$ 42,00 | saldo em conta = R$ 75,14 | abertura do dia seguinte = R$ 42,14 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 75,14

Provento 12 (31/10) = R$ 0,0150 | para 2800 ações = R$ 42,00 | saldo em conta = R$ 117,14 | abertura do dia seguinte = R$ 47,15 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 2800 | saldo em conta = R$ 117,14

Descobramento = para 2800 ações | foi recebido = 1400 ações | total ações = 4200

Provento 13 (30/11) = R$ 0,0150 | para 4200 ações = R$ 63,00 | saldo em conta = R$ 180,14 | abertura do dia seguinte = R$ 35,04 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 180,14

Provento 14 (17/12) = R$ 0,0106 | para 4200 ações = R$ 44,52 | saldo em conta = R$ 224,66 | abertura do dia seguinte = R$ 33,06 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 224,66

Provento 15 (28/12) = R$ 0,0150 | para 4200 ações = R$ 63,00 | saldo em conta = R$ 287,66 | abertura do dia seguinte = R$ 33,75 | ações compradas com novo saldo = 0 | total ações = 4200 | saldo em conta = R$ 287,66

Fim: preço ação = R$ 33,81 | qtde ações = 4200 | valor da venda = R$ 142.002 | saldo final em conta = R$ 142.289,66

RENTABILIDADE REINVESTINDO PROVENTOS = 42,28%

Rentabilidade SEM reinvestir proventos = 40,83%

 

Analisando a rentabilidade reinvestindo os proventos com a rentabilidade sem reinvestir vemos que na maioria das vezes há um aumento da rentabilidade e consequentemente do patrimônio quando se compra novas ações com os proventos recebidos, porém esse aumento é muito baixo, em torno de 1% a 2% ao ano. É claro que qualquer dinheiro a mais é bom, mas considerando que estamos lidando com renda variável, especialmente ações, eu considero que é um valor muito baixo para se dizer que é uma estratégia interessante do ponto de vista de crescimento de capital. Se o objetivo é esse e compararmos com a lista de ações com foco em valorização do preço como vimos no item 6, com certeza veremos uma grande diferença no aumento do patrimônio.

Portanto a idéia de que ir comprando mais ações com os dividendos recebidos e consequentemente ir aumentando a quantidade de ações em custódia colabora significamente para aumentar mais o patrimônio investido é PARCIALMENTE UM MITO.

 

8) Para viver de renda o melhor é investir em empresas boas pagadoras de dividendos

Por fim vamos analisar a situação da pessoa que já tenha um volume de dinheiro razoável e queira viver com a rentabilidade vinda das ações. O mais comum e recomendado nesses casos é ter ações que pagam bons dividendos para utiliza-los como renda, certo? Pois dessa forma não é necessário liquidar nenhuma ação e o rendimento entra na conta, a quantidade de ações permanece a mesma ao longo dos anos.

Mas será que é a melhor forma de obter renda mensal/anual na bolsa de valores? Será que é a forma mais efetiva de investir o capital? Será que investir em ações com foco em crescimento e vender uma parte pequena geraria um melhor aproveitamento?

Não vou entrar na discussão do método para a escolha das ações com foco em crescimento, nem vou aplicar estratégias de entrada e saída, como por exemplo algum trend following, ou seguidor de tendência. Simplesmente vou simular a compra inicial no início de 2012 e ficar comprado até o fim de 2018 para fazer o balanço, o que não é comum para o trader de longo prazo. Vou considerar as mesmas ações usadas no item 5.

Vou utilizar um capital de R$ 1 milhão aplicado no início de 2012. Os dividendos recebidos ao longo de um ano serão guardados e utilizados (gastos) durante o próximo ano. Nas ações com foco em crescimento, será feita uma venda da quantidade necessária de ações para ter um valor médio ao dos dividendos. Vou considerar um valor de R$ 10 mil ao mês, ou R$ 120 mil ao ano, para equiparar aos melhores dividendos recebidos. Dependendo do preço de entrada esse valor necessitaria de pagar IR, o que faria a rendabilidade se equiparar às melhores pagadoras conforme abaixo. Mas caso o investidor vendesse mensalmente abaixo de R$ 20 mil, haveria isenção de IR da mesma forma que os dividendos, portanto a quantidade de ações vendidas seria menor.

Primeiro as ações com foco em dividendos, utilizando os dados e gráficos já informados nos itens anteriores.

1) Cemig (CMIG4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 11,2% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 112.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 9.333
Variação de preços em 7 anos: 70%
Capital final: R$ 1.700.000

 

2) Light (LIGT3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 10,7% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 107.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.916
Variação de preços em 7 anos: -17%
Capital final: R$ `830.000

 

3) Coelce (COCE5)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 10,3% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 103.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.583
Variação de preços em 7 anos: 84%
Capital final: R$ 1.840.000

 

4) Telefônica (VIVT4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 9,7% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 97.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 8.083
Variação de preços em 7 anos: 53%
Capital final: R$ 1.530.000

 

5) Banco Pine (PINE4)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 7,9% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 79.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 6.583
Variação de preços em 7 anos: -63%
Capital final: R$ 370.000

 

6) Grendene (GRND3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 7,1% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 71.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 5.916
Variação de preços em 7 anos: 357%
Capital final: R$ 4.570.000

 

7) CSN (CSNA3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Dividendos médios: 6,9% ao ano
Rentabilidade média por ano: R$ 69.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 5.750
Variação de preços em 7 anos: -16%
Capital final: R$ 840.000

 

Nesse cenário onde o investidor utiliza os rendimentos dos dividendos para uso pessoal, como sua previdência própria, das 7 melhores pagadoras de dividendos do período informado, 3 tiveram patrimônio reduzido após 7 anos, 3 tiveram o patrimônio aumentado porém pouco (abaixo de 100% em 7 anos), e 1 teve um grande aumento do patrimônio (GRND3).

Agora vamos ver como ficam as açoes com foco em crescimento. E aqui nem vou considerar os eventuais dividendos que elas distribuiram ao longo desses anos.

1) Unipar (UNIP6)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 1,31
Ações compradas: 763.359

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 1,82
Quantidade ações vendidas: 65.934
Ações restante em carteira: 697.425
Capital atual: R$ 1.269.313

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 2,45
Quantidade ações vendidas: 48.980
Ações restante em carteira: 648.445
Capital atual: R$ 1.588.691

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 2,26
Quantidade ações vendidas: 53.097
Ações restante em carteira: 595.348
Capital atual: R$ 1.345.486

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 2,20
Quantidade ações vendidas: 54.545
Ações restante em carteira: 540.802
Capital atual: R$ 1.189.765

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 3,81
Quantidade ações vendidas: 31.496
Ações restante em carteira: 509.306
Capital atual: R$ 1.940.457

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 13,38
Quantidade ações vendidas: 8.969
Ações restante em carteira: 500.338
Capital atual: R$ 6.694.518

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 38,86
Quantidade ações vendidas: 3.088
Ações restante em carteira: 497.250
Capital atual: R$ 19.323.121

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 763.359
Quantidade ações vendidas: 266.109
Ações restante em carteira: 497.250
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 19.323.121
Variação do patrimônio em 7 anos: 1.832,31%

 

2) Magazine Luiza (MGLU3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 8,84
Ações compradas: 113.122

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,42
Quantidade ações vendidas: 10.508
Ações restante em carteira: 102.614
Capital atual: R$ 1.171.855

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 7,00
Quantidade ações vendidas: 17.143
Ações restante em carteira: 85.471
Capital atual: R$ 598.300

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 7,24
Quantidade ações vendidas: 16.575
Ações restante em carteira: 68.897
Capital atual: R$ 498.813

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 1,46
Quantidade ações necessárias para venda: 82.192

Obs: nessa simulação com o valor da ação em forte queda, a quantidade de ações disponível é menor do que o necessário para a venda, portanto não seria possível fazer o resgate.

Vamos fazer uma nova simulação com essa ação começando o investimento no fim de 2015.

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 1,46
Ações compradas: 684.932

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 12,95
Quantidade ações vendidas: 9.266
Ações restante em carteira: 675.665
Capital atual: R$ 8.749.863

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 80,68
Quantidade ações vendidas: 1.487
Ações restante em carteira: 674.178
Capital atual: R$ 54.392.660

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 181,07
Quantidade ações vendidas: 663
Ações restante em carteira: 673.515
Capital atual: R$ 121.953.363

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 684.932
Quantidade ações vendidas: 11.416
Ações restante em carteira: 673.515
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 121.953.363
Variação do patrimônio em 7 anos: 12.095,34%

 

3) Equatorial Energia (EQTL3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 11,42
Ações compradas: 87.566

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 17,18
Quantidade ações vendidas: 6.985
Ações restante em carteira: 80.581
Capital atual: R$ 1.384.378

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 21,72
Quantidade ações vendidas: 5.525
Ações restante em carteira: 75.056
Capital atual: R$ 1.630.215

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 26,09
Quantidade ações vendidas: 4.599
Ações restante em carteira: 70.456
Capital atual: R$ 1.838.210

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 34,72
Quantidade ações vendidas: 3.456
Ações restante em carteira: 67.000
Capital atual: R$ 2.326.249

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 54,40
Quantidade ações vendidas: 2.206
Ações restante em carteira: 64.794
Capital atual: R$ 3.524.814

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 65,65
Quantidade ações vendidas: 1.828
Ações restante em carteira: 62.967
Capital atual: R$ 4.133.751

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 74,54
Quantidade ações vendidas: 1.610
Ações restante em carteira: 61.357
Capital atual: R$ 4.573.523

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 87.566
Quantidade ações vendidas: 26.209
Ações restante em carteira: 61.357
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 4.573.523
Variação do patrimônio em 7 anos: 357,35%

 

4) Lojas Renner (LREN3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 7,60
Ações compradas: 131.579

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 13,01
Quantidade ações vendidas: 9.224
Ações restante em carteira: 122.355
Capital atual: R$ 1.591.842

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 9,98
Quantidade ações vendidas: 12.024
Ações restante em carteira: 110.331
Capital atual: R$ 1.101.106

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 12,80
Quantidade ações vendidas: 9.375
Ações restante em carteira: 100.956
Capital atual: R$ 1.292.240

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 14,71
Quantidade ações vendidas: 8.158
Ações restante em carteira: 92.799
Capital atual: R$ 1.365.066

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 20,33
Quantidade ações vendidas: 5.903
Ações restante em carteira: 86.896
Capital atual: R$ 1.766.594

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 35,40
Quantidade ações vendidas: 3.390
Ações restante em carteira: 83.506
Capital atual: R$ 2.956.115

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 41,35
Quantidade ações vendidas: 2.902
Ações restante em carteira: 80.604
Capital atual: R$ 3.332.976

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 131.579
Quantidade ações vendidas: 50.975
Ações restante em carteira: 80.604
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.332.976
Variação do patrimônio em 7 anos: 233,30%

 

5) Estácio (ESTC3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 4,66
Ações compradas: 214.592

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,04
Quantidade ações vendidas: 10.870
Ações restante em carteira: 203.723
Capital atual: R$ 2.249.099

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 16,21
Quantidade ações vendidas: 7.403
Ações restante em carteira: 196.320
Capital atual: R$ 3.182.345

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 20,16
Quantidade ações vendidas: 5.952
Ações restante em carteira: 190.367
Capital atual: R$ 3.837.809

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 10,98
Quantidade ações vendidas: 10.929
Ações restante em carteira: 179.439
Capital atual: R$ 1.970.235

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 14,50
Quantidade ações vendidas: 8.276
Ações restante em carteira: 171.163
Capital atual: R$ 2.481.859

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 30,48
Quantidade ações vendidas: 3.937
Ações restante em carteira: 167.226
Capital atual: R$ 5.097.038

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 23,55
Quantidade ações vendidas: 5.096
Ações restante em carteira: 162.130
Capital atual: R$ 3.818.164

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 214.592
Quantidade ações vendidas: 52.462
Ações restante em carteira: 162.130
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.818.164
Variação do patrimônio em 7 anos: 281,82%

 

6) RaiaDrogasil (RADL3)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 12,27
Ações compradas: 81.500

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 22,23
Quantidade ações vendidas: 5.398
Ações restante em carteira: 76.101
Capital atual: R$ 1.691.736

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 14,23
Quantidade ações vendidas: 8.433
Ações restante em carteira: 67.669
Capital atual: R$ 962.924

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 23,58
Quantidade ações vendidas: 5.089
Ações restante em carteira: 62.580
Capital atual: R$ 1.475.625

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 35,09
Quantidade ações vendidas: 3.420
Ações restante em carteira: 59.160
Capital atual: R$ 2.075.916

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 59,68
Quantidade ações vendidas: 2.011
Ações restante em carteira: 57.149
Capital atual: R$ 3.410.654

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 91,37
Quantidade ações vendidas: 1.313
Ações restante em carteira: 55.836
Capital atual: R$ 5.101.707

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 57,00
Quantidade ações vendidas: 2.105
Ações restante em carteira: 53.730
Capital atual: R$ 3.062.634

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 81.500
Quantidade ações vendidas: 27.769
Ações restante em carteira: 53.730
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 3.062.634
Variação do patrimônio em 7 anos: 206,26%

 

7) Braskem (BRKM5)

Capital inicial: R$ 1.000.000
Preço inicial: R$ 9,98
Ações compradas: 100.200

Fim de 2012:
Preço ação: R$ 11,03
Quantidade ações vendidas: 10.879
Ações restante em carteira: 89.321
Capital atual: R$ 985.210

Fim de 2013:
Preço ação: R$ 17,04
Quantidade ações vendidas: 7.042
Ações restante em carteira: 82.279
Capital atual: R$ 1.402.030

Fim de 2014:
Preço ação: R$ 14,89
Quantidade ações vendidas: 8.059
Ações restante em carteira: 74.220
Capital atual: R$ 1.105.130

Fim de 2015:
Preço ação: R$ 26,18
Quantidade ações vendidas: 4.584
Ações restante em carteira: 69.636
Capital atual: R$ 1.823.070

Fim de 2016:
Preço ação: R$ 34,04
Quantidade ações vendidas: 3.525
Ações restante em carteira: 66.111
Capital atual: R$ 2.250.409

Fim de 2017:
Preço ação: R$ 42,88
Quantidade ações vendidas: 2.799
Ações restante em carteira: 63.312
Capital atual: R$ 2.714.827

Fim de 2018:
Preço ação: R$ 47,38
Quantidade ações vendidas: 2.533
Ações restante em carteira: 60.779
Capital atual: R$ 2.879.732

RESUMO:
Capital inicial: R$ 1.000.000
Quantidade ações compradas: 100.200
Quantidade ações vendidas: 39.421
Ações restante em carteira: 60.779
Rentabilidade média por ano pelas vendas: R$ 120.000
Valor médio para gasto mensal: R$ 10.000
Capital final: R$ 2.879.732
Variação do patrimônio em 7 anos: 187,97%

 

Podemos ver que para as ações com foco em crescimento, utilizando a estratégia de vender uma pequena parte das ações para transformar em dinheiro para uso pessoal, mesmo com a diminuição da quantidade de ações ao longo dos anos vemos que todas tiveram um aumento do patrimônio muito bom, todas acima de 180%, algumas com rentabilidade muito superior.

No caso de MGLU3, realizar esse método de vendas de ações periódicas sem uma estratégia de entrada e saída adequada poderia ter quebrado a carteira. Numa estratégia tradicional de trend following jamais teria passado por essa situação pois o encerramento da posição total já teria sido feito bem anteriormente e uma nova compra poderia ter sido feito na retomada da subida.

Um comentário óbvio seria: “Ah mas se eu vender ações frequentemente uma hora elas vão acabar!”. Bem, matematicamente sim, na prática talvez não. Se as ações continuarem subindo décadas seguidas, a medida que o preço vai subindo a quantidade de ações necessárias para liquidar e gerar a renda definida diminui, o que pode ser visto nos exemplos acima. Em determinado momento poderia ser necessário vender menos de 1 ação para gerar a renda do mês. E como quando as ações atingem preços altos elas fazem desobramento, a quantidade de ações pode voltar a aumentar com o tempo e nunca acabar.

Mas para o trader seguidor de tendência de longo prazo, o objetivo nunca será ficar posicionado por muitos anos ou décadas, normalmente ele fica entre 1 e 2 anos. Então com o aumento de patrimônio exemplicado acima, o trader compraria outras ações que estivessem em tendência de forte crescimento, ficando posicionado somente enquanto essa tendência durasse. Portanto o comentário que em um momento a quantidade de ações acabariam não faz sentido nessa abordagem. Mesmo com quantidade de ações menor do que quando a compra foi feita, o valor do patrimônio é bem maior e é isso que importa. O que importa é a quantidade de DINHEIRO e não de AÇÕES!! Ao encerrar a posição na determinada ação e liquidar o dinheiro, esse patrimônio aumentado seria aplicado em outra ação com uma nova quantidade de ações dependendo do seu preço e o procedimento continuaria.

Ou seja, o cidadão mesmo que aposentado poderia continuar sua estratégia de investir ou fazer trades buscando ações com forte crescimento que assim conseguiria os rendimentos que as melhores pagadoras de dividendos dão e ainda sim poderia conseguir um maior aumento de seu patrimônio, conseguindo assim também que sua retirada mensal/anual pudesse ser aumentada ao longo dos anos, promovendo uma melhor qualidade de vida.

Portanto a afirmação popular que para viver de renda o melhor é investir em empresas boas pagadoras de dividendos é um MITO.

 

CONCLUSÃO

Do MEU ponto de vista, focando nos pontos que escolhi para analisar que são as frases mais faladas sobre o tema no mercado a fora, eu NÃO acho que montar uma carteira focada em empresas que pagam melhores dividendos é uma boa estratégia. Meu foco sempre foi buscar ações com força de tendência e que possam ter uma grande variação de alta nos preços. Eu acredito que dessa forma o patrimônio pessoal pode crescer de forma bem mais rápida e com uma bom nível segurança com controle de risco adequado.

Como todos sabem eu tenho perfil extremamente técnico, em nenhum momento entrei no mérito dos fundamentos da empresas, que apesar de pagarem bons dividendos talvez não entraria da lista de um investidor. Também não analisei a “segurança” e “estabilidade” de uma ação que paga bons dividendos tem durante períodos de crise. E também não foquei na análise de carteiras de pessoas multi-milionárias ou bilionárias, bem como fundos em geral, porque para uma grande quantidade de dinheiro a história é completamente diferente, meu foco foi pensando mais no investidor pessoa física comum, que engloba a grande maioria dos investidores em bolsa.

Esse tema de dividendos é bem polêmico, principalmente porque a maioria dos investidores nunca analisou todos os fatos envolvidos e acredita em frases ouvidas no mercado, repetindo-as sem saber se é verdade ou mito. E mesmo entre o público mais experiente esse tema gera alguma polêmica entre as discussões. Eu tenho minhas opiniões e conviccções que muitas vezes são totalmente contrárias da grande maioria dos investidores e traders e talvez nesse assunto de dividendos também seja, pelo menos em todas as conversas que tive ao longo da minha vida de trader eu sei que são.

Estou totalmente aberto a comentários, sugestões, correções e críticas!

Para balancear minha opinião, deixo o link de uma matéria sobe esse essa tema no blog da Focalise: https://blog.focalise.com.br/dividendos-opcao-para-a-aposentadoria/ . Recomendo a visita, um blog com muito conteúdo bom de investimentos em geral.

Bons aprendizados, reflexões e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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A besteira popular do “Já subiu muito, não é hora de comprar”

Dentre os comentários que ouço quando o assunto é bolsa de valores ou ações, os mais comuns são:

“A ação já subiu muito, não é hora de comprar” ou “Já passou da hora de comprar” ou “A ação está cara”.

E se é uma ação que eu tenho que se encontra nesse cenários, o comentário de sempre é: “Você não vai vender?”

Já me considero um quase vidente! Quando é uma pessoa nova que estou falando desse assunto, eu praticamente já sei as frases que ela vai falar, e eu acerto em 90% das vezes!

São aquelas frases clichês do mercado financeiro. Algumas pessoas experientes falam, OK, elas tem as estratégias pessoais que talvez não considerem uma entrada com uma ação em alta, tudo bem, cada um tem sua estratégia. Mas a maioria das pessoas que ainda não investem na bolsa e vários iniciantes falam isso também, nesse caso já provavelmente por falta de conhecimento de mercado.

Outro motivo que possa motivar esse pensamento, apesar de não totalmente correto, é que a grande maioria das pessoas só vê as blue chips, e essas realmente dificilmente sobem por muitos meses e anos seguidos, depois que o mercado brasileiro ficou mais difícil, pós crise 2008.

Agora se ampliamos as ações analisadas para mid caps e small caps, a gama de opções é muito maior. Muitas ações sobem por meses e anos a fio, sem dar trégua. Muitas delas inclusive se movimentam totalmente independente do índice Bovespa. Quando alguém vem me falar que a ação X já subiu muito e que está na hora de vender ou não está na hora de comprar já me dá nervoso! Aí preciso respirar fundo e começar minha resposta padrão! Sempre tentando ser educado, mas nem sempre rsss Afinal ouvindo a vida inteira a mesma coisa tem hora que escapa!

Antes de continuar, melhor explicar dois pontos para também não ser hostilizado e mal interpretado:

1) Comprar mais barato é mais lucrativo. Isso é óbvio, não há argumento contra isso. É uma conta matemática. Se ação está caindo forte, você compra a R$10. A ação em determinado momento começa a subir, eu compro a R$15. Usamos o mesmo stop ou alvo e ambos vendemos a R$30. É claro que você que comprou mais barato vai ter lucrado mais. Quanto mais barato você comprar, melhor, SEEE e somente SE a ação subir depois que você comprar! A maioria das pessoas que conheço gostam de comprar ações mais baratas, esperar uma forte queda, de preferência uma mega tendência de baixa para então comprar. Praticamente todas essas também não usam stop inicial, ou seja, o risco da operação é 100%! Por mais sólida que seja a empresa, ela sempre pode ficar ruim e eventualmente até quebrar. Nos EUA já teve vários casos desse tipo, o mais famoso é da gigante Enron, que quebrou totalmente. A Sadia aqui no Brasil ia muito bem mas quando fez uma operação financeira errada foi pro brejo. Nos anos 2000 a NET chegou a valer R$440 para anos depois valer centavos. Então a questão não é qual é o método certo, comprar quando a ação subindo ou caindo, mas sim qual a estratégia faz mais sentido para cada um. As duas dão dinheiro, mas exigem níveis emocionais bem diferentes. A idéia de comprar uma ação em tendência de alta não é ser mais lucrativo necessariamente de uma ação que está em tendência de baixa. Uma ação em tendência de baixa tende a continuar caindo, se ela está caindo há vários motivos da empresa, mercado, etc que estão fazendo ela cair. Se ela estivesse boa as ações estariam subindo! Então a taxa de acerto dessas operações são muito baixas e o risco muito alto. O objetivo principal de comprar ações em tendência de alta é aumentar a probabilidade de acertar e lucrar, bem como diminuir absurdamente o risco da operação ao utilizar stop inicial.

2) Numa tendência de alta, com os preços subindo fazendo zigue zague, é melhor comprar mais perto do início da tendência do que após vários meses ou anos. De novo, é óbvio que é mais lucrativo, mais perto do início da tendência, mais barato será e mais lucro dará no final. A consideração aqui é quão perto do início da tendência é mais seguro ou com maior probabilidade de acerto. Comprar após um pivot (rompimento do primeiro zique zague de alta) no gráfico diário é um bom ponto, porém a probabilidade de uma reversão para tendência primária é baixa. Comprar após um pivot no gráfico semanal já melhora as probabilidades, porém ainda considero muito cedo, ainda não terá um padrão na movimentação dos preços e da força da ação. E para mim o maior problema é que em qualquer uma dessas entradas o FR ainda não estará alto, sendo um tiro quase no escuro, pois em 400 ações na Bovespa sempre haverá pivots sendo formados, mas a maioria deles resultará em subida fraca da ação, congestão ou continuação da tendência de baixa em pouco tempo. Serão algumas poucas que resultarão em tendência forte e consistente que durará meses ou anos e se sobressairá das demais. Portanto na minha visão, pela minha estratégia pessoal e meu perfil de investimento, acho mais interessante não arriscar comprar qualquer pivot de qualquer ação e esperar a movimentação de algumas semanas ou meses de modo a permitir escolher ações que está se desenhando com padrão de alta força no movimento. Algumas me enganarão, começará um movimento forte somente para parar em seguida, mas faz parte do mercado, acertamos umas e erramos outras, o que vale é a somatória das operações, perder pouco nas que erramos e ganhar muito nas que acertamos, buscando pegar tendências longas em ações que assim fizerem. Quando o FR ficar acima dos 90 e der entrada, o bom é que seja algumas semanas ou poucos meses após o início da tendência primária. Sempre será melhor comprar o mais barato possível, dentro das regras que aumentem a probabilidade do acerto. Mas mesmo não sendo tão lucrativo quanto, não significa que comprar uma ação após estar subindo por 6 meses ou 1 ano seja mau negócio. Diante as oportunidades disponíveis no mercado naquele momento, essa suposta ação pode ser mais interessante. Algumas ações podem continuar subindo por muito mais tempo. Mas confesso que prefiro comprar ações que não estejam subindo por mais de 1 ano aproximadamente. Prefiro entrar mais cedo na tendência, mas eventualmente posso optar por comprar alguma que já esteja subindo há mais tempo. Outro cenário é quando a ação está subindo há muitos meses, mas em ritmo bem lento, e de repente a situação muda na empresa e as ações começam a subir mais forte, entrando no radar do FR. Isso é como desse vida a empresa e as projeções mudam totalmente, portanto extremamente válido a entrada.

Então voltando às argumentações iniciais, dizer que é hora de vender ou não é hora de comprar uma ação porque ela já subiu 50%, 100% ou 200% é pura besteira! Quem acreditar nisso pode ficar de fora de um belo movimento que pode vir na sequência! E a dor de deixar de ganhar e deixar a oportunidade passar é maior do que a de perder! O mesmo para quem vender as ações somente porque subiu 50% ou 100%.

Empresas em forte crescimento ou restruturação, possivelmente recebendo muitos investimentos, tendem ter suas ações subindo por muitos meses ou anos. Quando a empresa entra no radar de mega investidores e esses resolver comprar milhões de ações, eles tem que ir comprando aos poucos devido a liquidez do ativo. Essa compra normalmente dura meses e normalmente isso é só o começo da subida, pois do contrário esses investidores não se interessariam pela empresa.

Eu acho que a maioria das pessoas não gosta de comprar ações depois dela ter subido 100% digamos, por 2 motivos principais:

1) Medo de já ter subido o suficiente e o movimento de alta já estar no fim. É pertinente e válido, todo movimento de alta chega ao fim em algum momento, pelo menos para uma tendência secundária de baixa. Mas por outro lado comprar na baixa gera o mesmo medo, porém pior, que é não saber se a tendência de baixa está perto do fim. Afinal, inércia da tendência de alta é que os preços continuem subindo, inércia da tendência de baixa é que os preços continuem caindo.

2) Ego. Ego grande. A ação X caiu durante anos até chegar a R$10. Uma hora iniciou uma tendência de alta e agora já está R$25. A pessoa não aceita comprar alguma coisa que estava valendo R$10 e agora está R$25, ela se sente como se estivesse sendo passada para trás, alguém vendendo para ela algo que valia bem menos. É como se tivesse vergonha em falar pra alguém que comprou a R$25 e a pessoa iria falar “Nossa meu, como você é burro! A ação X valia R$10 e você pagou R$25?”. Ela acha que está fazendo um mau negócio, como se fosse um produto, uma TV que estava custando R$1000 e agora está R$2500, muitas pessoas associam o conceito de produtos e comércio com ações e isso não tem nada a ver! Um produto nós compramos para uso próprio e não para lucrar, pelo contrário, sempre vai desvalorizar com o tempo. Ações nós compramos esperando valorização da empresa para obter lucro. Ações praticamente não tem limite de valor enquanto a empresa estiver crescendo ou falindo (limite teórico zero), já um produto tem uma certa limitação, uma TV não vai custar R$100 ou R$100 mil. Ela tem um preço médio de mercado, digamos que R$2000, se entrou em promoção por R$1500, ela tende a voltar para o preço normal dela depois da promoção. Então veja que não faz sentido algum comparar descontos em produtos com ações! A mentalidade de precificação de produtos para consumo é totalmente diferente da precificação de ações e empresas. Portanto ninguém precisa ter vergonha, se sentir pior ou inferior, ou que está fazendo mau negócio se comprar uma ação depois de já ter subido e estar mais cara que antes. A pessoa deve se sentir mal se está perdendo dinheiro constantemente no mercado, mês após mês, isso sim não é legal. Se você está ganhando dinheiro e está psicologicamente confortável com o método de trade, então continue assim! Deixe o ego de lado e use o lado racional para definir um plano de trading, não o lado emocional.

Minha opinião é que não importa o preço que pagamos e sim a rentabilidade em percentual que obtemos. Melhor comprar uma ação depois de já ter subido e ganhar 200% do que comprar uma ação na queda e ganhar 50%. A meta principal é o lucro, não importando o valor da compra e da venda. Eu comprei MGLU3 a R$100 e vendi a quase R$200. E quem comprou a R$200 poderia ter vendido a R$600!!! (preços sem split) Mas a R$100 a ação não estava cara? E a R$200 ela não estava mega cara??? O preço não quer dizer nada! O que manda é o potencial de crescimento da empresa e consequentemente das ações.

Se as ações estão subindo, por que não aproveitar? É muito mais fácil acertar na continuação da subida do que na reversão da queda. Para isso servem os stops, você compra e coloca stop, se a ação parar de subir, você toma um pequeno prejuízo, digamos 10% e analisa outras oportunidades. Se você acerta e o movimento continua por um longo tempo mais, você ganha um ótimo lucro, 100%, 200%, às vezes bem mais!

Bem, isso tudo é minha opinião e visão do mercado. Respeito todas as formas de operar e investir no mercado, até porque não existe somente uma forma certa. O que importa é ter lucro, se está ganhando dinheiro está ótimo, cada um operando da sua forma.

Por fim vou exibir abaixo alguns exemplos de compras em tendência de alta que teriam dado muito lucro e também de compras durantes quedas que teriam levado a uma mega perda jamais recuperada ou que demoraram uma década para somente voltar perto do zero a zero, perdendo muito tempo de oportunidades. Para as compras estou colocando valores em pontos de rompimentos de resistências/topos anteriores recentes. Nos gráficos eu destaco nas linhas horizontais somente alguns desses pontos.

MGLU3

A primeira possibilidade de compra seria no pivot semanal de reversão de tendência em 2,31 no começo de 2016. Uma compra nessa época e mantido até hoje estaria rendendo incríveis 5440%!
Alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 4,80. “Nossa, mas já subiu mais de 100%, está caro!” (Lembrando que o valor naquela época antes de ter ocorrido o split era de 38,40). Essa compra mantido até hoje estaria rendendo outros incríveis 2566%!

Mais alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 8,27. “Ihh é ruim hein, já subiu 250% do primeiro ponto de entrada, mega caro! Já são 9-10 meses subindo direto! É hora de sair com certeza!” Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1447%!

Aí chegou um camarada meio desavisado, nem conhecia MGLU e viu ela no começo de 2017, já tinha subido aproximadamente 1500% desde o fundo principal antes do início da tendência no fim de 2015. “Você é louco cara?” – diziam seus amigos – “É nabo na certa se você comprar agora!”. O rapaz resolveu comprar mesmo assim, pagou 16,31. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 684%. Acho que o camarada deve ter ficado contente em ter comprado caro!

Um outro camarada resolveu entrar na bolsa no meio de 2017 e começou analisar as ações para escolher o que comprar e compor sua carteira. Ele viu o gráfico da MGLU3 e pensou “Essa ação está com uma tendência fortíssima! Se eu estivesse na bolsa 1 ano atrás eu já teria comprado naquela época e estaria ganhando muito dinheiro, mas como só estou entrando agora vou comprar agora”. E ele comprou a 35,35. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 262%.

E mesmo depois de uma compra absurda depois de 2 anos de subida da ação no início de 2018 a 86,31 estaria rendendo 48% em 4 meses.

ABEV3

Primeira compra já esticada a 0,59, que é 78% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 2967%.

2 anos depois em 2003, após uma queda e consolidação uma compra a 1,18, que é 100% acima da primeira compra e 257% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1433%.

Alguns anos depois em 2009, uma compra a 3,55, que é 501% acima da primeira compra e 975% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 410%.

2 anos depois em 2011, após uma alta revigorante uma compra a 7,53. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 140%.

GGBR4

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2008 no meio da crise conforme final do gráfico, após as ações terem caído 32%.

Após uma tendência de alta iniciada em 2001, uma compra seria feito no fim de 2002 a 0,01 (gráfico ajustado). Essa compra teria rendido 228800%.

Poucos meses depois após uma mega alta de 200%, uma compra a 0,03. Essa compra teria rendido 76200%.

Final de 2003, ações subindo sem parar, uma compra a 0,13, que é 1200% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 17507%.

Após uma outra mega alta de 300% em apenas 6 meses, no meio de 2004 uma compra a 0,52, que é 5100% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 4301%.

A tendência continuou forte e no fim de 2005 uma compra a 2,20. Essa compra teria rendido 940%.

Mesmo uma compra no início de 2008, depois de 7 anos de tendência de alta, uma compra a 11,53 teria rendido 98%!!

Claramente vemos que qualquer venda com “apenas” 100% de lucro ou evitar compras após a tendência ter iniciado faria o trader deixar de ganhar muito dinheiro!

HGTX3

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2012 após o fim da tendência primária e sua reversão conforme final do gráfico, após as ações terem caído 23%.

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,53, rentabilidade 1093%.
Compra a 4,51, rentabilidade 569%.
Compra a 5,69, rentabilidade 430%.
Compra a 8,54, rentabilidade 253%.
Compra a 10,29, rentabilidade 193%.
Compra a 15,48, rentabilidade 95%.

ITSA4

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 0,11, rentabilidade 8754%.
Compra a 0,31, rentabilidade 3041%.
Compra a 0,53, rentabilidade 1737%.
Compra a 0,99, rentabilidade 883%.
Compra a 2,06, rentabilidade 372%.
Compra a 4,03, rentabilidade 141%.

UNIP6

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,59, rentabilidade 1409%.
Compra a 4,89, rentabilidade 699%.
Compra a 6,66, rentabilidade 487%.
Compra a 9,12, rentabilidade 328%.
Compra a 16,91, rentabilidade 131%.

Agora alguns exemplos de ações em queda que se o investidor ou trader fosse comprando a medida que caiam tentando comprar mais barato teriam problemas com o capital. Para efeito teórico, vou determinar pontos de compra a 25% de queda do topo, a 50% e a 75%.

OGXP3

O topo da OGXP3 foi em 10/2010 a R$2339,00. O valor atual é de R$3,00.
Uma compra após 25% de queda seria a R$1754,25. O resultado hoje seria -99,82%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$1169,50. O resultado hoje seria -99,74%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$584,75. O resultado hoje seria -99,48%.
Ou seja, essa foi uma típica ação que comprando na queda teria resultado em desastre total. Conheço algumas pessoas que fizeram isso, compraram sem stop, hoje praticamente perderam tudo o investido.

PDGR3

O topo da PDGR3 foi em 11/2010 a R$494,98. O valor atual é de R$0,91.
Uma compra após 25% de queda seria a R$371,23. O resultado hoje seria -99,75%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$247,49. O resultado hoje seria -99,63%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$123,74. O resultado hoje seria -99,26%.

RSID3

O topo da RSID3 foi em 10/2010 a R$426,46. O valor atual é de R$4,48.
Uma compra após 25% de queda seria a R$319,84. O resultado hoje seria -98,60%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$213,23. O resultado hoje seria -97,89%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$106,61. O resultado hoje seria -95,79%.

RAIL3

O topo da RAIL3 foi em 07/2007 a R$97,50. O valor atual é de R$13,69.
Uma compra após 25% de queda seria a R$73,12. O resultado hoje seria -81,27%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$48,75. O resultado hoje seria -71,91%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$24,37. O resultado hoje seria -43,82%.

OIBR4

O topo da OIBR4 foi em 12/2009 a R$114,56 (não disponível nesse gráfico do TradingView. O valor atual é de R$2,90.
Uma compra após 25% de queda seria a R$85,92. O resultado hoje seria -96,62%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$57,28. O resultado hoje seria -94,93%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$28,64. O resultado hoje seria -89,87%.

GOLL4

O topo da GOLL4 foi em 05/2006 a R$71,25. O valor atual é de R$11,12.
Uma compra após 25% de queda seria a R$53,43. O resultado hoje seria -79,18%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$35,62. O resultado hoje seria -68,78%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$17,81. O resultado hoje seria -37,56%.

São dezenas de casos iguais a esses que não convém ficar repetindo muito. Acho que deu pra expor meus pontos referente a esse tema. Meu objetivo não é dizer que o meu método é melhor que os outros, com certeza não é e nem tenho essa pretensão. Trading é um jogo de probabilidades, meu principal objetivo é mostrar os dois lados da moeda, mercado em alta que pode continuar em alta, e de baixa que pode continuar em baixa. Mostrado isso, cada um deve montar sua própria estratégia de trading baseado em suas crenças, gostos, expectativas e visão do mercado e depois de ler esse artigo levar em conta essas informações extremamente importantes que podem fazer a diferença em uma operação.

Bons aprendizados, reflexões e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Perdi a entrada (compra) da ação, o que fazer?

10 de março de 2018 7 comentários

Às vezes, geralmente por descuido, perdemos a entrada de compra em uma ação. Eu mesmo já fiz isso algumas vezes, faço todo dever de casa, analiso os gráficos, separo as ações que formaram o setup para compra, atualizo a planilha, atualizo o blog(!) mas esqueço de colocar a ordem no home broker! E é muito chato e frustrante! Principalmente se a ação dispara depois.

Então o que fazer nesses casos (que espera-se ser raros)?

Vamos tomar como exemplo a ROMI3 (gráfico ajustado), que inclusive um colega fez essa pergunta nesse período do gráfico.

A resistência estava em 7,75 na região mais a direita do gráfico semanal em dezembro. Eu fiz uma entrada no rompimento dessa resistência. Mas e se não tivesse feito? Quais as opções?

A primeira opção é esperar os preços recuarem até o preço de original de compra (7,75). É normal de uma vez acontecido o rompimento os preços recuarem e tocarem na resistência novamente, que acaba virando um suporte. Nesse caso da ROMI3 acabou acontecendo 2 vezes nas próximas semanas (linha horizontal azul):

A segunda opção é quando temos mais sorte e a ação rompe a resistência mas ainda fecha a semana abaixo do ponto de entrada. Nesse caso temos 2 escolhas: ou comprar imediatamente na abertura do pregão seguinte, provavelmente com preço mais barato que o original, ou colocar o start de compra no ponto original para confirmar se a ação atingirá aquele patamar novamente, dando uma segurança extra na operação, sendo menos suscetível a um rompimento falso. Exemplo acontecendo algumas semanas antes do gráfico anterior, onde está a seta azul:

Mas muitas vezes as ações com FR alto acima de 90 rompem e fazem uma forte alta sem olhar para trás (ou para baixo)! Nesse caso entram as próximas opções.

A terceira opção é pagar um pouco a mais do preço de entrada. Normalmente eu já aceito pagar um pouco mais, já que meu slippage que coloco no home broker na ordem de start de compra sempre é de 3% acima do preço de disparo. Apesar de não gostar quando as raras vezes que eu pego um slippage de 3%, digamos que num caso específico desses eu pagaria esse preço. Então nesse caso eu aceitaria comprar por no máximo 7,98.

Então se quando resolver comprar atrasado, os preços estiverem entre 7,75 e 7,98, eu compraria pelo valor de mercado. Agora se os preços estiverem acima de 7,98, eu poderia esperar os preços cairem e chegarem até esse patamar, mas eu acompanharia durante o dia o book e o gráfico intraday para ver se conseguiria comprar mais barato. É uma situação que não gosto, quando acontece fico meio ansioso. Por sorte é bem raro acontecer, mas acontece.

Então essa seria uma variação da opção 1 e seria uma opção bem particular, de esperar os preços cairem até o preço de entrada (7,75) ou até o preço com slippage aceitável (7,98). Como se tratam de ações em forte tendência de alta, pode gerar uma ansiedade e medo de esperar cair para entrar e os preços nunca chegarem a esse patamar e ficarmos de fora de uma possível forte alta posterior, gerando uma grande frustração. Então se for esse o caso, talvez fosse melhor aceitar e já tentar comprar na faixa dos 7,98 mesmo e saber que se os preços tiverem uma forte alta, o pequeno valor pago a mais será compensado.

Olhando pelo gráfico diário abaixo, vemos que o dia que os preços romperam a resistência (linha horizontal azul) fechou em 8,05 (primeira seta azul), o que significa 3,87% acima do preço de entrada, já fora de qualquer faixa aceitável de compra (linha horizontal verde). No dia seguinte a ação abriu a 8,19 e fechou a 8,62, que dá 11,22% acima do preço de entrada. Neste caso, dias depois os preços recuaram e atingiram os 2 patamares anteriores, mas em muitos casos isso não ocorre. Por isso se recuarem até somente a faixa mais alta talvez já seja interessante fazer a compra.

A quarta opção é se em último caso o preço não corrigir até o ponto de entrada ou aos 3% acima, eu acabo deixando passar a oportunidade e espero o preço corrigir no semanal até dar uma nova entrada pelo setup.

É o caso que aconteceu em UNIP6 em julho/2017 conforme gráfico abaixo. Caso fosse perdido a entrada do rompimento da resistência da linha azul, onde teria ocorrido na seta azul, não daria para entrar conforme nenhuma das opções anteriores, pois na semana do rompimento a ação subiu 37%! Nesse caso eu teria esperado uma nova correção, que aconteceu bem leve 2 semanas depois, formando uma nova resistência na linha verde, e eu poderia comprar no seu rompimento, que teria ocorrido na seta verde.

A quinta e última opção, mas que não costumo fazer porque sai do definido no meu setup e não testei essa variação, é olhar no gráfico diário e esperar uma correção, aí comprar na máxima do dia anterior, ou também acima da resistência mais próxima (topo recente). Tecnicamente são entradas válidas, o problema é onde ficará o stop loss inicial. Se puser no meu ponto original no semanal talvez fique muito longe. Se puser abaixo da mínima do candle recente formado (suporte no gráfico diário), ficará muito próximo, a chance de ser stopado é alta. Então por isso que é bem raro eu entrar no gráfico diário dessa forma.

É isso. Se alguém tiver outras opções interessantes por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Realizações Parciais são boas?

28 de fevereiro de 2018 6 comentários

Recebi uma pergunta de um amigo hoje e decidi criar um post com a resposta, pode ser útil para mais pessoas.

P: Você comentou que não era favorável às realizações parciais, eu tambem não sou, porém quando vejo alguns ativos como ROMI3 que em menos de 60 dias está dando mais de 25% de lucro começo a ficar um pouco incomodado, qual sua visão?

R: Realizações parciais são menos rentáveis matematicamente falando. Ou o melhor ponto será o longo, ou o curto. Fazendo dois pontos de venda nunca será mais rentável do que vender tudo em um deles, basta fazer contas com números fictícios de compra e venda. Elas podem ser boas para o psicológico mas não para a rentabilidade. Sempre será uma média da rentabilidade do curto prazo com o longo prazo (supondo que essas sejam as expectativas de cada posição parcial). Se a ação disparar depois para 105% de lucro, você lucrará (105%+25%)/2 que dá 65%. Mas serve para o prejuizo também, se a posição restante cair e sair no 0%, você lucrará alguma coisa, no caso (0%+25%)/2 que dá 12,5%. Ou seja, esse recurso vai suavizando a curva de capital. Então no primeiro caso o melhor seria sair com toda posição nos 105% com a posição mais longa, e no segundo caso o melhor seria encerrar os 25%, com a posição mair curta. A realização parcial nunca será a mais rentável. Se fizermos backtests de uma ação ou de múltiplas veremos que o mais rentável será sempre uma das escolhas, mas nunca a RP. A vantagem dela é que com ela você melhora a taxa de acerto e diminui o drawdown. Uma outra desvantagem além da rentabilidade é que o dinheiro volta para sua conta e você precisa realocar em outra ação.

Eu minhas operações, ou eu vendo toda posição da ação, ou continuo com tudo, nunca faço realização parcial. A única exceção acontece com casos como da FESA4 recente por exemplo. Apareceu uma oportunidade melhor e eu estava com a carteira 100% alocada. Fiz o position sizing da nova ação porém o valor total era menor do que o total da FESA4, sendo assim vendi somente parte da FESA4 para ser suficiente para comprar a nova ação.

Realmente 25% em poucas semanas é muito tentador! Um belo rendimento. Acho que depende da meta e estratégia de cada um. Eu acho que é válido realizar um lucro dessses mas é interessante ter bem definido as regras de sua estratégia, qual o objetivo principal da estratégia e quais exceções podem haver no meio do caminho. Afinal a estratégia não se resume só a ter um lucro maior, outros fatores de avaliação são importantes também.

Eu sou muito simplista, sistêmico e direto ao ponto. O objetivo da minha estratégia é de seguir a tendência (trend following) o maior tempo possível e não sair até que a ação me diga para sair, segundo minhas regras. Apesar de 25% ser um ótimo lucro, eu busco rentabilidade bem maiores, de preferência acima de 100% quando possível. Por isso eu sou resistente a vender na subida, em congestões (mesmo que OBV ou similar estiver caindo) ou em correções de média amplitude (15-20%). Sempre permaneço acreditando que a ação possa continuar subindo mais e mais, até que ela me diga o contrário.

Eu lido melhor com regras bem definidas e não gosto muito de exceções, a não ser que bem testadas e que façam parte das regras. Não gosto de tomar decisões de mudar minha operação no meio, prefiro só olhar no gráfico e seguir instruções mecânicas, sem ter que ficar pensando na tomada de decisão. Eu acho que isso gera um stress a cada análise pois temos a tendência de ficar nos martirizando se estamos tomando a melhor decisão possível, portanto somente seguir regras nos pouca desse stress, e pra mim isso é muito importante. Quaisquer exceções técnicas que possam ter eu gostaria de testar antes se possível. Eu sigo fielmente a estratégia em todos os casos. Mesmo se o mercado ficar estranho com eleições por ex. ou qualquer outro motivo incluindo os técnicos, eu vou seguindo. A única regra que eu tenho de sair de uma ação antes de bater o stop é se minha carteira estiver 100% alocada e aparecer uma oportunidade mais interessante com FR alto, e alguma ação minha estiver perdendo força e estiver com FR mais baixo, aí eu faço a troca.

É uma questão de perfil, cada um deve operar como se sente mais confortável, tanto visando lucros quanto diminuindo prejuizos. Não existe certo ou errado, existe lucro ou prejuizo! E aproveitando, outra coisa muito importante além do lucro é o comportamento da carteira e da curva de capital durante esse processo. Por ex, eu prefiro ganhar 40% num ano com drawdown da carteira de 15%, do que ganhar 100% com drawdown de 50%. Seguindo essa linha, uma pessoa pode preferir usar RP por ter um perfil mais conservador, e está tudo certo! O perfil conservador, moderado ou agressivo vai determinar os tipos de operações, as regras e o prazo operacional que cada um vai escolher.

Espero que tenha ajudado a refletir sobre o assunto.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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