Arquivo

Archive for the ‘Aprendizado’ Category

Grupo de Whatsapp para troca de experiências de trading

15 de fevereiro de 2019 Deixe um comentário

A quem interessar, tenho um grupo pequeno de Whatsapp com foco em conversas produtivas e pouca ou nada narração de trades no dia a dia.

Grupo com objetivo de troca de idéias, experiências, dúvidas e dicas sobre trading em geral, desde day trade até position trade.

O foco principal é trades objetivos ou sistematizados (trading systems), sendo operados manualmente ou automaticamente através de robôs. Qualquer mercado é bem vindo.

Segue o link para entrar: https://chat.whatsapp.com/LyZ4BAtX1980fmGYajfI3Y

Bons estudos e trades a todos nós!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Anúncios
Categorias:Aprendizado

Minhas inspirações para construir minha estratégia de trading em Trend Following

20 de janeiro de 2019 26 comentários

Hoje vou narrar parte da minha trajetória que colaboraram para minha estratégia e meu estilo estarem como estão hoje.

Minhas inspirações para construir meu estilo de trading em trend following foram:

1) Curso presencial com Marcio Noronha em 2007, meu primeiro curso de ações, ele usa gráficos diários, opera rompimentos e vai subindo stop abaixo de cada fundo anterior. Foi a primeira noção do conceito de trend following.

2) Livro “How I Made $2,000,000 in the Stock Market” do Nicolas Darvas, que descreve em termos menos técnicos metodologia para ganhos de longo prazo em ações com entradas em rompimentos também, e ficava comprado enquando a ação subia. Esse foi o meu maior motivador, mesmo sendo um livro bem antigo. A partir disso montei a primeira versão da minha estratégia, ainda com critérios técnicos pouco objetivos e mais no “olhômetro”, mas que já me ajudou a pegar boas tendências pós-crise 2008, como HGTX3, meu recorde em percentual até hoje.

3) Livro “Secrets for Profiting in Bull and Bear Markets” do Stan Weinstein, que tem metodologia primária igual a do Darvas mas descreve em mais detalhes, mais dados técnicos. Me ajudou a aprimorar e sistematizar mais.

4) Livro “Aprenda a Operar no Mercado de Ações” do Alexander Elder, me ajudou mais na questão de gestão de risco, parte mental, plano de trade, e outras questões não técnicas.

5) Livro “How to Make Money in Stocks: A Winning System in Good Times and Bad” do William J. O’Neil, MEGA divisor de águas, onde apesar da idéia principal do livro não ter sido muito útil para mim (na época que li e também mais recente em 2018 onde retestei os critérios), foi onde fui apresentado o conceito do FR – Força Relativa – e mudou totalmente minha análise e seleção de ações.

6) A fonte que me apresentou o stop ATR, não lembro onde foi, até porque com certeza não foi em um só local, mas foi essencial para a evolução da estratégia. Antes eu usava stop em percentual, na casa dos 20% do topo recente.

7) Os aprendizados em Metatrader 5 específicos para desenvolvimentos de robôs para day trade foram extremamente importantes para que eu colocasse a estratégia de position como trading system e me ajudou ver os fatores de avaliação que eram importantes, os que não eram, e novos critérios que melhoravam a performance ao longo dos anos, de modo a formar uma estratégia praticamente 100% objetiva e não subjetiva, e aí cheguei na versão 2.0.

O livro “Way of the Turtle” do Curtis M. Faith era para ser um grande inspirador também, já que a história é mega famosa e é um seguidor de tendência clássico, porém não achei o livro muito didático e prático, portanto não colaborou muito na minha trajetória.

O livro “Trend Following” de Michael W. Covel é um clássico do segmento mas li uma vez só há muito tempo atrás e na época não mudou muita coisa, talvez pela inexperiência. Ele está na minha lista para reler e ver se posso aproveitar mais agora.

Ou seja, foi um percurso de estudos, sendo que a maioria não me serviu, mas se eu não fosse fazendo cursos, lendo livros, e mais recentemente obtendo vídeos gratuitos via youtube e similares, não teria chegado na metodologia que uso hoje e que apesar de não ser perto da melhor do mundo, é uma que gosto muito e me sinto muito confortável em usar. Não tive nenhum mentor quando iniciei, sempre fiz tudo sozinho até certo ponto, ninguém e nenhum lugar me deu essa estratégia pronta ou semi-pronta, somente esboços e ferramentas isoladas. Através de muito estudo, análises gráficas antigas, tentativas e erros, análises de operações erradas e assim por diante fui evoluindo e compilando no que se formou hoje.

O objetivo do meu blog é justamente fornecer uma estratégia pronta completa que eu utilizo a anos para as pessoas que não tem um mentor e que se identificam com a idéia do Trend Following, para que tenham um ponto de partida e referência de uma idéia completa montada de investimentos em ações para longo prazo através de método simples de fazer. Uma vez tendo uma base inicial totalmente montada, o trader consegue ir decidindo o que faz ou não sentido para ele e dali pra frente começar a mudar até chegar numa estratégia que seja do seu perfil. Porque o mais complicado da análise técnica é pegar um livro ou curso que ensine centenas de técnicas, indicadores, formas, etc e o trader não tem nem noção de como juntar tudo aquilo que aprendeu.

De qualquer forma eu sempre recomendo livros e cursos, pois mesmo que aproveitemos talvez uns 10% do volume lido, sempre temos insights para melhorias da nossa estratégia, técnicas novas, etc. Às vezes quando já se tem conhecimento, de um livro inteiro só salva um capítulo ou uma página, mas que podem dar um upgrade na estratégia, portanto vale a pena.

Bons estudos e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado

A besteira popular do “Já subiu muito, não é hora de comprar”

Dentre os comentários que ouço quando o assunto é bolsa de valores ou ações, os mais comuns são:

“A ação já subiu muito, não é hora de comprar” ou “Já passou da hora de comprar” ou “A ação está cara”.

E se é uma ação que eu tenho que se encontra nesse cenários, o comentário de sempre é: “Você não vai vender?”

Já me considero um quase vidente! Quando é uma pessoa nova que estou falando desse assunto, eu praticamente já sei as frases que ela vai falar, e eu acerto em 90% das vezes!

São aquelas frases clichês do mercado financeiro. Algumas pessoas experientes falam, OK, elas tem as estratégias pessoais que talvez não considerem uma entrada com uma ação em alta, tudo bem, cada um tem sua estratégia. Mas a maioria das pessoas que ainda não investem na bolsa e vários iniciantes falam isso também, nesse caso já provavelmente por falta de conhecimento de mercado.

Outro motivo que possa motivar esse pensamento, apesar de não totalmente correto, é que a grande maioria das pessoas só vê as blue chips, e essas realmente dificilmente sobem por muitos meses e anos seguidos, depois que o mercado brasileiro ficou mais difícil, pós crise 2008.

Agora se ampliamos as ações analisadas para mid caps e small caps, a gama de opções é muito maior. Muitas ações sobem por meses e anos a fio, sem dar trégua. Muitas delas inclusive se movimentam totalmente independente do índice Bovespa. Quando alguém vem me falar que a ação X já subiu muito e que está na hora de vender ou não está na hora de comprar já me dá nervoso! Aí preciso respirar fundo e começar minha resposta padrão! Sempre tentando ser educado, mas nem sempre rsss Afinal ouvindo a vida inteira a mesma coisa tem hora que escapa!

Antes de continuar, melhor explicar dois pontos para também não ser hostilizado e mal interpretado:

1) Comprar mais barato é mais lucrativo. Isso é óbvio, não há argumento contra isso. É uma conta matemática. Se ação está caindo forte, você compra a R$10. A ação em determinado momento começa a subir, eu compro a R$15. Usamos o mesmo stop ou alvo e ambos vendemos a R$30. É claro que você que comprou mais barato vai ter lucrado mais. Quanto mais barato você comprar, melhor, SEEE e somente SE a ação subir depois que você comprar! A maioria das pessoas que conheço gostam de comprar ações mais baratas, esperar uma forte queda, de preferência uma mega tendência de baixa para então comprar. Praticamente todas essas também não usam stop inicial, ou seja, o risco da operação é 100%! Por mais sólida que seja a empresa, ela sempre pode ficar ruim e eventualmente até quebrar. Nos EUA já teve vários casos desse tipo, o mais famoso é da gigante Enron, que quebrou totalmente. A Sadia aqui no Brasil ia muito bem mas quando fez uma operação financeira errada foi pro brejo. Nos anos 2000 a NET chegou a valer R$440 para anos depois valer centavos. Então a questão não é qual é o método certo, comprar quando a ação subindo ou caindo, mas sim qual a estratégia faz mais sentido para cada um. As duas dão dinheiro, mas exigem níveis emocionais bem diferentes. A idéia de comprar uma ação em tendência de alta não é ser mais lucrativo necessariamente de uma ação que está em tendência de baixa. Uma ação em tendência de baixa tende a continuar caindo, se ela está caindo há vários motivos da empresa, mercado, etc que estão fazendo ela cair. Se ela estivesse boa as ações estariam subindo! Então a taxa de acerto dessas operações são muito baixas e o risco muito alto. O objetivo principal de comprar ações em tendência de alta é aumentar a probabilidade de acertar e lucrar, bem como diminuir absurdamente o risco da operação ao utilizar stop inicial.

2) Numa tendência de alta, com os preços subindo fazendo zigue zague, é melhor comprar mais perto do início da tendência do que após vários meses ou anos. De novo, é óbvio que é mais lucrativo, mais perto do início da tendência, mais barato será e mais lucro dará no final. A consideração aqui é quão perto do início da tendência é mais seguro ou com maior probabilidade de acerto. Comprar após um pivot (rompimento do primeiro zique zague de alta) no gráfico diário é um bom ponto, porém a probabilidade de uma reversão para tendência primária é baixa. Comprar após um pivot no gráfico semanal já melhora as probabilidades, porém ainda considero muito cedo, ainda não terá um padrão na movimentação dos preços e da força da ação. E para mim o maior problema é que em qualquer uma dessas entradas o FR ainda não estará alto, sendo um tiro quase no escuro, pois em 400 ações na Bovespa sempre haverá pivots sendo formados, mas a maioria deles resultará em subida fraca da ação, congestão ou continuação da tendência de baixa em pouco tempo. Serão algumas poucas que resultarão em tendência forte e consistente que durará meses ou anos e se sobressairá das demais. Portanto na minha visão, pela minha estratégia pessoal e meu perfil de investimento, acho mais interessante não arriscar comprar qualquer pivot de qualquer ação e esperar a movimentação de algumas semanas ou meses de modo a permitir escolher ações que está se desenhando com padrão de alta força no movimento. Algumas me enganarão, começará um movimento forte somente para parar em seguida, mas faz parte do mercado, acertamos umas e erramos outras, o que vale é a somatória das operações, perder pouco nas que erramos e ganhar muito nas que acertamos, buscando pegar tendências longas em ações que assim fizerem. Quando o FR ficar acima dos 90 e der entrada, o bom é que seja algumas semanas ou poucos meses após o início da tendência primária. Sempre será melhor comprar o mais barato possível, dentro das regras que aumentem a probabilidade do acerto. Mas mesmo não sendo tão lucrativo quanto, não significa que comprar uma ação após estar subindo por 6 meses ou 1 ano seja mau negócio. Diante as oportunidades disponíveis no mercado naquele momento, essa suposta ação pode ser mais interessante. Algumas ações podem continuar subindo por muito mais tempo. Mas confesso que prefiro comprar ações que não estejam subindo por mais de 1 ano aproximadamente. Prefiro entrar mais cedo na tendência, mas eventualmente posso optar por comprar alguma que já esteja subindo há mais tempo. Outro cenário é quando a ação está subindo há muitos meses, mas em ritmo bem lento, e de repente a situação muda na empresa e as ações começam a subir mais forte, entrando no radar do FR. Isso é como desse vida a empresa e as projeções mudam totalmente, portanto extremamente válido a entrada.

Então voltando às argumentações iniciais, dizer que é hora de vender ou não é hora de comprar uma ação porque ela já subiu 50%, 100% ou 200% é pura besteira! Quem acreditar nisso pode ficar de fora de um belo movimento que pode vir na sequência! E a dor de deixer de ganhar e deixar a oportunidade passar é maior do que a de perder! O mesmo para quem vender as ações somente porque subiu 50% ou 100%.

Empresas em forte crescimento ou restruturação, possivelmente recebendo muitos investimentos, tendem ter suas ações subindo por muitos meses ou anos. Quando a empresa entra no radar de mega investidores e esses resolver comprar milhões de ações, eles tem que ir comprando aos poucos devido a liquidez do ativo. Essa compra normalmente dura meses e normalmente isso é só o começo da subida, pois do contrário esses investidores não se interessariam pela empresa.

Eu acho que a maioria das pessoas não gosta de comprar ações depois dela ter subido 100% digamos, por 2 motivos principais:

1) Medo de já ter subido o suficiente e o movimento de alta já estar no fim. É pertinente e válido, todo movimento de alta chega ao fim em algum momento, pelo menos para uma tendência secundária de baixa. Mas por outro lado comprar na baixa gera o mesmo medo, porém pior, que é não saber se a tendência de baixa está perto do fim. Afinal, inércia da tendência de alta é que os preços continuem subindo, inércia da tendência de baixa é que os preços continuem caindo.

2) Ego. Ego grande. A ação X caiu durante anos até chegar a R$10. Uma hora iniciou uma tendência de alta e agora já está R$25. A pessoa não aceita comprar alguma coisa que estava valendo R$10 e agora está R$25, ela se sente como se estivesse sendo passada para trás, alguém vendendo para ela algo que valia bem menos. É como se tivesse vergonha em falar pra alguém que comprou a R$25 e a pessoa iria falar “Nossa meu, como você é burro! A ação X valia R$10 e você pagou R$25?”. Ela acha que está fazendo um mau negócio, como se fosse um produto, uma TV que estava custando R$1000 e agora está R$2500, muitas pessoas associam o conceito de produtos e comércio com ações e isso não tem nada a ver! Um produto nós compramos para uso próprio e não para lucrar, pelo contrário, sempre vai desvalorizar com o tempo. Ações nós compramos esperando valorização da empresa para obter lucro. Ações praticamente não tem limite de valor enquanto a empresa estiver crescendo ou falindo (limite teórico zero), já um produto tem uma certa limitação, uma TV não vai custar R$100 ou R$100 mil. Portanto ninguém precisa ter vergonha, se sentir pior ou inferior, ou que está fazendo mau negócio se comprar uma ação depois de já ter subido e estar mais cara que antes. A pessoa deve se sentir mal se está perdendo dinheiro constantemente no mercado, mês após mês, isso sim não é legal. Se você está ganhando dinheiro e está psicologicamente confortável com o método de trade, então continue assim! Deixe o ego de lado e use o lado racional para definir um plano de trading, não o lado emocional.

Minha opinião é que não importa o preço que pagamos e sim a rentabilidade em percentual que obtemos. Melhor  comprar uma açãodepois de já ter subido e ganhar 200% do que comprar uma ação na queda e ganhar 50%. A meta principal é o lucro, não importando o valor da compra e da venda. Eu comprei MGLU3 a R$100 e vendi a quase R$200. E quem comprou a R$200 poderia ter vendido a R$600!!! (preços sem split) Mas a R$100 a ação não estava cara? E a R$200 ela não estava mega cara??? O preço não quer dizer nada! O que manda é o potencial de crescimento da empresa e consequentemente das ações.

Se as ações estão subindo, por que não aproveitar? É muito mais fácil acertar na continuação da subida do que na reversão da queda. Para isso servem os stops, você compra e coloca stop, se a ação parar de subir, você toma um pequeno prejuízo, digamos 10% e analisa outras oportunidades. Se você acerta e o movimento continua por um longo tempo mais, você ganha um ótimo lucro, 100%, 200%, às vezes bem mais!

Bem, isso tudo é minha opinião e visão do mercado. Respeito todas as formas de operar e investir no mercado, até porque não existe somente uma forma certa. O que importa é ter lucro, se está ganhando dinheiro está ótimo, cada um operando da sua forma.

Por fim vou exibir abaixo alguns exemplos de compras em tendência de alta que teriam dado muito lucro e também de compras durantes quedas que teriam levado a uma mega perda jamais recuperada ou que demoraram uma década para somente voltar perto do zero a zero, perdendo muito tempo de oportunidades. Para as compras estou colocando valores em pontos de rompimentos de resistências/topos anteriores recentes. Nos gráficos eu destaco nas linhas horizontais somente alguns desses pontos.

MGLU3

A primeira possibilidade de compra seria no pivot semanal de reversão de tendência em 2,31 no começo de 2016. Uma compra nessa época e mantido até hoje estaria rendendo incríveis 5440%!
Alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 4,80. “Nossa, mas já subiu mais de 100%, está caro!” (Lembrando que o valor naquela época antes de ter ocorrido o split era de 38,40). Essa compra mantido até hoje estaria rendendo outros incríveis 2566%!

Mais alguns meses depois uma nova compra poderia ter sido feita a 8,27. “Ihh é ruim hein, já subiu 250% do primeiro ponto de entrada, mega caro! Já são 9-10 meses subindo direto! É hora de sair com certeza!” Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1447%!

Aí chegou um camarada meio desavisado, nem conhecia MGLU e viu ela no começo de 2017, já tinha subido aproximadamente 1500% desde o fundo principal antes do início da tendência no fim de 2015. “Você é louco cara?” – diziam seus amigos – “É nabo na certa se você comprar agora!”. O rapaz resolveu comprar mesmo assim, pagou 16,31. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 684%. Acho que o camarada deve ter ficado contente em ter comprado caro!

Um outro camarada resolveu entrar na bolsa no meio de 2017 e começou analisar as ações para escolher o que comprar e compor sua carteira. Ele viu o gráfico da MGLU3 e pensou “Essa ação está com uma tendência fortíssima! Se eu estivesse na bolsa 1 ano atrás eu já teria comprado naquela época e estaria ganhando muito dinheiro, mas como só estou entrando agora vou comprar agora”. E ele comprou a 35,35. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 262%.

E mesmo depois de uma compra absurda depois de 2 anos de subida da ação no início de 2018 a 86,31 estaria rendendo 48% em 4 meses.

ABEV3

Primeira compra já esticada a 0,59, que é 78% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 2967%.

2 anos depois em 2003, após uma queda e consolidação uma compra a 1,18, que é 100% acima da primeira compra e 257% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 1433%.

Alguns anos depois em 2009, uma compra a 3,55, que é 501% acima da primeira compra e 975% acima do início do gráfico disponível. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 410%.

2 anos depois em 2011, após uma alta revigorante uma compra a 7,53. Essa compra mantido até hoje estaria rendendo 140%.

GGBR4

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2008 no meio da crise conforme final do gráfico, após as ações terem caído 32%.

Após uma tendência de alta iniciada em 2001, uma compra seria feito no fim de 2002 a 0,01 (gráfico ajustado). Essa compra teria rendido 228800%.

Poucos meses depois após uma mega alta de 200%, uma compra a 0,03. Essa compra teria rendido 76200%.

Final de 2003, ações subindo sem parar, uma compra a 0,13, que é 1200% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 17507%.

Após uma outra mega alta de 300% em apenas 6 meses, no meio de 2004 uma compra a 0,52, que é 5100% acima da primeira compra. Essa compra teria rendido 4301%.

A tendência continuou forte e no fim de 2005 uma compra a 2,20. Essa compra teria rendido 940%.

Mesmo uma compra no início de 2008, depois de 7 anos de tendência de alta, uma compra a 11,53 teria rendido 98%!!

Claramente vemos que qualquer venda com “apenas” 100% de lucro ou evitar compras após a tendência ter iniciado faria o trader deixar de ganhar muito dinheiro!

HGTX3

Vou estabelecer um possível ponto de venda das ações em 2012 após o fim da tendência primária e sua reversão conforme final do gráfico, após as ações terem caído 23%.

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,53, rentabilidade 1093%.
Compra a 4,51, rentabilidade 569%.
Compra a 5,69, rentabilidade 430%.
Compra a 8,54, rentabilidade 253%.
Compra a 10,29, rentabilidade 193%.
Compra a 15,48, rentabilidade 95%.

ITSA4

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 0,11, rentabilidade 8754%.
Compra a 0,31, rentabilidade 3041%.
Compra a 0,53, rentabilidade 1737%.
Compra a 0,99, rentabilidade 883%.
Compra a 2,06, rentabilidade 372%.
Compra a 4,03, rentabilidade 141%.

UNIP6

Resumindo somente com os valores, seguindo a lógica acima:
Compra a 2,59, rentabilidade 1409%.
Compra a 4,89, rentabilidade 699%.
Compra a 6,66, rentabilidade 487%.
Compra a 9,12, rentabilidade 328%.
Compra a 16,91, rentabilidade 131%.

Agora alguns exemplos de ações em queda que se o investidor ou trader fosse comprando a medida que caiam tentando comprar mais barato teriam problemas com o capital. Para efeito teórico, vou determinar pontos de compra a 25% de queda do topo, a 50% e a 75%.

OGXP3

O topo da OGXP3 foi em 10/2010 a R$2339,00. O valor atual é de R$3,00.
Uma compra após 25% de queda seria a R$1754,25. O resultado hoje seria -99,82%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$1169,50. O resultado hoje seria -99,74%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$584,75. O resultado hoje seria -99,48%.
Ou seja, essa foi uma típica ação que comprando na queda teria resultado em desastre total. Conheço algumas pessoas que fizeram isso, compraram sem stop, hoje praticamente perderam tudo o investido.

PDGR3

O topo da PDGR3 foi em 11/2010 a R$494,98. O valor atual é de R$0,91.
Uma compra após 25% de queda seria a R$371,23. O resultado hoje seria -99,75%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$247,49. O resultado hoje seria -99,63%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$123,74. O resultado hoje seria -99,26%.

RSID3

O topo da RSID3 foi em 10/2010 a R$426,46. O valor atual é de R$4,48.
Uma compra após 25% de queda seria a R$319,84. O resultado hoje seria -98,60%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$213,23. O resultado hoje seria -97,89%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$106,61. O resultado hoje seria -95,79%.

RAIL3

O topo da RAIL3 foi em 07/2007 a R$97,50. O valor atual é de R$13,69.
Uma compra após 25% de queda seria a R$73,12. O resultado hoje seria -81,27%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$48,75. O resultado hoje seria -71,91%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$24,37. O resultado hoje seria -43,82%.

OIBR4

O topo da OIBR4 foi em 12/2009 a R$114,56 (não disponível nesse gráfico do TradingView. O valor atual é de R$2,90.
Uma compra após 25% de queda seria a R$85,92. O resultado hoje seria -96,62%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$57,28. O resultado hoje seria -94,93%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$28,64. O resultado hoje seria -89,87%.

GOLL4

O topo da GOLL4 foi em 05/2006 a R$71,25. O valor atual é de R$11,12.
Uma compra após 25% de queda seria a R$53,43. O resultado hoje seria -79,18%.
Uma compra após 50% de queda seria a R$35,62. O resultado hoje seria -68,78%.
Uma compra após 75% de queda seria a R$17,81. O resultado hoje seria -37,56%.

São dezenas de casos iguais a esses que não convém ficar repetindo muito. Acho que deu pra expor meus pontos referente a esse tema. Meu objetivo não é dizer que o meu método é melhor que os outros, com certeza não é e nem tenho essa pretensão. Trading é um jogo de probabilidades, meu principal objetivo é mostrar os dois lados da moeda, mercado em alta que pode continuar em alta, e de baixa que pode continuar em baixa. Mostrado isso, cada um deve montar sua própria estratégia de trading baseado em suas crenças, gostos, expectativas e visão do mercado e depois de ler esse artigo levar em conta essas informações extremamente importantes que podem fazer a diferença em uma operação.

Bons aprendizados, reflexões e trades a todos!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado

Stop por violação ou fechamento?

10 de junho de 2018 6 comentários

Quando fiz os testes automáticos para definir os melhores parâmetros para meu setup semanal não cheguei a testar o stop por fechamento. Principalmente porque exige mais psicológico de ver uma semana despencando, talvez bem forte, e vender somente na abertura da próxima semana. Obviamente em muitos casos esse movimento será realmente falso e você terá sorte de ter segurado firme a posição até o fim da semana.

Mas eu resolvi fazer os testes! Usei somente o stop ATR automático por violação com multiplicador de 3,5 subtraído do fechamento, que é o que utilizado no meu setup atual, comparando com stops por fechamento com multiplicador 2,5 até 5,0. A regra é esperar fechar o candle abaixo da linha do stop ATR e vender na abertura do candle seguinte. Como o gráfico é semanal isso significa esperar fechar a semana inteira e vender na abertura da próxima, ou seja, segunda-feira.

Por incrível que pareça (não imaginava isso) o melhor resultado foi do multiplicador 5,0! Eu me recusei a continuar aumentando os valores visto que os stops já ficam longes o suficiente. O resultado geral foi um lucro 26% maior com aumento de 9% de drawdown, o que seria bem interessante. A comparação é feita em relação ao stop por violação com multiplicador 3,5 sempre.

Se pegarmos o resultado com o multiplicador 3,5 porém só alterando o stop para fechamento, o lucro fica 9% maior e o drawdown 6% maior, o que já parece médio interessante.

Tem um meio termo que é interessante, com multiplicador 3,9 do ATR, o lucro aumenta 18% e o drawdown 7%.

A taxa de acerto piora bem pouco nos casos de stop por fechamento, em torno de 1-2%.

Um ponto interessante que observei é que em muitas operações ficou posicionado por vários anos, mesmo a ação ter ficado as vezes 1-2 anos de lado, mas no fim ter dado um bom rendimento. Na prática isso não ocorreria pois alguns meses que a ação fique de lado e novas oportunidades mais interessantes vão surgindo, eu teria vendido com certeza. Então levando isso em conta provavelmente os resultados acima teriam um lucro reduzido, já que se trata de um parâmetro subjetivo que acabo usando quando a carteira está cheia.

Considerando principalmente o stop com multiplicador 5,0, analisando os gráficos e comparando as operações com o 3,5 por violação atual, ele predomina bastante em muitas ações, alguns lucros individuais seriam bem maiores no 5,0. Mas aqui entra um ponto de alerta, infelizmente a minha base de MT5 só tem dados de 2008 pra frente. O ideal seria muito maior, pelo menos 2000 pra frente onde houveram vários ciclos do mercado de alta, baixa e lateralização. Portanto nesses últimos 10 anos posso dizer que o stop de 5,0 por fechamento foi bem melhor sim nas ações da Bovespa seguindo todas as outras regras que uso do setup. Porém me deixa inseguro por não ter mais trades para avaliar, se tratando de uma mudança muito relevante no setup que impacta fortemente.

Outro ponto analisando é que o stop fica muito longe com multiplicador 5,0, considerando ainda a margem do valor do indicador até o fechamento, que sempre será mais abaixo. Vi muitos casos que o stop fica 40% abaixo do topo, as vezes mais.

Eu vi no teste que se eu estivesse usando esse stop de 5,0 eu estaria na MGLU3 até hoje, ganhando uma boa nota pois comprei a R$4,50 +- e ela chegou a mais de R$120. Mas em compensação teria ações que eu estaria ganhando um valor muito bom e de repente ela cai até quase metade do valor e me stopa. Se uma situação é violentamente emocionante a outra é estremamente frustrante.

Uma estratégia não é só questão de números e lucro, todos esses fatores devem ser avaliados e definidos por cada um o que é melhor para si de modo a atingir seus objetivos e ficar confortável com seu psicológico. Com a base de dados de somente 10 anos posso dizer que não me sinto confortável com esse tipo de stop, mesmo sendo mais lucrativo nesse período. Se eu tivesse testado em 20 ou 30 anos e desse um resultado igual ou até melhor, eu ainda sim iria pensar bem para tomar uma decisão de qual stop usar.

Não é uma decisão fácil. Do mesmo modo que é difícil ser stopado e ver a ação continuar a voar depois, também não é fácil estar tendo um ótimo lucro e perder tudo num stop longo. Cada pessoa tem um peso maior para cada um desses fatores, e isso define se a pessoa é agressiva, moderada ou conservadora na bolsa de valores. Eu me considero moderado para conservador, com certeza não sou agressivo. Portanto no momento prefiro ter um stop relativamente longo que as ações possam fluir na tendência de longo prazo, mas não tão longo, e também não esperar a semana fechar. Prezo muito pelo estado emocional nos investimentos, mesmo ganhando menos. Prosperidade para mim não é só financeira, envolve outras áreas de bem estar pessoal, e na bolsa de valores é um ambiente muito fácil de bagunçar a cabeça e sensações das pessoas. A muito tempo vendo isso nas outras pessoas sempre foquei ao máximo em escolher estratégias para manter a qualidade de vida. Isso também inclui ter mais tempo, esse é um dos motivos que parei de focar em swing trade e day trade manual.

Portanto depois de muito analisar muitos os gráficos e pensar sobre os resultados, cheguei a conclusão pessoal de manter o stop por violação como está, ATR por violação com multiplicador de 3,5 (que inclusive retestei e o melhor valor se manteve inalterado).

Mas valeu os testes, sempre é bom novas análises de mercado, sempre aprendemos e observamos coisas novas e tiramos novas conclusões. Talvez algo que não sirva no presente pode servir no futuro.

Abraços para todos e boa semana!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado

Setup para compras em correções da tendência

Há muito tempo acompanho o mercado sempre nos gráficos semanais e montando as operações sempre no rompimentos de topos ou resistências. Frequentemente ações muito interessantes com tendências fortes, que estou de olho para comprar, fazem uma correção um pouco mais forte e isso me impedia ou inviabilizava uma entrada por rompimento devido ao alto risco pelo stop largo.

Sempre que via esse cenário ficava com a pulga atrás da orelha perguntando se não valeria a pena entrar na correção, na retomada do movimento de alta, pois do contrário teria que esperar o rompimento, uma nova correção e um novo rompimento para compra. Vários amigos leitores do blog já fizeram perguntas semelhantes. Minha resposta sempre foi a mesma: tecnicamente é totalmente válido a operação, mas nunca testei e parametrizei e por isso não uso.

Essa semana resolvi testar essa variação do setup. Minha condição de compra seria baseada somente no price action, sem uso de indicadores. O tempo gráfico seria no diário. A compra ocorreria no rompimento da máxima do candle anterior de queda, num movimento de correção da tendência principal, sempre utilizando os filtros de seleção de papéis que já utilizo. O stop seria abaixo do fundo recente com ou sem folga.

A opção de não usar indicadores clássico de correção como IFR, estocástico, MACD, médias móveis, HiLo, Parabolic SAR, e muitos outros, é que como meu setup busca as ações mais fortes do mercado, na grande maioria das vezes a correção mesmo sendo um pouco mais forte que o normal não atingiria pontos de sobrevendido ou reversão nos indicadores, pelo menos não das calibragens clássicas. Obviamente poderíamos calibrar de modo a deixa-los mais sensíveis às variações de preços, mas preferi simplesmente não utilizar e fazer somente olhando os preços.

A maior parte das simulações gerou mais operações e menos lucro total que utilizando o setup somente de rompimento. Algumas poucas simulações geraram um lucro total um pouco maior, cerca de 10%, porém o drawdown (rebaixamento máximo de capital) aumentou também, em cerca de 15%. O lucro por trade diminui, bem como a taxa de acerto (pouco). Obs: não simulo compras piramidadas (acréscimo de posição).

Cheguei a testar para utilizar a compra em correção somente em ações com FR acima de 95, enquanto a de rompimento valeria acima de 90, mas não surtiu muito efeito.

Portanto minha conclusão é que não compensa muito adicionar essa variação para o setup atual, preferindo manter as compras em rompimentos somente. Mas é claro que como disse, é uma estratégia válida, então pode ser que caso haja uma ação muito forte (UNIP6 por exemplo) que estou querendo entrar de qualquer jeito mas justo agora ela fez uma correção mais forte, eu resolva entrar seguindo o setup de correção. Mas provavelmente será bem poucas exceções que utilizarei esse método.

Nos testes sistemáticos, precisamos escolher uma configuração exata para trabalhar de modo a não deixar subjetivo. Um trading system deve ser totalmente objetivo em todas suas regras. É basicamente como faço com meu setup de rompimento semanal, a parte gráfico dele considero 100% objetiva. A estratégia em si não é 100% objetiva porque ainda entra uma parcela de feeling, experiência ou gosto na seleção dos papéis, depois de filtrados seguindo os critérios definidos. Se seleciono 10 ações pelos critérios e tenho capital livre para somente 1, preciso selecionar de alguma forma e isso ainda não é objetivo.

Dito isso, agora falando sobre a variação para o setup de correção no gráfico diário, eu não selecionei exatamente uma configuração como definitiva, principalmente porque não utilizarei no dia a dia. Quando testamos, os resultados foram regiões de conjuntos de parâmetros interessantes que são lucrativos e não somente um conjunto. Até porque se somente uma combinação de parâmetros desse lucro, com certeza o setup não seria bom! Então eu vou descrever aqui uma idéia do que seria essa região e não uma regra estrita. Será mais ou menos o que vou usar se um dia decidir faze-lo. Lembrando que as regras básicas de filtro e tendência são as mesmas do setup de rompimento, somadas a essas para o gráfico diário.

As regras/parâmetros são:

Distância mínima entre a máxima do candle anterior para o topo recente = 3 ATR (para ter uma distância da compra até o topo; se for correção muito pequena é preferível a compra por rompimento do topo)
Distância máxima entre a fundo recente para o topo recente = 6 ATR (para não ser uma correção muito forte podendo indicar reversão na tendência)
Stop inicial = abaixo do fundo recente
Tamanho mínimo do stop = 2 ATR

Obs: O ATR utilizado é de 20 períodos do gráfico diário

Bem, essa é a idéia de uma estratégia de compra em correção. Eu gosto de manter as coisas meio simples, então se um dia for utilizar essa variação será mais ou menos com esses parâmetros, não necessariamente a ferro e fogo como faço no rompimento semanal. Na prática só considerarei utilizar esse também se a correção pelo gráfico semanal for maior que 2,5 ATR, que é meu limite definido para entrada por rompimento. Se a correção for inferior a isso eu nem pensarei em entrar pelo diário. E de novo, só usarei em ações muito interessantes e se eu for perder a oportunidade.

É isso! Desconfiança acabada, questionamentos respondidos, agora toco a vida como estava tocando sem ficar com o “SE” na cabeça, que é o maior martírio do trader.

Bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado

Perdi a entrada (compra) da ação, o que fazer?

10 de março de 2018 7 comentários

Às vezes, geralmente por descuido, perdemos a entrada de compra em uma ação. Eu mesmo já fiz isso algumas vezes, faço todo dever de casa, analiso os gráficos, separo as ações que formaram o setup para compra, atualizo a planilha, atualizo o blog(!) mas esqueço de colocar a ordem no home broker! E é muito chato e frustrante! Principalmente se a ação dispara depois.

Então o que fazer nesses casos (que espera-se ser raros)?

Vamos tomar como exemplo a ROMI3 (gráfico ajustado), que inclusive um colega fez essa pergunta nesse período do gráfico.

A resistência estava em 7,75 na região mais a direita do gráfico semanal em dezembro. Eu fiz uma entrada no rompimento dessa resistência. Mas e se não tivesse feito? Quais as opções?

A primeira opção é esperar os preços recuarem até o preço de original de compra (7,75). É normal de uma vez acontecido o rompimento os preços recuarem e tocarem na resistência novamente, que acaba virando um suporte. Nesse caso da ROMI3 acabou acontecendo 2 vezes nas próximas semanas (linha horizontal azul):

A segunda opção é quando temos mais sorte e a ação rompe a resistência mas ainda fecha a semana abaixo do ponto de entrada. Nesse caso temos 2 escolhas: ou comprar imediatamente na abertura do pregão seguinte, provavelmente com preço mais barato que o original, ou colocar o start de compra no ponto original para confirmar se a ação atingirá aquele patamar novamente, dando uma segurança extra na operação, sendo menos suscetível a um rompimento falso. Exemplo acontecendo algumas semanas antes do gráfico anterior, onde está a seta azul:

Mas muitas vezes as ações com FR alto acima de 90 rompem e fazem uma forte alta sem olhar para trás (ou para baixo)! Nesse caso entram as próximas opções.

A terceira opção é pagar um pouco a mais do preço de entrada. Normalmente eu já aceito pagar um pouco mais, já que meu slippage que coloco no home broker na ordem de start de compra sempre é de 3% acima do preço de disparo. Apesar de não gostar quando as raras vezes que eu pego um slippage de 3%, digamos que num caso específico desses eu pagaria esse preço. Então nesse caso eu aceitaria comprar por no máximo 7,98.

Então se quando resolver comprar atrasado, os preços estiverem entre 7,75 e 7,98, eu compraria pelo valor de mercado. Agora se os preços estiverem acima de 7,98, eu poderia esperar os preços cairem e chegarem até esse patamar, mas eu acompanharia durante o dia o book e o gráfico intraday para ver se conseguiria comprar mais barato. É uma situação que não gosto, quando acontece fico meio ansioso. Por sorte é bem raro acontecer, mas acontece.

Então essa seria uma variação da opção 1 e seria uma opção bem particular, de esperar os preços cairem até o preço de entrada (7,75) ou até o preço com slippage aceitável (7,98). Como se tratam de ações em forte tendência de alta, pode gerar uma ansiedade e medo de esperar cair para entrar e os preços nunca chegarem a esse patamar e ficarmos de fora de uma possível forte alta posterior, gerando uma grande frustração. Então se for esse o caso, talvez fosse melhor aceitar e já tentar comprar na faixa dos 7,98 mesmo e saber que se os preços tiverem uma forte alta, o pequeno valor pago a mais será compensado.

Olhando pelo gráfico diário abaixo, vemos que o dia que os preços romperam a resistência (linha horizontal azul) fechou em 8,05 (primeira seta azul), o que significa 3,87% acima do preço de entrada, já fora de qualquer faixa aceitável de compra (linha horizontal verde). No dia seguinte a ação abriu a 8,19 e fechou a 8,62, que dá 11,22% acima do preço de entrada. Neste caso, dias depois os preços recuaram e atingiram os 2 patamares anteriores, mas em muitos casos isso não ocorre. Por isso se recuarem até somente a faixa mais alta talvez já seja interessante fazer a compra.

A quarta opção é se em último caso o preço não corrigir até o ponto de entrada ou aos 3% acima, eu acabo deixando passar a oportunidade e espero o preço corrigir no semanal até dar uma nova entrada pelo setup.

É o caso que aconteceu em UNIP6 em julho/2017 conforme gráfico abaixo. Caso fosse perdido a entrada do rompimento da resistência da linha azul, onde teria ocorrido na seta azul, não daria para entrar conforme nenhuma das opções anteriores, pois na semana do rompimento a ação subiu 37%! Nesse caso eu teria esperado uma nova correção, que aconteceu bem leve 2 semanas depois, formando uma nova resistência na linha verde, e eu poderia comprar no seu rompimento, que teria ocorrido na seta verde.

A quinta e última opção, mas que não costumo fazer porque sai do definido no meu setup e não testei essa variação, é olhar no gráfico diário e esperar uma correção, aí comprar na máxima do dia anterior, ou também acima da resistência mais próxima (topo recente). Tecnicamente são entradas válidas, o problema é onde ficará o stop loss inicial. Se puser no meu ponto original no semanal talvez fique muito longe. Se puser abaixo da mínima do candle recente formado (suporte no gráfico diário), ficará muito próximo, a chance de ser stopado é alta. Então por isso que é bem raro eu entrar no gráfico diário dessa forma.

É isso. Se alguém tiver outras opções interessantes por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado

Realizações Parciais são boas?

28 de fevereiro de 2018 6 comentários

Recebi uma pergunta de um amigo hoje e decidi criar um post com a resposta, pode ser útil para mais pessoas.

P: Você comentou que não era favorável às realizações parciais, eu tambem não sou, porém quando vejo alguns ativos como ROMI3 que em menos de 60 dias está dando mais de 25% de lucro começo a ficar um pouco incomodado, qual sua visão?

R: Realizações parciais são menos rentáveis matematicamente falando. Ou o melhor ponto será o longo, ou o curto. Fazendo dois pontos de venda nunca será mais rentável do que vender tudo em um deles, basta fazer contas com números fictícios de compra e venda. Elas podem ser boas para o psicológico mas não para a rentabilidade. Sempre será uma média da rentabilidade do curto prazo com o longo prazo (supondo que essas sejam as expectativas de cada posição parcial). Se a ação disparar depois para 105% de lucro, você lucrará (105%+25%)/2 que dá 65%. Mas serve para o prejuizo também, se a posição restante cair e sair no 0%, você lucrará alguma coisa, no caso (0%+25%)/2 que dá 12,5%. Ou seja, esse recurso vai suavizando a curva de capital. Então no primeiro caso o melhor seria sair com toda posição nos 105% com a posição mais longa, e no segundo caso o melhor seria encerrar os 25%, com a posição mair curta. A realização parcial nunca será a mais rentável. Se fizermos backtests de uma ação ou de múltiplas veremos que o mais rentável será sempre uma das escolhas, mas nunca a RP. A vantagem dela é que com ela você melhora a taxa de acerto e diminui o drawdown. Uma outra desvantagem além da rentabilidade é que o dinheiro volta para sua conta e você precisa realocar em outra ação.

Eu minhas operações, ou eu vendo toda posição da ação, ou continuo com tudo, nunca faço realização parcial. A única exceção acontece com casos como da FESA4 recente por exemplo. Apareceu uma oportunidade melhor e eu estava com a carteira 100% alocada. Fiz o position sizing da nova ação porém o valor total era menor do que o total da FESA4, sendo assim vendi somente parte da FESA4 para ser suficiente para comprar a nova ação.

Realmente 25% em poucas semanas é muito tentador! Um belo rendimento. Acho que depende da meta e estratégia de cada um. Eu acho que é válido realizar um lucro dessses mas é interessante ter bem definido as regras de sua estratégia, qual o objetivo principal da estratégia e quais exceções podem haver no meio do caminho. Afinal a estratégia não se resume só a ter um lucro maior, outros fatores de avaliação são importantes também.

Eu sou muito simplista, sistêmico e direto ao ponto. O objetivo da minha estratégia é de seguir a tendência (trend following) o maior tempo possível e não sair até que a ação me diga para sair, segundo minhas regras. Apesar de 25% ser um ótimo lucro, eu busco rentabilidade bem maiores, de preferência acima de 100% quando possível. Por isso eu sou resistente a vender na subida, em congestões (mesmo que OBV ou similar estiver caindo) ou em correções de média amplitude (15-20%). Sempre permaneço acreditando que a ação possa continuar subindo mais e mais, até que ela me diga o contrário.

Eu lido melhor com regras bem definidas e não gosto muito de exceções, a não ser que bem testadas e que façam parte das regras. Não gosto de tomar decisões de mudar minha operação no meio, prefiro só olhar no gráfico e seguir instruções mecânicas, sem ter que ficar pensando na tomada de decisão. Eu acho que isso gera um stress a cada análise pois temos a tendência de ficar nos martirizando se estamos tomando a melhor decisão possível, portanto somente seguir regras nos pouca desse stress, e pra mim isso é muito importante. Quaisquer exceções técnicas que possam ter eu gostaria de testar antes se possível. Eu sigo fielmente a estratégia em todos os casos. Mesmo se o mercado ficar estranho com eleições por ex. ou qualquer outro motivo incluindo os técnicos, eu vou seguindo. A única regra que eu tenho de sair de uma ação antes de bater o stop é se minha carteira estiver 100% alocada e aparecer uma oportunidade mais interessante com FR alto, e alguma ação minha estiver perdendo força e estiver com FR mais baixo, aí eu faço a troca.

É uma questão de perfil, cada um deve operar como se sente mais confortável, tanto visando lucros quanto diminuindo prejuizos. Não existe certo ou errado, existe lucro ou prejuizo! E aproveitando, outra coisa muito importante além do lucro é o comportamento da carteira e da curva de capital durante esse processo. Por ex, eu prefiro ganhar 40% num ano com drawdown da carteira de 15%, do que ganhar 100% com drawdown de 50%. Seguindo essa linha, uma pessoa pode preferir usar RP por ter um perfil mais conservador, e está tudo certo! O perfil conservador, moderado ou agressivo vai determinar os tipos de operações, as regras e o prazo operacional que cada um vai escolher.

Espero que tenha ajudado a refletir sobre o assunto.

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

Categorias:Aprendizado