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Qual o capital mínimo para começar a investir em ações?

A resposta é: Qualquer valor! Mas vamos entender melhor as condições.

Mercado Fracionário

Até com R$ 100 é possível comprar uma ação no mercado fracionário, isto é, mercado onde é possível comprar qualquer quantidade ações, em oposição ao lote padrão, onde só é possível comprar múltiplos de 100 ações, que é o mais comum. A ação no mercado fracionário possui o mesmo código porém com a letra “F” no final. Por exemplo o Itaú PN tem a sigla ITUB4 no lote padrão, no fracionário fica ITUB4F.

Dependendo da ação que for comprar, não há muita diferença do preço no lote padrão e no fracionário. Quanto maior a liquidez, mais negócios tiver no dia, menor tende a ser o spread (diferença entre a melhor oferta compra e a melhor oferta de venda).

Nos 2 exemplos abaixos vemos que o spread é bem baixo, na casa dos 0,1%, tanto no lote padrão quanto no fracionário:

Nos próximo 2 exemplos o spread no mercado fracionário é maior, na casa dos 1%, sendo que no lote padrão tem um spread normal, entre 1 e 2 centavos:

Por fim, nos 2 exemplos seguintes vemos que o spread no mercado fracionário é muito maior, portanto impactando mais na hora da compra como também na hora da venda:

Se a estratégia for de longo prazo, eu considero um spread de 1% aceitável, porque as expectativas de lucro são bem maiores que isso, portanto essa perda é diluída sem muitos impactos negativos. Agora quando o spread é muito alto já pode impactar mais o resultado final, correndo o risco até de ficar sem liquidez (ofertas de compra ou venda) em determinado momento, portanto não é recomendado operar no fracionário esses ativos com menor liquidez e spread maior.

Outro ponto a ser considerado no mercado fracionário é o custo de corretagem. Se a corretagem for relativamente alta, uma boa parte do dinheiro será tirado do montante para comprar as ações. Se for fazer a compra de R$ 500 com uma corretagem de R$ 15, estará deixando 3% do dinheiro em forma de taxa, talvez não compense. Lembrando que na venda da ação será cobrado mais R$ 15 também. Nesse caso o melhor é acumular um pouco mais de capital por alguns meses e comprar um valor superior, por exemplo R$ 1.500, onde a corretagem representaria 1% do valor. Se a corretagem for mais baixa, e tem corretoras que cobram um valor menor para o mercado fracionário, entre R$ 3 e R$ 5 por exemplo, já pode valer a pena fazer uma compra de R$ 500.

Gestão de risco

Agora vamos ver do ponto de vista da gestão de risco. Conforme detalhado na página Controle de risco, uma gestão de risco adequada envolve arriscar um percentual pequeno do capital em cada operação, eu por exemplo arrisco 1%, alguns autores falam em 2%.

Se a pessoa iniciar na bolsa com R$ 1.000, entrar em uma operação com todo o capital onde o risco (baseado no stop) é de 10%, significa que se ela tiver prejuízo nessa operação ela perderá 10% de todo seu capital destinado a bolsa de valores, ou seja, bem superior aos 2% máximos sugeridos. Caso ela queira aplicar a gestão de risco e arriscar 2% do capital, ela teria que comprar R$ 200 de ações para essa operação, pois o stop de 10% seria R$ 20, o que equivale a 2% do capital total de R$ 1.000. Com esse volume de compra de ações de R$ 200, voltamos a refletir sobre as condições do mercado fracionário explicados no item anterior.

O trader deve primeiramente definir qual o percentual de risco por operação do capital total que se sente mais confortável, idealmente não mais que 2%. A sugestão é entre 0,5% e 2%. Definido isso, o próximo passo é definir qual o capital mínimo que desejará alocar por operação, baseado no que foi dito até aqui, ou seja, lote padrão ou fracionário, spread e corretagem. Por fim é preciso saber qual a média percentual de risco (stop) por operação da estratégia a ser utilizada. Vamos supor que a pessoa decidiu usar um risco maior no início, de 2%, uma vez que o capital é menor portanto as perdas não serão tão grandes, o risco médio de 10% por operação e o mínimo de dinheiro para comprar uma ação de R$ 1.500. Para saber o capital mínimo necessário para operar com uma gestão de risco apropriada conforme os parâmetros definidos basta pegar o capital por trade e multiplicar pelo risco médio por trade, ou R$ 1.500 x 10% (ou 0,1), que resulta em R$ 150 e significa o risco por operação em reais. Agora divida esse valor, pelo risco por operação do capital total, então seria R$ 150 / 2% (ou 0,02), que resulta no valor de R$ 7.500. Ou seja, esse é valor mínimo recomendado para operar com essa gestão de risco definida.

Essa conta define o MÍNIMO mesmo, pois se devido a perdas o capital baixar desse valor não será possível fazer a gestão de risco adequada ou será obrigado a comprar ações com valor inferior ao estipulado, portanto o recomendado é iniciar com valor superior ao mínimo, deixando uma foga para eventuais diminuições do capital total, algo entre 20% e 30% acima. Esse valor mínimo se alterará baseado nos parâmetros definidos por cada um.

Obviamente é possível começar a investir sem fazer essa gestão de risco completa, talvez arriscando um percentual maior do capital total por operação, por exemplo 5%, começar comprando 1 ou 2 ações somente. Mas é importante que o trader tenha ciência do risco que está tomando e analisar bem se é isso que quer mesmo.

Diversificação

Todos já ouvimos aquele velho clichê: “Não devemos colocar todos os ovos na mesma cesta”. Na bolsa de valores isso é mais importante ainda. Se tratando de um investimento de renda variável de alta volatilidade, usar todo nosso patrimônio para comprar uma ação somente pode ser extremamente arriscado. A idéia da diversificação é pulverizar o risco, e obviamente o lucro também. Exemplo: se tivéssemos somente uma ação e esta caísse 10%, perderíamos 10% do nosso capital. Agora, se tivéssemos 10 ações e uma delas caíse 10%, perderíamos somente 1%. O lado ruim disso é que se tivéssemos 10 ações e uma ação e subisse 50%, ganharíamos somente 5% ao invés de 50% se tivéssemos somente ela, porém o mais importante na renda variável é proteger o capital, diminuir o risco. Apesar de ser uma desvantagem esse exemplo de lucro, há uma vantagem também em diversificar: temos mais chances de acertar uma ou mais ações que vão fazer um movimento bom de subida, a ponto que se tivermos uma ação somente, dependemos somente dela.

Não há um número perfeito de quantidade de ações para diversificar. Ter uma quantidade muito grande, como 50 ações, dificulta o gerenciamento e aumenta as chances de perdermos oportunidades ou fazermos alguma operação errada. Ter 1 ou 2 ações também é muito pouco.

Portanto a análise do capital inicial para começar a investir deve considerar também a questão da diversificação. Se a pessoa tiver R$ 5 mil na corretora, provavelmente não dará pra ter 10 ações diferentes. Com capital reduzido será possível fazer uma diversificação pequena, até ir conseguindo aumentar com o tempo, por exemplo começando com 2 a 3 ações na medida do possível, e provavelmente não conseguindo fazer uma gestão de risco adequada. Se a pessoa tiver menos dinheiro ainda, provavelmente conseguirá comprar somente 1 ou 2 ações diferentes. Tendo um capital razoável, eu sugeriria diversificar entre 7 e 12 ações, dependendo das condições do mercado e do perfil do trader, mas nesse ponto é crucial que uma gestão de risco adequada já esteja sendo feita. Não é recomendado aumentar a diversificação se for descumprir os seus parâmetros de gestão de risco.

Conclusão

Coloquei alguns pontos importantes para a definição do capital mínimo para investir em ações. Cada trader deve fazer sua análise individual e chegar ao seu valor mínimo para entrar na bolsa de valores. Eu não comecei o artigo respondendo “Depende!” para a pergunta do título porque todos fazem isso e já cansei de ver sempre essa mesma resposta! Mas então deixando para o final para não perder o clichê, depende de cada pessoa essa decisão do valor do capital mínimo para começar a investir em ações e ninguém poderá falar qual é.

Uma vez definido o capital para iniciar, se a pessoa não tiver todo o disponível valor ainda, a sugestão seria manter a quantia disponível em uma renda fixa e ir fazendo aportes regulares dentro do possível até conseguir poupar e acumular o valor necessário. Com um capital inicial bem definido com certeza o trader passará por menos perrengues após alguma eventual sequência negativa de operações.

Espero que essas informações ajudem a dar uma boa idéia para iniciar bem na bolsa de valores.

Se alguém tiver informações para complementar por favor compartilhe!

Abraços e bons trades!

Rodrigo Sibin Lichti

Obs: As informações colocadas aqui são simplesmente meus registros pessoais, não são recomendações de investimentos para outras pessoas. Não sou profissional certificado de investimentos e não posso orientar nenhuma pessoa a comprar ou vender determinado ativo. Os comentários e respostas para os leitores são simplesmente trocas de idéias entre investidores.

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Categorias:Aprendizado, Artigos
  1. 4 de maio de 2019 às 14:53

    Muito didático!!!
    Uma dúvida que muita gente tem!!!
    Esse artigo valeria, com certeza, uma boa publicação na infomoney/páginas congêneres!!!
    Obrigado por nos agraciar com seus estudos!!!

  2. 5 de maio de 2019 às 18:56

    kkkkkkkkkk!!!!!

  3. 5 de maio de 2019 às 19:31

    Insistindo, a publicação em outros canais seria muito bem vinda…,. aliás, seria salutar para todo o sistema em si, corretoras, mídias especializadas e para o sem número de investidores iniciantes/potenciais que tem a mesma dúvida.

    Lembro de mim mesmo, quando no longínquo ano de 2008 quando a corretagem era ou R$ 20,00 ou tabela bovespa e todo mundo achava barato…
    Aí, como eu tinha pouco capital, para compensar a corretagem, lembro que tinha uma corretora que só cobrava R$ 5,00 no mercado fracionário e foi nesse mercado que comecei.
    Acredito que tem muita gente operando no fracionário. Eu mesmo, de vez em quanto ainda faço umas visitas no fracionário, por exemplo, ações da MGLU3, que estão com o preço bem alto para o lote completo.

    Acho que é muito válido o investidor iniciante tomar conhecimento desse tipo de informação de uma fonte isenta e verdadeira.

    Vamos propagar o bom conhecimento!

    Uma informação desta muita gente está procurando!!!!

    Imagino, que passando a reforma da previdência e com a queda de juros,cada vez mais investidores vão se aperceber de que a renda fixa, e notadamente a poupança, não darão uma rentabilidade/correção justa no longo prazo.

    Podemos estar em uma época que represente um divisor de águas, na forma pela qual o brasileiro pense seus investimentos. Afinal de contas os anos de hiperinflação de de juros altos foram nefastos, não apenas no aspecto financeiro global, mas também na forma pela qual os brasileiros aprenderam a investir.

    O tempo passou, aliás, voou, e a poupança Bamerindos…..

    Eu exagerado???
    E o que dizer da sua rentabilidade histórica da sua carteira?????
    Grandes são as muralhas da China e não quem escreve sobre elas!!!!

    kkkkkkkkk…..

    • 5 de maio de 2019 às 20:44

      Falou muito bem! Novamente obrigado pelos comentários!

      Eu operei quase nada no mercado fracionário, fiz uma meia dúzia de operações quando comecei em 2007 mas eu dava prioridade para o lote padrão, mesmo com pouco dinheiro, procurava ações mais baratas, abaixo de R$ 30 ou R$ 20 dependendo. Pelo que me lembro o spread no fracionário era maior 10 anos atrás, hoje pelo que pesquisei, há muitas dezenas de ações com spread bem baixo, semelhante ao lote padrão, então fica bem viável a operação. E como você disse, hoje as corretagens baixaram bastante, tem corretoras oferecendo no mercado fracionário abaixo de R$3, então ajuda bastante o investimento com baixo valor.

      E realmente, quanto mais a taxa de juros baixar e a renda fixa junto, mais desanimado a população vai ficar com os rendimentos, a ponto de um dia estar recebendo 3% ao ano por exemplo, algo em torno de 0,2% líquido ao mês, o que gerará uma migração inevitável para a bolsa de valores, e nessas horas informação é tudo.

      Mas a rentabilidade da minha carteira não é tão boa quanto gostaria, tiveram anos ruins seguidos na crise brasileira. Como disse em outras vezes, quero ver como se comportará em anos ruins depois que mudei minha estratégia no fim de 2016, depois disso vieram 2 anos bons… Não que eu quero testar isso logo, prefiro que venha muitos anos de prosperidade no Brasil antes disso acontecer!

      Abração e bons trades!

  4. Fernando Chiarelli
    12 de maio de 2019 às 10:53

    Sempre mandando muito bem! Parabéns Rodrigo!

  5. Guilherme
    28 de junho de 2019 às 12:56

    Primeiramente, parabéns pelo seu trabalho. Informação detalhada e com qualidade.

    Como você gerencia aportes mensais? Diversifica, realiza novas compras na mesma carteira ou outras coisas?

    Obrigado

    • 28 de junho de 2019 às 14:54

      Fala Guilherme, obrigado!
      Meus aportes, que não são necessariamente mensais, se juntam ao saldo da corretora, que às vezes não tem praticamente nada e às vezes pode ter um valor maior devido a stops recentes. Esse saldo eu deixo em aguardo das novas oportunidades de entradas de acordo com minha estratégia, pode ser que demore algumas semanas até ter um destino. Uma opção é deixar o dinheiro parado alocado em algum fundo DI com resgate máximo em D+1, preferencialmente D+0, onde possa ser resgatado se resolver fazer uma compra. Eu nunca aumento posições da carteira só porque entrou dinheiro, cada nova entrada é uma nova posição, mesmo que seja numa ação que já possuo, então só quando todas as regras forem preenchidas.
      Abraços e bem vindo!

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