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Estudo da estratégia de position trade para o mercado americano

4 de agosto de 2020 8 comentários

Conforme detalhei no post Comecei a investir em ações nos EUA! – Introdução às corretoras americanas, envio de dinheiro para o exterior, plataformas, plano de trade e IR, mês passado resolvi começar a investir, ou melhor, fazer trades de longo prazo em ações no mercado americano. Sempre me pareceu ser um mercado bem tentador, robusto e com centenas de excelentes oportunidades a todo momento, já que há milhares de ações negociadas nas bolsas de valores dos EUA. Na terra do capitalismo, oportunidades de ações fogueteiras que não devem faltar!

Então visando não perder tempo, eu primeiro comecei a operar e só na sequência fui fazer os backtests da minha estratégia. Esse post é para detalhar as minhas conclusões, dos testes automatizados e também depois de analisar visualmente centenas de gráficos (sim, foram quase mil!).

 

Estratégia base

Eu utilizarei a mesma estratégia base que já uso nas ações brasileiras (explicada em detalhes no menu Estratégias), ou seja, Position trade na modalidade Trend Following (seguidor de tendência) de longo prazo, que é visando vários meses ou poucos anos.

Os objetivos dos testes são basicamente:

  1. Validar se o setup que uso no Brasil funciona exatamente igual nos EUA
  2. Verificar se há configurações a ser modificadas para ter melhor aproveitamento no mercado americano

Então resumidamente os parâmetros do setup brasileiro são:

  • Gráfico semanal
  • FR acima de 90
  • Média móvel aritmética de 9 subindo
  • Parabolic SAR com passo 0,02 e valor máximo 0,10 subindo e abaixo dos preços
  • Correção máxima até stop ATR com multiplicador 2,5, subtraído da máxima
  • Esperar uma correção de pelo menos 1 candle semanal, com máxima menor que máxima anterior
  • Ou entrada alternativa esperando uma correção de pelo menos 4 candles diários
  • Start de compra no rompimento do topo recente
  • Stop inicial abaixo do fundo recente feito logo após o último topo
  • Stop móvel pelo stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento
  • Risco por operação de 1% do capital total
  • Stop por tempo de 26 semanas

 

Testes

O teste no mercado americano foi feito com todas as ações das 3 bolsas de valores: NYSE, NASDAQ e AMEX, que fica em torno de 9 mil ações. Ok, mas não usei as 9 mil nos testes porque fazendo filtros de liquidez, filtro de tempo mínimo de 1 ano de IPO, e de ações que nunca tiveram FR alto, ficaram pouco mais de 1000 que realmente apresentaram liquidez razoável e que tiverem no mínimo 1 trade no período.

Eu testei de janeiro/2000 até julho/2020, ou seja, arredondando 20 anos. Apesar de até ter histórico anterior a 2000, eu resolvi limitar até esse ano pois foi próximo de quando as negociações eletrônicas começaram a acontecer, então o mercado antes disso provavelmente teria um perfil um pouco diferente, apesar de já ser muito maduro.

 

Regras mantidas

Basicamente todos os parâmetros se mantiveram iguais ao setup brasileiro, também como melhores opções nas ações americanas:

  • Média móvel aritmética de 9 subindo
  • Parabolic SAR com passo 0,02 e valor máximo 0,10 subindo e abaixo dos preços
  • Esperar uma correção de pelo menos 1 candle semanal, com máxima menor que máxima anterior
  • Ou entrada alternativa esperando uma correção de pelo menos 4 candles diários
  • Start de compra no rompimento do topo recente
  • Stop inicial abaixo do fundo recente feito logo após o último topo
  • Stop móvel pelo stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento
  • Stop por tempo de 26 semanas

Sim, o parâmetro que eu achava que iria mudar, quase certeza, era o stop móvel, mas não é que essa configuração foi que rodou melhor lá também! E eu testei 14 tipos de stops móveis diferentes com 5 configurações de parâmetros em cada. Também testei tudo isso no gráfico semanal e diário. E o resultado melhor ainda foi o Stop ATR com multiplicador 3,5, subtraído do fechamento. Devido ao padrão das ações americanas que descrevi acima, eu achava que algum outro de stop iria ser mais adequado, mas o que é testado não mente! Então segue o mesmo stop!

Com relação aos filtros de tendência – MM9 e Parabolic SAR – eu não testei outros filtros, até porque eles não são pontos chave da estratégia, são mais indicadores secundário para evitar entrar em congestões ou outras situações atípicas. Eu só testei o setup com ou sem eles. A diferença com eles foi bem pequena, sinceramente não faz muita diferença positiva mante-los, eu vou deixa-los no gráfico e também no setup mais para ter uma compatibilidade maior entre BR e EUA.

Eu testei a entrada clássica pelo gráfico semanal mas também testei pelo gráfico diário, igual fiz recentemente o mesmo estudo aqui no Brasil. Os resultados entre gráfico semanal e diário foram semelhantes, sendo que a melhor configuração para quantidade mínima de candles de correção no diário seria de 4, da mesma forma que no Brasil.

 

Mudanças

O primeiro ponto de mudança óbvia foi o valor do FR. No Brasil eu uso um filtro acima de 90, isso significa que seleciono as top 10% das ações do mercado em termos de performance nos últimos 6 meses. Aplicando esse mesmo filtro nos EUA, num total de 9000 ações, me retornaria 900 ações! O que é totalmente inviável. Então o FR utilizado nos EUA foi de 99 pra cima (rs). Então ao invés da ação ser FR 90 ou 91 ou 92, etc, lá vai ser 99,0, 99,1, 99,2, etc. Então o filtro será para retornar as top 1% ações do mercado americano, que será em torno de 90, e diminuirá aplicando filtros de liquidez.

Outra mudança foi o risco por operação, na questão de controle de risco. Isso não foi testado pois o Metatrader não faz teste de carteira e sim somente individuais. A ideia é que usando FR acima de 99 nos EUA ainda sim filtra muito mais ações do que usando FR acima de 90 no Brasil, mais que o dobro da quantidade. Portanto usar um risco por operação de 1% sobre o capital total me permitiria ter uma carteira com uma média de 12 ações, sendo que lá aparecem dezenas de ações muito interessantes, portanto para poder diversificar mais e manter o risco controlado em no máximo 6% do capital total, eu vou usar um risco por operação menor. Comecei usando 0,33% mas talvez reavalie para ficar em 0,5%.

O único parâmetro que apesar de não ter mudado radicalmente a configuração mas que deu uma boa diferença nos testes foi a Correção máxima, onde a melhor configuração foi com stop ATR com multiplicador 2,2 subtraído da máxima, ao invés do 2,5 usado no Brasil. Então a correção passando desse valor já começa diminuir a chance de lucro e acerto. Lembrando que estamos falando de testes estatísticos, não significa que será ruim se corrigir até um pouco mais, significa somente que em 20 anos de dados, comprando sempre que corrigia até 2,5 por ex teria dado menos lucro e acertado menos. Mas se estamos querendo muito comprar uma ação em particular e quando ela faz uma correção, essa tem um tamanho um pouco maior que os 2,2, pode ser interessante comprar mesmo assim. Mas isso seria uma exceção. Em linhas gerais a ideia é respeitar os 2,2 como parâmetro de correção máxima, pois é um ponto limite que aumentam as chances de acerto.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +4% +28% -4% +106%
2 +0% +17% -3% +70%
3 +7% +14% -2% +53%
4 +10% +10% 0% +37%

Podemos ver que comprar após 1 ou 2 candles de correção somente aumenta muito os trades porém o lucro não aumenta proporcional, e o drawdown aumenta muito, portanto não vale a pena. A correção de 4 candles é a mais coerente e semelhante, uma vez que o lucro aumenta em 10% e o drawdown aumenta na mesma proporção. A quantidade de trades aumenta consideravelmente mas ainda razoável. Alguns trades com correção de 3 candles seria válido também.

Agora uma comparação dos resultados do mercado brasileiro com o americano, considerando o setup semanal em ambos.

Uma métrica interessante é a expectativa média de ganho por trade. Para se ter uma base inicial, nos testes nas ações brasileiras o lucro médio por trade é de 14,6%. Isso considerando todas operações de lucro (pouco, médio, muito) e também as de prejuízo. Então na média geral fica nesse valor. (Coincidentemente ou não é bem próximo da minha média na prática! A minha média geral está em 15,7% considerando todas minhas operações desde 2009 quando comecei no meu setup v1.) Agora esse número nos testes dos EUA é de 6,3% para a entrada pelo gráfico semanal e 5,0% pelo gráfico diário com 4 candles mínimos de correção. A taxa de acerto que no Brasil fica em 38%, nos EUA fica bem abaixo, em 27%. O drawdown nos EUA fica 37% maior que no Brasil.

Então vemos que os números dos testes mostram que o setup no Brasil gera resultados bem mais satisfatórios que nos EUA.

 

Constatações subjetivas

Conforme mencionei anteriormente, fiz análises visuais olhando gráfico a gráfico de centenas de ações e pude tirar algumas observações disso. Eu primeiramente fiz esse estudo visual individual para só depois fazer os testes automatizados.

Um ponto que constatei, e que eu imaginava totalmente ao contrário, é que por ter um mercado gigante com 9 mil ações e um país com muito mais estímulos e facilidades de empreender do que o Brasil, além de girar muito mais dinheiro e o mundo inteiro investir na bolsa americana, eu imaginava que oportunidades de ações fogueteiras como as brasileiras na última década – MGLU3, UNIP6, HGTX3, JSLG3, JHSF3, LCAM3, dentre outras – iriam ter muito mais lá, talvez até muito melhores. E para minha surpresa é totalmente ao contrário. Foi muito difícil achar aquelas tendências lindas que vemos aqui com uma certa frequência.

Ao analisar visualmente as centenas de gráficos, e depois que os testes me confirmaram, pude constatar que proporcionalmente há muito poucas oportunidades desse estilo, de ganhos de centenas de % em uma tendência única e forte, que normalmente fica entre 1 e 2 anos. Nos testes usando FR acima de 99, o que constatei é que em quantidades absolutas, o número dessas oportunidades no Brasil nos últimos 10 anos foi mesmo nos EUA nos últimos 20 anos! Mas no Brasil nós temos aproximadamente 400 ações e nos EUA 9 mil, portanto proporcionalmente o Brasil gerou MUITO mais oportunidades desse tipo que nos EUA. E vamos lembrar que metade da última década o Brasil passou estagnado economicamente, já nos últimos 20 a economia americana houve crises e estagnação em um percentual bem menor de tempo.

Mas veja, aqui estou avaliando da perspectiva do meu sistema, da minha estratégia. Tiveram várias ações que subiram muito porém apresentando correções intermediárias muito grandes na casa de 30-50%, o que o sistema teria vendido bem antes. Mas outros tipos de estratégia poderiam ter pego esse movimentos mais efetivamente. Enfim, não é como eu imaginava que seria mas mesmo assim não deixa de ser um bom negócio e interessante diversificar investindo nos EUA, até pelos outros motivos que descrevi brevemente no post que citei acima.

Minha impressão sobre as ações e bolsas americanas é que o mercado é mais maduro, realista e justo, menos especulativo. Por isso mesmo com muito mais empresas listadas, não acontece em um número muito grande esses movimentos fortíssimos.

Outro ponto que notei estudando os gráficos é que é bem normal, é que a grande enorme maioria dos ativos fazem correções muito fortes, de 4 a 6 ATR, o que é uma baita correção. Mas depois muitas delas continuam a tendência primária de alta. Essas correções matam qualquer setup seguidor de tendência. São semelhantes às correções das blue chips brasileiras, comparadas com as small e mid caps.

Outro ponto que notei é que a volatilidade aumenta demais quando preços começam a subir forte, as vezes aumenta absurdamente, um padrão que não vemos aqui no Brasil, assim deixando o stop ATR muito longe do topo em percentual. Enfim, esses pontos com certeza deixam o mercado americano mais difícil de se operar e de achar aquelas realmente boas oportunidades (ironicamente).

 

Conclusão

O que pude constatar tanto empiricamente através das análises visuais dos gráficos das ações americanas e posteriormente também refletindo nos resultados dos testes, é que o a bolsa de valores americana é um mercado mais difícil e complexo, com padrões gráficos menos “limpos”, fazendo correções intermediárias muito fortes e com aumento altíssimo na volatilidade durante as altas, portanto dificultando os trades de longo prazo, não dando aquela continuidade desejada de longas tendências de 1 a 2 anos.

Pelo menos para mim, uma impressão prévia que sempre tive do mercado americano, vendo somente alguns gráficos aleatórios ao longo dos anos daquelas ações famosas que bombaram, não se mostrou realidade nos estudos mais aprofundados.

Não quer dizer que é um mercado ruim, óbvio que não, porém para quem está acostumado com o padrão das ações brasileiras pode esperar grandes diferenças nos EUA.

Só com anos de trades na prática confirmarão se as estatísticas geradas dos testes estão precisas ou se o trader tendo opção de fazer ou não uma operação baseado na análise do gráfico em conjunto, e não somente seguir o setup totalmente mecanizado, conseguirá resultados melhores, pois dentro da lista que será gerada pelo FR acima de 99 teremos que priorizar algumas ainda, não dará para entrar em todas. Então quem sabe não conseguimos melhorar essa estatística baseado em escolhas humanas que não conseguimos traduzir para o computador!

Ainda considero interessante investir uma parte do capital lá? Sim, pelo motivos que falo no link no início do post, eu continuo achando interessante investir de 10% a 20% do capital fora, e talvez em determinados períodos ruins no Brasil, aumentar o valor no estrangeiro.

Vou continuar meus trades lá, até para pegar mais experiência prática nesse mercado e quem sabe pode melhorar a estratégia no futuro.

Agora meu recado para aqueles que se interessam pelo mercado americano mas por qualquer motivo não podem ou conseguem começar a investir lá agora: Relaxe! Você não está perdendo uma mina de ouro! Continue se dedicando firme nas operações aqui no Brasil que é um mercado excelente em oportunidades de movimentos das ações. É possível rentabilizar muito bem a carteira aqui, além das ações fazerem movimentos bem mais fáceis. E deixe como uma ideia para um futuro você ter a opção de diversificar nos EUA também.

Para aqueles que esperavam um post mega otimista, me desculpem por talvez dar um banho de água fria, mas mundo de trade é assim, precisamos trabalhar com fatos e não criar falsas expectativas. Com os amigos sempre colaborando nas análises e opiniões, aqueles que estão ingressando nesse novo mercado também, se forem tendo insights e ideias de melhorias vai compartilhando conosco!

 

Abraços para todos e bons estudos and good trades in the USA!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Comecei a investir em ações nos EUA! – Introdução às corretoras americanas, envio de dinheiro para o exterior, plataformas, plano de trade e IR

Faaaaaala galera!!

Hoje estou empolgado porque oficialmente virei um investidor (ou melhor, trader) internacional! Há umas 2 semanas atrás surgiu o assunto entre os colegas de comprar ações nos EUA e eu acabei animando com o tema. Então fui atrás de mais detalhes de tudo relacionado a isso, fiz um intensivão e já comecei a fazer os trades, sendo essa sexta-feira a minha primeira compra! Bem, eu sou assim, quando há um tema que me interesso eu vou fundo nele e tendo fazer acontecer o mais rápido possível.

Resolvi finalizar todo processo de estudo e prática inicial antes de postar a respeito no blog, para já ter um conteúdo mais razoável e poder ajudar em alguma dúvida que os colegas possam ter. Óbvio que ainda sou novato no esquema, então o que eu não souber eu posso ir atrás para aprender também.

Como o título sugere, esse post será somente uma introdução a alguns temas que pesquisei nesse período. Não tenho a pretensão de me aprofundar em nada de EUA ainda, isso só virá com o tempo em estudo e prática.

Vamos aos temas.

 

Motivos para compras ações nos EUA

A primeira pergunta básica desse assunto é: “Mas por que investir na bolsa de valores americana? Com tantas empresas disponíveis no Brasil, não é suficiente?”. Bem, sinceramente esse sempre foi meu ponto de vista, quando também nunca me dispus de buscar mais informações até hoje.

Então os motivos que eu vejo são:

1) Investir na maior economia do mundo

A economia americana é de longe muito maior que a brasileira, além de muito mais sólida, e isso se reflete na bolsa de valores. Também com muito mais estímulos do governo do que aqui, menos impostos e empecilhos, muitas empresas prosperam ano a ano.

2) Quantidade de empresas

Enquanto aqui temos aproximadamente 400 empresas listadas na bolsa de valores, nos EUA tem aproximadamente 9 mil, considerando as bolsas NYSE, Nasdaq e AMEX. Então é uma infinidade de opções de escolha.

3) Probabilidade de ter ações bombando

Um ponto derivado do anterior é que numa amostragem de 9 mil empresas, a probabilidade de ter pelo menos 1% ou 0,5% bombando em forte tendência de alta é grande. E 1% equivale a 90 empresas, o que já é mais que suficiente para filtrar liquidez e outros pontos e ainda sobrar umas boas opções de escolha.

4) Alternativas de investimento quando o momento do Brasil estiver ruim

Com questões políticas e econômicas mais delicadas em nosso país, haverá muitos momentos em que nossa economia ficará praticamente estagnada, como ocorreu por longos 6 anos de 2010 a 2015. Esse período gerou pouquíssimas boas opções de investimentos na bolsa. Em contrapartida, no mesmo período a economia americana estava indo relativamente muito bem, a bolsa subindo ano após ano, portanto houve muitas oportunidades nos EUA onde o dinheiro poderia ter sido muito bem rentabilizado ao invés de praticamente estagnado no Brasil.

5) Dolarizar os investimentos

Para investirmos nos EUA precisamos fazer um câmbio e depositar dólares na corretora americana. Portanto todo lucro e saldo na conta obviamente será em dólares. Com isso além dos possíveis lucros provenientes das ações, teremos uma proteção cambial, onde se o dólar se valorizar ao longo do tempo perante ao real (o que historicamente é o que acontece e tende a continuar acontecendo), esse nosso montante no exterior também será ajustado na mesma proporção.

6) Proteção política

Nem preciso me alongar nesse tema que todo mundo já conhece bem. Historicamente já tivemos uma série de problemas políticos no país, inclusive até de confisco de dinheiro. Portanto ter um dinheiro legalmente no exterior promove uma proteção nesse aspecto.

 

Corretoras

Uma vez decidido investir nos EUA o próximo passo é escolher uma corretora. Aqui dou um breve resumo da minha pesquisa. Aos que quiserem ir mais a fundo, recomendo uma pesquisa mais detalhada na internet.

Depois de pesquisar em diversos sites de reviews, artigos e vídeos de depoimentos e opiniões no Youtube, fiquei com 3 finalistas: Charles Schwab, TD Ameritrade e E*Trade. São 3 das maiores e mais bem conceitudadas do país. Todas tem corretagem zero para ações e sem taxas de custódia e inatividade. Também é possível operar as 3 bolsas (NYSE, Nasdaq e AMEX) nessas corretoras.

Outra gigante que com certeza faria parte da lista é a Fidelity, que é excelente também, porém não está aceitando mais contas de estrangeiros, portanto ficará fora da lista pra gente.

A corretora Interactive Brokers não é das maiores mas é bem famosa especialmente entre traders, principalmente pela vasta opções de mercado a operar que não se restringe só ao americano. Porém ela cobra taxa de custódia mensal e taxa de inatividade quando não faz trades no mês, além de pagar corretagem também. No plano IBKR LITE a corretagem é de graça, mas estrangeiro não pode optar por esse plano.

A Avenue está bem famosa aqui no Brasil pois o dono dela é um brasileiro, é o ex-dono da corretora Clear, então é uma corretora feita para brasileiros, com site em português, atendimento em português. Tem outras facilidades como envio de dinheiro através de TED entre bancos no Brasil e dinheiro entrando na conta americana em minutos ou poucas horas, além de um relatório detalhado de declaração de IR no Brasil, o que pode ser muito útil. Apesar disso as desvantagens são que a corretagem não é gratuita e também não pode operar todas as ações do mercado americano, somente as X com maior liquidez (não sei a quantidade exata).

Então falando das 3 finalistas, todas são top e estaria bem em qualquer delas, mas tem que escolher uma só. Pelo que vi, entre essas 3, a galera diz que a E*Trade é a mais simples e não aparece nos topos dos rankings, que normalmente estão Charles Schwab e a TD Ameritrade. Portanto me concentrei mais entre essas 2. Inclusive a E*Trade foi comprada esse ano (2020) pelo grande banco Morgan Stanley.

Antes de continuar, um contexto importante no mercado americano de corretoras. Havia algumas corretoras que ofereciam taxa zero de corretagem, pelo que vi começou com Robinhood. É até uma corretora bem conceituada, não tão grande, mas que funciona legal e a galera curte. Entre as corretoras grandes, todas cobravam taxas. Aí no ano passado (2019) a Charles Schwab anunciou taxa zero para ações e para não ficarem atrás as demais gigantes também anunciaram na sequência – TD Ameritrade, E-trade e Fidelity. Então isso começou a afetar o mercado e as corretoras de certa forma, foi um marco importante no país, inédito.

Outro contexto importante que esse ano de 2020, a Charles Schwab anunciou a compra da TD Ameritrade! É uma compra absurdamente grande e que dizem que deve demorar anos para as corretoras se integrarem de verdade, e não se sabe se os clientes da TD vão migrar para a Schwab ou se as empresas permanecerão independentes, como a XP e Rico aqui no Brasil.

Agora voltando a escolha. As duas finalistas – Charles Schwab e TD Ameritrade – estão no topo do ranking de todos os sites e vídeos e análises, cada um prefere uma de acordo com o perfil e experiêcia.

O que parece ser indiscutível é que para os traders – swing trader e day trader – a plataforma da TD Ameritrade chamada “thinkorswim” é uma das melhores do país, então provavelmente ela seria a melhor opção. Mas para mim que farei um esquema de position trade de longo prazo, praticamente nem usarei a plataforma, portanto não foi o ponto mais importante da decisão. O home broker de ambas as corretoras são bem parecidos, é um sistema web bem mais simples que o nosso aqui, e é provavelmente esse que eu usaria para colocar minhas ordens, igual faço no HB da XP aqui.

Apesar de muitos elogios das 2, inicialmente eu acabei escolhendo a Charles Schwab para abrir conta, pelos seguintes motivos:

– Encontrei alguns vídeos de traders americanos falando que após anunciar corretagem zero, a qualidade em geral da TD Ameritrade caiu razoavelmente. Isso inclui: lag nas cotações, atraso no envio de ordens, suporte piorado, ferramentas travando. O que era uma corretora impecável até então, com prêmios de melhores ordens no mercado, começou a sofrer declínio após a mudança. Estão falando que deve ter aumentando muito o número de clientes e ordens após a mudança e não estão aguentando apropriadamente. Isso pode ser temporário somente até a empresa se ajustar.

– A receita proveniente de corretagem na TD Ameritrade era mais de 60% do faturamento da empresa, então essa mudança afetou profundamente a receita. Vi muitos vídeos da galera discutindo como a empresa ia sobreviver com esse declínio de mais da metade da receita. Já a Charles Schwab é uma mega instituição com diversas áreas financeiras de atuação (como a XP) e a corretagem era aproximadamente 15% do total da receita, então o impacto foi muito pequeno. Talvez tenha sido até uma estratégia da Schwab de zerar a corretagem para justamente comprar a TD pelo baque sofrido, uma vez que as ações deles caíram absurdamente (isso é especulação minha somente).

– O atendimento da Charles Schwab é o melhor do país, entre todas as corretoras. Então mesmo esperando não precisar de usar, é bom ter uma corretora que oferece um bom atendimento, pois sabemos que quando o assunto é dinheiro, é muito importante.

– Como a TD Ameritrade foi comprada pela Charles Schwab, há grandes chances de haver muitas mudanças na TD Ameritrade para haver uma fusão, então pode afetar de alguma forma. E se há a possibilidade de todos serem migrados para a Charles Schwab no futuro, melhor já abrir conta nela de uma vez.

Então a Charles Schwab seria a primeira opção para abertura de conta. Mas ela tem um porém, ela exige um depósito inicial mínimo de US$ 25 mil! Então não achei interessante essa exigência, nem queria enviar esse dinheiro para fora, uma vez que hoje ficaria na faixa dos R$ 135 mil.

Portanto a minha escolha acabou sendo a TD Ameritrade. Eu já abri conta lá e comecei a operar nessa semana.

O processo de abertura de conta não é dos mais simplificados, inclusive eles pedem até para mandar fax dos documentos exigidos. Mas no fim dá tudo certo, eles não embaçam com nada.

Para mandar fax com os documentos, eu scaneei para o computador e enviei para a corretora através do site https://faxzero.com/ , que não tem custo nenhum.

Após finalizada a abertura da conta, eles mandam a senha por correio, o que pode demorar algumas semanas para chegar. Para agilizar, é possível ligar lá e pedir para te fornecerem uma senha temporária de acesso, aí eles te fornecem por telefone e você já consegue acessar.

Aqui deixo alguns vídeos brasileiros que falam como abrir conta lá em detalhes:

https://www.youtube.com/watch?v=RRjnqNFHEwE
https://www.youtube.com/watch?v=IHtm6RQMvqM
https://www.youtube.com/watch?v=T3L7uQ_sNkk

Minhas primeiras impressões foram:

– Tela de envio de ordens simples e tranquila de preencher. O mesmo para a tela de acompanhamento das ordens em aberto.
– Para ordens stops loss, tem um tipo de ordem chamada Stop Market, onde não precisamos preencher o preço de execução como fazemos aqui, preenchemos somente o preço de gatilho. Assim não tem risco de acontecer as famosas puladas de stop. Pretendo fazer um post específico sobre ordens em breve com exemplos práticos.
– A tal mega plataforma famosa deles “thinkorswim”, tem realmente muitos recursos na versão instalada no computador, mas para a parte de gráficos que nos interessa não achei muito boa, especialmente a facilidade de ficar mudando de ativos. Digamos que o nosso brasileiro ProfitChart é muito melhor para isso!
– Liguei uma vez suporte para pedir minha senha temporária e achei o atendimento muito bom. São muito educados e não falam muito rápido. Isso é num número internacional que tem no site, que inclusive é gratuito. Eu usei o Skype para ligar. O ponto negativo foi o tempo de espera para ser atendido, que demorou entre 10 e 15 minutos.

Aqui deixo alguns vídeos brasileiros que mostram como é a corretora:

https://www.youtube.com/watch?v=6iKxFQdop30
https://www.youtube.com/watch?v=DuyEdD1QFF4
https://www.youtube.com/watch?v=MTm-HWDYjQo

 

Envio de dinheiro para o exterior

O envio de dinheiro para o exterior é muito simples! Pode ser feito utilizando bancos ou casas de câmbio. Pesquisei taxas em alguns bancos grandes tradicionais, alguns bancos de porte um pouco menor, vários bancos digitais e nas principais casas de câmbio porém o mais simples, rápido e barato que encontrei é utilizando o serviço da empresa Remessa Online.

A Remessa Online é uma instituição financeira registrada no Banco Central. Quem quiser pode pesquisar mais a respeito dela na internet, vai ver que ela é séria e tem boa reputação, além de prestar um ótimo serviço. Já utilizei para fazer alguns recebimentos internacionais de serviços de TI prestados para o exterior e também foi tudo muito prático e tranquilo.

Eles usam a cotação do dólar comercial para fazer o câmbio e cobram somente 1,3% de spread, a menor do mercado. Fora isso sempre encontramos cupons na internet se buscarmos no Google, dando entre 5% e 15% de desconto nessa taxa.

Quando forem fazer o primeiro envio de dinheiro para o exterior, utilize o meu código de desconto RL3882 que te dará 50% de desconto na taxa. Obs: Quem me acompanha a mais tempo sabe que nunca fiz esse tipo de sugestão de afiliados ou coisa do tipo para ter benefícios com indicações que faço aos leitores do blog. Nesse caso estou fazendo primeiro porque é o serviço que realmente utilizei e vou continuar utilizando nas próximas transferências, tendo algum desconto ou não. Segundo porque vocês ganham um belo desconto se usar o cupom. E terceiro, que será uma consequência, eu terei algum pequeno benefício de desconto para mim também quando alguém utilizar esse código.

Além dessas vantagens todas, a Remessa Online ainda tem mais um facilitador pois já tem os dados da corretora TD Ameritrade pré-cadastrados, portanto quando for enviar, basta selecionar a TD como corretora e digitar o seu código de cliente, nada mais! Realmente muito simples!

Segue um vídeo mostrando essa operação na prática:

https://www.youtube.com/watch?v=pN527keUBK8

 

Plataformas

A corretora TD Ameritrade fornece a plataforma “thinkorswim” gratuitamente para operar. Ela tem disponível para download para Windows, a versão online web e para smart phones.

A versão para Windows é mega completa, tem muitos recursos e ferramentas agregadas. A parte de gráficos dela é bom mas não ótima, a usabilidade de navegação não é das melhores, além de não ser simples de ficar trocando de ativos através de uma lista por exemplo. Tem uma opção de screener mas para o meu objetivo não tem os dados que eu preciso. Além disso é uma plataforma não muito amigável e meio complexa de utilização. Não gostei e não devo usar.

A versão web é o oposto, muito simples com quase nada de recursos, basicamente as cotações e informações das ações, um gráfico e as boletas de ordens. Para mim poderia até ser interessante se não fosse o caso do gráfico ser bem ruim e em algumas questões mal feito. E se for só para emitir ordens, é mais fácil fazer pela página principal da corretora mesmo, como se fosse o home broker.

A versão mobile eu não cheguei a instalar mas pelos screenshots que vi parece ser bem interessante para prover cotações, ordens e gráficos quando não estamos no computador. Parece ser bem feito.

Eu pesquisei se havia alguma corretora que oferecesse o Metatrader 5 para bolsa de valores mas não achei nenhuma, só tem para Forex mesmo.

Eu queria que tivesse o Profit Chart da Nelogica lá, mas acho que não tem rs.

Eu sei que há muitos softwares nos EUA, eu acabei não focando em pesquisar a fundo isso. No fim das contas eu optei por utilizar a plataforma web do TradingView.

O TradingView deve ser a melhor plataforma de gráficos web do mundo. A qualidade é muito grande, com navegação fácil e uma imensidão de recursos. Muitos indicadores nativos e ainda tem uma biblioteca de milhares de indicadores feito por usuários. Também tem uma linguagem proprietária chama PINE que é possível criar indicadores customizados. Tem muitas ferramentas de desenhos e estudos.

Outro ponto crucial que me vez escolher o TradingView é o screener (ou rastreador). O screener é uma listagem de todas as ações do mercado americano onde é possível selecionas as informações que deseja mostrar, bem como fazer filtros diversos. É provavelmente o melhor do mercado também. E é através desse screener que eu baixo os dados para gerar o FR das ações americanas. Tentei através de vários outros sites mas nenhum me deu a facilidade e precisão desse.

O melhor de tudo é que o TradingView é gratuito! Para um uso mais básico que tem limite de indicadores por gráfico, layouts e outros mais, pode usar a vontade para acessar todas as ações do mundo, com atraso de 15 minutos nas cotações. Como eu planejo as operações com o mercado fechado, isso não tem importância para mim.

Eu provavelmente terei que usar a versão Pro paga do TradingView, principalmente para conseguir fazer download dos dados do screener, que não está disponível na versão free. Outro ponto é que no plano Pro eu consigo colocar até 5 indicadores no gráfico e no gratuito só 3. Com 5 indicadores eu consigo montar o layout do meu setup igual uso aqui no Brasil.

O plano Pro custa US$ 14,95 por mês porém normalmente depois que assina, eles oferecem um desconto de 50% assinando por 1 ano, portanto ficaria US$ 7,47 por mês somente. Os planos do TradingView podem ser comparados nesse link: https://br.tradingview.com/gopro/

 

Plano de Trade

Não consegui fazer nenhum estudo e backtest específico para o mercado americano, portanto a minha ideia inicial é usar a mesma estratégia que uso no Brasil, com os mesmos parâmetros de indicadores. Nos próximos dias eu pretendo fazer alguns backtests manuais com relação ao stop ATR para stop móvel das operações. Quero ver se a calibragem de 3,5 de multiplicador é adequada.

Com relação ao FR, como mencionei anteriormente o mercado americano tem quase 9 mil ações, então usar o FR até 90 como utilizo no Brasil, me retornaria uma lista de 900 empresas nos EUA! Então devido a quantidade de ações, vou filtrar as ações com FR 99 para cima (rsrs). Outro mundo mesmo! Eventualmente usar até 98 ou 97.

Vou gerar a lista do FR mensalmente e colocar no blog da mesma forma que faço para as ações da B3. Aqui eu deixo a prévia que gerei essa semana: FR_Acoes_EUA_2020-07-22.xlsx

Com relação ao risco por operação utilizado, não pretendo utilizar os 1% que utilizo no Brasil, pois como há muito mais opções de ações interessantes nos EUA, tenho a intenção de diversificar mais. Num primeiro momento vou começar utilizando um risco por operação de 0,33% sobre o capital total, o que deve me gerar uma carteira com 3 vezes mais ações que no Brasil. Terá um tempo de gerenciamento maior, mas eu não gosto da ideia de diversificar pouco e ficar de fora de várias oportunidades passando, então optei por esse valor mesmo. Esse capital total para controle de risco é somente meu capital disponibilizado para a corretora americana, farei 2 controles de riscos separados, um para carteira do Brasil e outro para EUA.

Uma característica importante da bolsa americana é que o lote padrão é de 1 ação, enquanto aí no Brasil é 100. Portanto mesmo com pouco dinheiro enviado, como a corretagem é grátis, usando o 0,33% de risco é possível comprar somente 1, 2 ou 10 ações, o que é um ponto muito positivo. Algumas corretoras ainda permitem comprar fração de 1 ação, como 0,2 ação.

Ainda não tenho definido qual a proporção do meu capital eu pretendo deixar investido nos EUA, talvez seja algo entre 10% e 20%, podendo ser maior em períodos de crises exclusivamente brasileira.

 

Imposto de Renda

Chegou a parte chata rs. Bem, chata mas necessária, afinal todos precisamos declarar nossos IR anualmente e pagar impostos mensais sobre ganhos de capital, seja no Brasil ou no exterior.

Eu como estou começando nesse mercado agora, não tenho a pretensão de detalhar muito como fiz no artigo recente referente a IR com operações no Brasil. Aqui vou dar simplesmente uma introdução no tema e o que esperar em termos gerais.

De cara eu já falo que SIM, para residentes brasileiros investindo no exterior, precisa pagar impostos sobre lucros!

Acredito que muita gente pense ou já tenha ouvido falar (inclusive eu mesmo já tinha ouvido isso) que o imposto deve ser pago somente quando o capital for repatriado para o Brasil. Porém em todo material que li e vi na minha pesquisa, essa informação não procede. O IR deve ser pago mensalmente da mesma forma que é feito em operações no Brasil. Ou seja, após encerrado um mês, deve ser apurado o ganho desse mês e o imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente.

A alíquota sobre ganho de capital no exterior é de 15%, a mesma que no Brasil. Não vi nada falando sobre day trade, porém pelo que deu a entender a alíquota é única, não havendo diferença das operações. Essa alíquota é para ganhos até R$ 5 milhões, acima disso o imposto é maior e gradativo. Acho que a maioria de nós estaremos nessa alíquota por um bom tempo, certo? rs

A boa notícia é que há isenção de IR quando o total de vendas no mês tenha sido até R$ 35 mil. Veja bem, reais, não dólar.

Mais de US$ 100 mil – precisa declarar para o Banco Central (não é o IR da Receita Federal). Faz online pelo site do BC.

Para ganhos de capital no mês onde o total de vendas ultrapassar os R$ 35 mil, o lucro deve ser preenchido no programa GCAP (Ganhos de Capital) da Receita Federal. Aqui tem um ponto bem confuso que eu vi divergências em matérias e vídeos que pesquisei, que deve ser preenchido se os rendimentos auferidos foram em reais, em moeda estrangeira ou misto. Precisarei pesquisar mais a respeito sobre isso quando for declarar. Após fazer o preenchimento do mês, deverá de impresso o DARF para pagamento.

Os rendimentos de dividendos nos EUA incidem um imposto de 30% já retidos na fonte. Esse é um imposto americano. Mesmo esse rendimento precisa ser declarado no Brasil, apesar de não ter que pagar nenhum IR extra sobre ele. A declaração dever feita no programa Carnê Leão da Receita Federal. O rendimento deve ser declarado em reais, usando a tabela de conversão da Receita Federal, usando a cotação de compra do dólar do mês do recebimento. Se atentar para preencher a coluna Imposto Pago no Exterior a Compensar com o valor do imposto retido.

Na Declaração Anual de IR, deve ser declarado basicamente tudo, os mesmos tipos de informação para os investimentos nacionais. Todos os dados preenchidos nos programas GCAP e Carnê Leão podem ser importados pelo programa de Declaração Anual IRPF. Além das informações mencionadas até agora, outras que devem ser declaradas são as ações em custódia e saldo em conta na corretora. Para as declarações das ações em custódia em Bens e Direitos, deve ser considerado o preço pago em reais, usando a cotação do dólar no site do Banco Central do dia da compra.

Por fim, para que tem mais que US$ 100 mil no exterior precisa declarar anualmente para o Banco Central no site da Declaração de Capitais brasileiros no exterior (CBE). Essa declaração não é para fins de IR porém paga multa se não declarar.

Como vemos essa questão de IR de renda variável no exterior é mais complexa do que a de renda variável nacional, porém eu acho que não pode ser um motivo para não fazer esses investimentos. Na dúvida é melhor pedir a ajuda de um contador especialista no assunto.

Aqui deixo alguns materiais sobre o tema:

como-declarar-ativos-no-exterior.pdf – Um excelente material feito em parceria com o Credit Suisse
https://viverdedividendos.org/tudo-sobre-ganho-de-capital-em-investimentos-no-exterior/
https://www.youtube.com/watch?v=nFvaFN2Vhas
https://www.youtube.com/watch?v=DbaZIOuTiv4
https://www.youtube.com/watch?v=XjLw7GWX1Ck
https://www.youtube.com/watch?v=hgNbNIAr69s
https://www.youtube.com/watch?v=dYNfTI5ld_s

 

Aos que animarem em investir nos EUA, vamos caminhar juntos nessa nova jornada!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Como calcular e declarar o IR de ações

29 de março de 2020 18 comentários

Escrevo esse artigo para auxiliar as pessoas que investem ou operam em ações e no ano seguinte precisam fazer suas declarações de IR, bem como o pagamento mensal de IR quando há lucro. A declaração em si tem complexidade média pois há vários detalhes a serem considerados, tanto no cálculo do IR mensal e também na da declaração anual.

Meu objetivo é mostrar todos os detalhes que fui aprendendo ao longo dos anos, buscando informações para que pudesse fazer corretamente os cálculos e a declaração. Há muitos sites e artigos na Internet que mostram em detalhes essa questão do IR, porém há vários pontos mais específicos que é difícil encontrar e portanto achei interessante reunir todos esses detalhes em um lugar só.

Todas informações de investimentos e renda variável deve ser declarada, porém o escopo desse artigo é somente ações.

Mas um aviso. Não me responsabilizo pela informações colocadas nesse artigo nem com a validade e atualização das normais e leis da Receita Federal com o passar dos anos. As informações são de caráter educacional. Recomendo consultar as regras oficiais diretamente no site da Receita Federal e também com um contador especializado em mercado financeiro.

 

Informações para anotar em cada operação

 

Tanto para o cálculo do IR mensal quanto para a declaração anual, é necessário que sejam anotadas várias informações para o cálculo e preenchimento correto. A melhor forma é criar uma planilha ou procurar uma pronta na Internet para ajudar a guardar essas informações.

Deve haver as seguintes informações na planilha:

  • Código da ação
  • Data de compra
  • Quantidade de ações compradas
  • Preço médio da compra
  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Data da venda
  • Quantidade de ações vendidas
  • Preço médio da compra
  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Proventos (dividendos, juros sobre capital próprio e bonificações)
  • Eventos corporativos (desdobramentos e grupamentos de ações)

A quantidade de ações vendidas é importante ter pois pode ser diferente da compra se houve subscrição (incorporação de novas ações), desdobramento (dividir 1 ação em X) ou grupamento (juntas N ações em 1).

Todas essas informações estão disponíveis nas notas de corretagem da corretora, com exceção dos proventos, que são mostrados em uma área diferente e também podem ser vistos nos extratos de conta. Nessa planilha os proventos tem a finalidade somente de calcular o rendimento total de uma operação realizada, pois eles não entram no cálculo do IR mensal.

Veja um exemplo de nota de corretagem:

Esse trecho mostra a parte superior da nota de corretagem e contém as seguintes informações:

  • Data da operação na parte superior direita: 06/09/2011
  • A operação realizada, “C/V”, que nesse caso é “C”, de compra
  • A ação comprada, “B2W VAREJO ON NM”, que o código é BTOW3
  • A quantidade comprada: 200
  • O preço médio da compra: 15,78

Esse trecho mostra a parte inferior da nota de corretagem e contém as seguintes informações:

  • Corretagem = R$10,91. A corretagem é o valor total da soma de Taxa Operacional, Impostos (normalmente ISS) e Outros.
  • Taxas B3 = R$1,08. As taxas B3 são compostas pela Taxa de liquidação, Taxa de registro e emolumentos.
  • I.R.R.F. s/ operações: esse é o imposto de renda retido na fonte pela corretora, é importante guardar essa informação para descontar no IR a ser pago mensal

Mais informações sobre as tarifas cobradas pela B3 podem ser encontradas no site: http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/tarifas/listados-a-vista-e-derivativos/renda-variavel/tarifas-de-acoes-e-fundos-de-investimento/a-vista/

Estou anexando uma planilha Excel de exemplo, que pode e deve ser alterarada para deixar do modo da preferência, o importante é ter uma. As operações que coloquei como exemplo são fictícias, não foram feitas por mim, bem como os preços e datas foram aleatórios e não refletem o real. Não garanto a exatidão dos cálculos, principalmente para fonte de IR, fica a critério de cada um revisar as fórmulas e corrigi-las se necessário.

Exemplo_Controle_Ações.xlsx

A planilha tem 3 abas, a aba do controle de operaçõe é a “OperaçõesAções”. As demais explicarei mais abaixo.

 

Cálculo do imposto de renda mensal

 

Assim como a maioria das operações financeiras no país, temos que pagar imposto de renda sobre o lucro obtido em operações em ações na bolsa de valores. Aqui eu descrevo as informações relevantes para ações.

a) Período de apuração

A apuração deve ser realizada mensalmente, após o encerramento de cada mês.

b) Prazo para pagamento

Caso haja IR a pagar, este deve ser pago até o último dia útil do mês subsequente.

Exemplo: o mês de março finalizou, deve-se fazer a apuração do lucro obtido no mês de março e o IR deve ser pago até 30 de abril.

c) Quais ações/operações fazem parte do cálculo

Fazem parte do cálculo todas as operações encerradas no mês de apuração, estando aptas a calcular o lucro ou prejuízo.

d) Alíquota de IR

A alíquota é de 15% para operações comuns e 20% para day trade. A mesma alíquota é para operações à termo e vendas a descoberto.

As operações de day trade devem ser anotadas separado das operações comuns (position trade e swing trade) de forma que sejam feitos dois cálculos separados, um com todas operações day trade e outro com todas operações comuns, e aplicada a respectiva alíquota em cada um.

e) Custos que podem serem abatidos do lucro

Os seguintes custos e taxas podem ser abatidos do lucro de cada operação:

  • Corretagem
  • Taxas B3
  • Taxa termo
  • Taxa BTC (aluguel de ações)

No caso da taxa de termo, normalmente ela já vem embutida no preço da ação, portanto nesse caso não entraria como custo. Por exemplo um termo feito em uma ação a R$10,00 com taxa de juros a 2% pelo período acordado, o preço de compra na nota de corretagem virá a R$10,20.

As seguintes despesas não podem ser abatidas do lucro do mês:

  • Plataformas
  • Softwares
  • Serviços de assessoria
  • Relatórios
  • outros

f) Isenção de IR

Para operações comuns, há isenção de IR caso o total das vendas do mês seja inferior a R$20.000,00.

Exemplo:
Durante o mês de apuração realizei somente 2 vendas (encerramento de operação):
Vendi 300 ações AAAA4 por R$20,00, totalizando R$6,000. Lucro foi de R$500.
Vendi 200 ações BBBB4 por R$40,00, totalizando R$8,000. Lucro foi de R$1.200.

O lucro total do mês foi de R$1.700.
O total de vendas do mês foi de R$14.000.
Eu obtive lucro mas como o total de vendas foi inferior a R$20 mil, eu terei isenção e não precisarei pagar IR. Mesmo assim a informação deve ser guardada pois deverá ser declarada no ano seguinte.

Para day trade não há isenção, deve-se pagar IR sobre qualquer lucro, independente do total do valor operado.

Essa soma das vendas para isenção pode ficar mais complicada se o trader faz operações de venda a descoberto em ações, ou seja, aluga ações para vender e apostar numa queda. A Receita Federal não diferencia operações compradas e vendidas, ela só informa que há isenção quando o total de vendas for inferior a R$20 mil. Portanto caso haja uma mistura de operações compradas com vendidas, a regra que permanece para isenção de IR é o total de vendas do mês, seja para encerrar uma operação comprada ou para iniciar uma operação vendida.

Exemplo: Comprei ação AAAA4 num mês anterior e vendi esse mês no total de R$ 15 mil e tive lucro. Fiz uma venda a descoberta da ação BBBB4 esse mês totalizando R$ 10 mil, e ainda não encerrei a operação. Nesse caso o total de vendas seria a soma dos 15 mil com os 10 mil, totalizando 25 mil reais, portanto não haveria isenção de IR! O IR deverá ser pago referente ao lucro obtido na ação AAAA4.

Há controvérsias sobre esse tema porém essa é a forma mais segura que vejo para evitar cair na malha fina.

g) Valores baixos de IR

Caso o IR a pagar seja inferior a R$10, pode ser acumulado para os próximos meses. O mínimo a pagar é R$10.

Ex: Em janeiro foi apurado IR a pagar de R$8,00. Não precisa ser pago por enquanto. Em fevereiro foi apurado IR a pagar de R$24,00. Então até dia 31 de março deverá ser pago R$32,00, referente aos R$24 de fevereiro somados aos R$8 pendentes.

h) Meses com prejuízos

Caso haja prejuizo em um determinado mês, não é necessário pagar IR mesmo se algumas operações tiverem dado lucro, o que importa é a soma dos resultados de todas as operações. Além disso este prejuízo pode ser abatido de lucros futuros.

Se nos próximos meses houver mais prejuízos, esses valores devem ser somados e acumulados, não havendo prazo para compensação, mesmo que demore anos.

Exemplo:
Em janeiro tive prejuizo de R$300. Não pago IR. Prejuízo total acumulado = R$300.
Em fevereiro tive prejuizo de R$400. Não pago IR. Prejuízo total acumulado = R$700.
Em março tive lucro de R$1100. Primeiro desconto o prejuízo acumulado para calcular o lucro remanescente: R$1100-R$700 = R$400.
Portanto pagarei 15% de IR sobre um lucro de R$400, que dará R$60.

Prejuízos em day trade só podem ser abatidos de lucros futuros em day trade, e prejuízos em operações comuns só podem ser abatidos de lucros em operações comuns. Prejuízo em day trade não pode ser abatido de lucro em operações comuns e vice-versa.

Um detalhe importante a comentar é que se existe prejuizo a compensar e num determinado mês haja lucro porém com total de vendas abaixo de R$ 20 mil, o que entra na regra da isenção de IR, o prejuízo a compensar não reduz com esse lucro, ele fica com o mesmo valor de antes.

Exemplo:
Em janeiro tive prejuizo de R$300 e em fevereiro tive prejuizo de R$400. Prejuízo total acumulado = R$700.
Em março tive lucro de R$1100 porém meu total de vendas do mês foi R$12.000.
Nesse caso não pagarei IR referente ao mês de março pois será isento e o prejuízo acumulado a compensar continuará de R$700.

i) IR retido na fonte

Nas operações de lucro, há retenção de imposto de renda na fonte. Para operações comuns a alíquota é de 0,005% e para operações day trade a alíquota é de 1%.

Esses valores deverão ser somados de todas as notas de corretagem e poderão ser subtraidos do IR a pagar do mês.

Para esse valor não importa se o IR retido é de operações comuns ou day trade, pode ser somado o IR retido em um valor total único.

Se foi retido IR em um mês porém não houve lucro neste mesmo mês, portanto não haverá IR a ser pago, o IR retido pode ser acumulado para ser compensado em pagamentos de próximos meses. Porém esse IR retido acumulado só poderá ser compensado no mesmo ano. Quando muda o ano, o IR retido a compensar zera. Caso o ano finalize com saldo de IR retido na fonte a compensar, é possível solicitar restituição desse valor como mostrarei na seção de declaração anual de IR.

j) Método de cálculo do IR

O cálculo de IR para operações comuns deve ser feito da seguinte forma:

  • Selecionar todas operações encerradas (vendidas) no mês da apuração.
  • Calcular o lucro/prejuízo de cada operação, descontando corretagem e taxas B3.
  • Fazer a soma total do resultado do mês, somando o lucro/prejuízo de cada operação.
  • Subtrair prejuízo acumulado, se houver, obtendo o lucro final.
  • Aplicar a alíquota de 15% para obter o valor do IR do mês.
  • Subtrair do valor do IR do mês, a soma de IR retido na fonte acumulada, obtendo então o valor do IR a pagar.

Caso o trader tenha feito operações em day trade também, deverá fazer o cálculo da mesma forma separado, e aplicado a alíquota de 20% de IR. Caso em ambos haja IR a pagar, esses valores devem ser somados e pagos de uma só vez. Nesse caso o IR retido na fonte deverá ser subtraido do IR total calculado somente após a soma dos IR day trade e operações comuns.

Importante: Os proventos como dividendos e juros sobre capital próprio não entram no cálculo do imposto de renda, portanto não devem estar inclusos na apuração dos lucros de cada operação. Pode até ter uma somatória incluindo esses valores porém em um campo separado, para ter a visão do lucro total da operação, já que os proventos fazem parte. Mas o lucro para cálculo do IR não deve somar esses valores pois dividendos são isentos de IR e juros sobre capital próprio já são tributados na fonte.

Na planilha dispobinilizada no início do artigo, a aba “IR” mostra um exemplo de controle dos meses. Os valores do Lucro e Total Vendas está colocado manualmente. O melhor seria criar uma macro para pegar automaticamente os valores somados das outras abas de operações.

k) Compras e vendas piramidadas

É normal montar várias posições em uma mesma ação, isto é, fazendo algumas compras em datas diferentes à medida que uma ação está subindo e continuando a tendência ou à medida que está caindo se a pessoa tem perfil mais investidor.

É importante mencionar que para a Receita Federal não existe esse conceito de posição.

Então se por exemplo eu comprei 1000 ações CCCC4 a R$10, abrindo minha primeira posição, depois comprei mais 600 ações a R$15, abrindo minha segunda posição. Algum tempo depois se eu encerrar somente a segunda posição a R$14, seja porque estava com stop mais curto que a primeira ou por qualquer outro motivo, o cálculo do IR não será em cima do resultado dessa minha segunda posição somente, ou seja, não poderei assumir que houve prejuízo de R$1 por ação na segunda posição.

Para a Receita Federal quando há múltiplas compras na mesma ação, o que a legislação diz é que deve ser calculado o preço médio das compras. Portanto a cada nova compra, deve ser calculado o novo preço médio e quando houver vendas, seja parcial ou da quantidade total, o lucro para finalidade de IR deve ser calculado entre o preço de venda e o preço médio até aquele ponto. Nesse caso os custos da operação podem ser somados no cálculo do preço médio.

Vamos ver um exemplo de como isso funciona:

01/02 (primeira compra):
Compra de 1000 ações por R$ 5,00, totalizando R$5.000,00
Corretagem e taxas B3: R$12,50, totalizando R$5.012,50
Saldo = 1000 ações
Preço médio = 5.012,50/1000 = R$5,0125

10/04 (segunda compra):
Compra de 800 ações por R$ 6,50, totalizando R$5.200,00
Corretagem e taxas B3: R$12,60, totalizando R$5.212,60
Valor posição anterior = R$5.012,50
Novo valor posição total = 5.012,50 + 5.212,60 = R$10.225,10
Saldo = 1800 ações
Preço médio = 10.225,10/1800 = R$5,6806

15/07 (terceira compra):
Compra de 500 ações por R$ 11,30, totalizando R$5.650,00
Corretagem e taxas B3: R$12,75, totalizando R$5.662,75
Valor posição anterior = R$10.225,10
Novo valor posição total = 10.225,10 + 5.662,75 = R$15.887,85
Saldo = 2300 ações
Preço médio = 15.887,85/2300 = R$6,9077

Essa é a forma de calcular o preço médio a cada nova compra. Calculando o total financeiro de cada compra, somado com as taxas, depois somando com o total financeiro das posições anteriores e por fim dividindo pelo total de ações atuais. Caso só seja feita somente uma compra em uma determinada ação, não será necessário fazer esses cálculos.

Agora quando houver uma venda, supondo que seja parcial de 200 ações, o lucro dessa operação é calculado da seguinte forma:

22/09:
Venda de 200 ações por R$ 13,70, totalizando R$2.740,00
Corretagem e taxas B3: R$11,80, totalizando R$2.728,20
Preço médio de compra das ações = R$6,9077
Valor compra das 200 ações com preço médio = 6,9077×200 = R$1.381,54
Lucro da operação = 2.728,20-1.381,54 = R$1.343,66
Saldo = 2100 ações
Preço médio do restante das ações = R$6,9077

Calcula-se o total financeiro da operação de venda, subtrai a corretagem e taxas B3, calcula-se o total financeiro com o valor da compra pelo último preço médio até então, e então calcula-se o lucro da operação. Após a venda o saldo das ações diminui porém o preço médio do restante das ações em carteira continua inalterado, somente as compras alteram o preço médio.

A medida que for vendendo as demais ações, o mesmo cálculo deve ser feito para determinar o lucro. Caso haja mais compras depois dessa venda parcial, deve ser calculado o novo preço médio novamente.

Na planilha dispobinilizada no início do artigo, a aba “PreçosMédiosAções” mostra um exemplo de controle desses cálculos.

l) Pagamento do IR

Para pagar o IR, deve ser gerado um DARF e pago em qualquer banco. O DARF pode ser preenchido e gerado diretamente no site ou aplicativo dos bancos ou também pode ser gerado no site Sicalcweb da Receita Federal.

Veja passo a passo como preencher o DARF no site do banco:

O DARF normalmente está dentro do menu “Pagamentos” e depois “Impostos e Tributos”. Preencha da seguinte forma:

  • Campo 01: Nome e Telefone. Preencha seu nome completo e telefone de contato.
  • Campo 02: Período de apuração. Informe o último dia do mês de apuração, ex: 31/03/2020, se o pagamento for referente a março de 2020.
  • Campo 03: CPF ou CNPJ. Informe seu CPF se for pessoa física ou CNPJ se for pessoa jurídica.
  • Campo 04: Código da receita. Preencha com o número 6015, que corresponde ao IR sobre renda variável para pessoa física.
  • Campo 05: Número de referência. Deixe o campo em branco, não é necessário.
  • Campo 06: Data de vencimento. Informe o último dia útil do mês seguinte ao mês de apuração. Se o mês de apuração for março de 2020, a data de vencimento será 30/04/2020.
  • Campo 07: Valor principal. Informe o valor do IR a pagar.
  • Campo 08: Valor da multa. Deixe em branco se estiver pagando antes do vencimento.
  • Campo 09: Valor dos juros e/ou encargos. Deixe em branco se estiver pagando antes do vencimento.
  • Campo 10: Valor total. É a soma dos campos 07, 08 e 09. Se estiver pagando antes do vencimento o valor será igual ao do campo 07.

Basta finalizar a geração do DARF e já fazer o pagamento.

Para gerar o DARF através do Sicalcweb:

  • Acesse o site do Sicalcweb
  • Clique em Sicalcweb para Pessoa Física
  • Clique em “Pagamento”
  • Selecione seu Estado e clique em Continuar
  • Selecione seu Município e clique em Continuar
  • No campo “Código da Receita” preencha com 6015 para pessoa física e clique em Continuar
  • No campo “Período” preencha o mês da apuração, exemplo “03/2020” para março de 2020. Se não couber o último número, preencha sem a barra, ex: “032020”
  • No campo “Valor Principal” preencha o valor do IR a pagar, calculado das operações em ações e clique em Continuar
  • Deixe o campo “Referência” em branco e clique em Continuar
  • Se o pagamento estiver sendo feito com atraso, já será calculado o valor da multa e juros automaticamente
  • No campo “CPF” preencha seu CPF e clique em Continuar
  • O DARF será gerado, basta imprimir e fazer o pagamento em qualquer banco

m) Atraso no pagamento

Se você não pagar o IR mensal quando houver lucro até a data de vencimento, terá que pagar multa diária de 0,33%, até o limite de 20% do valor devido, acrescidos de juro mensal, proporcional à taxa Selic.

Caso nunca pague, há grande risco de cair na malha fina da Receita Federal, uma vez que existe o “dedo-duro”, aquele IR retido na fonte que é proporcional ao seu lucro, e portanto já informa à Receita quanto de lucro obteve.

Para gerar o DARF de um mês atrasado, o melhor é usar o site do Sicalcweb conforme explicado no item anterior, e informando os meses passados e os valores do IR de cada mês.

n) Sites e sistemas para auxiliar a apuração do IR

Hoje em dia há diversos sistemas para auxiliar a apuração de IR, onde você deve fazer o envio das notas de corretagem e o sistema calcula mensalmente o quanto deve pagar.

Aqui cito alguns:

Algumas corretoras também oferecem esse serviço.

 

Declaração anual do imposto de renda

 

Agora vou mostrar como declarar as diversas informações provenientes do mercado de ações.

Quase todas as informações necessárias são fornecidas pela corretora. Normalmente tem disponível o “Informe Rendimentos”, que é o documento oficial que as instituições financeiras devem fornecer, e também os “Relatórios Auxiliares”, onde contém informações de proventos recebidos no ano, ações em custódia no dia 31/12, imposto retido na fonte e outros.

Tenha o máximo de informações da corretora em mãos para fazer a declaração. Abaixo mostro as informações mais comuns de quem opera ou investe em ações.

Em algumas seções será necerrário preencher o campo CNPJ da empresa. Infelizmente as corretoras não disponibilizam essa informação, portanto a forma mais fácil e confiável é obter do site da bolsa de valores acessando o link de Empresas Listadas. Basta procurar pela empresa e ao clicar no nome dela na lista já aparecerá os dados da empresa junto com o CNPJ.

Nas telas de exemplo que mostrarei estou utilizando o programa da Receita IRPF 2020, ou seja, declarão dos rendimentos e posição de 31/12/2019, porém a lógica é igual para os demais anos.

a) Ações em custódia

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todas ações que estava em custódia no dia 31/12 devem ser declaradas na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “31 – Ações (inclusive as provenientes de linha telefônica)”.

No campo CNPJ, preencher com os dados da empresa referente a ação que está sendo declarada.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, o preço médio da compra e a corretora onde está custodiada.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da multiplicação da quantidade de ações pelo preço médio declarados. Aqui não deve ser informado o valor atual ou de mercado da ação. Caso passe mais de 1 ano com a ação e mesma quantidade, basta repetir os valores da situação de 31/12/2018.

Veja exemplo de preenchimento:

b) Dividendos

As informações dos dividendos normalmente são enviadas por carta para a nossa residência pelos bancos que escrituram as ações da empresa, porém infelizmente somente os bancos que temos conta que enviam essas cartas. Para os demais bancos, eles não nos enviam. É uma falha grave do sistema da bolsa pois não podemos garantir a fidelidade das informações preenchidas na declaração do IR. A informação oficial é que deveríamos entrar em contato com o RI de todas empresas que recebemos dividendos e outros proventos e solicitar o envio para nós, porém isso gera um mega trabalho.

Normalmente as corretoras disponibilizam nos relatórios auxiliares a relação de todos proventos recebidos, então o mais fácil é utilizar essa relação, apesar de não ser a forma oficial e garantida de se fazer.

Os dividendos devem ser declarados na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “09 – Lucros e dividendos recebidos”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido.

Exemplo:

c) Juros sobre capital próprio

As informações dos juros sobre capital próprio (JCP) são obtidas da mesma forma que os dividendos.

Os JCP devem ser declarados na seção “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva”.

No tipo de rendimento utilizar o código “10 – Juros sobre capital próprio”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido.

Exemplo:

d) Proventos creditados e não pagos

No caso de nos informes de rendimentos contiverem informações sobre dividendos ou juros sobre capital próprio creditados e não pagos, esses valores devem ser declarados na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “99 – Outros bens e direitos”.

No campo discriminação deve ser informado que são créditos a receber, o tipo do provento, o nome da empresa e o CNPJ.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor dos créditos a receber.

Exemplo:

e) Lucros mensais

Essa informação deve estar contida no controle de cada um, conforme planilha de exemplo de lucro mensal. Infelizmente as corretoras não fornecem esses dados. A alternativa é utilizar algum sistema para calcular através das notas de corretagem.

Esses lucros devem ser declarados no menu “Renda Variável”, na seção “Operações Comuns / Day-Trade”.

Nessa seção deve ser informado o lucro e outros dados mês a mês, nas 12 abas à esquerda.

Há várias categorias de ativos que deve ser declarado caso o trader tenha feito operações: ações, opções, futuros (índice, dólar, juros, commodities) e termo. Para todas elas tem a coluna de operações comuns e day trade separado. Aqui vou comentar somente de operações comuns em ações e termo.

Começando por janeiro, preencher o lucro obtido nas ações na subseção “Mercado à Vista”, no campo “Mercado à Vista – ações”, na coluna “Operações Comuns”. Se for prejuízo colocar o número com sinal de “-” na frente.

Caso tenha encerrado operações à termo nesse mês, preencher o valor na subseção “Mercado a Termo”, no campo “Mercado a termo – ações/ouro”, na coluna “Operações Comuns”, ou seja, o lucro de operações em ações à termo deve ser declarado separado do lucro em ações à vista.

IMPORTANTE: caso tenha tido lucro no mês porém com isenção de IR devido ao total de vendas ter sido inferior a R$20 mil, não colocar o lucro do respectivo mês nessa seção de “Renda Variável – Operações Comuns / Day-Trade” pois eles serão declarados em outra seção. Nesse caso deixar com valor zero. Porém se houve IR retido nesse mês ele deve ser declarado, conforme mostrado abaixo.

Exemplo:

Antes de passar para o mês de fevereiro, descer a tela para os demais campos.

Especificamente em janeiro, é necessário preencher o campo “Resultado negativo até o mês anterior” na subseção “Resultados”. Preencha esse campo caso haja prejuízo a compensar no fim do ano anterior, nesse caso seria ao fim de dezembro de 2018. Nesse campo não coloque o sinal de “-“, coloque só o número e repare que será somado ao valor do resultado do mês atual no campo abaixo “Prejuízo a compensar”. Esse valor digitado deve ser o mesmo do campo “Prejuízo a compensar” da declaração de IR do ano anterior para manter a consistência das informações, sendo uma forma de continuidade.

Na subseção “Consolidação do Mês” é necessário preencher 3 valores.

Preencha o campo “IR fonte de Day-Trade no mês” caso tenha feito day trade e teve retenção de IR. As informações de retenção de IR estão normalmente disponíveis nos relatórios auxiliares das corretoras.

Preencha o campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) no mês” caso tenha tido retenção de IR em operações comuns.

Preencha o campo “Imposto pago” caso tenha tido lucro no mês e foi pago IR referente a esse valor.

Exemplo:

Nesse exemplo de janeiro, houve prejuízo e também vinha de prejuízo do ano anterior. Houve retenção de IR na fonte e não houve pagamento de IR.

Concluído o mês de janeiro, passamos para o mês de fevereiro. Repita a mesma lógica de preenchimento de janeiro, com a diferença que não será necessário mais preencher nenhum campo da subseção “Resultados”. Repare como tudo é calculado automaticamente, com os mesmos dados que deveria ter na nossa planilha de controle:

Na subseção “Consolidação do Mês” após preenchido o IR retido, foi calculado o IR a pagar referente a fevereiro, que é o valor que deveria já ter sido pago em março do ano anterior (2019), pois a declaração que está fazendo no ano atual (2020) é realizada somente em caráter informativo. Por isso a importância da planilha de controle para que os valores sejam calculados corretamente e no momento da declaração os dados batam com os cálculos da Receita.

Nesse exemplo de fevereiro, houve lucro que foi minimizado pelo prejuízo a compensar anterior. Houve retenção de IR na fonte e houve pagamento de IR.

Todos os meses devem ser preenchidos com todas essas informações. Ao final, no mês de dezembro, observar se ficou algum valor no campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) a compensar”. Esse valor poderá ser restituido conforme mostrado mais a frente, uma vez que o IR retido de um ano não pode ser compensado no ano seguinte.

Exemplo:

f) Lucros de meses com vendas abaixo de R$20 mil

Essa informação deve estar contida no controle de cada um, conforme planilha de exemplo de lucro mensal.

Para os meses que houve lucro e as vendas totais do mês foram abaixo de R$20 mil, há isenção de IR. Para todos os meses que apresentaram essa condição, os valores dos lucros devem ser somados para obter um total do ano.

Esses rendimentos devem ser declarados na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “20 – Ganhos líquidos em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsa de valores nas alienações realizadas até R$20.000,00 em cada mês, para o conjunto de ações”.

No campo valor preencher com o soma dos lucros isentos calculado.

g) Desdobramentos e grupamentos

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora.

Desdobramentos e grupamentos são eventos corporativos onde se altera a quantidade total de ações em circulação porém sem alterar o valor do capital da empresa, portanto o preço das ações é alterado na mesma proporção da quantidade.

Desdobramento é quando 1 ação vira N ações, normalmente quando a empresa considera que o preço da ação está muito cara. Um desdobramento de 1 para 4 por exemplo significa que para cada ação que o acionista tiver, irá se transformar em 4, portanto cada 100 ações virarão 400. Na mesma proporção, o preço da ação é dividido por 4, portanto se estava valendo R$80 ela passa a valer R$20.

Grupamento é quando N ações viram 1, o contrário do desdobramento, normalmente quando os preços das ações estão muito baratos. Um grupamento de 10 para 1 por exemplo significa que para cada 10 ações que o acionista tiver, irá se transformar em 1, portanto cada 100 ações virarão 10. Na mesma proporção, o preço da ação é multiplicado por 10, portanto se estava valendo R$1 ela passa a valer R$10.

Como esses eventos não alteram o volume investido nem o lucro da operação, não é necessário declarar em nenhuma seção especial. A única coisa que se deve fazer é ajustar a quantidade de ações em custódia e o preço médio de compra de acordo com o evento ocorrido na ação. O ajuste deve ser feito na seção “Bens e Direitos” nas ações em custódia descrito no item “a”.

Quando as ações forem vendidas e for apurado o lucro/prejuízo da operação, basta fazer o cálculo utilizando a quantidade e valor de compra ajustados.

h) Bonificações

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site da corretora.

A bonificação é um recebimento de mais ações pela empresa devido a incorporação de lucros, portanto aumentando o capital da empresa. A quantidade de ações recebidas é proporcional à quantidade que o acionista tinha em custódia até a data-ex.

Uma bonificação de 10% significa que para cada 100 ações que o acionista tiver, irá receber mais 10, portanto ficará com 110.

As bonificações devem ser declaradas em mais de uma seção.

A primeira informação deverá ser preenchida na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”.

No tipo de rendimento utilizar o código “18 – Incorporação de reservas ao capital / Bonificações em ações”.

Preencher o CNPJ e nome da empresa, da forma que está no site da B3, e o valor total recebido, que é a multiplicação da quantidade recebida pelo valor por ação divulgado pela empresa.

Exemplo:

Caso o investidor vire o ano com essas ações em carteira, deve-se ajustar a quantidade de ações em custódia e o preço médio de compra de acordo com a bonificação. O ajuste deve ser feito na seção “Bens e Direitos” nas ações em custódia descrito no item “a”.

Por exemplo se tinha comprado 1000 ações ABCD4 por R$ 25,00 cada, totalizando R$ 25.000,00, e recebeu uma bonificação de 10%, portanto 100 ações com preço definido em R$19,50, totalizando R$ 1.950,00. Nesse caso o novo preço médio será (25000+1950)/1100 = R$ 24,50 e a nova quantidade será 1100 ações.

Quando as ações forem vendidas e for apurado o lucro/prejuízo da operação, basta fazer o cálculo utilizando a quantidade e valor de compra ajustados.

Um acontecimento comum em bonificações é o investidor receber uma quantidade “quebrada” de ações, ou seja, menos que 1 ação, por exemplo 25,7 ações. Nesse caso ele receberá 25 ações e a parte fracionada (0,7) ação será depositada em dinheiro na conta do investidor.

Esse valor recebido em dinheiro deve preenchido na seção “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” e no tipo de rendimento utilizar o código “26 – Outros”. Na descrição informar que é um ganho referente à venda de resíduos de ações bonificadas.

i) Saldo em conta na corretora

Essa informação está contida no Informe Rendimentos.

O saldo em conta na corretora deve ser declarado na seção “Bens e Direitos”.

Por não ser conta corrente nem conta poupança, mas sim conta investimento, deve ser utilizado o código “69 – Outros depósitos à vista e numerário”.

Preencher o CNPJ da corretora, que vem informado no Informe Rendimentos.

No campo discriminação deve ser informado que é saldo em conta, o nome da corretora, o número da agência e o número da conta.

Prencher o campo valor com o informado no Informe Rendimentos.

Exemplo:

j) Imposto retido na fonte e não compensado

Nas operações de lucro, há retenção de imposto de renda na fonte. Para operações comuns a alíquota é de 0,005% e para operações day trade a alíquota é de 1%. Esses valores deverão ser subtraidos do IR a pagar do mês, porém só poderá ser compensado no mesmo ano. Em janeiro do ano seguinte esse IR retido acumulado deve ser zerado. Caso o ano finalize com saldo de IR retido na fonte a compensar, é possível solicitar restituição desse valor.

Esse imposto retido e não compensado deve ser declarado na seção “Imposto Pago/Retido”.

Preencher o valor do saldo do IR retido no final do ano no campo “03. Imposto sobre a renda na fonte (Lei nº 11.033/2004)”.

Esse valor precisa ser o mesmo do valor do campo “IR fonte (Lei nº 11.033/2004) a compensar” do mês de dezembro na seção “Renda Variável – Operações Comuns / Day-Trade”, conforme mostrado anteriormente.

Exemplo:

k) Operações a termo

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todos os termos em andamento no dia 31/12 devem ser declarados. Como o termo é um tipo de empréstimo, deverá ser declarado em 2 seções.

Primeiro deve ser declarada a custódia do termo na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “47 – Mercados futuros, de opções e a termo”.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, o preço médio da compra, a corretora onde está custodiada e a data de vencimento do termo. O preço médio deve ser o informado pela corretora ao realizar o termo, onde já está com a taxa de juros embutida.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da multiplicação da quantidade de ações pelo preço médio declarados. Aqui não deve ser informado o valor atual ou de mercado da ação.

Exemplo:

Depois é necessário declarar o empréstimo da corretora para você comprar as ações. Essa informação é preenchida na seção “Dívidas e Ônus Reais”.

No campo código utilizar “12 – Sociedades de crédito, financiamento e investimento”.

No campo discriminação deve ser informado o objetivo do empréstimo, que são as operações à termo, e a corretora em qual foi feito.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor da soma de todos os termos feitos nessa corretora declarados na seção “Bens e Direitos”.

Exemplo:

l) Ações alugadas (BTC) para operações de venda à descoberto

Essa informação é obtida nos relatórios auxiliares de IR no site corretora ou na seção de relatórios de patrimônio histórico.

Todas as ações que ainda estiverem alugadas no dia 31/12 devem ser declaradas. Como envolve empréstimo, deverá ser declarado em 2 seções.

Primeiro deve ser declarada a custódia das ações na seção “Bens e Direitos”.

No campo código utilizar “31 – Ações (inclusive as provenientes de linha telefônica)”.

No campo CNPJ, preencher com os dados da empresa referente a ação que está sendo declarada.

No campo discriminação deve ser informado a quantidade de ações, o código da ação, se quiser colocar o nome da empresa e o tipo da ação (ON, PN) pode ser colocado também, a corretora onde está custodiada e informar que as ações são oriundas de aluguel. Não é necessário colocar preço de compra ou preço médio.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o valor total da multiplicação da quantidade de ações pelo preço de fechamento da ação em 31/12 ou último dia útil do ano.

Exemplo:

Depois é necessário declarar o empréstimo das ações na seção “Dívidas e Ônus Reais”.

No campo código utilizar “16 – Outras dívidas e ônus reais”.

No campo discriminação deve ser informado o objetivo do empréstimo, o nome da ação, a quantidade, o CNPJ da empresa e a corretora em qual foi feito.

No campo Situação em 31/12/2019 deve ser informado o mesmo valor informado na seção “Bens e Direitos”.

Exemplo:

 

Esse conteúdo cobre boa parte da informação relacionada a ações. Qualquer dúvida ou correções mande nos comentários.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Estudo sobre entradas por rompimento no gráfico diário

9 de janeiro de 2020 1 comentário

Conforme detalhei no post Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário, no último ano eu experimentei uma variação de entrada na minha estratégia.

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

Conforme mostrei no post, no geral foram operações com bons resultados, o que me motivou um estudo maior sobre essa modalidade de entrada.

Rodei os testes em todas ações da Bovespa nos últimos 10 anos, o que inclui mais anos ruins do que bons. Não rodei em mais de 10 anos pois o Metatrader 5 da XP não disponibiliza base de dados maior.

 

Testes

As regras básicas do sistema são as mesmas do Rompimento Semanal, todas que estão detalhadas no menu Estratégias. As únicas diferenças são a análise do gráfico diário ao invés do semanal para procurar correções e rompimentos, e consequentemente o posicionamento do stop inicial que será abaixo dessa correção no gráfico diário. O stop móvel ATR continua pelo gráfico semanal, bem como os demais indicadores.

Como possíveis regras adicionais para o setup de Rompimento Diário eu testei valores para tamanho mínimo da correção medidos em ATR semanal e também ATR diário, tamanho mínimo de stop em ATR semanal (para não colocar um stop muito curto em correções curtas) e quantidade mínima de candles na correção.

Os parâmetros de tamanho mínimo de correção e tamanho mínimo de stop não geraram resultados mais interessantes com nenhum valor.

O único parâmetro que gerou efeitos positivos foi a quantidade mínima de candles na correção.

 

Resultados

Na tabela seguinte eu comparo os resultados obtidos no setup de Rompimento Diário em cada variação de qtde mínima de candles com o resultado base do setup de Rompimento Semanal.

Qtde min. candles Lucro Drawdown Taxa acerto Qtde Trades
1 +22% +32% -7% +41%
2 +23% +25% -4% +33%
3 +20% +19% -2% +23%
4 +17% +7% -1% +15%

Testei valores maiores que 4 para esse parâmetro, porém os resultados já começaram a sair do ponto ótimo.

Vemos que em todas configurações a entrada pelo gráfico diário apresenta lucro superior ao gráfico semanal, pois a entrada acaba sendo antes ou no máximo no mesmo ponto do que no semanal. Porém, analisando o drawdown, que é o termo utilizado para rebaixamento máximo do capital, vemos que o aumento do lucro acaba sendo descompensado em algumas configurações de correções mais curtas.

No setup considerando como mínimo somente 1 candle de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 22% maior que o setup no semanal, porém o drawdown foi 32% maior, o que não compensa do ponto de vista matemático. A taxa de acerto diminui 7 pontos percentuais, de 42% (que é a taxa de acerto do setup no semanal) para 35%, e a quantidade de trades realizados também aumenta bastante, havendo 41% mais trades.

No setup considerando como mínimo 2 candles de correção para liberar a entrada pelo rompimento, o lucro foi 23% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 25% maior. Aqui já apresenta uma melhora com relação ao mínimo de 1 candle, onde o lucro é pouco melhor e o drawdown menor, mas mesmo assim ainda não tão atrativo matematicamente. A taxa de acerto diminui 4 pontos percentuais, para 38%, e a quantidade de trades realizados aumenta 33%.

No setup considerando como mínimo 3 candles de correção, o lucro foi 20% maior que o setup no semanal e o drawdown foi 19% maior. Aqui o aumento do lucro, apesar de menor que o dos casos anteriores, já é maior que o aumento do rebaixamento. A taxa de acerto diminui somente 2 pontos percentuais, para 40%, e a quantidade de trades realizados aumenta 23%.

Por fim, no setup considerando como mínimo 4 candles de correção, ou seja, uma correção mais bem formada, o lucro foi 17% maior que o setup no semanal e o drawdown foi de meros 7% maior. A taxa de acerto diminui somente 1 ponto percentuais, para 41%, e a quantidade de trades realizados aumenta 15%.

 

Minhas considerações

Na minha visão, a melhor configuração, ou regra, para esse parâmetro, que muda bastante o resultado do setup, é haver uma correção de no mínimo 4 candles após o topo para considerar o rompimento. Essa configuração mostra um bom aumento de lucro do que no gráfico semanal e ao mesmo tempo um aumento baixo no rebaixamento de capital. A taxa de acerto podemos considerar praticamente a mesma, 42% vs 41%, e a quantidade de trades feitas a mais do que no setup semanal é relativamente baixa, somente 15% mais trades.

A configuração de no mínimo 3 candles de correção eu também considero válida porém selecionando mais as ações para utilizar, uma vez que os resultados não são tão satisfatórios quando o de 4 candles, principalmente no quesito drawdown, que é uma boa medida de risco.

As configurações de mínimos 1 e 2 candles de correção eu evitaria muito usar, deixando para usar em casos muito específicos, talvez em ações muito fortes, mas com muita cautela e sabendo que as probabilidades ajudam menos aqui.

 

Conclusão

Eu achei bem interessantes e positivos os resultados utilizando o setup no gráfico diário.

Acredito que em várias ocasiões eu conseguirei fazer uma compra mais cedo do que eu faria pelo setup no gráfico semanal.

A partir de hoje pretendo fazer mais uso dessa modalidade de entrada e com isso devo colocar alguns posts mais curtos no meio da semana quando eu identificar tais oportunidades.

Não substituirei a entrada no semanal pela entrada no diário, pelo menos não agora. Continuarei usando as duas modalidades de entrada, até porque se pensar bem, uma correção que dura vários dias também virará obrigatoriamente uma correção no semanal, e nesse caso tanto faz o gráfico utilizado. Nesses casos eu devo dar preferência no gráfico semanal pela maior simplicidade, consolidação de dados e menos ruídos apresentados, conforme explanado anteriormente.

Então a grande diferença para o que eu já vinha fazendo “informalmente” no ano passado é que eu começava a buscar uma entrada no gráfico diário depois de várias semanas de alta no gráfico semanal sem que houvesse uma correção nessa periodicidade. Agora eu analisarei o diário para todas as ações do radar, ao mesmo tempo que analisarei o semanal.

 

Bem, contra fatos não há argumentos! Os testes mostram alguma vantagem na utilização do gráfico diário para entradas por rompimento, utilizar ou não é uma questão de gosto, visto que para isso precisa de um acompanhamento diário do mercado ao invés de semanal. E quando eu digo diário eu quero dizer à noite, e não durante o dia.

Agora finalmente saiu da clandestinidade uma operação que vinha fazendo sem saber os impactos reais para uma modalidade homologada!

Portanto agora estou entrando no Setup versão 3.0!

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Estudo de folga no start de compra para evitar falsos rompimentos

Desde que comecei a operar com essa estratégia de position trade de longo prazo lá em 2009 eu segui as recomendações e também a estratégia do livro que me motivou a entrar no Trend Following (mesmo sem falar nesse termo no livro), que é o “How I Made $2,000,000 in the Stock Market” do Nicolas Darvas.

Nesse livro o autor fala para dar uma folga no preço para colocar a ordem de start de compra, com relação ao último topo ou resistência. Então se por exemplo a resistência está em 27,75, a compra seria arredondada pra cima em 28,00 ou 28,01 para também romper a resistência de números redondos. E eu sempre deixei essa folga nas minhas ordens de compra e o principal motivo é para evitar falsos rompimentos, onde o preço passa somente por alguns centavos da resistência e volta para baixo dela.

Alguns poucos momentos eu até me lembro de ter me livrado de falsos rompimentos por causa dessa técnica, porém realmente bem poucos. E essa minha folga acaba girando em torno de 0,5% a 1,0%, colocada subjetivamente, tentando sempre arredondar acima do xx,00 ou senão acima do xx,50, ou senão simplesmente alguma folga sem algum valor especial, somente para estar um pouco distante da resistência mais recente.

Resolvi fazer um estudo sobre essa folga se realmente vale a pena e o quanto ela previne de falsos rompimentos.

Testei valores de 0,1% a 1,0% acima do preço da resistência/topo.

O resultado obtido é que até faz sentido esse embasamento, mas o ganho é muito baixo.

O melhor valor para a folga foi de 0,5%.

De todas operações feitas sem a folga, ou seja, comprando a somente 1 centavo acima da resistência, somente 2,7% foram evitadas por falso rompimento, que geraram perdas no stop inicial.

E de todas as outras restantes, o risco fica 0,5% mais caro, consequentemente no cálculo de tamanho de posição, ou position sizing, será comprado menos ações, consequentemente o lucro financeiro será menor. Além disso, o preço de compra sempre será 0,5% mais caro, portanto o lucro sempre será um pouco menor.

Portanto minha conclusão baseado nesse estudo e testes é que vale mais a pena entrar a somente 1 centavo acima da resistência, para diminuir o valor do stop da operação e potencializar um pouco mais os ganhos, mesmo tendo prejuízo em poucas operações a mais.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações com entrada pelo gráfico diário

28 de dezembro de 2019 6 comentários

Minha estratégia sempre foi exclusivamente pelo gráfico semanal por se tratar de operações de longo prazo. Os gráficos são mais harmônicos e fazem menos ruídos de movimentações de curto prazo.

Porém aconteciam situações que me deixava ansioso, quando havia alguma ação em tendência de alta onde no gráfico semanal não faziam nenhuma correção de pelo menos uma semana, todo novo candle semanal fazia uma máxima maior que a anterior, não dando espaço para entrada pelo meu setup.

Foi então esse ano que resolvi testar uma variação de entrada. Todas as regras permaneciam iguais com exceção da análise da correção, que nesses casos eu resolvi fazer pelo gráfico diário.

No total foram 7 operações que fiz nessa modalidade. Algumas dessas ações eu vendi antes de pegar no stop ATR conforme detalhei no post anterior, porém aqui não vou levar isso em consideração pois o tema da análise é outro.

Nos gráficos abaixo, a seta azul indica onde fiz a entrada. A seta amarela indica onde teria sido a entrada se eu esperasse uma correção pelo gráfico semanal, conforme o setup original.

 

MOVI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 7 semanas seguidas de alta e então resolvi fazer a entrada após uma correção no gráfico diário. Nesse caso 2 semanas depois teria dado uma entrada pelo gráfico semanal também.

Variação do preço até hoje: 83%

 

PPLA11

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 3 semanas seguidas de alta. Nesse caso não teria havido entrada pelo gráfico semanal pois a ação simplesmente despencou alguns dias depois que entrei.

Variação do preço até o stop inicial: -12%

 

JSLG3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 7 semanas depois, 27% acima da entrada pelo gráfico diário, e provavelmente teria pegado o stop inicial.

Variação do preço até hoje: 81%

 

QUAL3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 9 semanas seguidas de alta. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 39% acima da entrada pelo gráfico diário, porque o mega candle verde pouco depois da seta azul foi um gap enorme de alta, o que não teria entrado na ordem de start.

Variação do preço até hoje: 89%

 

JHSF3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, porém houve um intervalo com uma correção curta de 1 candle que eu não entrei naquele momento, resolvi entrar depois que a forte alta confirmou a força da tendência que eu estava meio desconfiado. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 8 semanas depois, 16% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 88%

 

HBOR3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 5 semanas seguidas de alta, tendo uma pequena correção de 1 candle no meio que não cheguei a entrar. A entrada pelo gráfico semanal teria ocorrido 5 semanas depois, 22% acima da entrada pelo gráfico diário.

Variação do preço até hoje: 24%

 

POSI3

Semanal:

Diário:

A ação vinha de 6 semanas seguidas de forte alta. Não teria dado entrada pelo gráfico semanal até o momento.

Variação do preço até hoje: 30%

 

Conclusão

Das 7 operações que fiz utilizando rompimento do gráfico diário, 6 foram com sucesso e 1 não. Ainda são poucos dados para considerar uma regra mas nesse ano essas operações foram vantajosas e tecnicamente válidas.

Vendo a vantagem com relação às entradas posteriores nos gráficos semanais me faz pensar num estudo mais abrangente de sempre considerar uma entrada pelo gráfico diário ao invés do semanal para evitar ao máximo deixar a ação correr muito antes de dar uma pausa para minha entrada. Talvez uma entrada pelo gráfico diário em ações com FR acima de 90 possa otimizar mais o setup. Vou tentar fazer um estudo mais concreto em breve sobre isso.

Mas por enquanto vou continuar fazendo entradas pelo gráfico diário quando as ações não fizerem correções no gráfico semanal.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Revisão das operações encerradas antes do stop ATR

28 de dezembro de 2019 4 comentários

Nos últimos 2 anos eu encerrei algumas operações prematuramente, vendendo ações antes de atingir o stop ATR, por considerar que a força da tendência estava ficando cada vez mais fraca e outras oportunidades mais interessantes estavam surgindo.

Depois de ter passado um bom tempo após as vendas, resolvi fazer uma análise para ver o que aconteceu com cada ação depois da minha saída.

No total foram 12 ações, que mostrarei na sequência.

A seta azul indica o candle semanal que fiz a saída. A seta vermelha indica onde teria sido a saída pelo setup, quando atingisse o stop móvel. Em alguns casos não teria tido saída até hoje.

Colocarei um valor aproximado de variação de preços do meu ponto de saída para o ponto se tivesse continuado estritamente no setup. Aproximado porque os gráficos são ajustados por proventos.

 

FLRY3 – 19/10 e 27/11/2017

Preço médio de venda antecipado = R$ 26,20
Preço de venda pelo setup = R$ 23,28
Diferença = -11%

 

ANIM3 – 05/03/2018

Preço de venda antecipado = R$ 26,10
Preço de venda pelo setup = R$ 22,71
Diferença = -13%

 

UNIP6 – 25/02/2019

Preço de venda antecipado = R$ 33,80
Preço de venda pelo setup = R$ 28,47
Diferença = -16%

 

MGLU3 – 25/03/2019

Preço de venda antecipado = R$ 21,70
Preço atual da ação = R$ 48,73
Diferença = +124%

 

HGTX3 – 18/04/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 30,00
Preço atual da ação = R$ 34,00
Diferença = +13%

 

JHSF3 – 22/05 e 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 2,40
Preço atual da ação = R$ 7,06
Diferença = +194%

 

LOGN3 – 07/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 8,70
Preço de venda pelo setup = R$ 15,63
Diferença = +79%

 

KEPL3 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 19,30
Preço de venda pelo setup = R$ 19,22
Diferença = -0,5%

 

BIDI4 – 24/06/2019

Preço de venda antecipado = R$ 9,95
Preço de venda pelo setup = R$ 14,73
Diferença = +48%

 

IRBR3 – 25/06 e 01/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 33,40
Preço atual da ação = R$ 39,52
Diferença = +18%

 

QUAL3 – 24/07/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 20,00
Preço atual da ação = R$ 37,67
Diferença = +88%

 

MOVI3 – 30/09 e 11/10/2019

Preço médio de venda antecipado = R$ 14,80
Preço atual da ação = R$ 19,12
Diferença = +29%

 

Das 12 vendas antecipadas, posso dividir em 3 categorias:

– Em 4 delas eu vendi por um preço superior ao que queria vendido pelo stop ATR: FLRY3, ANIM3, UNIP6, KEPL3.
– Em 3 delas eu venderia por um preço um pouco maior do que vendi: HGTX3, IRBR3, MOVI3.
– Em 5 delas eu deixei de ganhar um alto percentual de lucro: MGLU3, JHSF3, LOGN3, BIDI4, QUAL3.

Na primeira categoria me dei bem, vendi antes e tive vantagem. Na segunda categoria eu também considero vantagem pois apesar de ter tido uma pequena variação positiva, demorou vários meses e com isso perderia outras oportunidades (com exceção de MOVI3 que ainda é um pouco recente). Agora com certeza na terceira categoria foi onde não valeu nem um pouco a pena ter vendido antes, pois houve movimentos fortes de alta, em alguns deles mais de 100% de variação após minha saída.

Mas eu vejo que a análise é mais complicada que isso, pois ao mesmo tempo que deixei de ganhar com essas 5, eu ganhei com outras que comprei. Por exemplo, comprei TRIS3 e JSLG3 no fim de junho e tiveram forte alta até aqui. A própria JHSF3 eu acabei recomprando algumas semanas depois, deixando de ganhar uma parte do movimento obviamente. E nas 7 ações dos primeiros grupos, várias delas demorariam meses para ter dado stop, deixando o dinheiro parado praticamente. Pensando numa análise de carteira, fica difícil saber se valeu e vale a pena a venda antecipada das ações que aparentam estar perdendo força na tendência.

Analisando individualmente as ações, me parece que não vale a pena sair tão cedo, tem que haver um pouco mais de paciência para deixar fluir e ver se a tendência continuará forte ou não. Em alguns casos uma ação com FR acima de 90 que teve uma desaceleração da tendência, é só um preparo para um estouro posterior, portanto vale a pena esperar para pagar para ver.

Fiz um estudo de todas as ações que tiveram compra pelo meu setup nos últimos 15 anos e cheguei a conclusão que não é interessante fazer saídas antecipadas muito cedo em ações com algumas semanas de congestão. Em valores objetivos, o stop por tempo mínimo é de 22 semanas depois do último topo. Isso significa que após os preços fazerem um novo topo, e em seguida fazer uma correção e posteriormente entrar num congestão, se os preços não romperem esse topo em 22 semanas é válido fazer uma venda antecipada, ou stop por tempo. E o stop por tempo ideal seria de 24 a 26 semanas.

Esse estudo mostra que uma ação com FR alto que estava em forte tendência e de repente os preços lateralizaram, em até 26 semanas há uma grande probabilidade dos preços romperem e dispararem novamente. Se passar de 26 semanas e o preço estiver nessa congestão ainda, as chances maiores indicam que a tendência forte deve ter finalizada e então vale a pena vender antecipadamente.

Um recurso que comecei a utilizar no fim desse ano quando surgiram novas oportunidades e eu não tinha dinheiro disponível em conta e também não queria vender antecipadamente nenhuma ação para fazer a troca, foi fazer operações a termo. Essa é uma modalidade que basicamente a corretora de empresta dinheiro a um juros baixo (em torno de 0,5% a.m.), usando as minhas ações como garantia, e então faço a compra da ação que eu quero. Com isso posso esperar o tempo necessário para ver as ações que tenho se vão continuar andando ou não, e ainda assim abrir novas posições. Mas aqui vai um ALERTA! Esse tipo de operação só é recomendado para traders mais experientes e com muita gestão de risco, pois se trata de uma operação alavancada, onde usamos mais dinheiro do que temos para operar. No meu caso, estou fazendo com muita cautela, o risco da minha carteira estava em somente 2% sendo que meu limite é 6%, portanto tinha uma boa margem de risco para novas operações e por isso resolvi fazer, abrindo 2 operações a termo com 1% de risco do meu capital em cada.

Então esse foi um ano com alguns arrependimentos gerados pela ansiedade de ver novas oportunidades passando na janela e a falta de paciência de esperar as ações darem os frutos. Mas tudo isso faz parte do aprendizado, o mais importante é sempre analisar as operações realizadas, ver onde estamos acertando, onde estamos errando e onde podemos melhorar. Testar novas abordagens é positivo, afinal com eles podemos evoluir nos investimentos. Se um teste não deu certo, damos um passo para trás e seguimos o jogo. Agora que fiz os testes e determinei objetivamente um valor para stop por tempo, dará mais segurança quando decidir vender antecipadamente, bem como saberei que devo ter mais paciência em eventuais congestões pois em várias ocasições haverá uma boa recompensa depois.

Abraços para todos e bons estudos e trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Como perder o medo de investir na bolsa de valores

8 de dezembro de 2019 2 comentários

A bolsa de valores está ficando cada vez mais popular no Brasil. Cada ano que passa mais brasileiros estão entrando na B3 (antiga Bovespa) para comprar ações.

Os motivos podem ser alguns como:

  • Desejo de obter ganhos mais expressivos para seus investimentos
  • Possível retomada da economia do país
  • Forte queda da taxa básica de juros SELIC, que determina a base dos investimentos de renda fixa
  • Maior acesso à informação para aprender a investir, através de conteúdos gratuitos de sites, vídeos e relatórios, como também cursos pagos
  • Efeito manada de ver o índice Bovespa (IBOV) subindo com uma certa constância nos últimos 4 anos e querer fazer parte do movimento
  • entre outros…

Até início dos anos 2000 havia menos de 90 mil investidores pessoas físicas ativas, ou seja, que possuiam ações. De 2004 a 2008 houve um forte crescimento de investidores na bolsa, que foi mantido até 2016 praticamente, e nos últimos 3 anos essa quantidade voltou a crescer fortemente, passando de 1,5 milhão de pessoas ativas.

Os dados podem ser vistos na tabela abaixo:


Fonte: http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/market-data/consultas/mercado-a-vista/historico-pessoas-fisicas/

Apesar do forte crescimento, em percentual ainda representa uma parcela minúscula da população brasileira. O Brasil tem uma população aproximada de 202 milhões de habitantes, portantos os investidores ativos em bolsa representam menos de 1% da população total. Mas o importante é a conscientização do brasileiro para essa modalidade de investimento e o crescimento gradual, visto que culturalmente não é um investimento nem um pouco tradicional, como são os imóveis.

Que a bolsa é um ótimo lugar para se investir, isso é fato, basta pegarmos valorizações de várias ações que superaram os 100%, ações que triplicaram seu valor ou muito mais. Se analisarmos fundos de investimentos de ações veremos muitos fundos com rentabilidades históricas muito interessantes também. Nos últimos anos praticamente todos ouviram falar da famosa Magazine Luiza (MGLU3). Ela simplesmente multiplicou seu valor mais de 400 vezes (isso mesmo, quatrocentas!!!), do seu valor mais baixo em dezembro de 2015 até seu valor mais alto em novembro de 2019. Todos querem um pedacinho disso! Ela instigou muitos de fora da bolsa e se interessar um pouco por esse mercado.

No post que fiz de título “A importância dos aportes regulares na construção de riqueza” eu faço algumas simulações investindo na bolsa por 20 anos, com resultados passados reais que obtive de um fundo de investimento em ações, mostrando quão interessante pode ser investir em ações no longo prazo.

Então é fato que esse mercado favorece excelentes negócios e rentabilidades. Mas obviamente como se trata de renda variável, inclui riscos, e aí que o bicho pega pra grande maioria.

 

Minha história de medo da bolsa

Muitas pessoas tem interesse em investir em ações mas tem medo de perder seu dinheirinho, arduamente ganhado e poupado. Outras já ficam desesperadas só de pensar no assunto e não demonstram interesse algum. Eu estava nessas categorias também no passado, mais pra segunda, sempre fui da linha conservadora para muitas coisas em minha vida, e com dinheiro principalmente! Então eu já tinha definido que iria poupar parte do meu salário mensal, no mínimo 10% mas de preferência uns 30%, e iria investir a vida inteira em alguma renda fixa. E eu estava muito confortável com isso, afinal depois de um certo dinheiro poupado os juros compostos iriam me ajudar muito na multiplicação do capital.

Num primeiro momento, durante minhas leituras de livros de finanças pessoais (que listo no menu “Livros“), lendo o famoso “Pai Rico, Pai Pobre” e as várias continuações (leitura obrigatória), ele menciona que basicamente existem 2 formas de ficar rico, sendo dono de empresa ou negócio, ou sendo investidor, em ações, imóveis ou qualquer outro segmento. Imóveis eu nunca me interessei, e também não tinha dinheiro para comprar um em começo de carreira profissional. Na época também não existiam fundos imobiliários. Ações eram extremamente arriscados na minha concepção, então eu nem sonhava com isso, dava pavor só de pensar! Então na questão de investimentos eu ficaria na renda fixa mesmo. Na seção de dono de empresa, ele colocava 3 subitens: empresa tradicional, franquia ou marketing multinível. Eu estava em início de carreira profissional na área de TI e não tinha interesse em montar empresa, sendo de marca própria ou franquia. Mas o marketing multinível (MMN) me pareceu interessante para aumentar minha renda e talvez atingir riqueza, devido ao seu modelo de negócio e projeção de ganhos. Então eu tentei por alguns poucos anos me dedicar em paralelo ao meu trabalho como empregado, desenvolver um ou outro negócio de MMN. Não vou citar quais foram para não ficar embaraçoso rs, mas não foi muito pra frente, e acabei desistindo. Mas as ações e bolsa de valores eram totalmente fora de cogitação até então.

Até que um dia me caiu a ficha. Em 2007, lendo o livro “Os Segredos da Mente Milionária” (leitura obrigatória também), com vários exemplos e depoimentos ao longo do livro sobre ações e lucros, eu me convenci que poderia ser interessante tentar investir na bolsa para caminhar em direção a minha independência financeira. Eu não comecei ler esse livro por causa do tema de ações, na verdade nem é o tema principal e ele não fala muito sobre isso, mas falou o suficiente para mim. Não sei explicar, simplesmente deu um estalo em minha cabeça e me deu essa vontade de pesquisar sobre o tema. O medo paralisador saiu um pouco de cena e eu me abri para o desconhecido, no mínimo me dei a chance e oportunidade de um aprendizado novo. Porque o medo paralisador que me impedia de ir para frente era baseado em ignorância (de conhecimento) e em notícias que ouvia por aí, tanto de pessoas quanto das mídias.

Mas enfim resolvi pesquisar sobre o assunto, não concentrando em medo, mas sim em aprendizado. Não iria colocar dinheiro algum num primeiro momento, iria aprender, entender como funciona, ver se é um assunto que eu iria gostar ou não, e se seria um risco que faria sentido correr ou não. Enfim, antes de deixar o medo dominar, resolvi aprender, aí a decisão de investir ou não em ações seria baseado no meu racional e nos meus gostos, mas não no medo. E foi aí que comecei minha jornada nesse mercado.

Mas nem todas as pessoas tem esse “click” para se dar uma nova oportunidade de aprendizado financeiro na vida, e o medo continua lá, às vezes a vida inteira, e com isso elas não se permitem investir em mercados de renda variável onde poderiam ter um futuro financeiro muito melhor, seja se aposentando com mais qualidade de vida, ou atingindo a independência financeira bem antes da aposentadoria, alguns ainda relativamente bem jovens, podendo então fazer o que quiserem da vida, trabalhar com o que gostam, aproveitar mais a vida onde o dinheiro pode ajudar. Se continuar trabalhando como empregado, não temer uma possível demissão mais, pois sabe que tem uma renda mensal passiva. Mas para isso tem que aprender a dominar aquele medo. Como diz o ditado na minha terra: “Quem não arrisca, não petisca!”, ou seja, quem não corre riscos, não consegue realizar algo diferente e possivelmente melhor.

Então para os que não conseguiram virar essa chave do medo de perder dinheiro na bolsa até hoje que escrevo esse artigo. Com algumas explicações e dicas, baseado na minha crença e no meu modo de ver e investir em ações, que me dão uma tranquilidade grande para investir mais de 90% do meu capital acumulado em ações, e dormir tranquilamente à noite, mesmo com as oscilações normais do mercado, e mesmo também com uma crise podendo ocorrer em qualquer ano ou momento.

 

Brasileiros e americanos

Com a renda fixa rendendo pouco atualmente, diversificar em algum investimento de renda variável ficou essencial. Não muito antigamente uma boa renda fixa rendia 18% ao ano, “livre de riscos”. Quem iria querer arriscar perder dinheiro para ganhar na média uns 25% ao ano talvez. Realmente fazia muito sentido ficar somente na renda fixa. Mas hoje com renda fixa rendendo 5% ao ano, a história mudou.

Americanos investem em ações há décadas, talvez mais de um século. É cultural, mais de 50% das pessoas fazem. Apesar disso, a grande maioria investe sem nenhum tipo de controle, sem avaliar os riscos de nenhuma forma!

Já vi reportagens dizendo que na crise americana de 2000, muitas ações cairam mais de 90% e muitos aposentados que dependiam desses fundos como suas aposentadorias tiveram seu dinheiro dizimado, sendo necessário voltar a trabalhar com idade avançada porque não coseguiam mais se manter. Muito triste isso.

Então certo grau medo faz bem, aquele medo que faz analisarmos a situação de forma completa, traçarmos todos os cenários possíveis na cabeça e SEMPRE fazer as seguintes perguntas: “Qual a pior situação que pode acontecer?” e “Qual será a consequência para mim se isso acontecer?”. Se a resposta para a segunda pergunta for algo muito ruim, em qualquer aspecto, algo que te desestabilizará muito, então é necessário se fazer a terceira pergunta: “Como fazer para minimizar ou evitar ao máximo essa situação, caso eu resolva investir nesse mercado?”.

Muito provavelmente quase todos aqueles americanos que perderam absurdamente em 2000 nunca se fizeram nenhuma dessas perguntas. Porque a maioria compra ações e “esquece”, é um compra para o resto da vida, o famoso “Buy and Hold” como é conhecido no mercado. Mas se esses investidores tivessem feito essas perguntas, seus destinos financeiros com certeza seriam bem diferentes dessa “fatalidade”. Enfim, qualquer pessoa que invista em ações pode passar por situação semelhante se não investir com sabedoria.

Se você está achando que está começando a fica meio chato essa história de ficar questionando sobre qualquer investimento, se acha que está começando a dar trabalho esse negócio de estudar e pensar para investir em ações, então para tudo! Bolsa não é lugar para amadores! Você não precisa ser nenhum especialista com formação acadêmica e pós-graduação para investir, mas precisa se interessar pelo assunto e estudar o básico necessário para saber o que está fazendo e tomar as decisões conscientes. Esse estudo não é difícil nem demorado, mas precisa ser feito. Se você está acostumado a colocar o dinheiro em qualquer produto que o banco oferece e não precisar esquentar a cabeça com mais nada, precisa mudar a mentalidade para investir na bolsa, porque esse tipo de praticidade não existe nesse mercado. Quem resolve investir em ações tem que tomar as rédeas de sua vida financeira e dos seus investimentos.

E se você está achando que esse tipo de comportamento só deve ocorrer no mercado americano, você está enganado! Na minha página Proteção do capital eu mostro vários exemplos de ações que caíram absurdamente também, e nunca mais recuperaram. Vale a pena conferir.

Então muito dessa aversão do brasileiro a bolsa de valores é cultural. Devido a problemas e crises que aconteceram e ainda existem no país, o brasileiro criou um medo enorme de perder dinheiro.

 

Mas então, Como perder o medo de investir na bolsa?

A resposta é: com gestão de risco!

 

Perdas e as emoções

Veja bem, para ser bem claro, você vai perder! Se você investir na bolsa, em algumas ocasiões você vai perder dinheiro. A questão é quanto você vai perder!

Se a você investir R$ 10 mil em ações e perder R$ 100, não me parece muito problema, certo? Representa 1% do que investiu. Mas e se perder R$ 1.000? Bem, agora já fica um pouco desconfortável. Ainda aceitável considerando que é renda variável, mas já desconfortável. E se perder R$ 3.000 ou R$ 5.000? Pô, aí fica ruim hein! Perder um volume grande desses já desanima total. Seria 30% ou 50% do que investi. Falando de R$ 10 mil de investimento a perda dói mas não é tão grande ainda, agora e se fosse R$ 100 mil ou mais?

Parece coisa de outro mundo, alguém perder 30% ou 50% na bolsa. Parece algo muito raro, mas não é! Por incrível que pareça e por mais ilógico que seja, a maioria das pessoas que investem em ações não aceitam perder 1% mas aceitam perder 50%!!! Sim, é isso mesmo! E eu conheço MUITAS pessoas que já fizeram exatamente isso, algumas perdendo mais ainda. É muito mais comum do que você pensa!

E isso basicamente acontece por ego e desespero. Ego porque as pessoas fazem uma aposta numa ação, numa empresa, e acreditam que ela dará lucros para ele, que será uma boa opção de investimento. Só que pode ser que não, e depois de comprar essa ação o preço comece cair. Aí entra o ego que não deixa admitir que fez uma escolha errada, seja na empresa errada ou no momento errado, então não vai vender com um pequeno prejuizo porque quer acreditar de qualquer forma que estava certo quando tomou a decisão. E aí o preço pode cair mais, e o ego fica ainda mais ferido, “Agora que não vendo mesmo!”, é o que mais ouvimos nesses momentos. E pode continuar caindo mais e mais, até onde ninguém sabe e pode prever. Aí depois de ter caído muito, 50%, as vezes 70%, entra o desespero generalizado, a perda foi muito grande, e não para de cair, está perdendo cada vez mais naquela ação, vem aquele momento de dor. Quando essa dor chega no limite, a pessoa quer salvar pelo menos algum dinheiro, para não perder tudo, e vende com um prejuízo monstro. Agora, se a pessoa estivesse investindo e tomando as decisões totalmente com o racional e intelectual, zero com emoções ou achismos, isso não aconteceria.

Esse padrão de atitude das pessoas no mercado é clássico e é dessa forma desde que os mercados existem. É um ciclo de emoções baseado nos preços das ações e pode ser descrito perfeitamente na seguinte imagem:

As pessoas que não tem uma estratégia bem definida e compram ações por impulso, e não sabem o momento que vão vender, normalmente compra as ações na fase de animação a euforia e vendem na fase de pânico a depressão. Elas fazem totalmente o contrário do que deve ser feito. Enquanto fizerem dessa forma, sempre estarão passando apuros e provavelmente sempre estarão perdendo dinheiro na bolsa. A estratégia que será utilizada para investir deve mostrar bons momentos de compras mas também bons momentos de venda, seja para sair com um prejuízo, cortando perdas logo cedo, ou seja para sair com lucro depois de uma boa subida dos preços.

Veja, um ponto importante a comentar é que o preço das ações não tem nenhuma relação direta com os lucros da empresa. Há uma certa tendência de empresas com lucro crescente, os preços das suas ações subirem também, pois mais investidores são atraídos. Porém essa relação não é obrigatória e não funciona sempre. Então é perfeitamente comum uma empresa que esteja apresentando lucros consistentes mas suas ações estarem com preços em queda por semanas ou meses. Então a sua escolha da empresa pode até ter sido boa, porém a ação pode não estar seguindo os números da empresa naquele momento. E isso pode ser temporário ou de prazo maior, a empresa pode estar prestes a passar por algum tipo de apuros e já existem muitos investidores sabendo, por isso estão vendendo e os preços caindo. Mas o motivo não importa! O que importa é que ganhamos dinheiro quando a ação valoriza, então seja qual for o motivo da ação estar desvalorizando, isso não é interessante para os investimentos, portanto é muito arriscado manter uma ação assim em carteira.

 

A matemática das perdas e lucros

Agora vamos usar a lógica um pouco, vamos pensar em termos matemáticos, com o racional. Se a cada ação que eu invisto, se eu estiver errado eu aceito perder R$ 100, e vamos dizer que quando eu acerto eu ganho R$ 700. Vamos agora supor que eu erre mais que um sistema aleatório de cara e coroa de moeda, a cada 3 ações que eu compro, eu erro em 2 e acerto em 1. “Poxa, mas acertar 33% das vezes me parece bem ruim.. Vou perder dinheiro toda hora..”. Ok, mas estamos investindo para ganhar dinheiro ou para mostrarmos que somos os melhores e fazer campeonato de quem acerta mais? A pessoa que estiver querendo acertar tudo e brincar de prever o futuro, recomendo que não faça isso com dinheiro. Enfim, mas qual seria o resultado dessas operações? A cada 3 compras, eu perderia R$ 200 e ganharia R$ 700 (2 erros e 1 acerto), ou seja teria um saldo positivo de R$ 500. Estatisticamente, com 30 operações realizadas ao longo do tempo, eu teria perdido 20 vezes, gerando R$ 2.000 de prejuizo, e teria ganhado 10 vezes, gerando R$ 7.000 de lucro, resultado em R$ 5.000 de lucro.

Então matematicamente podemos ver que é possível ganhar dinheiro com o tempo mesmo perdendo a maioria das vezes! A chave para o mercado é: quando perder, perder pouco, e quando ganhar, ganhar muito. Agora, o que teria acontecido na simulação acima se em cada erro eu perdesse R$ 500 ou R$ 1.000? Com certeza eu teria um resultado negativo com o passar do tempo.

Um ponto importante para perder o medo de investir é saber que se você utilizar uma estratégia boa para investir, testada ao longo de muitos anos, estatisticamente você nunca perderá muito sequencialmente. Isso quer dizer que você perderá eventualmente, sim, mas não perderá 30 ou 50 vezes seguidas. Mesmo em períodos ruins para ações, vamos ganhar em várias operações, portanto os ganhos compensarão as perdas parcialmente ou na totalidade. A taxa de acerto da minha estratégia fica em torno de 40%, baseado em mais de 10 anos de operações. Isso significa que estatisticamente a cada 10 operações, eu ganharei em 4 e perderei em 6. Com o padrão Trend Following, ou seguidor de tendência, que é o tipo da minha estratégia, os lucros são muito superiores que as perdas, na faixa de 10 vezes, às vezes muito mais! Então a matemática fecha. Basta ter paciência e não se abalar quando vierem os trades perdedores.

Na prática, quando eu vou comprar uma ação, eu arrisco 1% do meu capital disponível na corretora. Se tiver R$ 10.000, eu arriscarei R$ 100 por operação. Ou seja, se der errado e o preço cair até meu limite da estratégia, vou perder esse valor. Se eu perder algumas operações seguidas e eu ficar com R$ 9.500, agora cada operação eu arriscarei R$ 95. Da mesma forma se eu ganhar dinheiro e ficar com R$ 15.000, em cada operação eu arriscarei R$ 150, que representa 1% desse novo capital. Isso quer dizer que a medida que meu capital diminui, eu arrisco menos dinheiro, e a medida que meu capital aumenta e que estou tendo êxito, eu arrisco mais dinheiro, mas a proporção do risco será sempre 1% do capital total. Como o risco em reais diminui cada vez que o capital diminui, matematicamente a conta nunca seria quebrada. Mas de novo, as chances de perder 20 ou 30 vezes seguidas são praticamente zero. E se isso acontecer é melhor parar de investir com a estratégia e revisar tudo, porque algo está muito errado.

Lembra que falei anteriormente que invisto mais de 90% do meu capital em ações? Quando digo isso para as pessoas elas pensam que sou louco ou irresponsável com dinheiro. Mas elas pensam isso justamente porque tem a mente de risco máximo na bolsa, que pode perder tudo se tudo começar a cair. Mas como vimos nesses parágros anteriores, isso é possível e feito com muita responsabilidade devido justamente ao extremo controle de risco aplicado nas operações.

Podemos concluir que quem não quer perder, e portanto não vende uma ação com pequeno prejuízo, está arriscando muito mais do que quem aceita perder!

 

Validação da estratégia de investimento ou trading

O estudo e a validação da estratégia a ser utilizada na compra e venda de ações fazem parte fundamental no processo do aprendizado bem como na questão da segurança antes de investir.

É importante utilizar uma estratégia que seja amplamente testada e se possível já utilizada por outras pessoas que obtém êxito através dela.

Uma estratégia descreverá passo a passo tudo que deve ser analisado na tomada de decisão de compra e venda de ações. Ela deve descrever como será feita a seleção de ações, quando será considerado um bom momento de comprar, quando será um bom momento de vender com prejuízo para limitar as perdas, quando será um bom momento de vender para realizar lucros, quando o risco por operação, etc. Enfim, a estratégia deve descrever tudo o necessário para o investimento ou trading.

Eu sugiro pegar uma estratégia que você simpatize e testa-la em dezenas, ou de preferência centenas de gráficos históricos de todas as ações disponíveis, utilizando algum software adequado. Através de cada gráfico você determinará onde teriam sido pontos de compras e de vendas seguindo as regras da estratégia, e anotando os resultados de cada operação fictícia. Isso é o que chamamos backtesting, ou seja, teste no passado.

Depois de testar a estratégia vastamente, se o resultado de tudo isso foi um bom lucro, com uma boa taxa de acerto, lucros grandes e prejuizos pequenos, você de certa forma já vai ter operado, só não com dinheiro real. Mas já vai ter vivenciado muitos e muitos gráficos, com centenas de operações. Você vai ter a segurança para saber que quando for finalmente comprar ações de verdade seguindo essa mesma estratégia, suas chances são grandes de manter resultados semelhantes aos dos testes. E você vai ter vivenciado que os testes geraram várias perdas eventualmente, mas mesmo assim os resultados foram positivos. Isso te dará uma tranquilidade muito maior quando passar por situação semelhante em conta real, quando for operar para valer.

A maioria das pessoas não tem peciência para fazer esses tipos de testes, porém vamos lembrar que estamos falando de dinheiro aqui, cada um tem que pesar o que é importante e com que nível de seriedade quer levar os investimentos. Vamos lembrar que não estamos deixando o dinheiro pro gerente do banco aplicar mais! Portanto os estudos são muito importantes antes de começar a investir.

 

Perdendo dinheiro na prática

Depois de ter entendido a matemática do mercado, de perder pouco e buscar ganhar muito, a hora da prática é um pouco diferente da teoria. Mesmo entendendo isso tudo, é óbvio que NINGUÉM gosta de perder. Mas sabemos que vamos perder como parte do investimento saudável na bolsa. Portanto antes de começar a investir, a pessoa deve procurar fazer um trabalho de reflexão sobre esses momentos de perdas, e não se deixar abalar ou mudar o plano por causa disso. Precisa ter ciência e estar bem emocionalmente quando perder, saber que faz parte do jogo. Continuar seguindo o plano e saber que no médio e longo prazo os resultados tendem a ser positivos, se o histórico da estratégia assim disser.

Com o passar dos anos vai ficando cada vez mais fácil ter esse domínio emocional das pequenas perdas, mas no começo pode ser um desafio maior dependendo da pessoa. E o que podemos fazer no começo dos investimentos para começar a dominar essas emoções negativas das pequenas perdas?

A primeira coisa é determinar o valor em reais que você pode arriscar por trade que não vá te abalar, um valor que para esse momento inicial você considere aceitável, “tranquilo”. Pode ser R$ 500, R$ 200, R$ 100, R$ 50, R$ 20, etc. Enfim, faça um exercício mental e se imagine perdendo cada um desses valores, e veja qual é o seu número. Vai ser o valor que quando você perder (e lembrando, você VAI perder!), não te afetará emocionalmente porque será um valor relativamente pequeno para você. Você saberá que essa perda é parte do processo de investimento e você continuará com a estratégia normalmente da forma que você definiu.

Em segundo, você deve disponibilizar para bolsa somente o dinheiro total que pode colocar em risco. Deve ser um dinheiro que você não precise em pelo menos 1 ano. Não deve ser um dinheiro tirado do seu fundo de emergências, que normalmente fica em alguma renda fixa com alta liquidez. A sugestão é começar com um valor baixo na bolsa de valores, para ir aprendendo e começando a ganhar dinheiro, para só depois aplicar mais dinheiro se assim for a intenção. A idéia é começar com 5% a 20% do seu capital total acumulado, dependendo de quanto você tiver. Se você tiver muito dinheiro, 5% para iniciar deve ser adequado. Se você tiver menos, talvez precise disponibilizar 10% ou 20% para que haja uma quantia razoável para a compra das ações. O importante é que esse valor que será depositado na corretora, seja um valor pequeno perto do que você já tem, dessa forma você ficará psicologicamente bem mais tranquilo, sabendo que estará colocando em renda variável uma parte pequena do seu dinheiro, isso ajudará no seu processo do medo.

 

Crises

Outro medo muito comum em bolsa de valores são as temidas crises. A crise grande mais recente foi a de 2008, que estourou nos EUA e afetou o mundo inteiro. O IBOV caiu 60% e muitas ações caíram mais que isso. As ações da Petrobrás (PETR4) caíram 68%. Muitas pessoas têm medo porque acham que podem perder 60-70% do capital, ou mais, do dia pra noite, sem conseguir se desfazer das ações a tempo. Mas isso não é verdade!

Vejam o gráfico da PETR4 abaixo:

Podemos ver que o preço mais alto ocorreu em 21/05, a partir desse dia os preços começaram a cair. O preço mais baixo ocorreu no dia 21/11, ou seja, exatos 6 meses depois! Vejam que a queda foi gradativa durante todo esse período, caindo um percentual relativamente pequeno a cada dia com barra vermelha. Houve somente alguns dias de maior desespero dos investidores e quedas relativamente maiores.

O ponto chave aqui é que mesmo durante as crises mais fortes, dá tempo de sair tranquilamente. Uma venda de ações seria possível em qualquer momento nesses 6 meses, e não somente lá embaixo.

Na minha estratégia eu sempre fico de fora de crises acentuadas com essa, vendendo todas minha ações que possuia até então, e espero o fim da crise quando os preços voltarem a subir para voltar a comprar. Eu JAMAIS compro ações durante as quedas de preços, pois como pode-se ver no gráfico, qualquer tentativa precoce de compra teria levado a muitos prejuízos!

Então não precisa ter medo de crises, basta saber como identificá-las, normalmente depois que já começaram, com uma queda moderada dos preços, para liquidar todas as ações e ficar simplesmente de fora esperando acabar. Essa é justamente a minha recomendação, não ficar com nenhuma ação em carteira durante crises, evitando assim um desgaste emocional tremendo, como pude testemunhar algumas pessoas nessa época de 2008.

 

Quando já estiver investindo

Vamos falar agora do medo e outras emoções indesejadas que podem surgir durante as operações, quando já tiver começado a comprar ações.

Uma vez que já tenhamos comprado algumas ações, é natural que façamos o acompanhamento delas frequentemente. Para os iniciantes ou para aqueles que ainda não tem certo domínio das emoções, como medo, ansiedade, insegurança, desespero, frutração, etc, eu recomendo o acompanhamento semanal da carteira, olhar as ações somente no fim de semana depois que a bolsa estiver fechada, para ver como foi a semana e fazer o planejamento para a próxima, se vai haver ajustes de vendas, novas entradas ou outra coisa a fazer. Na minha opinião essa é a melhor forma para manter a calma investindo em renda variável. Ficar acompanhando as oscilações das ações durante o dia pode causar muita ansiedade. Durante a semana foque nas outras áreas de sua vida como trabalho, família, saúde, espiritualidade, etc.

Se você tiver algum app no celular, software no computador, home broker ou página da corretora para acompanhamento da carteira de ações, minha recomendação é não ficar acompanhando o valor do capital total atualizado, principalmente em momentos de correções e dias de queda para não afetar psicologicamente de ver o dinheiro alterando para menos. Você deve lembrar que as correções fazem parte do mercado, altas são seguidas de baixas, o mercado anda em ondas! Então sempre vão haver os dias e semanas de queda, não importa o motivo, e na minha opinião é melhor nem ficar tentando descobrir. Desde que esteja dentro da nossa estratégia, deixa cair e foca em outra coisa. Se for para haver continuidade da alta, ela irá continuar em breve, não adianta sofrer por antecedência.

Se os stops (vendas automáticas no home broker) estiverem bem posicionados, pode ficar tranquilo sem abrir o home broker durante a semana que as ações estarão todas bem protegidas. A unica exceção é que o stop pode ser cancelado caso haja algum evento corporativo da empresa como dividendos, juros sobre capital, desdobramentos, etc. O que pode fazer nesses caso é acompanhar sites de proventos no fim de semana para ver se tem algum planejado para a próxima semana e já ficar esperto para entrar no home broker e recadastrar o stop.

 

Próximo passos

Você tinha medo de investir e agora resolveu se dar uma chance nessa modalidade de investimento? Ok, e agora, como prosseguir com o aprendizado?

1) Sugiro a leitura de livros sobre finanças pessoais e sobre bolsa de valores. Se interesse mais por esse assunto. Na seção Livros eu listo todos os livros que li e uma breve opinião sobre cada um.

2) Acesse o conteúdo na íntegra sobre minha Estratégia, onde descrevo detalhadamente toda minha filosofia de investimento em ações, bem como quando considero comprar e vender cada ação. Também entro no detalhe de cálculo de risco e de como decidir quantas ações comprar em cada ocasião. Utilize esse conteúdo como um ponto de início prático no seu aprendizado, e dali você poderá decidir as partes que gosta e as partes que não gosta, buscando novos conteúdos que te agregue na construção da sua própria estratégia.

3) Acesse o artigo Qual o capital mínimo para começar a investir em ações? para tirar dúvidas sobre o tema antes de enviar qualquer dinheiro para a corretora.

4) Procure pessoas mais experientes ou grupos que tenham convicções e pensamentos sobre investimentos semelhantes aos seus de modo a te ajudar nesse processo. Eu não tive ninguém para me direcionar durante todo meu processo de aprendizado e formação da minha forma de investir. Se eu tivesse tido, com certeza o caminho teria sido muito mais fácil.

 

Conclusão

Bem, essas foram as dicas que lembrei para compartilhar. Espero que possa te ajudar a dar o passo a frente, se for do seu interesse. O que eu posso dizer é que na minha opinião vale muito a pena! Aquele primeiro passo que dei lá atrás em 2007, me dando uma oportunidade de aprendizado e de arriscar algo novo porém de forma totalmente controlada, foi a grande chave de virada na minha vida na área de investimentos.  Mas lembrando que tem que fazer da forma certa, com estudo, consciência e usando o racional.

Para finalizar, deixo uma reflexão sobre o medo. Quando se fala em medo de investir, a quase totalidade das pessoas tem medo da renda variável. Quase ninguém tem medo de investir na renda fixa. E será que não deveriam? Ter medo de render muito pouco e o dinheiro quase não crescer? Ter medo do rendimento ser menor que a inflação, e apesar do dinheiro aumentar ter menos poder de compra com o passar do tempo? Ter medo de não atingir seus objetivos de independência financeira ou aposentadoria no longo prazo?

Fica aí a reflexão para vocês! Pensem com carinho pois a área financeira é muito importante para suas vidas!

Comentem o que acharam do artigo e repassem para os amigos que tem aquele medo de investir em ações! Quem sabe pode ajudá-los.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado, Artigos

Informações aos recém-chegados no blog

20 de novembro de 2019 22 comentários

Aos recém-chegados, muito bem vindos!

Para conhecer minha forma de investir na bolsa de valores, com perfil de longo prazo, recomendo acessar na seguinte ordem:

  1. Página Autor, para entender minha filosofia de investimento.
  2. Páginas Estratégias, na ordem em que se apresentam, para entender meu plano de trade e estratégias.
  3. Posts de Artigos, para ler sobre alguns temas interessantes da vida do trader.
  4. Post semanais, onde coloco a atualização da minha carteira, de forma simples e prática.

Quaisquer dúvidas e sugestões coloquem nos comentários.

Sucesso a todos e excelentes trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Categorias:Aprendizado

A importância dos aportes regulares na construção de riqueza

16 de novembro de 2019 11 comentários

A bolsa de valores é algo fascinante! É um mercado com diversas modalidades de ativos para investir ou especular. É um lugar onde as pessoas tem liberdade para escolher onde aplicar, o prazo operacional, os tipos de estratégias, e o melhor, ter a possibilidade de ganhos muito interessantes.

Eu sou suspeito para falar, afinal até montei um blog (rs). Os brasileiros cada vez mais estão vendo a importância de investir parte de seu capital em renda variável e estão tendo interesse pelo mercado de ações. A grande maioria sempre tem aquele sonho do primeiro milhão, e na renda fixa fica bem difícil atingir, certo? Na bolsa de valores onde as oscilações de preços são muito maiores, fica muito mais viável esse sonho, ou meta. E com razão, é muito mais provável através de renda variável do que renda fixa.

Então o cidadão começa a estudar o mercado, entender seu funcionamento, quer investir em longo prazo, como a grande maioria das pessoas. Ele escolheu um estilo que se identificou, pois pode surfar bastante na tendência de uma ação, ficando meses ou anos posicionado enquanto ela estiver subindo, e ao mesmo tempo com risco muito controlado, sabendo exatamente quanto pode perder nas operações que não forem como o planejado. Ele entendeu que o lucro e a perda fazem parte do jogo, totalmente racional. O estilo que ele escolheu seguir foi o Trend Following, ou seguidor de tendência. Mas poderia ser outro, afinal há diversas formas de investir em ações que podem gerar lucros.

Depois de estudar várias semanas ou meses, analisar vários gráficos, entender como funciona as operações, a seleção de ações e como conduzir os trades, ele resolve começar a investir na prática. Ele resolve começar com R$ 10 mil. Devido ao seu estilo de vida, costuma gastar praticamente tudo que ganha do seu salário ou renda como empresário/autônomo, portanto acaba não fazendo novos aportes. Mas tudo bem, afinal a bolsa é quase uma mina de ouro né! Esses R$ 10 mil devem virar R$ 1 milhão depois de algum tempo, investindo em boas ações!

Bem, vamos fazer algumas continhas… Antes de tudo, todo mundo sabe que rendimentos passados não são garantias de rendimentos futuros e blá blá blá, mas se não tiver números para usar não dá para fazer estimativa de nada. Melhor estimar errado do que não estimar nada e ficar às cegas.

Para não inventar números de rentabilidades anuais quaisquer, vou pegar um fundo que teve uma boa performance, mas não a melhor, e usar a rentabilidade de 20 anos individualmente (1999 a 2018), trocando a ordem desses anos de forma aleatória. Ou seja, são rentabilidades reais que um investidor comprando ações por conta poderia ter tido. Não vou citar o fundo para não fazer propaganda, mas peguei um aleatoriamente. Se acessarem sites de fundos de ações e ver a rentabilidade histórica, verão que os percentuais abaixo são reais e não exagerados. Vou utilizar rentabilidades anuais para simplificar as contas. Para simplificar o assunto e os cálculos, não vou considerar a perda de poder de compra pela inflação no período. Também não vou considerar desconto de IR de 15% sobre o lucro. Podemos supor que a rentabilidade mensal/anual seja líquida, ou seja, a rentabilidade pode ter sido maior e já descontou IR. Ou ainda havia uma política de venda de até R$ 20 mil mensais no último dia útil do mês e recompra no dia seguinte onde os lucros seriam isentos de IR. Enfim, vamos para o que interessa.

Então segue abaixo a conta feita no Excel:

 

Nesse caso houve somente um investimento inicial e todo capital acumulado foi proveniente dos os lucros anuais. Depois de 20 anos, com um investimento inicial de apenas R$ 10 mil, o nosso amigo poderia ter acumulado R$ 519 mil, se tivesse tido as rentabilidades acima. Não chegou no R$ 1 milhão ainda, mas foi uma excelente caminhada, afinal foram só R$ 10 mil investidos! E com esse valor acumulado, ele precisaria de mais 92,5% para entrar na casa do milhão, o que poderia acontecer nos próximos poucos anos dependendo da rentabilidade.

Antes de continuarmos com o tema do artigo, vamos antes comparar essa rentabilidade caso o colega tivesse investido em renda fixa, obtendo uma rentabilidade 100% do CDI:

Fonte da rentabilidade anual: https://www.portalbrasil.net/indices_cdi.htm

 

Acho que o colega não se arrependeu nada de investido nas ações ao invés da renda fixa! Mal passou dos R$ 100 mil. Isso porque na década passada os rendimentos de renda fixa eram muito altos comparados ao resto do mundo. Hoje (11/2019) essa rentabilidade está em 5% anual, portanto investir em renda fixa nos próximos 20 anos pode ser muito mais frustrante!

Agora, voltando para as ações, e se o trader resolvesse fazer aportes mensais de apenas R$ 250, que daria R$ 3 mil ao ano? Um valor pequeno desses faria muita diferença?

Para ninguém falar também que o aporte mensal não necessariamente participaria do lucro pois às vezes poderia demorar para se alocado, eu vou considerar os aportes de um ano somente na soma, o rendimento será baseado somente no capital inicial do ano. Então podemos pensar nesse aporte em qualquer forma, sendo mensal, uma vez ao ano no décimo terceiro, no PLR da empresa, enfim, tanto faz.

Então vamos às contas:

 

Opa!! Eu vi R$ 1 milhão?? Simm, e não só 1, mas 1 milhão e duzentos e sessenta e quatro mil. Que diferença enorme no capital depois de 20 anos com as mesmas rentabilidades! Aqueles 250 reais no fim das contas não eram tão poucos assim. Dessa forma nosso amigo teria atingido sua meta! Então vejam que um sacrifício pequeno no orçamento mensal gera retornos exponenciais no longo prazo. Esse dinheiro economizado nos primeiros anos parecem não fazer muita diferença, mas vejam que no ano 5 já teria mais que o dobro do capital e no ano 8 já teria mais de 100 mil reais de diferença na conta. Então essa economia faz total diferença para atingir as metas financeiras.

Vejamos essas últimas 3 tabelas em forma de gráfico comparativo:

Vamos fazer um outro exercício mental. O cara investiu 10 mil e no começo ficou patinando, vários anos perdendo um pouco, ganhando um pouco, mas basicamente ficou no zero a zero por 6 anos. Vai ver que entrou numa época ruim na bolsa, tinha estratégias ruins, enfim… Então após 6 anos ele continuava com 10 mil. Aí veio o ano 7 conforme a tabela e dessa vez ele acertou em cheio e conseguiu a rentabilidade de 103%! Maravilhoso, mais de 100% num ano é algo quase surreal! Um mega rendimento para qualquer renda variável. Mas com toda essa performance ele ganhou quanto? Somente R$ 10.300. Ok, 10 mil é uma boa grana, mas para ter um ano fantástico, ações subindo absurdamente, aquela euforia, e chega no fim do ano e ter ganho 10 mil, pode dar uma sensação de muita performance em percentual, mas não tanto em reais, afinal 10 mil a mais no melhor ano da história, não deixou tão perto assim do 1 milhão. Agora se ele tivesse poupado os 250 reais mensais durante esses 6 anos, no início do ano 7 ele teria 28 mil. Aí com a rentabilidade de 103% ele teria ganho R$ 28.840. Pô, agora deu uma vantagem! Ainda sim não são rios de dinheiro mas ganhar quase 30 mil num ano ótimo já é bem mais glorioso que os 10 mil sem ter feito os aportes. E percebam que o esforço durante o ano foi o mesmo, a escolha das ações, as entradas, as saídas, os acompanhamentos. A única coisa que mudou foi a quantidade de lotes de ações nas compras. Acho que deu para captar a idéia, certo?

Agora voltando a simulação acima. Reparem que nos primeiros anos, até o sexto, o aporte de 3 mil era um valor proporcionalmente grande comparado ao lucro de cada ano, então era um dinheiro considerável entrando na conta, que na soma dos juros compostos dos anos teriam um reflexo grande. Já a partir do ano 7 e principalmente depois do ano 13, o aporte de 3 mil começou a ficar quase que insignificante perto dos lucros obtidos.

“Humm, isso quer dizer o que eu estou pensando? A partir de certo ponto não preciso poupar mais, só deixar os lucros fazerem meu capital crescer?” É uma pergunta válida! Vamos ver como ficaria algumas simulações de parar de aportar dinheiro após certas quantidades de capital acumulado.

Fazer aportes até atingir R$ 50 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 100 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 200 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 300 mil:

 

Vamos consolidar as tabelas no gráfico comparativo:

 

Epa! Acho que vejo boas notícias aí!! Todas as simulações passaram do R$ 1 milhão, muito acima da simulação de não fazer aportes nenhum. No caso de parar de poupar a partir de 300 mil reais acumulados, teria um resultado muito próximo do poupar sempre. Mesmo parando após os 100 mil reais, a diferença não foi muito grande proporcionalmente.

A lição é que no início dos investimentos, quando se tem menos dinheiro aplicado, os aportes são extremamente mais importantes do que depois de já acumulado um montante razoável.

Que nenhum educador financeiro veja o que eu vou escrever, mas é perfeitamente aceitável parar ou diminuir os aportes após um certo valor acumulado! O valor acumulado para isso vai variar para cada um, e também será proporcional aos aportes, pois quanto maiores eles são, mais influencia no capital final. Vamos fazer mais algumas simulações sobre esse tema mais abaixo.

Mas é óbvio que se conseguir continuar poupando o máximo que der, o capital vai aumentar mais rápido. Então se o objetivo for multiplicação mais rápida do capital, os aportes sempre serão importantes, mesmo que diluidos num capital maior.

Agora vamos fazer algumas simulações de investimentos iniciais maiores mas sem aportes.

Investimento inicial de R$ 20 mil:

 

Investimento inicial de R$ 50 mil:

 

Investimento inicial de R$ 100 mil:

 

Agora o gráfico:

 

Vemos que um investimento inicial do dobro do valor, 20 mil reais, já atingiria o milhão em 20 anos. Um investimento de 50 mil teria atingido em 16 anos. Um investimento maior, de 100 mil, teria atingido em apenas 10 anos, e os próximos 10 anos teria virado incríveis R$ 5 milhões, uma bela aposentadoria hein!

Reparem que até os 100 mil, a rentabilidade tem um passo, e a partir desse valor dá uma acelarada, o capital cresce na casa das dezenas de milhares por ano. A partir dos 300 acelera mais, já podendo ter rendimentos de 3 dígitos num ano com mais probabilidade. Quando chega nos 500 mil, aí é só questão de tempo para atingir o milhão! Depois dos 500 as passadas são bem largas, os rendimentos podem ser muito gordos, e só é necessário 100% para chegar no 1 milhão. Sim, aqueles mesmos 100% do exercício mental que fizemos alguns parágrafos acima! Se demorasse 1, 2, ou que seja 5 anos para bater os 100% de rentabilidade, estaria ali o tal desejado milhão. E se o trader conseguiu chegar nos 500 mil, começando lá de trás, seja qual valor foi, ele tem consistência no que faz, então as chances são altíssimas de conseguir essa rentabilidade dali pra frente, simplesmente fazendo o que ele fez até então. E do 1 milhãozinho pra frente, meu amigo, os rendimentos já podem ser de outro mundo, na casa de centenas de milhares por ano.

Mas vejam, essas contas não são simples contas igual reunião de marketing multinível. Aquelas que todo mundo que vai fica deslumbrado, todo mundo sonha em atingir aqueles números de rendimentos mensais, mas provavelmente você não conhece ninguém que tenha chegado, é quase uma utopia! Na bolsa de valores tudo é possível, só depende de você mesmo. Você não precisa vender nenhum produto pra ninguém, depender de funcionários venderem para você, alguém te dar um aumento de salário, ou seja, de nada. Só depende da sua disciplina em poupar regularmente e ter consistência nos investimentos ao longo dos anos. Tudo é possível, e todos podemos chegar onde quisermos!

Agora vamos fazer outras simulações com o mesmo investimento inicial de R$ 10 mil porém diferentes aportes mensais, desde R$500 até os R$ 3 mil, para os que possuem uma renda melhor e conseguem poupar mais.

Aportes de R$500 mensais:

 

Aportes de R$1.000 mensais:

 

Aportes de R$3.000 mensais:

 

E o gráfico:

 

Vejam que a diferença do valor dos aportes muda fortemente o capital acumulado. O atingimento das metas é muito mais rápido com aportes maiores, bem como a continuação da multiplicação do capital.

Agora vamos ver o impacto de parar de poupar a partir de um certo capital, considerando aportes mensais de mil reais agora.

Fazer aportes até atingir R$ 100 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 300 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 500 mil:

 

Fazer aportes até atingir R$ 800 mil:

 

E o último gráfico:

 

Com aportes mensais de 250 reais, consideramos que a partir de 100 mil já seria aceitável parar de poupar, porém um valor melhor seria entre 200 e 300 mil. Agora com aportes de 1000 reais a história muda. Se tivesse parado de poupar após atingir 100 mil, o resultado após 20 anos seria bem diferente, com quase 1 milhão a menos. Mesmo parar após atingir 300 ou 500 mil afetaria razoavelmente o capital final. Parece que só a partir dos 800 mil acumulados que seria mais seguro parar de aportar os mil reais mensais sem que altere significativamente o resultado final. Acho que agora aquele educador financeiro que ficou de cabelo em pé lendo aquele trecho mais acima vai ficar mais tranquilo!

Conclusão

A conclusão que podemos tirar fazendo várias simulações é que os aportes regulares, mensais ou anuais, na construção de riqueza são extremamente importantes. Para quem quer uma rápida multiplicação de capital, aliando a uma boa performance buscada na renda variável, os aportes são fundamentais. Quanto maiores os aportes, maiores as rentabilidades obtidas e mais rápido as metas são atingidas, se aproveitando dos juros compostos, mas mesmo os aportes menores fazem muita diferença no longo prazo.

Simulações poderiam ser feitas com rentabilidades diferentes, sejam inferiores ou superiores, porém a importância de poupar e aportar novos valores ao capital em renda variável será sempre muito relevante.

Como um “alívio” a obrigação de poupar frequentemente por muitos anos de vida, e usar esse dinheiro para curtir mais a vida, pode-se optar por diminuir ou parar os aportes após atingir determinado patamar financeiro. O quanto essa parada irá afetar vai depender do valor total acumulado, do valor do aporte mensal e também da rentabilidade média. Então se for o caso de alguém, é muito importante fazer várias simulações antes de tomar uma decisão dessas.

Quem quiser fazer simulações desse tipo pode usar esses sites: http://webcalc.com.br/Financas/form/aplic e http://www.igf.com.br/calculadoras/simulaVF_1.aspx. Nesses casos terá que usar uma taxa fixa média mensal ou anual.

Também disponibilizo a planilha que montei para fazer as simulações desse artigo, onde é possível modificar para incluir novos anos, bem como colocar rendimentos diferentes a cada ano. Clique aqui para baixar.

Comentem o que acharam do artigo e repassem para os amigos que estão com dificuldade em guardar aquela graninha para ver se animam!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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